• Nenhum resultado encontrado

3. GESTÃO VISUAL DE PROJETOS

3.4. CANVAS EM PLANEJAMENTO E GESTÃO DE PROJETOS

3.4.2. PM Mind Map

O PM Mind Map®7 foi concebido por Mei (2015), como um modelo de canvas alternativo ao PMC para a elaboração de projetos. Contudo, Mei (2015) explica que o modelo foi criado para suprir uma carência em relação a modelos já existentes de canvas, contemplando também as fases de execução e controle para o gerenciamento de projetos.

A proposta de canvas do PM Mind Map é mais abrangente em relação ao PMC, pois, além de propor a gestão de projetos em outras fases do ciclo de gerenciamento, o modelo, apresentado na Figura 8, sugere o preenchimento de quinze elementos (equivalentes aos conceitos-chave do PMC), divididos em seis perspectivas que respondem a nove perguntas essenciais, descritas abaixo:

• Por quê?

Essa pergunta envolve a perspectiva de negócio, incluindo os elementos de proposta de valor, o objetivo do projeto e os resultados de negócio. Nesse bloco, o PM Mind Map possui algumas diferenças em relação ao modelo PMC. O primeiro ponto se refere ao elemento de proposta de valor, que na opinião de Mei (2015), vai além de uma simples justificativa, pois se faz necessário pensar em motivos para executar um projeto que descreva não apenas problemas ou necessidades atuais da organização, como também propostas de agregação de valor ao negócio da organização.

Outro ponto do modelo PM Mind Map é o objetivo que deve ser definido com o projeto, sendo um objetivo SMARTC, trazendo as mesmas características do que foi proposto pelo PMC, acrescentando a ideia de que no objetivo também se precisa delimitar o custo para ser atingido. Além disso, o modelo apresenta o elemento de resultados de negócio, que refletem, basicamente, as consequências esperadas quando se tem um meio para gerar valor, sendo equivalente aos benefícios esperados, descrito no modelo PMC.

• O quê?

Nesse bloco se tem a perspectiva de produto, no qual são definidos o produto do projeto e os seus requisitos. Aqui se tem uma equivalência de conceitos apresentados a esses elementos, comparado ao modelo PMC, onde o produto pode ser propriamente um produto, um serviço ou

resultado de um projeto, e os requisitos são características inerentes a esse produto, definidos pelo cliente do projeto.

• Quem?

Aqui se tem a perspectiva de influências, considerando o elemento de interessados e outras fontes de influências externas, sendo equivalente ao campo de stakeholders e outras influências externas do modelo PMC, descrevendo as pessoas, empresas ou fatores externos que podem exercer influências positivas ou negativas sobre o projeto. No PM Mind Map, o preenchimento das perspectivas de negócio, produto, e influências constitui a etapa de iniciação do ciclo de gerenciamento.

• Como?

Contempla a perspectivas de condições, descrevendo as exigências ou suposições em relação aos interessados e outras influências, no qual são importantes de serem consideradas. Mei (2015) propõe três elementos nessa perspectiva: as restrições, as premissas e os riscos. As restrições dizem respeito às limitações impostas pelos interessados ou outras influências externas à equipe do projeto. As premissas e os riscos seguem a mesma linha conceitual do modelo PMC, onde as premissas dizem respeito a informações estimadas (hipóteses) sobre o projeto, enquanto que os riscos tratam de condições de incerteza que podem impactar a execução de um projeto.

• Quem executará? Como? Onde? Quando? Quanto?

Esse bloco descreve a perspectiva de execução, que, embora o termo remeta apenas à etapa de execução, inclui também elementos de planejamento, descrevendo os elementos de recursos, entregas, programação de prazo e custo, e custo total. Aqui se tem um maior contraste na definição dos elementos, comparado às áreas do PMC. Os recursos tratam de pessoas, insumos, materiais, equipamentos e outros ativos necessários à geração do produto, serviço ou resultado, sendo, portanto, um elemento mais amplo comparado à área de equipe definida pelo PMC, restrita ao pessoal que desempenha as atividades de um projeto.

As entregas se referem basicamente aos grupos de atividades do projeto. Contudo, aqui se detalha também os pacotes de trabalho referente à essas entregas, alinhadas a uma programação de prazo (equivalente à área de tempo do modelo PMC). O custo total envolve a soma de custos por período, resultando no custo por entrega e no custo total do projeto.

Vale ressaltar que Mei (2015) recomenda que esses elementos sejam definidos na etapa de planejamento, durante a concepção do plano do projeto, e acompanhados durante a etapa de execução do projeto.

• E se?

Esse bloco consiste na perspectiva de controle, onde são definidos e calculados os indicadores de desempenho do projeto. Aqui são desenvolvidos dois elementos: o resultado e as estimativas. O campo de resultados traz indicadores importantes para monitorar e controlar um projeto, onde se pode utilizar técnicas como a análise de valor agregado8 (AVA). Já o campo de estimativas pode descrever as estimativas do projeto em termos de custos, prazos ou outros aspectos com base em indicadores de desempenho. Isso de fato já demonstra uma evolução do modelo, comparado à estrutura do PMC, onde não se tem estabelecidos de uma maneira formal aspectos de monitoramento e controle do projeto.

Figura 8 – PM Mind Map

Fonte: Mei (2015).

8 Alguns autores utilizam a o termo “Gestão de Valor Agregado” para definir esse conceito. A AVA se refere a

uma técnica utilizada para acompanhar o desempenho do projeto, no intuito de ajudar o gerente de projetos a tomar decisões e fazer correções durante a etapa de execução, ajudando no seu controle (PAJARES; LÓPEZ-PAREDES, 2011; ALIVERDI; NAENI; SALEHIPOUR, 2013; HAZIR, 2015). Ela utiliza três variáveis (valor planejado, custo real e valor agregado) que, quando combinadas, geram indicadores de desempenho para medir a eficiência do projeto.

Além disso, o PM Mind Map também sugere que seja realizada a etapa de encerramento do projeto, representando a entrega de um produto ou parte desse produto ao cliente, além de se registrar as lições aprendidas, que possam servir de base para a gestão de novos projetos. O modelo também sugere o encerramento das contratações realizadas, embora não especifique um campo que trate desse aspecto. De toda a forma, o PM Mind Map já representa um acréscimo no que tange à utilização de um canvas para a utilização das boas práticas de gestão de projetos.