Poema visual

No documento 8 o ano TECENDO LINGUAGENS LÍNGUA PORTUGUESA MANUAL DO PROFESSOR (páginas 46-107)

O texto a seguir é um poema visual publicado em um livro. Além da versão impressa, também há uma versão eletrônica no site do autor. “Chá” foi construído para que o leitor pudesse interagir com o texto por meio da utilização de mídia eletrônica. É no computador que o poema ganha som e movimen- to, possibilitando ao leitor inferir os múltiplos significados que imagem e texto sugerem. Os poemas que apresentam esses recursos são chamados de ciberpoemas. O livro impresso não pode oferecer ao leitor os recursos e efeitos próprios de um computador, mas permite visualizar como o poema foi organizado naquele espaço e as intenções do autor ao fazê-lo.

Professor, para maior compreensão a respeito dos poemas visuais e dos ciberpoemas, veja bibliografia e indicação de sites no Manual, além de sugestões para a realização de um miniprojeto com os alunos.

POR DENTRO DO TEXTO

1. Podemos dizer que “nossos aromas” e “nossos sabores” representam duas pessoas? Por quê? 2. Que imagem é criada por meio da disposição das palavras? A imagem criada é a do vapor e do aroma do chá.

Sim. De acordo com o eu poético, eles se misturam. Ou seja, ele usa uma metáfora para falar sobre sua relação amorosa.

Sérgio Capparelli

3. Por que as palavras estão dispostas dessa maneira no poema? O que essa fusão sugere?

4. O poema teria o mesmo sentido se fosse composto apenas de palavras dispostas linearmente? Por quê? Não. Se o efeito do vapor não puder ser percebido e representado pelos versos, não será possível compreender a metáfora poética.

CONFRONTANDO TEXTOS

Releia os poemas 4, 5 e 6 para responder às questões a seguir:

1. Que elementos dos poemas 4 e 5 demonstram que eles fazem parte de um mesmo livro? 2. Qual é o tema comum entre os três poemas? Todos eles tratam do amor.

3. Que elementos da poesia visual podem ser identificados nos poemas 5 e 6?

As palavras compõem o texto com a imagem, de forma que a articulação de ambas dá sentido ao texto. A fusão seria a dos dois elementos citados no poema, o vapor e o aroma, em uma interação total.

Professor, sugerimos que estas questões sejam respondidas oralmente e com sua mediação. Elas visam complementar a compreensão de texto realizada anteriormente.

As informações sobre a fonte do texto, que aparecem ao final dos poemas – 33 ciberpoemas e uma fábula virtual – indicam de qual livro o poema foi retirado. Também as semelhanças encontradas entre eles, como tema, linguagem, brevidade dos textos e estilo, podem apontar para uma mesma origem.

Sugestão: Ambos utilizam recursos gráficos, brincando com a disposição das palavras no espaço e relacionando esse recurso ao sentido do texto. O poema 5 faz isso sem adicionar uma ilustração ao texto; já o poema 6 compõe imagem (xícara) e palavras (formando outra imagem: o vapor e o aroma do chá saindo da xícara).

Declamação de poemas

O poeta é alguém que traduz em palavras a poesia que existe na vida. Declamar os poemas é uma forma de apreciá-los e de perceber melhor sua sonoridade e o trabalho que o poeta realiza com as palavras. Que tal fazer uma declamação de poemas com seus colegas? Siga as orienta- ções apresentadas a seguir:

ORIENTAÇÕES

• Formem grupos de quatro ou cinco alunos. Seu professor atribuirá para cada grupo um dos poemas lidos na Prática de leitura (texto 4, 5 ou 6).

• Juntos, retomem as questões de compreensão do poema proposta na seção Por dentro do texto, compartilhando as respostas das atividades e procurando solucionar as dúvidas que possam ter ficado.

• Em seguida, preparem a declamação do poema atribuído ao grupo. Selecionem alguns adere- ços para serem usados no momento da declamação, como papel, tecido ou outros materiais. Vocês também podem escolher um fundo musical apropriado à sua leitura. Esses elementos devem ajudar a construir uma atmosfera relacionada ao conteúdo do texto.

• Estudem o poema, lendo-o várias vezes, e decidam em grupo como farão a distribuição de cada parte a ser apresentada. Caso queiram, inventem vozes ou entonações diferentes para declamá-lo. • Durante o ensaio, atentem para as pausas, o ritmo e a sonoridade do poema. Não é obrigató-

rio que vocês decorem o texto, mas, se isso for possível, engrandecerá a experiência. • No dia combinado com o professor, cada grupo apresentará aos demais o poema da maneira

combinada no grupo. Depois, em conjunto com a turma, responderá oralmente às questões a seguir, referentes à avaliação.

