Em função da grande variabilidade de tipos de áreas suspeitas de contaminação que necessitam ser investigadas (diferentes tipos de fontes de contaminação, contaminantes, vias de transporte e receptores ou bens a proteger), não pode ser aplicada uma forma única para definição do plano de amostragem. Entretanto, uma seqüência de procedimentos comuns podem ser sugeridos para a sua definição. Na elaboração de um plano de amostragem na etapa de investigação confirmatória, devem ser definidos basicamente:
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os meios a ser amostrados;•
número, profundidade e localização dos pontos de amostragem;•
os parâmetros a ser analisados;•
as técnicas e protocolos de amostragem, preparação de amostras e análises;•
número de campanhas de amostragem;•
os valores-limite das concentrações dos contaminantes a ser considerados;•
plano de infra-estrutura e segurança dos trabalhadores;•
a equipe de profissionais que participarão da execução dessa etapa.Destaca-se que a base principal para o planejamento dos trabalhos é o Modelo conceitual 1 (ver capítulo 5000), desenvolvido na etapa de avaliação preliminar. Portanto, o planejamento da investigação confirmatória dependerá basicamente das hipóteses de distribuição dos contaminantes na área, formulada no modelo conceitual que, por sua vez, dependerá diretamente da qualidade das informações prévias levantadas sobre a área investigada.
1.1 Os meios a ser amostrados
Segundo BYRNES (1994), diversos compartimentos ambientais podem ser amostrados na investigação de uma área, podendo ser citados: os solos, os sedimentos, as rochas, aterros, águas subterrâneas, águas superficiais, águas da zona não saturada (solução do solo), gás do solo, ar ambiente (interno e externo). Além destes, podem ser amostrados resíduos, efluentes, partes das edificações (paredes, pisos, tintas), poeira, animais e vegetação.
Uma vez que o objetivo da etapa de investigação confirmatória é apenas a verificação da existência de concentrações de contaminantes maiores que os limites estabelecidos para declarar uma área como contaminada, dificilmente existirá a
Na etapa de investigação confirmatória, a escolha do meio a ser amostrado recai, normalmente, sobre os solos, sedimentos, aterros e águas subterrâneas.
Por exemplo, no caso de vazamentos em tanques subterrâneos de armazenamento de combustível em postos de serviço, os hidrocarbonetos tendem a concentrar-se próximo à superfície potenciométrica do aqüífero livre, podendo, inclusive, formar fase livre de combustível sobre a franja capilar. Neste caso, para confirmar a presença de contaminação poderão ser retiradas amostras de águas subterrâneas e de solo em profundidades próximas ao nível d’água ou no ponto do perfil do solo onde for detectada a maior concentração de vapores orgânicos..
Considerando-se uma investigação em uma indústria metalúrgica, a suspeita de contaminação recairia sobre os metais, que apresentam a tendência de se concentrarem na superfície do solo devido às suas características físico-químicas, e também à origem da contaminação. Nestes casos, o meio a ser amostrado na investigação confirmatória seria o solo superficial.
1.2 Número, profundidade e a localização dos pontos de amostragem
A localização dos pontos de amostragem é função do conhecimento existente sobre a hipótese de distribuição dos contaminantes na área. De uma forma geral, a partir de fontes de contaminação pontual, existe uma tendência de distribuição dos contaminantes pela área de forma heterogênea, considerando-se o plano horizontal. A partir de fontes de contaminação dispersa (emissão atmosférica, por exemplo), a tendência é que os contaminantes se distribuam de forma homogênea na área, considerando-se o mesmo plano.
Segundo USEPA (1989 citado em BYRNES, 1994), basicamente existem três tipos de esquema de distribuição dos pontos de amostragem dos solos e águas subterrâneas, no plano horizontal, em uma área:
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amostragem direcionada;•
amostragem sistemática;•
amostragem aleatória.Informações mais detalhadas a respeito dessas estratégias de amostragens são apresentadas na seção 6300.
