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PLANOS EXPERIMENTAIS • Planos experimentais puros.

No documento Analise Experimental do Comportamento (páginas 46-57)

• Planos experimentais puros.

1: pré-teste-pós-teste e grupo de controle A O x O – grupo experimental

A O O – grupo de controle

Características:

• Os sujeitos são selecionados e distribuídos aleatoriamente por um grupo experi- mental e por um grupo de controle;

• A ambos os grupos é administrado um pré-teste relativo à variável dependente;

• O grupo experimental é sujeito a um tratamento novo ou não tradicional;

• A ambos os grupos é administrado um pósteste.

Disponível em: <http://pt.slideshare.net/jbarbo00/investigao-experimental-em-psicologia>.

Delineamentos entre grupos e delineamentos de sujeito único

Os dois principais tipos de delineamentos experimentais são os de sujeito único (ou intrassujeitos) e os delineamentos entre grupos (ou entre sujeitos). A abordagem mais tradicionalmente utilizada na Psicologia e nas Ciências Sociais é a que emprega delineamentos entre grupos. Nestes delineamentos os efeitos de uma condição experimental são avaliados pela comparação entre diferentes grupos de

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Nos delineamentos entre grupos cada sujeito é exposto a apenas uma das con- dições do experimento. Além disso, todos os sujeitos de um grupo são expostos às condições por um mesmo período de tempo. Finalmente, as medidas de interesse costumam ser realizadas poucas vezes para cada sujeito e, de modo geral, envolvem o agrupamento dos dados relativos aos sujeitos que compõem cada grupo (pela obtenção de médias, desvios padrão, ou porcentagens de sujeitos que atingem certo critério). A comparação entre os resultados dos grupos, muitas vezes envolve o uso de instrumentos da estatística inferencial, como testes para avaliar a fidedig- nidade estatística dos dados e a significação das diferenças encontradas entre os grupos (Johnston & Pennypacker, 1993).

Em um exemplo bem simples, um novo medicamento poderia ser testado pela distribuição aleatória de sujeitos em dois grupos. Um grupo recebe o medicamen- to (condição experimental) e o outro grupo recebe apenas um placebo (condição controle). Os sintomas da doença-alvo são medidos apenas duas vezes: antes e de- pois dos respectivos tratamentos. Os resultados obtidos em cada grupo são então estatisticamente comparados entre si para avaliar a eficácia do medicamento. Se os sintomas tiverem uma redução estatisticamente significativa no grupo que recebeu o medicamento, a redução poderia ser atribuída ao medicamento.

Outra abordagem experimental é o delineamento de sujeito único. Sua uti- lização no estudo do comportamento humano tem sido defendida por diversos pesquisadores (Johnston & Pennypacker, 1993; Matos, 1990). Entre os argumen- tos a apoiar sua utilização destaca-se o fato do comportamento ser um fenômeno característico de organismos individuais, que interagem de maneira única com o mundo – dois indivíduos nunca se comportam da mesma maneira. Argumenta-se também que cálculos que agregam resultados, como médias de desempenhos de grupos de indivíduos, não representam corretamente o desempenho de nenhum dos seus membros, pois raramente um sujeito se comporta exatamente como essa média.

Os delineamentos de sujeito único têm como característica principal tratar os sujeitos individualmente. Neste modelo de delineamento, os sujeitos são expostos a uma série de condições, mensurando-se repetidamente o desempenho do orga- nismo e verificando-se se há uma relação ordenada entre as condições manipuladas no experimento e as alterações nessas medidas (Matos, 1990). Diferentemente dos delineamentos intergrupos, um mesmo sujeito é submetido a todas as condições do experimento e as observações são realizadas.

A experimentação animal

Um aspecto que deve ser citado é que a "experimentação animal" pode se refe- rir ao estudo em animais para um maior conhecimento deles próprios, e possíveis aplicações na própria saúde e bem-estar dos animais, tal como ocorre especialmen- te no campo da medicina veterinária. No entanto, de forma mais frequente, os animais são utilizados como "modelos", a fim de que se obtenha conhecimento e possíveis benefícios para a espécie humana. Esse tipo de pesquisa biomédica é que será constantemente o foco principal das críticas, tanto em seus aspectos morais quanto científicos.