AVALIAÇÃO E REESCRITA

1. De qual poema você mais gostou?

2. Os grupos conseguiram usar os recursos adequados para apresentar a declamação do poema?

3. Que recursos você destacaria?

4. Durante a declamação, os grupos conseguiram valorizar os sentimentos que cada poema transmite?

5. Avalie o desempenho dos grupos com relação à entonação, fluência, ritmo e dicção. Professor, adapte a proposta ao seu planejamento e à realidade de seus alunos. Se considerar interessante, atribua aos alunos outros poemas além dos textos 4, 5 e 6. Se houver interesse, a atividade pode ser ampliada, transformando-se em um sarau da turma.

frase e oração

1. Releia o título de um dos poemas de Sérgio Capparelli: “Atenção!”.

a) Em seu caderno, reescreva esse título com outras palavras, de maneira que a mensagem seja mantida. Sugestão: “Fique atento!”.

b) Podemos dizer que “Atenção!” é uma frase? Por quê? Sim, pois é um enunciado que possui sentido completo.

Reflexão sobre o uso da língua

Frase é todo enunciado que tenha sentido, mesmo que seja formado por uma única palavra. Lem-

bramos que o sentido de uma frase também depende do contexto. Nem sempre é necessário que

um enunciado apresente verbo para que a mensagem seja entendida. Chamamos os enunciados

sem verbo de frases nominais. Exemplos:

Cuidado, cão bravo.

Drogas? Nem morto.

Quando os enunciados apresentam verbos, são chamados de frases verbais. Exemplos:

Tome cuidado, pois aqui há um cão bravo.

Não usaria drogas nem que estivesse morto.

Oração é todo enunciado que se organiza em torno de um verbo. Portanto, uma frase nominal

não pode ser considerada uma oração.

iMPORTANTE SABER

2. Veja a seguinte peça de campanha antidrogas:

A

ssociação P

arceria Contra Drogas

a) A frase principal dessa peça, “Crack. O fim de seu mundo em uma tragada.”, é verbal ou nomi- nal? Por quê?

b) Podemos considerar essa frase uma oração? Explique.

c) Reescreva a frase principal da peça da campanha empregando verbos, mas sem alterar a mensagem. d) Considere o propósito da campanha da qual essa peça faz parte. Utilize o modo imperativo para

escrever uma frase que sintetize esse propósito. É uma frase nominal, pois não apresenta verbo.

Essa frase não pode ser considerada oração porque nela não há verbos. Sugestão de resposta: “O crack é o fim de seu mundo em uma tragada.”

Sugestão de resposta: “Não use crack.”

Associação Parceria Contra Drogas

Para criar um programa de prevenção ao uso e abuso do crack e outras drogas, acesse: www.contradrogas. org.br ou facebook/

parceriacontradrogas

a) Qual é o objetivo dessa campanha?

b) Considerando apenas a imagem, seria possível reconhecer o objetivo da campanha? Por quê? c) Que relação há entre as frases e a imagem que compõe a peça?

d) No enunciado “Droga é uma armadilha. Você sabe disso. O seu filho não.”, a frase destacada é nominal ou verbal? Por quê?

e) A frase “Converse com ele.” constitui uma oração? Por quê? f) Determine o modo verbal usado nas frases:

• “Droga é uma armadilha.” • “Converse com ele.” O objetivo é incentivar o diálogo diálogo entre pais e filhos sobre o perigo das drogas.

Só a imagem não informaria o objetivo do texto, pois se trata de uma ilustração que não se relaciona diretamente ao tema das drogas.

A frase destacada é verbal, pois o verbo (“sabe”) está subentendido. Professor, mostre aos alunos a importância da elipse como recurso para evitar repetições.

Sim. Ela é verbal e o verbo é “converse”.

Indicativo. Imperativo afirmativo.

c) As frases mostram que as drogas são uma armadilha e a imagem mostra um menino pescando e fisgando um crocodilo, como se estivesse prestes a cair em uma armadilha. Além disso, as frases mencionam que os pais já têm experiência para perceber essa armadilha e os filhos não. Professor, incentive os alunos a relacionarem a água escura com algo desconhecido e perigoso.

3. Leia outra peça de campanha a seguir, prestando atenção na relação estabelecida entre as pala- vras e a imagem:

A

ssociação P

arceria Contra Drogas

Converse com ele. O diálogo é a melhor forma de afastar o perigo das drogas.

