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A GUERRA DE MANOBRA

SUMÁRIO 1 ESTRATÉGIA

13. PLANO DE CAMPANHA

O plano de campanha é a tradução em palavras das ações vislumbradas pelo co- mandante para realizar sua parte no esforço de guerra desde a preparação até a se- qüência de operações inter-relacionadas para atingir o efeito desejado final que garanta alcançar o objetivo estratégico. O plano de campanha é um mecanismo para prover foco e direção aos subordinados que executam missões táticas.

O plano de campanha deve evidenciar o objetivo estratégico. Ele deve descrever, tanto para os comandos subordinados e superiores, o efeito desejado final que irá garantir aquele objetivo estratégico, o conceito e o intento da campanha, uma seqüência de fases (tentativa) e os objetivos operacionais que levarão ao sucesso, bem como os conceitos gerais das funções de apoio chaves, especialmente um conceito logístico que sustente a força ao longo de toda a campanha. O conceito logístico é vital, já que a logística, talvez mais do que as outras preocupações operacionais, pode ditar o que é operacionalmente possível.

O plano pode descrever as fases iniciais da campanha com alguma certeza. Mas o desenho das fases consecutivas tornar-se-á mais genérico, já que a incerteza e a situação torna-se crescentemente mais imprevisível. A campanha deve permanecer flexível o tem- po todo. Entretanto, a fase final, a antecipada ação decisiva que irá atingir o sucesso final e sobre a qual toda a campanha se alicerça deve ser claramente visualizada e descrita.

O plano de campanha estabelece eventos e tentativas e torna-se uma medida de progresso: final e imutável; mas isso não quer dizer que ele seja um cronograma de ações. Até o objetivo final ser alcançado, deve-se continuamente adaptar-se o plano de campa- nha aos objetivos que mudaram (tanto nossos como do inimigo), aos resultados, aos re- cursos e aos fatores limitativos. Tal qual outro plano qualquer, o plano de campanha é um plano de dados que se edifica de acordo com a necessidade e a oportunidade.

14. CONCLUSÃO

Ainda convivemos com a concepção do Estado-Maior napoleônico e as suas se- ções seguindo a divisão do trabalho ditada pela escola de administração clássica, sem incorporar a variável mais importante do combate atual: o fator tempo.

A exposição do assunto evidenciou que no nível político-estratégico existe uma ple- tora de recursos que caracterizam a implementação da guerra de manobra antes de se lançar mão da força militar. Toda vez que o condutor político faz uso da força implica, em nosso entendimento, que a política falhou e, portanto, a guerra de atrito vai ser implemen- tada.

Propositadamente, o nível militar-estratégico não foi abordado anteriormente, haja vista que, na instância considerada, o entendimento do que seja a guerra de manobra nesse nível, no meu ponto de vista, se reduz à adoção de uma postura bastante madura na relação com o nível político-estratégico e que posicione muito bem o condutor político quanto às suas opções e objetivos políticos. Caso o condutor político fixe um objetivo inexeqüível, impossível de ser alcançado com os meios colocados a disposição do instru-

mento militar, o interlocutor militar deve alertá-lo para o fato e assessorá-lo para que mude o objetivo político. Em suma, conter essa possível tentativa do poder político, adequando o objetivo político à natureza e às limitações do instrumento militar facilitará a guerra de manobra; caso contrário, será pura atrição e derrota.

Clausewitz afirma, enfaticamente, que devem haver ações concordantes dos seto- res político e militar, embora não os considere equivalentes. O comandante militar deve ser membro do Gabinete, de modo que o corpo político possa receber a adequada asses- soria nos aspectos da atividade militar. O comandante militar, também, tem o direito de pleitear que os rumos da política sejam coerentes com os meios que lhe são colocados à disposição. Na guerra, os meios e as ações militares devem traduzir o propósito político, não devendo substituí-lo nem obliterá-lo, de modo a tornar a guerra racional e utilitária.

Em suma, é importante ter em mente que a conduta da guerra no nível operacional é muito mais uma arte do que uma ciência.

Assim, o relacionamento entre políticos e militares deve ser pautado na parceria durante as estimativas políticas, cabendo ao corpo político buscar um propósito político adequado, que represente as aspirações legítimas da sociedade. Caberá ao militar a fi- xação de um propósito militar que traduza o propósito político e a avaliação de sua exe- qüibilidade, competindo-lhe, se for o caso, restringir o propósito político, quando os meios disponíveis para a condução da guerra não forem compatíveis.

No nível tático, mostrou-se que a guerra de manobra é plenamente aplicável e fica circunscrita apenas por limitações de espaço e tempo. Nesse nível, o resultado da aplica- ção da guerra de manobra terá como significado uma sinergia no poder de combate pela impulsão e agressividade inerentes a esse estilo.

O nível operacional é a instância em que a guerra de manobra se aplica em toda a sua essência, pois no exercício da arte o comandante terá que possuir intuição e jul- gamento superiores e arquitetar e sincronizar as operações necessárias para alcançar o objetivo militar com a maior eficiência possível. A preservação da liberdade de ação e a sinergia geradas, bem como a sincronização das operações no tempo e espaço, irão gerar vários dilemas e reduzir as opções da força inimiga, ocasionando a sua desestruturação sistêmica e degradando suas capacidades. O comandante operacional deve ser capaz de influenciar mais gente espalhada em espaços maiores, logo, ele deve ser carismático e possuir forte personalidade. Liderança no nível operacional requer clareza de visão, fortaleza de vontade e extrema coragem moral; mais do que isto, ela requer habilidade de comunicar esses traços clara e poderosamente por meio da cadeia de comando, já que cada nível exerce uma fricção na comunicação efetiva.

Em função do contexto e conjuntura socioeconômica vivida e das projeções de futuro, é difícil se opor a adoção de um estilo de combate que independe de superioridade numérica e recursos infinitos para alcançar a vitória. A aplicação da guerra de manobra nos níveis elevados de condução da guerra significa menos perdas de vidas e dinheiro dos nacionais e contribuintes. Por outro lado, é importante dizer que a guerra de atrito não está banida; certamente, ela tem aplicação em certas instâncias e situações e conviverá ao lado da guerra de manobra; mas, em termos comparativos, ela integrará o todo do combate em menor proporção.

PARTE III

AS GUERRAS NAPOLEÔNICAS