 As diferentes formas de utilização de animais que se enquadram no campo da "experimentação" atualmente podem ser divididas nas seguintes categorias (Rollin, 1998: 414-415):     P     E     S     Q     U     I     S     A     B      Á    S     I     C     A

Biológica, comportamental ou psicológica. Refere-se à formulação e testa-

gem de hipóteses sobre questões teóricas fundamentais, tais como, a natu-

reza da duplicação do DNA, a atividade mitocondrial, as funções cerebrais, o mecanismo de aprendizagem, enfim, com pouca consideração para o efeito

prático dessa pesquisa.

    P     E     S     Q     U     I     S     A     A     P     L     I     C     A     D

    A Biomédica e psicológica. Formulação e testes de hipóteses sobre doenças,

disfunções, defeitos genéticos, etc., as quais, se não tem, necessariamente, consequências imediatas para o tratamento de doenças, são pelo menos

vistas como diretamente relacionadas a essas consequências.

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Um dos instrumentos de controle que mais tem crescido em diversos países são as comissões de ética no uso de animais, geralmente estabelecidas no âmbito das instituições científicas, embora deva ser observado que o papel desempenhado por essas comissões veio se modificando ao longo do tempo.

O primeiro comitê institucional do qual se têm notícia foi estabelecido na Universidade de Harvard em 1907, composto por cientistas envolvidos com expe- rimentos em animais. Naquele momento, a principal preocupação dos pesquisa- dores era tentar resolver o problema da escassez de animais, embora um dos seus membros tenha sugerido que deveria haver alguma forma de controle sobre a vi- vissecção (Rowan, 1990: 19). Os comitês passaram a se tornar um fórum para ten- tar resolver os conflitos envolvendo essas diversas questões. A atuação dos comitês veio a ser realmente estabelecida nos EUA, a partir da década de 80, devido à crescente pressão social sobre o uso de animais, e, simultaneamente, ao surgimen- to da obrigatoriedade legal em 1985. A partir de então, universidades, instituições de pesquisa e relacionadas à produção comercial estabeleceram o que nos EUA ficou conhecido como IACUCS (Institutional Animal Care and Use Committees ), agora não apenas a fim de serem revistos os parâmetros referentes aos cuidados e à criação dos animais, mas também ao uso do animal, isto é, a adequação da proposta dos procedimentos a serem efetuados em um protocolo experimental, e também com a missão de aprovar ou desaprovar qualquer propósito de uso de animais (Lukas & Podolsky, 1999). Embora apresentem grande variedade, o papel desses comitês pode ser resumido da seguinte forma: "assegurar que os animais sob a sua supervisão estejam sendo mantidos e utilizados de uma forma humanitária" (Podolsky, 1999).

No Brasil, as comissões de ética no uso de animais vão surgir especialmente na década de 90, tendo sido identificada a existência delas em apenas 14 instituições em todo o país, embora não exista um cadastro nacional e nenhuma forma de regulamentação vigente no momento (Chaves, 2000).

Esses comitês, de forma geral, representam uma estrutura nova nas institui- ções. No entanto, segundo Forsman (1998), o aspecto mais significativo relacio- nado a essas comissões é o fato de que elas viabilizaram a "experimentação animal como uma questão de reformas práticas, ao invés de uma questão revolucionária, do tipo ‘total abolição’ ou ‘total aceitação’ de tudo".