Prática de leitura

Texto 7 – Romance infantojuvenil (fragmento)

Leia um fragmento do romance Um bom sujeito, que conta a história de Reinaldo, um garoto deci- dido a conquistar Valéria, a garota por quem está apaixonado. Sabendo que ela adora garotos inteligen- tes, Reinaldo resolve ter aulas de Língua Portuguesa com seu amigo Ricardo para chamar a atenção da garota durante a aula. Confira.

[...] Foram cinco tardes de muito estudo. E Reinaldo tinha um objetivo a atingir. Por isso, tratou de prestar atenção às lições de Ricardo e raciocinar. Resultado: aprendeu direitinho o que queria.

– Hoje, vou dar um show! – garantiu a uma colega, no início da aula, alguns dias depois.

Era só esperar a professora chamá-lo, pensou. Vinte minutos passados, bateu a impaciência. Será que a professora tinha esquecido dele? No quadro-negro, outro menino tinha acabado de grifar os sujeitos das orações que Márcia pedira.

– Parabéns! – a professora cumprimentou os acertos.

Reinaldo levantou a mão. Olhava para a primeira oração escrita no quadro. Ela era:

O time da escola venceu os visitantes por dois a zero.

O sujeito da oração, O time da escola, tinha sido sublinhado.

– Só pra confirmar, professora... – Reinaldo esclareceu o motivo do aparte. – Time é o núcleo do sujeito? – Exatamente – concordou Márcia.

– Eu sabia! – exclamou o garoto, para marcar que sabia mesmo.

Algumas caras de espanto, outras de gozação se viraram para ele. Com o canto do olho, Reinaldo pescou o olhar que lhe interessava. Parece que Valéria tinha gostado da exibição.

Eduardo não gostou nem um pouco. Resolveu se intrometer, falando com a professora. – Esse negócio de núcleo do sujeito a gente ainda não aprendeu – disse, numa queixa. Gol contra. Reinaldo aproveitou e continuou o show. Falou de peito cheio para os colegas:

– O núcleo é a palavra central do sujeito. A mais importante de todas que fazem parte do sujeito. No caso, trata-se de time. Time é o elemento principal. O vencedor dos visitantes.

E se voltou para Valéria, lembrando:

– Com a modesta participação dos meus passes para o Chico.

A classe estava de queixo caído. Será que Reinaldo tinha tomado chá de enciclopédia? Até Márcia estava calada. Como todas as atenções continuassem nele, Reinaldo soltou mais um exemplo:

– Naquela outra oração, A professora de Matemática não veio hoje, professora é o núcleo do sujeito. É a palavra que exerce o papel central.

– Como é que dá para garantir isso? – perguntou a Regininha, lá no fundo da classe. Reinaldo não vacilou:

– Se a gente tirar a palavra professora, a oração fica até sem sentido. – A... de Matemática não veio hoje – repetiu a Regininha em voz alta. – Fica sem sentido mesmo! – concordou Valéria.

Amigo de Eduardo, Filipe sussurrou alguma coisa em seu ouvido. O garoto levantou a cabeça. Seus olhos brilharam.

– E você sabe dizer, Reinaldo, se esse sujeito é simples ou composto? – perguntou Eduardo, certo de que colocava o colega contra a parede.

– Quero ver ele sair dessa – comentou Filipe, apertando a mão do amigo.

Muita gente ficou de orelha em pé para escutar a resposta. Márcia ainda não ensinara a classifi- cação do sujeito. Para a maioria da turma, esse assunto não podia ser coisa fácil.

– É sujeito simples – Reinaldo respondeu, superior. – Só tem um núcleo, professora. Aliás, como eu já disse.

Todo mundo se voltou para Márcia, esperando a confir- mação.

– Muito bem, Reinaldo! – a professora estava mesmo surpresa. – Continue assim.

A essa altura, o garoto queria mesmo esbanjar.

– Aí no quadro, só tem uma oração com sujeito compos- to. É: Meu irmão e a prima de Maria foram ao cinema – Rei- naldo foi em frente. – Dá licença, Márcia?

Chegou até o quadro, grifando as palavras irmão e prima. – Estas são palavras principais do sujeito, são seus nú- cleos. Quando o sujeito de uma oração tem mais de um núcleo, ele é um sujeito composto. Certo, professora?

R

enato Arlem

POR DENTRO DO TEXTO

1. As tardes de estudo ajudaram Reinaldo a chamar a atenção de todos os colegas na sala de aula. Entretanto, Eduardo não gostou da exibição de Reinaldo.

a) Que estratégia Eduardo utilizou para prejudicar a exposição de Reinaldo? b) Eduardo atingiu seu objetivo? Justifique.

c) Por que Eduardo estava tão interessado em prejudicar o colega?

