3 CIDADE DE SÃO PAULO, SEUS PROGRAMAS HABITACIONAIS E
3.4 PLANO DIRETOR, UMA PROPOSTA DE LONGO PRAZO
Ao redor do mundo, os planos diretores vieram organizar o que os gestores municipais deixaram de fazer: planejar de forma sustentável e alocando sua população conforme suas necessidades permanentes.
O plano diretor efetivamente se tornou lei quando foi criado o Estatuto das Cidades, com a Lei Federal nº 10.257/2001, que regulamentou os artigos 182 e 183 da Constituição Federal e estabeleceu parâmetros e diretrizes da política de gestão urbana e ocupação do solo no Brasil.
Criado como um instrumento orientador para política de desenvolvimento visando a ordenar a expansão urbana municipal, sua elaboração deve ser feita pelas prefeituras, com suas câmaras municipais e a sociedade civil, visando garantir o atendimento das necessidades da cidade, da qualidade de vida, da restauração dos sistemas ambientais, da regularização fundiária e da consolidação dos princípios da reforma urbana. Esta lei torna obrigatório o estabelecimento de um plano diretor a municípios com mais de 20 mil habitantes, com áreas que integrem regiões metropolitanas, de interesse turístico e áreas de empreendimentos ou com significativo impacto ambiental ao país. Frisa-se a importância de articulações com outros protocolos de planejamentos como o da Agenda 21, a Conferência das cidades etc.
Com a intensificação da participação da sociedade civil no planejamento urbano conseguiu-se que, através do Movimento Nossa São Paulo,34 em todo início
de legislatura de um prefeito se estabelecessem cem planos de metas, regulados pela Lei Orgânica Municipal (LOM) de 2008, como o criado pela gestão do prefeito do município de São Paulo, Gilberto Kassab (2006-2013). A partir de 2013, a produção destas metas tornou-se lei (Art. 69 da LAO, emenda n. 30 da LOM n 08/07), tendo o prefeito que apresentar suas metas em até 90 dias após o início de sua legislatura.
Na legislatura do prefeito da Cidade de São Paulo, Fernando Haddad, foram apresentadas e aprovadas, por lei, 123 novas metas ao custo de R$ 23 bilhões (PREFEITURA DE SÃO PAULO, 2013), conforme veremos nos mapas e nas metas que constam nas páginas a seguir):
META 35 – Financiamento de 55 mil unidades de habitação de interesse social (HIS) que englobam a desapropriação de terrenos, construção de unidades e sua distribuição de acordo com recortes de gênero/idade (5% para idosos) e a pessoas com deficiência e suas famílias. Além disso, estabelece a garantia de 2 mil unidades habitacionais a famílias que estão em situação de rua.
Figura 2 – Mapa da cidade de São Paulo – Meta n. 35
META 36 – Beneficiar 70 mil pessoas no programa de Urbanização de Favelas, eliminando áreas de risco e implantando infraestrutura urbana nos assentamentos precários, para que todos os moradores tenham acesso aos serviços urbanos – custo de R$ 552,047 milhões.
Figura 3 – Mapa da cidade de São Paulo – Meta n. 36
META 37 – Beneficiar 200 mil famílias no Programa de Regularização Fundiária administrado pela Secretaria Municipal de Habitação, entregando títulos de posse e propriedade regularizados.
Figura 4 – Mapa da cidade de São Paulo – Meta n. 37
META 84 – Concluir as fases II e III do Programa de Mananciais, beneficiando 70 mil famílias. Esta meta associa-se ao objetivo 14 que prevê proteger os recursos naturais da cidade focando áreas de mananciais, além de ampliar o sistema viário de áreas verdes para preservar os recursos hídricos e monitorar áreas de risco. Também está associada à Secretaria Municipal de Habitação, relacionada a vários convênios, e teve grande aporte do Governo Federal, no valor de R$ 8 bilhões para recuperação de mananciais. O custo desta meta da prefeitura é de R$ 3,533 bilhões.
Figura 5 – Mapa da cidade de São Paulo – Meta n. 84
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Evidenciamos que no contexto da habitação há muitas formas que tanto o Governo Federal quanto o Municipal e a iniciativa privada vêm trilhando para desenvolver um setor essencial da economia de qualquer país. A economia da construção civil tem o seu multiplicador e gera aumento na renda nacional, não ultrapassando comercialmente sua característica de non-tradable, mas servindo ao mercado financeiro que usa o setor privado como lastro para enriquecer investidores e aquecer os investimentos em grandes empreendimentos imobiliários, por meio de crédito securitizado.
Em relação à trajetória dos investimentos do Governo Federal em habitação, vimos que houve volumosos e relevantes subsídios por parte do Estado no setor, principalmente nos anos dourados da década de 1970. Contudo, tais subsídios logo vieram a ruir nos anos 1980 devido às sucessivas altas inflacionárias, queda na renda e aos desalinhamentos nas cobranças de prestações dos mutuários, o que causou prejuízos incalculáveis ao governo federal. O setor somente veio a tomar fôlego em 2007, com o banco público da Caixa Econômica Federal atuando com quase monopólio utilizando recursos do FGTS e Caderneta do SBPE e a iniciativa governamental realizando amplos investimentos por meio do programa Minha Casa, Minha Vida.
Com foco local, vimos que o Município de São Paulo investe pouco no setor em relação ao seu orçamento, mesmo com a participação de convênios entre o Governo Federal, Estadual, estatais etc. De qualquer maneira, pode-se imaginar que com a descentralização fiscal, os municípios possam buscar autonomia administrativa para captar recursos que sejam investidos em Habitação de Interesse Social, seja em crédito a fundo perdido, seja em financiamento habitacional a juros mais do que subsidiados etc. Este assunto deverá ser melhor explorado em outros trabalhos a começar com pesquisas sobre medidas de adequação sobre o Pacto Federativo imposto pela Lei Constitucional.
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