O uso do rato virtual em experimentos de psicologia

“Sniffy Pro - O Rato Virtual” é um programa de computador que tem como proposta servir de recurso didático aplicado ao ensino introdutório de Análise Experimental do Comportamento, em especial às atividades práticas normalmen- te desenvolvidas em laboratório de condicionamento operante, as quais empre- gam ratos como sujeitos e caixas de Skinner como equipamento experimental. Ao iniciar o Sniffy , o programa visualiza um rato virtual em um compartimento es- pecial denominado de caixa operante, que contém uma barra para treinar o rato a pressioná-la para obter alimentos e água, além de outros estímulos. A inicialização do Sniffy  acontece através de configurações e parâmetros no menu do programa, em que podem ser configurados os estágios do experimento de condicionamento clássico através de intervalos de tempo pré-programados para o envio de estímulo para obter uma resposta do rato virtual. O programaSniffy Pro permite que o pes- quisador prepare e execute uma grande variedade de experimentos de condiciona- mentos clássico e operante, e lhe permite colher e dispor dados de uma maneira que simula o modo como os psicólogos trabalham em seus laboratórios. Além disso, em razão de o programa simular e mostrar simultaneamente alguns dos processos psicológicos que os psicólogos acreditam ser empregados pelos animais (e pelas pessoas), o Sniffy Pro apresenta alguns aspectos da aprendizagem que o pesquisador não poderia observar caso estivesse trabalhando com um animal vivo. Podem-se observar vários comportamentos no programa Sniffy . Inicialmente, o ratinho repete inúmeros movimentos na câmera operante. Os movimentos são comuns a um rato. Esses movimentos são: andar para frente, coçar o nariz, subir na parte da frente da caixa, andar para trás, ir ao dispensador de comida, cheirar o chão, andar para o lado esquerdo da caixa, andar para o lado direito da caixa e ficar em pé na parte de trás da caixa. Estes movimentos repetem-se por várias vezes, porém quando uma luz ou som é introduzido, o rato pode pressionar ma- nualmente a alavanca de liberação de comida para poder se alimentar. Em outro momento, pode-se iniciar a modelagem do comportamento do Sniffy  através de apresentações repetidas do estímulo condicionado, um pouco antes do estímulo incondicionado. Como consequência desses pareamentos repetidos de estímulo, o estímulo condicionado adquire gradualmente a capacidade de eliciar uma nova resposta aprendida, denominada resposta condicionada. Usualmente – mas não sempre – a resposta condicionada se parece com o estímulo incondicionado, no sentido de que o estímulo condicionado é formado por certos componentes do

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estímulo incondicionado. Ao final desse experimento, o rato já está condicionado a que, todas as vezes que a luz ou som é acionado, ele acione a alavanca para obter o alimento.

Em termos de possibilidades apresentadas pelo programa, o Sniffy  pode simu- lar os seguintes tipos de aprendizagem:

Condicionamento Clássico e Operante:

•  Aquisição, extinção, recuperação espontânea;

• Habituação, condicionamento de primeira e segundas ordens; • Reforço, modelagem, punição.

Disponível em: <http://www.naopossoevitar.com.br/2009/06/experimentos-em-

psicologia-desencaixotando-skinner.html>.

RESUMO

A experimentação é um modo fundamental de produzir conhecimento e ela tem três objetivos: estabelecimento de relações causais, compreensão de fenômenos e promoção de aplicações práticas. O objetivo essencial de um experimento é estabelecer relações entre eventos, de forma a podermos prever o surgimento dos mesmos no futuro. Na experimen-

tação podemos utilizar tanto sujeitos humanos como animais para criar modelos teóricos de

ATIVIDADES

01. Toda vez que o cão Rex recebia um biscoito ele oferecia espontaneamente a pata.

Achando este comportamento muito divertido e o interpretando como sinal de gratidão, seu dono insistentemente dava os biscoitos ao seu cachorro. Depois de determinado tempo, Rex não mais ofereceu a sua pata. Levando em consideração esta breve exposição, dentre as respostas abaixo, selecione aquela, que melhor conceitua a situação do ponto de vista dos

conceitos da análise experimental do comportamento. a) Fuga

b) Generalização c) Habituação

d) Frustração

e) Imitação

02. Em um procedimento experimental, pesquisadores colocaram voluntários dentro de uma sala. Neste local um som de caráter aversivo era liberado, por exemplo, uma mulher gritando, dentre outros, em intervalos irregulares sem que o participante pudesse prever temporalmen-

te quando o estímulo aversivo seria liberado. O comportamento observado foi característico de grandes sustos. Após algumas exposições alguns participantes não mais apresentaram o comportamento característico de susto. Dentre os conceitos abaixo, qual melhor expressa o fenômeno do ponto de vista da análise experimental docomportamento.

a) Sensibilização b) Eliciação c) Fuga

d) aprendizagem serial e) aprendizagem Vicariante

03. Avalie o experimento abaixo e assinale a alternativa que melhor representa a situação apresentada. Maria é sobrinha de Paula. Todas as vezes que Paula chega à casa de Maria, primeiro ela entra e depois entrega sua carteira com os cartões de banco para Maria brincar. Maria, quando vê a carteira de dinheiro da sua mãe pergunta: Cadê tia Paula, mamãe? A tia de Maria, Paula, foi morar 3 anos na Espanha e nunca mais elas tiveram o contato. Todas as

vezes que elas se falavam eram pelo computador ou por e-mail. Maria deixou de associar a

carteira à tia Paula. a) Aquisição b) Associação c) Bloqueio

d) Exposição e) Extinção

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04. Indique a resposta e consequência que está analisando e identifique os esquemas de reforçamento em cada um dos exemplos a seguir.

a) A cada duas idas de Marcinho às aulas de recuperação, sua mãe faz seu prato predileto, camarão com catupiry. Marcinho está indo mais vezes, embora a sua mãe não tenha

contado a ele essa “relação”.

