CAPÍTULO 7 ORGANIZAÇÃO DOS PODERES
7.7 PODER EXECUTIVO
É o poder do Estado que tem por função ordinária administrar, obedecendo e fazendo cumprir o previsto em lei. Mesmo assim, pode ter função diversa, como a expedição de atos com força de lei ou de natureza política, pela iniciativa, sanção, veto e promulgação de dispositivos legais.
O Presidencialismo é o sistema de governo em que: (CINTRA, 2007) O presidente, ao mesmo tempo, é Chefe de Estado e Chefe de Governo; O presidente é escolhido por votação popular;
O mandato presidencial, bem com os dos parlamentares, é prefixado, não podendo o presidente, exceto na hipótese do impeachment, ser demitido pelo voto parlamentar, nem o Legislativo ser dissolvido pelo presidente;
O ministério é designado pelo presidente e é responsável perante ele, não perante o Legislativo.
7.7.1 Presidente da República como Chefe de Estado e Chefe de Governo. Funções presidenciais.
Considerando o previsto no art. 76 da CF/88, o modelo brasileiro traz a idéia de um Poder Executivo unipessoal, ou seja, o Presidente da República exerce as funções executivas, quais sejam: Chefe de Estado, Chefe de Governo, Chefe da Administração Pública Federal e Comandante-em-Chefe das Forças Armadas:
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Observações:
a) O rol do art. 84 é meramente exemplificativo;
b) As atribuições previstas no art. 84, VI, XII e XXV (primeira parte), podem ser delegadas, nos termos do art. 84, parágrafo único.
7.7.2 As responsabilidades do Presidente da República
As responsabilidades do Presidente da República, incluindo-se algumas regras sobre o processo de impedimento e por crimes comuns, estão nos arts. 85 e 86 da CF/88.
7.7.2.1 Os crimes de responsabilidade do Presidente da República
Crimes de responsabilidade são infrações político-administrativas cometidas no exercício da função. Segundo BASTOS (2002, p. 608) os, “[...] ocupantes de altos cargos
públicos do Estado estão sujeitos não só às sanções previstas para a prática de atos infringentes das leis penais do País, mas também a uma especial apenação que consiste na desinvestidura dos cargos que ocupam, acompanhada ou não da proibição de vir a assumir novas funções públicas no futuro. Estas consequências são tidas por políticas e , em razão disso, os atos que as ensejam, designados de crimes políticos.”
Atribuições do presidente da
República (art. 84)
Chefe de Estado: representante do Brasil nas relações
internacionais (art. 84, VII, VIII, XIX, XX, XXI e XXII).
Chefe de Governo: prática de negócios internos e de
natureza política (art. 84, I, III, IV, V, IX a XIII, XV, XVII, XXIII, XXIV, XXVI e XXVII).
Chefe da Administração pública Federal: art. 84, II,
Na Constituição, contudo, os crimes de responsabilidade foram exemplificativamente lançados no art. 85, quais sejam:
Art. 85. São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra:
I - a existência da União;
II - o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação;
III - o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais; IV - a segurança interna do País;
V - a probidade na administração; VI - a lei orçamentária;
VII - o cumprimento das leis e das decisões judiciais.
Parágrafo único. Esses crimes serão definidos em lei especial, que estabelecerá as normas de processo e julgamento.
7.7.2.2 O processo dos crimes de responsabilidade
O processo de impedimento está regulado pela Lei 1.079/50 e na própria Constituição Federal. É um processo que se divide, basicamente, em duas fases: a) admissibilidade pela Câmara dos Deputados; b) processo e julgamento pelo Senado Federal.
1.ª Fase – JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE
Cabe a Câmara dos Deputados, nos termos do art. 52, I, da Constituição Federal, por 2/3 de seus membros (votação nominal, pelo sistema de chamada dos parlamentares), autorizar os processos criminais contra Presidente da República, Vice- Presidente da República e Ministros de Estado.
Essa autorização demonstra-se verdadeiro juízo de admissibilidade, em que a Câmara dos Deputados declara procedente ou improcedente a acusação por crime de responsabilidade realizada por um cidadão.
Nesse procedimento de verificação da admissibilidade do processo, cabe à Câmara dos Deputados verificar: 1) valor das provas e gravidade do fato; 2) conveniência político-social.
