2 REVISÃO DA LITERATURA
2.1 Planejamento e políticas públicas: aspectos conceituais
Dias e Matos (2012, p.1) aduz que os termos Políticas Públicas e Política estão relacionados com o poder social. Para compreender, inicialmente, este poder social a literatura inglesa faz distinção entre os termos politics e policies.
A distinção entre os termos acima mencionados está claramente descrita por Dias e Matos (2012, p.2), inferindo que a luta pelo poder nas mais diversas organizações seja pública ou privada constituem o cerne do termo politics que pode ser obtido através da construção de carreira política partidária ou mesmo empresarial neste caso o ser busca para si certo grau de influência nas organizações em que se relaciona, ao passo que o termo policies (no singular policy) pode ser compreendido como uma ação do governo através de agentes públicos nomeados para exercer atividade de responsabilidade do Estado nos campos da:
saúde, educação, lazer, habitação etc., ou seja, são ações que interferem no ambiente social e político da sociedade.
Entretanto, procede ao que aferem Dias e Matos (2012, p. 2) na Língua Portuguesa adota-se somente o termo policy (em vez dos dois temos ingleses) quando se refere as “políticas públicas”, o que conceitualmente pode-se definir como o conjunto de atividades que dizem respeito à ação do governo.
Para melhor compreender as políticas públicas Dias e Matos (2012, p.2) esclarece que o termo política é derivado de polis(polikós) cuja definição clássica foi
nome do município de “Serra do Navio”, cuja fundação ocorreu em 1º de maio de 1992 por ato do Governador Anníbal Barcellos. MORAES, Paulo Dias. História e Geografia do Amapá. Macapá-AP;
JM Editora, 2008.
herdada dos antigos gregos no século 4 a.C., ou seja, é o conjunto de atividades que tem como referência o Estado, são as ações desenvolvidas pelo Poder Público para satisfazer uma necessidade coletiva, seja na área da saúde, educação, habitação e àquelas de responsabilidade do Governo ou do Estado.
Neste sentido, pode-se aferir que definir políticas públicas não é tarefa simples, pois envolve diferentes dimensões entre as quais a social e cultural. Secchi (2015, p. 2 apud LIMA; D‟ASCENZI, 2018, p. 37) é sucinto ao definir Política Pública, diz ele “uma diretriz elaborada para enfrentar um problema prático”, neste caso ele não faz distinção entre o Estado e Governo, público e privado, ele enfatiza o aspecto prático de resolutividade coletivos em sociedade, ou seja, resolver uma situação vivenciada em sociedade.
Em conformidade com Secchi que aborda a praticidade, Dias e Matos (2012, p. 10), de modo científico, esclarece que as Políticas Públicas estão inseridas na área da Ciência Política, que aos poucos foram tomando forma e status científico nos meados do século XX, sobretudo com a publicação de dois livros ícones para entronizar as Políticas Públicas como área específica de estudo, O Processo Governamental de David B. Truman e As Ciências Políticas de Daniel Lerner e Harold D. Lasswell.
Da mesma forma Souza (2006, p. 26 apud LIMA; D‟ASCENZI, 2018, p.
37) entende que Política Pública é o “campo do conhecimento que busca, ao mesmo tempo, „colocar o governo em ação‟ e/analisar essa ação”. Esse olhar de Souza tem a primazia de colocar as Políticas Públicas no âmbito dos planos governamentais, sobretudo quando o foco é derivado da ação política de governo, tendo como característica fundamental a ação limitada no tempo político do agente.
Tomando como base essa premissa para compreender melhor as políticas públicas, é imperioso entender a noção de, ou mesmo o conceito de público. Dias e Matos (2012, p. 11), nos diz que as Políticas Públicas “são aquelas que estão em oposição a outras que envolvem a ideia de „privado‟. O público compreende aquele domínio da atividade humana que é considerado necessário para a intervenção governamental”.