2. Vamos fazer uma revisão do que aprendemos até agora sobre sujeito e tipos de sujeito? Responda às próximas questões.

a) Como Reinaldo definiu o conceito de núcleo do sujeito aos colegas? Auxiliado pelo amigo Filipe, Eduardo perguntou se o sujeito de quem Reinaldo falava era simples ou composto. Não, pois Reinaldo também havia aprendido sobre isso e conseguiu responder à pergunta.

Porque ele também estava interessado em Valéria, ficamos sabendo disso no final do texto, quando ele desabafa com o irmão: “– É a Valéria, você sabe…”.

“– O núcleo é a palavra central do sujeito. A mais importante de todas que fazem parte do sujeito.” – Certíssimo!

O sinal tocou. A confusão da saída começou. Reinaldo largou o giz. Foi buscar o material na sua carteira. Antes parou ao lado de Valéria. Respirou fundo.

– Não era má ideia um cineminha hoje à tarde... – convidou. – Se a minha mãe deixar – a menina sorriu. – Me telefona... Na volta para casa, Teleco estranhou o silêncio de Eduardo. – O que é que está acontecendo com você? – quis saber curioso.

– Não dá pra explicar – resmungou Eduardo, carrancudo. – Na sua idade, você não vai entender. A diferença de idade dos dois era pequena. Mas Eduardo a usava, quando queria evitar que Teleco se intrometesse nas suas coisas. O irmão menor ficava bravo:

– Deixa de ser crica...

Eduardo precisava desabafar:

– É a Valéria, você sabe... – falou vagamente.

– Se soubesse não tava perguntando... – retrucou Teleco, impaciente.

oliViERi, antônio carlos. Um bom sujeito. Belo horizonte: Formato, 1997.

Texto 8 – Poema

Todos nós sentimos medo. Não há idade, origem, religião que nos torne uma pessoa tão corajosa a ponto de não sentirmos medo algum. Por meio da poesia, Carlos Drummond de Andrade retrata os conflitos sociais e os momentos emblemáticos vividos pelos jovens de determinada época.

O poema que você vai ler a seguir trata desse assunto. Ele faz parte do livro de poemas A rosa do

povo, escrito entre 1943 e 1945, no período em que o mundo enfrentava a Segunda Guerra Mundial e

o Brasil era governado pelo regime do Estado Novo.

Prática de leitura

b) Que orações do quadro ele utilizou para exemplificar sua explicação? Qual é o núcleo do sujeito em cada uma delas?

3. Como Reinaldo explicou a distinção entre sujeito simples e composto? Que oração do quadro de giz ele utilizou como exemplo de sujeito composto?

“O time da escola venceu os visitantes por dois a zero.”, em que o núcleo do sujeito é “time”, e “A professora de Matemática não veio hoje”, em que “professora” é o núcleo do sujeito.

Quando o sujeito tem apenas um núcleo, é sujeito simples, e quando o sujeito de uma oração tem mais de um núcleo, ele é um sujeito composto. O exemplo que ele deu era a única oração do quadro de giz com sujeito composto: “Meu irmão e a prima de Maria foram ao cinema”.

Em verdade temos medo. Nascemos escuro.

As existências são poucas: Carteiro, ditador, soldado. Nosso destino, incompleto. E fomos educados para o medo. Cheiramos flores de medo. Vestimos panos de medo. De medo, vermelhos rios vadeamos.

Somos apenas uns homens e a natureza traiu-nos. Há as árvores, as fábricas, Doenças galopantes, fomes.

Refugiamo-nos no amor, este célebre sentimento, e o amor faltou: chovia,

ventava, fazia frio em São Paulo. Fazia frio em São Paulo...

Nevava.

O medo, com sua capa, nos dissimula e nos berça. [...]

aNDRaDE, carlos Drummond de.

A rosa do povo. Rio de Janeiro: Record, 1991.

O medo

POR DENTRO DO TEXTO

1. Releia os versos da primeira estrofe:

Em verdade temos medo. Nascemos escuro.

• Esses versos apresentam uma construção que, aparentemente, tem um erro de concordância: “Nascemos escuro.”. A palavra “escuro” não está no plural e, portanto, não concorda com o su- jeito desinencial “nós”. Podemos concluir, então, que não se trata de um adjetivo que pode ser atribuído ao sujeito.

a) A que classe gramatical a palavra “escuro” passa a pertencer quando não é flexionada no plural? b) Que sentido pode ser atribuído ao verso?

c) Qual é a consequência de “nascermos escuro”, segundo o poema? d) Nesse contexto, a que se restringem as escolhas do eu poético?