Nada obstante, em que pese haver a verificação da existência de provas e mesmo da gravidade do fato imputado, deve ser ressaltado que o critério que realmente devem os Deputados Federais considerar para dar a autorização para o processo é estritamente político, como se disse, de conveniência político-social.
2.ª Fase – PROCESSO E JULGAMENTO
Admitida a acusação por crime de responsabilidade, caberá ao Senado Federal, vinculadamente, processar e julgar a autoridade acusada. A sessão de julgamento será presidida pelo Presidente do STF (art. 52, parágrafo único).
Instaurado o processo no Senado Federal, ficará o Presidente da República suspenso de suas funções por cento e oitenta dias (180). Se, ultrapassado esse prazo, o julgamento ainda não tiver sido concluído, cessará o afastamento do Presidente da República, sem prejuízo do regular andamento do processo (CF, art. 86, § 1.º, II, e § 2.º).
A condenação, se houver, nos termos do art. 52, parágrafo único, da Constituição Federal, terá a forma de resolução e somente poderá ser proferida pelo voto de 2/3 dos integrantes do Senado Federal e limitar-se-á, sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis, à:
a) perda do cargo;
b) inabilitação para exercício da função pública por oito anos.
7.7.2.3 O processo dos crimes comuns
O processo das infrações penais comuns está regulado pela Lei 8.038/90 e na própria Constituição Federal. É um processo que também se divide em duas fases: a) admissibilidade pela Câmara dos Deputados; b) processo e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (CF, art. 102, I, b e c).
1.ª Fase – JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE
Nos casos dos crimes de ação penal pública, caberá exclusivamente ao Procurador-Geral da República denunciar a autoridade no Supremo Tribunal Federal. Se, ao contrário, tratar-se de crime de ação penal privada, caberá ao ofendido, também no STF, impetrar a queixa-crime.
Oferecida a denúncia ou a queixa-crime diretamente no STF, o Tribunal solicitará autorização à Câmara dos Deputados para instauração do processo.
Cabe à Câmara dos Deputados, da mesma forma que ocorre nos crimes de responsabilidade, nos termos do art. 52, I, da Constituição Federal, por 2/3 de seus membros (votação nominal, pelo sistema de chamada dos parlamentares), autorizar os processos criminais contra Presidente da República, Vice-Presidente da República e Ministros de Estado.
Ressalta-se, novamente, que o critério utilizado na admissibilidade do processo é estritamente político, ou seja, de pura conveniência político-social.
2.ª Fase – PROCESSO E JULGAMENTO
Admitida a acusação por crime de comum, caberá ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar a autoridade acusada.
Recebida a acusação pelo STF, ficará o Presidente da República suspenso de suas funções por cento e oitenta dias (180). Se, ultrapassado esse prazo, o julgamento ainda não tiver sido concluído, cessará o afastamento do Presidente da República, sem prejuízo do regular andamento do processo (CF, art. 86, § 1.º, I e § 2.º).
A condenação do Presidente da República importará a aplicação da sanção penal correspondente ao delito e prevista na legislação penal comum, inclusive estará sujeito à prisão, nos termos do art. 86, § 3.º, da Constituição Federal.
Além disso, por força do art. 15, III, da Constituição Federal, a condenação penal transitada em julgado importará na suspensão dos direitos políticos e, por efeitos reflexos e indiretos, também na perda do cargo.
Lembre-se, finalmente, de que Presidente da República faz jus à
irresponsabilidade penal relativa (CF, art. 84, § 4.º). Assim, não se poderá
responsabilizar o Presidente da República, durante o mandato, se o crime for cometido antes do início deste, ou, se praticado durante o mandato, não tiver relação com a função presidencial.
Em resumo, o Presidente da República, somente poderá ser processado e julgado perante o STF se se tratar de crimes cometidos durante o mandato e ligados ao exercício da função presidencial. Nos demais casos (crimes praticados antes do início do mandato ou que não tenham ligação com o ofício presidencial), a prescrição ficará suspensa enquanto durar o mandato (STF, Inq. 672/DF. Rel. Min. Celso de Mello. DJ 16-04-1993), permitindo-se, então, a futura responsabilização penal.