3 PLANEJAMENTO DAS AÇÕES

3.2 Planejamento da sequência didática

Após o estudo mais aprofundado da carta de leitor e o levantamento de sugestões metodológicas para o seu ensino-aprendizagem feitos na seção anterior, podemos iniciar o planejamento da nossa SD.

Conforme vimos na seção 1.1.3 deste trabalho, Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004) propõem que a sequência se inicie com a descrição detalhada da situação de comunicação em que se insere o gênero e a preparação dos conteúdos necessários para sua produção inicial.

Considerando, também, as contribuições de Bezerra (2010, p.232-234), iniciaremos a SD buscando estimular os alunos a identificarem as características principais da carta de leitor, através do trabalho com diferentes e variados textos representativos desse gênero, fazendo com que reconheçam as diferenças e semelhanças entre cartas publicadas em jornais e revistas com diferentes perfis de leitores. Além disso, buscaremos fazer, nesse momento, uma primeira sondagem dos conhecimentos prévios dos alunos quanto à carta de leitor.

Ao longo dessa primeira apresentação, pretendemos observar que temática de interesse dos alunos poderia servir de eixo para a elaboração da proposta de produção inicial e, consequentemente, acompanhar toda a SD. Lembramos que, como já foi exposto na seção 3.1, tratar de temas de interesse dos alunos é uma recomendação tanto de Bezerra (2010) quanto de Santos, Riche e Teixeira (2013).

Além disso, acreditamos que a escolha de uma temática central poderá auxiliar, principalmente, a preparação dos conteúdos recomendada por Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004). Os autores destacam a importância dessa preparação, afirmando que, no caso da carta de leitor, “os alunos deverão compreender bem a questão colocada e os argumentos a favor e contra as diferentes posições.” (p. 99)

Após definir o eixo temático da SD, pretendemos passar, justamente, para a sensibilização sobre o tema escolhido com o objetivo de promover o aprofundamento sobre a

questão a ser tratada na carta. Nessa etapa, achamos interessante a sugestão de Bezerra (2010) de que os alunos assistam a filmes com a mesma temática, visto que isso proporcionará a ampliação de seu conhecimento sobre o assunto.

Com o fim da etapa de sensibilização, poderemos passar para a produção inicial, cuja proposta terá como evento deflagrador um acontecimento que, além de relacionado ao assunto trabalhado na etapa anterior, faça parte da vivência dos alunos, de forma que a produção do gênero cumpra sua função social.

O próximo momento de nosso trabalho será a análise dos textos produzidos e a diagnose dos conhecimentos já adquiridos e ainda não adquiridos pela turma, com o objetivo de elaborar os módulos que serão trabalhados ao longo da sequência. Os aspectos abordados e o número de módulos só serão definido após a avaliação dos textos, pois neles serão trabalhadas apenas as dificuldades identificadas nas produções iniciais.

Continuando nosso planejamento, após trabalhar as dificuldades dos alunos nos módulos, pretendemos seguir as etapas da SD proposta por Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004), sistematizando os conteúdos trabalhados em uma lista de constatações e chegando a produção final através da revisão e reescrita da produção inicial.

Lembramos que como o foco deste trabalho é a tentativa de implementação da avaliação formativa no processo de ensino-aprendizagem da produção textual, buscaremos desenvolver, a partir da lista de constatações, um instrumento que possa auxiliar tanto os alunos quanto os professores no momento da avaliação, revisão e reescrita dos textos produzidos. Para melhor visualização, dispomos o planejamento da SD no quadro que apresentamos a seguir:

Apresentação do gênero: carta de leitor (4h/a) (continua na próxima página)

Objetivos Procedimentos didáticos

1. Perguntar aos alunos se costumam ler revistas, jornais e sites. Quais são os seus preferidos. Se já mandaram uma carta para esses suportes.

2. Leitura completa da seção de cartas de leitor das revistas Veja Rio, Atrevidinha e Ciência Hoje das Crianças (CHC).

3. Levar os alunos a perceberem as diferenças e semelhanças entre as cartas dos diferentes veículos. Para isso, pedir que completem o seguinte quadro:

Veja Rio Atrevidinha CHC Objetivo das cartas

Perfil do leitor

Motivação para escrever Destinatário

Estrutura

diferentes cartas de leitor.