Além da coleta nos pontos onde ocorre a maior probabilidade de existência de contaminação, devem ser coletadas também amostras onde não ocorra a influência das fontes suspeitas identificadas, ou seja, onde ocorram valores naturais, para comparação. Por exemplo, para a coleta de águas subterrâneas recomenda-se no mínimo três pontos de amostragem nos locais suspeitos de contaminação e um para determinação da qualidade natural dessas, conforme descrito em ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT (1997a).
Na etapa de investigação confirmatória, em áreas suspeitas de contaminação, a distribuição das substâncias contaminantes deve ser investigada tanto no plano horizontal quanto no vertical.
A profundidade de investigação ou de amostragem, da mesma forma como são definidos os pontos de amostragem no sentido horizontal, também variará de acordo com as características das fontes de contaminação, dos contaminantes e do meio físico. Dessa forma, devem ser amostradas preferencialmente as profundidades onde os contaminantes apresentem a maior probabilidade de estarem concentrados. Durante a realização da amostragem, podem ser utilizados métodos de “screening” e métodos geofísicos (ver seções 6100 e 6200), para encontrar as anomalias indicativas das maiores concentrações dos contaminantes em profundidade. Por exemplo, utilizando-se analisadores de vapores para determinar o ponto do perfil do solo a ser amostrado que apresenta os maiores valores de concentração de contaminantes voláteis.
Quando não existem indicações para orientar a definição da profundidade de amostragem, pode-se estabelecer níveis regulares para esta ou amostrar de acordo com a posição de diferentes camadas hidroestratigráficas.
Na seção 6300, são apresentados alguns exemplos para a definição da profundidade de amostragem.
Considerando as estratégias estabelecidas em USEPA (1996b), SOCIEDAD PÚBLICA GESTIÓN AMBIENTAL - IHOBE (1995), e na regulamentação da Lei Federal de Proteção do Solo e de Áreas Contaminadas da Alemanha, são propostas, neste manual, as seguintes estratégias para a elaboração de planos de amostragem de solo e águas subterrâneas na etapa de investigação confirmatória, apresentadas na Figura 6000-2 e descritas no Quadro 6000-1. Essas estratégias consideram a qualidade das informações obtidas na etapa de avaliação preliminar e a hipótese de distribuição espacial dos contaminantes esperada, estabelecendo diferentes formas para a locação dos pontos e profundidade de amostragem, em função das características específicas de cada área suspeita de contaminação:
Hipótese de distribuição espacial da contaminação Homogênea Heterogênea Posição da fonte conhecida Posição da fonte desconhecida Confirmada a contaminação? não sim RUIM BOA Classificação 2 Modelo Conceitual 1 Qualidade das informações do modelo?
Estratégia 1
(ver quadro 6000-1)Estratégia 2
(ver quadro 6000-1)Estratégia 4
(ver quadro 6000-1)Estratégia 3
(ver quadro 6000-1) Métodos de "screening" e/ou geofísicos aplicáveis? não sim Aplicar método escolhidoAP
AC
AE
AC
Figura 6000- 2: Estratégias de amostragem de solos e de águas subterrâneas na etapa de investigação confirmatória.
Estratégias de amostragem de solo e/ou água subterrânea na investigação confirmatória Estratégia 1
Distribuição dos pontos de amostragem em planta. Dividir a área suspeita em lotes de no máximo 500 m2. Número de pontos de amostragem: 15 por lote. Número de amostras: 1 amostra composta por lote.
Profundidade de amostragem: de acordo com o bem a proteger e as características do contaminante.
Estratégia 2
Situação A: A área possui boa qualidade de informações levantadas na avaliação preliminar.
Distribuição dos pontos de amostragem em planta.
Dividir a área suspeita em 2 subáreas, de acordo com a hipótese de distribuição da contaminação, em: