3.3 Aspectos legais, resolutivos e normativos

3.3.3 Plano diretor municipal

É o instrumento técnico e político básico de orientação das ações dos agentes públicos e privados no uso dos espaços urbano e rural para as diversas atividades, com vista ao desenvolvimento do Município e à eficiência administrativa (CAXIAS DO SUL, LEI Nº 290/2007).

O plano diretor é um instrumento legal e obrigatório para municípios com mais de vinte mil habitantes, integrantes de áreas de especial interesse turístico ou áreas em que haja atividades com significativo impacto ambiental, que queiram utilizar de parcelamento, edificação ou utilização compulsórios de imóvel. (COMIN, 2013)

O plano diretor segundo Comin (2013) deve ser instituído na forma de lei complementar, estendendo-se a todo o território do município, independente das funções de cada parte da cidade, ou seja, área urbana ou rural, com a participação ampla da população em todas as etapas e posterior aprovação da Câmara de Vereadores e sanção do Prefeito Municipal.

No que tange sustentabilidade, dentre os princípios do plano diretor municipal, pode-se destacar no Art. 2º do Capítulo I, Seção I:

I - O desenvolvimento equilibrado e sustentável nos planos físico, social, cultural, econômico e ambiental;

[...]

VI - a integração dos órgãos e das políticas públicas de desenvolvimento sustentável municipal e regional;

[...]

VIII - a preservação do meio ambiente natural e do equilíbrio ecológico, respeitadas as vocações locais;

IX - a preservação do patrimônio cultural, material e imaterial, como recurso a ser usado para o desenvolvimento; e

X - promoção da inclusão social (LEI COMPLEMENTAR Nº 290/2007).

No Capítulo II, Seção III - Dos Usos e da Ocupação do Solo, pode-se destacar:

Art. 31. As atividades constantes das categorias de uso, para efeito de aplicação, classificam-se:

II - quanto à natureza, em:

a) adequadas - as que são compatíveis com a finalidade urbanística da zona ou setor e que não provoquem incômodo à população, nem sejam nocivas ou perigosas; [...] (LEI COMPLEMENTAR Nº 290/2007).

No Capítulo V, Função Social da Propriedade cabe ressaltar alguns pontos como:

Art. 51. A propriedade cumpre sua função social quando atende, simultaneamente, às exigências fundamentais de ordenação do Município expressas neste Plano Diretor, às disposições da Lei Federal nº 10.257, de 10 de julho de 2001, e aos seguintes requisitos:

[...]

III - preservação, controle e recuperação do meio ambiente e do patrimônio cultural, paisagístico e ecológico.

Art. 52. A propriedade rural cumprirá sua função social quando houver a correta utilização econômica da terra, de modo a atender ao bem-estar social da coletividade, à promoção da justiça social e à preservação do meio ambiente (LEI COMPLEMENTAR Nº 290/2007).

O plano diretor aborda em seu título III, questões relacionadas ao meio ambiente e cultura. Nesta etapa uma síntese pode explicitar de maneira direta as abordagens principais:

[...]

Art. 54. A política de preservação do meio ambiente, consideradas as possibilidades e limitações reais do Município, objetiva a responsabilidade comum do Poder Público Municipal e do cidadão em proteger o ambiente,

assegurar o direito da sociedade a uma vida saudável e garantir que a exploração dos recursos ambientais não comprometa as necessidades das presentes e futuras gerações, visando:

I - a compatibilização com as políticas ambientais federal e estadual;

II - a proteção, a preservação e a recuperação dos ecossistemas, considerando o ambiente como um patrimônio público a ser necessariamente protegido, tendo em vista o uso coletivo e a melhoria da qualidade de vida; III - o planejamento e a fiscalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar, objetivando a racionalização dos seus usos;

IV - o controle e o zoneamento ambiental do Município, especialmente das atividades potencial ou efetivamente poluidoras, respeitando sua natureza quanto à capacidade de uso;

V - o incentivo e a promoção de reflorestamento nas áreas degradadas; VI - a adoção de padrões de produção, de consumo de bens, de serviços e de expansão urbana compatíveis com os limites de sustentabilidade ambiental, social e econômica;

VII - o incentivo ao uso de tecnologias mais limpas nas atividades e processos produtivos urbanos e rurais;

[...]

IX - a proteção da flora, da fauna e da paisagem natural, sendo vedadas as práticas que coloquem em risco sua função ecológica e paisagística, provoquem extinção de espécies ou submetam os animais à crueldade; X - a definição de critérios ecológicos em todos os níveis de planejamento político, social e econômico;

[...]

Art. 63. Consideram-se paisagens notáveis os ambientes naturais ou edificados, localizados na área urbana ou rural, que guardem valores culturais, históricos e ecológicos e aqueles reconhecidos pela comunidade. [...]

Art. 64. Nas áreas estratégicas que, em virtude de sua localização, decorrente da cota altimétrica ou de outros fatores, seja possível a apreciação de paisagens notáveis, será aplicada política municipal definida, com os seguintes objetivos:

[...]

II - promover a conscientização e a participação da comunidade na identificação, valorização, preservação e conservação dos elementos significativos das paisagens notáveis, como fator de melhoria da qualidade de vida, por meio de programas de educação ambiental e cultural;

III - proteger os elementos naturais, culturais e paisagísticos, permitindo a visualização do panorama e a manutenção da paisagem em que estão inseridos;

IV - consolidar e promover a identidade visual do mobiliário, equipamentos e serviços municipais, definindo e racionalizando os padrões para sua melhor identificação, com ênfase na funcionalidade e na integração com as paisagens notáveis;

V - promover a qualidade ambiental do espaço público;

VI - assegurar o equilíbrio visual entre os diversos elementos que compõem a paisagem;

VII - ordenar e qualificar o uso do espaço público; (LEI COMPLEMENTAR Nº 290/2007).

Quanto às questões relativas à recursos hídricos e saneamento o Plano Diretor elenca:

Art. 72. Como instrumento de planejamento temático, o Plano Municipal de Saneamento englobará:

II - a Drenagem Urbana, compatibilizada com o PDES, considerada a implantação de reservatórios de amortecimento de água de chuva, bem como a realização de outras obras civis necessárias visando minimizar os riscos de inundações em equilíbrio com as questões ambientais;

[...]

III - programas de conscientização da população rural quanto à necessidade de preservação e recuperação das águas superficiais, nascentes de cursos naturais de água e das áreas de recarga dos aqüíferos subterrâneos localizados nas propriedades rurais existentes no Município;

[...]

VII - o controle da drenagem pluvial por meio de sistemas físicos naturais e construídos, para induzir o escoamento das águas pluviais e evitar focos de alagamentos, conferindo segurança e conforto aos munícipes (LEI COMPLEMENTAR Nº 290/2007).

Finalizando a questão ambiental que o Plano Diretor Municipal elenca, vale ressaltar a importância do esporte e lazer com:

Art. 78. A política municipal do esporte e lazer, consideradas as possibilidades e limitações reais do Município, tem como objetivo a promover ações que incentivem e possibilitem a prática de esportes e de atividades físicas e de lazer, buscando o desenvolvimento das potencialidades do indivíduo, proporcionando a melhoria e a conservação da saúde e da qualidade de vida, visando:

I - desenvolver e implementar políticas públicas de esporte e lazer, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e para a conquista da cidadania;

II - elaborar projetos e executar ações que venham dar surgimento ou desenvolvimento de novas atividades esportivas e de lazer; e

III - desenvolver projetos e implementar ações que potencializem o Município de Caxias do Sul como polo de esportes, lazer e turismo (LEI COMPLEMENTAR Nº 290/2007).

No documento Anteprojeto de infraestrutura verde e reconfiguração paisagística da área dos lagos do zoológico no Campus da Universidade de Caxias do Sul -UCS (páginas 46-49)