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Esquema 9.11 Modelo de tarefa de micro-design

3.6 Plataformas e Ambientes Vituais de Aprendizagem (AVA)

A noção de ambientes virtuais de aprendizagem não é nova. Ela foi exportada pela corrente da Pedagogia aberta que concebe a escola como um ambiente prazeroso (HENRI e CAYROL, 2001).

Flores e Gamez, (2004, p. 95) observam que:

[...] com a consolidação da Internet como meio de comunicação, pesquisadores, educadores e cientistas de computação desenvolveram pesquisas que resultaram na possibilidade de várias pessoas acessarem salas de aula virtuais, grupos de trabalho na rede, campus eletrônicos e bibliotecas on-line em um grande espaço compartilhado. Estes sistemas são conhecidos como Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA).

Os AVA, ou Plataformas para Educação on-line, são softwares para gerenciamento do processo de ensino/aprendizagem que administram funcionalidades comuns dos softwares de comunicação, mediado por computador e métodos utilizados em cursos oferecidos de forma on-line. (DEPOVER et al, 1998).

Henri e Cayrol (2001) recuperam o conceito de AVA, descrevendo esses ambientes com base nas escolhas pedagógicas que os sustentam, bem como de seus componentes tecnológicos, ajustando também a própria noção de sistema.

Nessa perspectiva, em um AVA, o professor-tutor, o aluno, o grupo, a classe, os manuais e os outros recursos são subsistemas em interaçao orientados em direção ao desenvolvimento de novos conhecimentos. São sistemas concebidos, em muitos casos, com base em paradigmas construtivistas ou sócio-interacionistas, pelo fato de que eles enfatizam a construção e a exploração dos conhecimentos, por meio da iniciativa pessoal, da liberdade de escolha e, em muitos casos, da interação e colaboração entre todos os envolvidos no processo.

O uso de ambientes virtuais de aprendizagem, como ensinam Flores e Gamez (2004, p. 96):

Propicia a professores e alunos a vivência de uma realidade em que as novas tecnologias da informação e comunicação estão presentes. Ao utilizar um ambiente virtual de aprendizagem, cria-se um novo espaço de interação entre professores e alunos, uma nova forma de relacionamento e troca de idéias. O professor passa a ter um espaço virtual em que pode disponibilizar informações, materiais relacionados ao curso e pode propor atividades que utilizem os vários recursos de interação que o ambiente fornece, ao passo que aluno encontra os elementos necessários para desenvolver sua aprendizagem.

Existem diversos tipos de ambientes virtuais de aprendizagem disponíveis às instituições que desejam ofertar cursos on-line. Muitos são desenvolvidos pelas próprias universidades para seu uso próprio, ou uso público. Outros são desenvolvidos por empresas privadas com a finalidade de comercialização. Os ambientes mais conhecidos atualmente são indicados a seguir:

1. WebCT – Inserido no mercado a partir de 1996, é uma plataforma desenvolvida pela Universidade da Columbia Britânica, no Canadá, e atualmente comercializada pela Universal Learning Technology, dos EUA. É utilizado em diversas instituições de ensino em diferentes países. Trata-se de um sistema para a criação de ambientes educacionais que fornecem uma variedade de ferramentas que propiciam a criação de sofisticados ambientes educacionais baseados na Web. Por meio de um grande conjunto de ferramentas o sistema permite facilmente criar e a gerir cursos on-line.

2. Learning Space – Comercializado pela Lotus, possui cinco bases de dados Notes interconectadas, fornecendo um ambiente para desenvolvimento e entrega de cursos. Trata-se de uma aplicação que permite a importação e a exportação de materiais pedagógicos para a Web, mas que requer uma infra- estrutura própria da Lotus (servidor Domino e cliente Notes). O sistema também apresenta um conjunto de elementos necessários para formatar e gerir um curso on-line, e concorre fortemente com o WebCT.

3. Top Class - Desenvolvido pela WBT System e comercializado a partir de 1995, é um sistema que integra ferramentas de aprendizagem colaborativa, permitindo gerenciar de classes virtuais. Leva em consideração todos os elementos relativos ao conteúdo, gerenciamento e entrega do material e de gerenciamento de pessoas.

