APÊNDICE E – QUESTIONÁRIO APLICADO AOS ESPECIALISTAS EM OPEN SOURCE DESIGN
6 PLATAFORMAS E COLABORAÇÃO EM PROJETOS OPEN
A pesquisa realizada na plataforma Thingiverse, apresentada no capítulo anterior, revelou um comportamento das variáveis objetivas investigadas, extremamente uniforme entre os projetos das comunidades OSD. Por outro lado, o estudo não permitiu discernir sobre as propriedades de uma plataforma que remetem ao um maior número de replicação de um projeto. Como esta primeira análise se restringiu a uma única plataforma, foi identificada a necessidade de ampliar este escopo, visto que a homogeneidade entre os projetos pode resultar das propriedades especifícas da plataforma Thingiverse. Dessa forma, um entendimento detalhado da colaboração em plataformas distintas e de quais seriam as propriedades críticas da gestão de configuração tornaram-se necessárias.
A investigação foi realizada por meio de uma análise de conteúdos das plataformas, considerando as recomendações de Bardin(2006) e dois instrumentos. O primeiro instrumento trata-se do modelo teórico de Design Behaviour Questionnaire for Teams (PEETERS et al.,2007) para caracterização da colaboração nas equipes dos projetos pertencentes as comunidade OSD; e, o segundo instrumento, apresentado no capítulo 4, tem o objetivo de identificar, nas plataformas selecionadas, as propriedades de Gestão de Configuração por meio de suas atividades (ASKLAND, 2004; BENDIX, EKMAN, 2009; KIDD, BURGESS, 2010).
De acordo com Bardin (2011) a análise de conteúdo pode ser organizada em três fases:
pré-análise: tem o propósito de sistematizar as ideias iniciais colocadas pelo quadro referencial teórico e estabelecer indicadores para a interpretação do material coletado;
exploração do material: visa a construção das operações de codificação, a indicação das regras de contagem e a classificação e agregação das informações em categorias. Nesta fase, observa-se um recorte do material em unidades de registro;
tratamento dos dados, inferência e interpretação: apresenta a síntese e seleção dos resultados, permitindo a utilização destes para fins teóricos ou pragmáticos e viabilizando orientações para uma nova análise (BARDIN, 2011, SILVA e FOSSÀ, 2015).
A partir da seleção dos projetos a serem analisados, Figura 15. O conteúdo examinado consistiu na análise: da apresentação do projeto, discussões,
questionamentos e artefatos utilizados (tais como: fotos, vídeos, códigos). O conteúdo foi analisado sob dois aspectos:
1. Buscou-se incidentes nos projetos utilizando o instrumento DBQT (Design Behaviour Questionnaire for Teams) proposto por (PEETERS et al.,2007). O DBQT está detalhado na sequência; e, tem o intuito de investigar os aspectos comportamentais da equipe de projeto no processo de criação, planejamento e cooperação do design.
2. Investigou-se incidentes que indicassem a presença de atividades de CM (ASKLAND, 2004; BENDIX, EKMAN, 2009; KIDD, BURGESS, 2010); e, portanto de determinadas propriedades das plataformas Quadro 12 (capítulo 4). O objetivo foi examinar as propriedades da plataforma que são utilizadas pelos projetos. Em seguida, para as propriedades que não foram encontradas na análise de conteúdo, foi elaborado e aplicado um questionário aos usuários das plataformas para verificar se há a necessidade das propriedades faltantes ou se elas são dispensáveis ao contexto OSD.
Mediante as duas análises, os resultados foram tabulados, buscando padrões entre comportamentos da equipe de design e entre as atividades de CM previstas. Os resultados dos conteúdos investigados encontram-se nas próximas seções.
6.1 Fatores críticos para colaboração por meio da DBQT
Está seção apresenta uma análise de fatores críticos para a colaboração em projetos de comunidades OSD. Utilizou-se um instrumento de pesquisa basedo no trabalho de BARDIN (2011) que propôs o modelo conhecido como DBQT proposto por Peeters et al. (2007) foi realizada uma reflexão dos aspectos comportamentais do processo de design nos projetos de comunidades OSD, conforme Quadro 19.