2. Que relação podemos estabelecer entre o regime autoritário, a opressão da guerra e o verso “E fomos educados para o medo.”?

3. No poema, o eu poético afirma que os homens, ao se sentirem traídos pela natureza, buscam refú- gio no amor. Essa busca é recompensada de alguma forma? Justifique com um trecho do poema. 4. Em um dos versos, o eu poético afirma que “[...] o amor faltou [...]”.

a) Em sua opinião, por que o eu poético faz essa afirmação?

b) Indique qual seria a diferença de sentido se o eu poético tivesse usado o verbo “acabou” em vez de “faltou”.

Ela passa a ser um substantivo.

A ideia de que somos o próprio escuro, a escuridão, ao vivermos com tanto medo.

As existências são poucas, isto é, as opções de vida, as preocupações são limitadas, e, portanto, nosso destino é incompleto. Carteiro, ditador e soldado.

Em um regime autoritário, as pessoas são condicionadas a sentir medo, pois são ameaçadas e constrangidas pelas autoridades que estão no poder.

Não. “Refugiamo-nos no amor, / este célebre sentimento, / e o amor faltou [...]”.

Resposta pessoal. Professor, espera-se que o aluno perceba que, em um ambiente de medo, o amor não tem lugar, não tem chance de acontecer.

“Acabou” indicaria que o amor teria sido extinto, não haveria mais. “Faltou” indicaria que o amor está ausente naquela situação, embora ainda exista.

52

TEXTO E CONTEXTO

O texto a seguir oferece alguns dados sobre o contexto histórico a que o poema se refere. Leia-o. Professor, quando empregamos a palavra “contexto”, neste caso, referimo-nos ao contexto sócio-histórico no qual se situa o poema. O texto apresentado a seguir coloca o aluno a par dos acontecimentos da época. Pela leitura dessas informações, o aluno poderá ampliar sua compreensão do poema.

“É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio”, escreveu o poeta Carlos Drummond de Andrade em A rosa do povo. Composta por 55 poemas, a obra é uma das mais im- portantes da Língua Portuguesa e a maior do escritor, representando a fase em que ele teve como tema a política, a guerra e o sofrimento. Escrito entre 1943 e 1945, a política não só fez parte do livro A rosa do povo, mas também da vida de Drummond. A fase final do Estado Novo, com a en- trada do Brasil na Segunda Guerra, as campanhas contra o fascismo e a reorganização do Parti- do Comunista Brasileiro influenciaram muito o poeta, que viveu um momento de intensa politi- zação, refletida em sua obra. “Datam desse período os poemas mais ‘politizados’ de Drummond, na maioria publicados em A rosa do povo, em que fala da guerra na Europa, das vitórias soviéticas, da miséria, da expectativa por mudan-

ças e por um futuro melhor”, expli- ca o professor do Departamento de História da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Rodrigo Pat- to Sá Motta […].

MoDElli, laís. Escritores na política. Disponível em: <http://www. carosamigos.com.br/index.php/ component/content/article/246-revista/ edicao-213/4715-escritores-na-politica>.

acesso em: 18 mar. 2015.

Soldados alemães invadem a Polônia em 1939, no início da Segunda Guerra Mundial.

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1. O texto cita alguns dos temas presentes na obra de Drummond durante o período em que foram escritos os poemas de A rosa do povo. Indique a alternativa a seguir que corresponde aos temas abordados no poema “O medo”.

a) “[...] a política, a guerra e o sofrimento.” Alternativa “a”.

b) “[...] expectativa por mudanças e por um futuro melhor.”

2. Imagine como deveria ser a vida de um adolescente no período descrito no texto. Que tipo de medo ele poderia sentir? Resposta pessoal. Professor, espera-se que o aluno reflita sobre o medo de manifestar sua opinião, de morrer, de ser perse-

guido e torturado, de perder familiares e amigos.

Oração sem sujeito

1. Releia o primeiro verso do poema “O medo”:

Em verdade temos medo. a) Que tipo de sujeito encontramos nesse caso?

b) Como podemos identificar o sujeito dessa oração? Sujeito desinencial ou oculto: “nós”.

Pela desinência de primeira pessoa do plural do verbo.

Em nenhum dos casos foi possível identificar o sujeito. Isso decorre do fato de essas orações enfatizarem a ação do predicado, sem atribuí-la a nenhum sujeito.

No documento 8 o ano TECENDO LINGUAGENS LÍNGUA PORTUGUESA MANUAL DO PROFESSOR (páginas 46-107)