4. Virtual-U - É um sistema baseado em um servidor que possibilita a criação de cursos em browser Web. Desenvolvido pela Universidade Simon Fraser, no Canadá, é distribuído pela Virtual Learning Environments Inc., sendo utilizado por diversas instituições e também em diferentes países.

5. Explor@. É uma plataforma concebida pelo Centro de Pesquisa LICEF da Télé-Université, em Quebéc no Canadá, comercializada pela Cogigraph. Consiste na metáfora de um centro de recursos que dá acesso a cinco grupos de

recursos: informação, produção de trabalhos, colaboração, assistência e gestão de atividades.

6. UniverSite®© Training Manager - Software de apoio ao ensino a distância, via Internet/Intranet, desenvolvido em 1998 pela empresa MHW Informática, do Rio de Janeiro, oferece recursos de gerência, de apoio ao aprendizado e de comunicação.

Além desses ambientes, outros como Blackboard, FirstClass, Teleduc e AulaNet estão igualmente disponíveis. O Teleduc da Unicamp e o AulaNet da PUC-Rio são gratuitos. O WebCT, Learning Space e o Blackboard são pagos, embora este último permita criar cursos individuais gratuitos. Destacam-se, ainda, especificamente no âmbito nacional, outros importantes ambientes, como o desenvolvido pela Universidade Virtual do Brasil (UVB), o Eureka, o ambiente da Proinfo, entre outros.

A maioria destes sistemas não tem a intenção de simplesmente reproduzir o ambiente de sala de aula, transferindo-os para o espaço virtual, mas fornecer tecnologias para proporcionar aos alunos novas ferramentas que facilitem a situação de aprendizagem. Assim, esses ambientes procuram abranger um alcance maior de diferentes metas e estilos de aprendizagem, encorajando o aprendizado colaborativo baseado em recursos que permitem um maior compartilhamento da informação.

Em geral, os ambientes virtuais de aprendizagem estão baseados em uma arquitetura de cliente-servidor. O cliente simplesmente é um browser de rede que é usado para ter acesso às páginas “html” no servidor. O software de servidor apóia-se em um servidor de rede existente ou inclui seu próprio servidor de rede no pacote. O servidor será capaz de criar e servir páginas “html” dinâmicas, permitindo a troca de mensagens em conferências e mantendo um banco de dados de informação relativo a usuários individuais ou grupos de usuários, conteúdos disponíveis para aquisição de um determinado conhecimento, suporte ao aprendizado, bem como toda a estrutura do curso (BRITAIN e OLIVER, 2000).

Os usuários desses ambientes são geralmente divididos em três classes principais: os alunos, os professores e os administradores do sistema. Mesmo que os professores tenham uma visão semelhante à dos alunos, eles normalmente possuem ferramentas adicionais e privilégios que os permitem adicionar conteúdos, criar fóruns de discussão e acompanhar o progresso do desempenho dos alunos. Cabe aos professores rastrear os passos e movimentos do alunado no ambiente, oferecendo um feedback sobre o seu processo. Com a utilização de

técnicas de inteligência artificial, o sistema poderá facilitar ações destinadas a minimizar o esforço, tanto de alunos como de professores no ambiente.

No que diz respeito à navegação, esta deve seguir princípios ergonômicos como os de facilidade e utilidade de uso, permitindo aos usuários percorrerem o ambiente de forma fluente. O modelo de navegação ou as metáforas utilizadas no sistema definem de maneira geral como este será usado, por isto devem ser bem planejados. Na mesma proporção, a definição dos objetos de aprendizagem deve ser modelada com base no conhecimento das teorias da aprendizagem, seus recursos e limitações. Os capítulos finais desta tese abordam essa convergência necessária.

3.7 Estrutura Organizacional de Suporte ao Aluno a Distância

A implementação de um projeto de EAD seja para transformar disciplinas do modelo presencial em disciplinas na modalidade a distância, ou mesmo implementar cursos superiores, de especialização, ou aperfeiçoamento, implica acurado planejamento do serviço de apoio ao aluno e ao professor (MORAES, 2004).