R: _________________ C: _________________ Esquema: _________________

b) Ir à caixa de correio ver se o carteiro deixou a correspondência. Ele normalmente passa entre 9 e 10 horas.

R: _________________ C: _________________ Esquema: _________________

c) Caio estava aprontando todas e parecia que era pela atenção. Sua mãe resolveu dar

atenção de tempos em tempos a Caio, independente do que ele estivesse fazendo.

R: _________________ C: _________________ Esquema: _________________

d) Cal estava aprontando todas e parecia que era pela atenção. Sua mãe resolveu dar aten-

ção quando ele estivesse se engajando em comportamentos diferentes de fazer arte.

R: _________________ C: _________________ Esquema: _________________

e) Brincar em um parque de diversão, ora no trem fantasma, ora na montanha russa.

R: _________________ C: _________________ Esquema: _________________

f) Willian é escritor e tem um contrato em que recebe a cada 10 matérias escritas para

o Jornal.

R: _________________ C: _________________ Esquema: _________________

g) O reforçamento (biscoitos) ocorre contingente à resposta de pressionar um botão, algumas vezes, após intervalos de 2 min, e outras após emissão de 50 respostas,

sem sinalização.

R: _________________ C: _________________ Esquema: _________________

h) Pombo que recebe ração ao bicar a chave somente após 5 segundos da última bicada.

R: _________________ C: _________________ Esquema: _________________

i) Helena vende enciclopédias. Bate de porta em porta em várias casas todos os dias.

 j) Joana realiza os desejos de seu filho em média a cada cinco vezes que ele pede, depen- dendo de sua paciência no dia.

R: _________________ C: _________________ Esquema: _________________

k) Sempre que Joana realiza os desejos de seu filho, ela fica livre de seu choro. R: _________________ C: _________________ Esquema: _________________

l) Paulo é lavador de carros. A cada carro que lava ganha R$ 10,00.

R: _________________ C: _________________ Esquema: _________________

m) Em média, a cada 10 carros que Paulo lava, ele ganha R$ 5,00 de gorjeta. R: _________________ C: _________________ Esquema: _________________

n) Paulo tem uma cliente muito generosa na gorjeta. Como ela chega pontualmente às 8:50 no estacionamento, Paulo fica olhando toda hora para ver se ela está estacionando

o carro.

R: _________________ C: _________________ Esquema: _________________

REFERÊNCIAS

Chaves, C. C. (2000). Situação atual das comissões de ética no uso de animais em atividade no Brasil. Monografia de Conclusão de Curso, Universidade Federal Fluminense, Rio de Janeiro. Forsman, B., 1998. Animal Ethics Committees (Sweden). In: Encyclopedia of Animal Rights and Animal Welfare (M. Bekoff & C. A Meaney, eds), pp. 31-32, Westport: Greenwood Press.

Johnston, J. M., & Pennypacker, H. S. (2008) . Strategies and Tactics of Behavioral Research, Third Edition. New York: Routledge.

Lukas V.S., Podolsky ML. Introduction. In: Podolsky ML, Lukas V.S., editors. The Care and Feeding of an IACUC. New York: CRC Press; 1999. p. 9-14.

Matos, M. A. (1990).Controle experimental e controle estatístico: a filosofia do caso único na pesquisa comportamental. Ciência e Cultura, 42, 585-592.

Rollin, B. E., 1998.The moral status of animals and their use as experimental subjects. In: A Companion to Bioethics (H. Kuhse & P. Singer, eds.), pp. 411-422, Oxford: Blackwell Publishers Ltd.

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Rowan, A.N. Section IV. Ethical Review and the Animal Care and Use Committee. In: A Special Supplement: Animals, Science and Ethics (S. Donnelley & K. Nolan, eds.), Hastings Center Report, v.20, p.19-24, 1990.

Aplicações práticas

No documento Analise Experimental do Comportamento (páginas 46-57)