De modo bem elucidativo Dias e Matos (2012, p. 14), comentam que o termo público não deve ser considerado exclusivo ao Estado “como muitos pensam, mas, sim, à coisa pública, ou seja, pertencente ou destinado ao povo, sob a égide de uma mesma lei e o apoio de uma comunidade de interesses”. Desta forma, as ações
decorrentes das políticas públicas têm, em muitos casos, a participação de ente privados no processo decisório e de execução, cujas ações devem ser controladas e fiscalizadas pela sociedade.
Neste sentido Max (1969, apud WEFFORT, 1991, p. 259) afirma que:
“essa contradição entre o interesse particular e o interesse coletivo que leva este último a assumir, na qualidade de Estado, uma forma independente, separada dos interesses reais do indivíduo e do conjunto (da sociedade)”, ou seja, o coletivo deve se sobrepor ao individualismo.
Da mesma forma Amabile (2012, p. 390) discorre que as Políticas Públicas atendem aos interesses da sociedade por ter uma visão de coletividade e que as decisões de defini-las, no sentido pragmático, uma vez decorrem de um processo complexo composto de variáveis que impactam no modo de vida de todos.
No mesmo sentido Dias e Matos (2012, p. 12), definem Políticas Públicas como: “ações empreendidas ou não pelos governos que deveriam estabelecer condições de equidade no convívio social, tendo por objetivo das condições para que todos possam atingir uma melhoria na qualidade de vida compatível com a dignidade humana”.
Para Dias e Matos (2012) é salutar para melhor compreender políticas públicas, as mesmas estão presentes nas mais diversas áreas como: saúde, educação, moradia, assistência social. Neste caso, estas áreas estão estruturadas dentro das políticas sociais; da mesma forma temos as políticas econômicas (cambial, fiscal etc.), políticas administrativas (descentralização, transparência etc.) e até mesmo políticas setoriais específicas (meio ambiente, cultural, direitos humanos) entre outros.
De modo claro e objetivo as Políticas Públicas, em linhas gerais, são executadas por governos legalmente eleitos em um processo eleitoral, o que lhes dá legitimidade para agir de acordo com sua proposta de governo. Neste caso, as propostas são delineadas em um instrumento estratégico denominado Plano Plurianual, ou simplesmente chamado de PPA, cuja temporalidade é de 04 (quatro) anos.
Ademais o PPA não é discricionário, o governante é obrigado por lei a usar este instrumento de planejamento. De acordo com Castro (2012, p. 380) o Plano Plurianual é de iniciativa do poder executivo e está estatuído no “artigo 165,
da Constituição da República, e que de forma regionalizada, delineia objetivos e metas para a despesa de capital e de programas de duração continuada”.
De fato, a Constituição de 1988 introduziu o planejamento ao sistema orçamentário e financeiro,a partir de três instrumentos de planejamento, de responsabilidade do Poder Executivo, quais sejam: o Plano Plurianual, Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e Lei Orçamentária Anual (LOA).
Assim, para Misoczky e Guedes (2011, p. 141) o PPA, a LDO e a LOA são instrumentos de planejamento que se articulam com a formulação e execução dos orçamentos e, também, com os procedimentos de controle social, ou seja, “a LDO e a LOA têm que estar alinhadas aos dispositivos enunciados no PPA”.
De modo concreto Misoczky e Guedes (2011, p. 138-140) asseveram que as políticas públicas são executadas através de planejamento público, cujo instrumento de médio prazo é o Plano Plurianual, que tem por finalidade definir um projeto de investimento e desenvolvimento mais equilibrado para a sociedade.Entretanto, tais prioridades podem ter como elementos norteadores questões estratégicas que versem sobreas políticas industrial e comercial vigentes, as políticas de inclusão social capazes de gerar mais empregos e, também, as questões de infraestrutura econômica, social e ambiental ausentes nas políticas públicas governamentais.
A Carta Magna de 1988 determina que o Estado é o agente regulador e normativo da economia com as funções de planejamento, este fundamental na área governamental e sinalizadora para o setor privado e, também, estabelecerá as bases do equilíbrio regional incorporando os planos nacionais e regionais de desenvolvimentos (MISOCZKY; GUEDES, 2011, p. 138)