Estudar a distância não significa que os alunos e os professores fiquem isolados dos demais, mas que desenvolvam certas habilidades, no caso específico dos alunos, de autonomia e independência nos estudos, e no caso dos professores, habilidades de comunicação e motivação para estimular a participação dos alunos a distância.

Para reduzir a sensação de distância entre alunos e professores, sentimento que pode ocorrer com freqüência nesta modalidade educacional, é necessário criar uma estrutura organizacional de suporte aos mesmos (BATES, 1998; ARETIO 2001; PETERS, 2001,) que é constituída pela associação de recursos técnicos (mídias didáticas) e humanos combinados.

Moraes (2004) define e contextualiza a estrutura de apoio ao aluno, identificando os diferentes papéis envolvidos nesse tipo suporte, com relação à informação, ao atendimento e acompanhamento do processo de ensino e à aprendizagem na modalidade a distância. Para esta autora:

A oferta de serviços de apoio pode ser estruturada com o uso de diferente mídias, oferecendo oportunidades de interação síncrona e assíncrona, sempre tendo como base para o desenvolvimento destas o perfil, resultado da avaliação diagnóstica do aluno a distância, como da organização, autonomia, reconhecimento dos próprios limites e saber buscar ajuda, também devem ser levadas em consideração (MORAES, 2004 p.104).

Moraes (2004) reforça que o tipo de apoio pode ser compreendido em 5 diferentes categorias, conforme as abaixo identificadas.

1. Apoio acadêmico: refere-se às atividades focadas no desempenho acadêmico do aluno para facilitar a execução de tarefas e a participação nas avaliações. Com relação à interação com o conteúdo esta categoria possui três aspectos que devem ser considerados: a questão do apoio acadêmico (de natureza cognitiva, envolve tutoria e feedback), apoio institucional ou administrativo (de natureza organizacional, envolve aspectos relacionados à comunicação sobre calendários, cronogramas, provas etc., e interação com os manuais e guias de estudos, staff administrativo, conselheiros, tutores) e apoio emocional (de natureza emocional, envolve a comunicação nos moldes da conversação didática guiada (HOLMBERG, 1983, 1988);

2. Apoio não acadêmico: pode ser classificado em duas categorias, pré e pós

matrícula, concentrando-se com maior intensidade na primeira por envolverem a

seleção de cursos e/ou disciplinas, a elaboração de currículo etc. Podem ser classificadas também como informativas, de aproximação (estabelecimento da relação de confiança) e de exploração (SIMPSON, 2000 apud MORAES, 2004).

3. Atendimento: envolve o processo de clarificação das necessidades (sentir/checar a natureza e abrangência do problema apresentado), contextualização (trazer o problema para a realidade dos cursos), conceitualização (oferecer possíveis teorias explanatórias ou exemplificar com eventos anteriores) e estabelecimento de uma

solução do problema. O atendimento exige uma resposta rápida do agente de apoio e

isto implica a preparação desses profissionais para desenvolverem importantes habilidades, como saber escutar, estabelecer um diálogo, selecionar informações, contextualização, conceituação e finalização/ação (SIMPSON, 2000 apud MORAES, 2004).

4. Acompanhamento: envolve planejamento e dedicação continuada dos agentes de apoio. Exige observação constante do desempenho do aluno para identificar os momentos em que uma ação pontual se faz necessária, seja motivadora ou de recuperação de conteúdo (ALONSO, 1996 apud MORAES, 2004). O principal foco do acompanhamento segundo VISSER (1997 apud MORAES, 2004) deve ser a motivação, pois se o aluno estiver motivado serão menores as chances dele necessitar de um “resgate” por conta de um desempenho insatisfatório.

5. Informação: Simpson (2000 apud MORAES, 2004) divide as atividades que envolvem o fornecimento de informações aos alunos em três blocos. O primeiro,

calendários, prazos; o segundo, passa pela negociação, oferta de opções e discussão com o aluno para auxiliá-lo na tomada de decisão e seleção da mais adequada; o terceiro e último é o reforço da decisão tomada.

3.7 Agentes no processo de planejamento, implementação, produção e gestão