4. Leitura da notícia “Saiba mais sobre o uso de cachorros e outros bichos em experimentos científicos”9, disponível na seção Folhinha do site da Folha de São Paulo e das cartas a ela relacionada enviadas por crianças, disponíveis nas matérias do mesmo site: “Crianças dão opinião sobre polêmica dos beagles; qual é a sua?”10 E “Só vou utilizar cosméticos que não fazem testes em animais”, diz Amália, 10”11.

5. Estimular os alunos a observarem o ponto de vista dos leitores e a se posicionarem sobre a notícia e às próprias cartas oralmente.

6. Levantamento de tema de interesse dos alunos para elaboração da proposta de produção inicial.

1- Fazer perguntas sobre a temática escolhida na aula anterior, buscando relacioná-la com a vivência dos alunos.

2- Leitura de texto sobre a temática.

3- Passar filme sobre o assunto, seguido de debate.

Produção inicial (2h/a)

1. Passar vídeo de motivação para a temática que será abordada na produção inicial.

2. Leitura de textos de diferentes gêneros, mas com a mesma temática.

Identificação da carta de leitor dentre eles.

3. Levantamento de suas características e usos. Distinção entre a estrutura da carta antes e depois de ser publicada.

4. Proposta de produção inicial da carta de leitor, tendo como evento deflagrador acontecimento real relacionado à temática abordada e à vivência dos alunos.

Módulos (nº de h/a a definir)

A partir da avaliação diagnóstica das produções iniciais, tendo como referência o quadro de sistematização do gênero carta do leitor, serão elaboradas atividades que comtemplem as deficiências e/ou habilidades ainda não desenvolvidas pelos alunos.

9 Disponível em <http://www1.folha.uol.com.br/folhinha/2013/10/1362323-saiba-mais-sobre-o-uso-de-cachorros-e-outros-bichos-em-experimentos-cientificos.shtml>. Acesso em: 21 jul. 2016.

10 Disponível em <http://www1.folha.uol.com.br/folhinha/2013/10/1362328-criancas-dao-opiniao-sobre-a-polemica-dos-beagles-qual-e-a-sua.shtml>. Acesso em: 21 jul. 2016.

11 Disponível em <http://www1.folha.uol.com.br/folhinha/2013/10/1363813-so-vou-utilizar-cosmeticos-que-nao-fazem-testes-em-animais-diz-amalia-10.shtml>. Acesso em: 21 jul. 2016.

Elaboração da lista de constatações (2h/a) Elaborar síntese

do que foi aprendido sobre o gênero.

1. Elaborar perguntas sobre seu contexto de produção, estrutura composicional e recursos linguísticos.

2. A partir das respostas dos alunos, ir construindo, no quadro, junto com eles, a lista de constatações.

Revisão e reescrita da produção inicial (2h/a) Revisar e

reescrever a produção inicial.

1. Avaliar o texto dos alunos tendo como referência uma lista de critérios desenvolvida a partir da lista de constatações elaborada com a turma.

2. Devolver aos alunos a produção inicial juntamente as orientações para a sua revisão.

3. Propor aos alunos que reescrevam seus textos melhorando os pontos destacados pela professora.

Como é possível perceber, este planejamento é um esboço do que pretendemos fazer ao longo da implementação da SD. Apenas a etapa de apresentação do gênero se encontra definida. Para que possamos elaborar, de fato, as demais atividades, será necessário definir, primeiramente, o eixo temático que norteará o trabalho, pois é a partir dele que faremos a seleção dos textos e dos vídeos utilizados. Como optamos por trabalhar um tema de interesse dos alunos, este só poderá ser definido após a sondagem que faremos durante a primeira etapa da SD.

Lembramos, também, que nosso foco não está na implementação da SD. Ela foi escolhida, apenas, como o procedimento que julgamos ser mais propício para a prática da avaliação formativa no ensino-aprendizagem da produção escrita.

Feitos estes esclarecimentos, trataremos de relatar, na próxima seção, as ações implementadas em sala de aula.

No documento Universidade do Estado do Rio de Janeiro Centro de Educação e Humanidades Faculdade de Formação de Professores. Leila Lobão de Souza Morgado (páginas 62-66)