Quadro 19 - DBQT Categoria
principal Subcategoria Item
Criação do design
Informação 1 Uso de toda a informação disponível Elaboração 2 Desenvolve minuciosamente o projeto Informação 3 Reúne todas as informações relevantes Elaboração 4 Reúne a informação externa adicional necessária
Elaboração 5 Mantem a concepção global na mente durante a elaboração
Categoria
principal Subcategoria Item
Soluções 6 Experimenta novas soluções Soluções 7 Restringe o número de soluções Ajuste 8 Há flexibilidade com circunstâncias
inesperadas dentro do projeto
Ajuste 9 Ajusta os sub designs a concepção global Ajuste 10 Ajusta as nossas atividades para o cada
um
Ajuste 11 Considera as decisões de concepção global quando ajustar os sub designs
Fase de transição 12 Transita conscientemente determinando o conceito - elaboração do projeto
Fase de transição 13 Transita conscientemente gerando soluções - determinando conceito
Fase de transição 14 Transita conscientemente de definição de objetivos - gerando soluções
Reflexão 15 Delibera constantemente a conexão entre os sub-designs
Reflexão 16 Sinaliza e relata inconsistências entre os sub-designs
Reflexão 17 Sinaliza e relata a necessidade de informação adicional
Reflexão 18 Notifica oportunamente a equipe quando encontrar problemas no design
Reflexão 19 Delibera constantemente para acentuar o objetivo do projeto
Soluções 20 Leva todas as soluções em consideração Soluções 21 Contribui com tantas soluções quanto
possível
Estabelecimento da meta 22 Determina as contribuições individuais mutuamente
Estabelecimento da meta 23 Determina a subdivisão do problema de design mutuamente
Estabelecimento da meta 24 Determina os requisitos profissionais mutuamente
Planejamento do design
Manutenção do cronograma
25 Ajusta o planejamento do tempo individual a tomada de decisão
Manutenção do cronograma
26 Incopora as atividades adicionais no planejamento do tempo individual Manutenção do
cronograma
27 Lembra cada um do prazo de entrega dos sub resultados
Manutenção do cronograma
28 Revisa o planejamento do tempo individual se necessário
Categoria
principal Subcategoria Item
Manutenção do
cronograma 29 Sinaliza divergência dos sub designs Manutenção do
cronograma
30 Checa sistematicamente se o cronograma foi mantido
Manutenção do cronograma
31 Discuti se o planejamento do tempo seria feito
Planejamento do tempo
32 Traduz o planejamento de tempo global em planejamento de tempo de sub design
mutuamente
Planejamento do tempo 33 Faz o planejamento do tempo individual mutuamente
Planejamento do tempo 34 Faz um planejamento do tempo global realista
Planejamento do tempo 35 Determina o tempo requerido para entrega da qualidade desejada mutuamente
Planejamento do tempo 36 Determina o prazo final de entrega do design em conjunto
Cooperação no design
Cooperação 37 Mantém contatos informais com cada um Cooperação 38 Considera as forças e fraquezas de cada
um
Cooperação 39 Encontra-se disponível para o outro se necessário Cooperação 40 Ajuda e apoia o outro
Cooperação 41 Trabalha para ganhar confiança mútua Cooperação 42 Ajusta nós mesmos aos outros - Ser
flexível ao outro
Cooperação 43 Estabelece contatos informais Cooperação 44 Mostra responsabilidade para altos e
baixos da equipe
Cooperação 45 Compartilha nosso conhecimento
Cooperação 46 Traz o trabalho de cada um para discussão Cooperação 47 Traz o trabalho da equipe para discussão Cooperação 48 Esclarece o nosso papel dentro da equipe Tomada de decisões 49 Leva tempo suficiente para decidir
Tomada de decisões 50 Tomada de decisões fundamentadas Comunicação 51 Relata decisões individuais
Tomada de decisões 52 Delibera entre cada um Comunicação 53 Mantém em contato regular Tomada de decisões 54 Grava as decisões
Tomada de decisões 55 Esforçar-se para chegar a um consenso
A pesquisa percorreu os seguintes passos, seguindo uma adaptação do protocolo de Bardin (2011):