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Pautas comuns dos documentos finais das Assembleias Terena 2012/

POLÍTICAS PÚBLICAS TRANS: DIREITOS E DESAFIOS

Gisele Paquer Camargo12

Diego Ap. Cafola13

As dificuldades encontradas nos locais mais comuns pelos sujeitos trans14 (travestis,

transexuais e transgêneros) são enormes, são os sujeitos mais marginalizados e que sofrem mais preconceito e exclusão dentre a população Lgbt (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, travestis e transexuais).

O Brasil não possui legislação específica sobre os sujeitos trans, além da recentemente criminalização da homotransfobia15 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2019. Existem outras decisões que reconhecem os direitos dos sujeitos lgbt’s, em 2018 a mesma suprema corte autorizou os sujeitos trans a alterarem o nome no registro civil sem a necessidade de realizar a cirurgia de mudança de sexo. Esses novos reconhecimentos auxiliam para evidenciar as políticas de inclusão a diversidade de gênero e de orientação sexual em diversas instituições, sobretudo as de educação e de saúde (públicas e privadas). Essas conquistas estão relacionadas a luta desses sujeitos pelo mínimo de cidadania, pois convivem com a realidade marcada pela marginalização e exclusão social.

Os avanços conquistados pela população trans na área da saúde, principalmente através dos movimentos organizados LGBT, vêm ocorrendo por meio de suas demandas apresentadas nos espaços de

12 Gisele Paquer Camargo Graduada em Psicologia pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) 1998, Especialização em Gestão Avançada de Recursos Humanos pelo Instituto Nacional de Pós graduação (INPQ/UCDB), Mestranda pelo Programa de Pós-graduação em Estudos Culturais – da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campus Aquidauana (PPGCult/UFMS/CPAQ).

13 Diego Ap. Cafola bolsista CAPES de Mestrado no Programa de Pós-graduação em Estudos Culturais (PPGcult) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campus de Aquidauana (UFMS/CPAQ). Especialista em História da América (2019), licenciado em História (2017) e Bacharel em Turismo (2013) pela UFMS.

14 Utilização do termo trans para referenciar as travestis, transexuais e transgêneros.

15 STF enquadra homofobia e transfobia como crimes de racismo ao reconhecer omissão legislativa. Quinta-feira, 13 de junho de 2019. Disponível em: http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=414010

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controle social, como nas Conferências de Políticas Públicas para LGBT e nos Conselhos de Saúde.16

Por meio desse texto apresentamos uma discussão das políticas de saúde públicas brasileiras das últimas duas décadas da população de Lésbicas, Gays, Bissexuais, transexuais, travestis e transgêneros no Brasil, focalizando o respeito a identidade de gênero população trans no acesso a serviços básicos de saúde.

Para Bento

a transexualidade deve ser observada como um dos mais recentes desdobramentos do dispositivo da sexualidade, passando a constituir-se como dispositivo especifico, que se encontra em pleno período de operacionalização, com a organização crescente de comissões ou projetos vinculados a hospitais, visando a “tratar” os disfóricos de gênero17.

Preconceito, discriminação, chacotas, injurias, são situações comum de uma vida trans. Poucos tem o privilégio de conseguir passar ilesos a esses diversos casos do cotidiano, porém quando são colocados ao cuidado de sua saúde, mesmo os que passam, não se pode passar ou negar sua condição enquanto sujeitos trans, as ocorrências de constrangimentos se fazem presente em suas vidas quando o assunto é saúde. São as políticas públicas da saúde que devem auxiliar esses sujeitos a cuidarem de si, de seus corpos, em qualquer nível de atendimento de saúde.

A visibilidade, conhecimento e o reconhecimento das políticas de saúde pública para a população lgbt é relevante para combater a discriminação, violência e o preconceito vividos histórico e cotidianamente, garantindo assim seus direitos mais básicos. Sobretudo em um momento político delicado para esses sujeitos, pois, após décadas de lutas, estão perdendo alguns poucos direitos adquiridos e acesso a políticas públicas que as atingem diretamente.

16 POPADIUK, Gianna Schreiber; OLIVEIRA, Daniel Canavese; SIGNORELLI, Marcos Claudio. A Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros (LGBT) e o acesso ao Processo Transexualizador no Sistema Único de Saúde (SUS): avanços e desafios. Ciênc. saúde coletiva. 2017, vol.22, n.5, p. 1511.

17 BENTO, Berenice. A reinvenção do corpo: sexualidade e gênero na experiência transexual. Salvador, BA: Editora Devires, 2017.

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Seja dentro de diversas instituições sociais como a familiar ou de ensino, esses sujeitos lidam com a discriminação. No caso da familiar, o corriqueiro é a expulsão de suas casas, na escolar passam por cessação precoce de sua trajetória educacional, sobretudo, pela sua condição de trans. Se o comum, mas não total, é o não amparo da família e do Estado (com a educação), é de se esperar que esses sujeitos experienciam onde são aceitas. No modo como o canto da Linn da Quebrada escancara essa realidade na música Mulher: “nas ruas pelas surdinas é onde faz o seu salário. Aluga o corpo a pobre, rico, endividado, milionário. Não tem Deus, nem pátria amada, nem marido e nem patrão”, pois a inserção no mercado de trabalho qualificado se torna ainda mais difícil sem escolaridade restando a insegurança as ruas a noite para sua sobrevivência.

Constituição, Decretos, Resoluções e Portarias

No nossa Constituição de 1988 logo no início de seu texto, mais precisamente o art. 3º, inciso 4 da apresenta o seguinte texto: “Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”18. Também prevê como direito fundamental

que a lei puna qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais (art. 5º, XLI).

O Decreto Presidencial Nº 8.727, de 28 de abril de 2016, que dispõe sobre o uso social e o reconhecimento da identidade de gênero de pessoas travestis e transexuais no âmbito da administração pública federal e serve ainda como parâmetro para que estados e municípios também adotem o uso do nome social.

Se uma pessoa cisgênera (cis) tem seu nome pronunciado de maneira errada ou pelo nome que não a representa haverá correção por parte da dessa pessoa para ser chamada corretamente. O que pode ser banal para uma pessoa cis, não é para uma pessoa trans. É de extrema importância para a pessoa trans ser identificada nos espaços de saúde pelo nome social, isso está diretamente ligado ao respeito a sua identidade de gênero e ao combate ao preconceito que eles sofrem principalmente dos profissionais da saúde. Ser reconhecido pelo nome social traz

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segurança, gera acolhimento e empatia, fatores importantes para o processo de cura que envolve tais atendimentos. Não respeitar o nome social gera discriminação agravando o quadro de adoecimento do indivíduo.

O decreto referente ao uso do nome social é de 2016, porém, a identificação pelo nome social é um direito garantido dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2009 pela Carta de Direitos dos Usuários do SUS (Portaria nº 1.820, de 13 de agosto de 2009). Por isso, independente do registro civil ou de decisão judicial, é direito do(a) usuário(a) do SUS ser identificado(a) e atendido(a) nas unidades de saúde pelo nome de sua preferência. Desde 2012, o Sistema de Cadastramento de Usuários do SUS permite a impressão do Cartão SUS somente com o nome social do(a) usuário(a).

Para além de ter o direito de ser chamada pelo seu nome social e o junto com isso o reconhecimento de sua identidade de gênero ocorreu outro passo importante para a população trans. Se existe a divisão nos banheiros de acordo com o gênero, em 2015 precisou existir uma Resolução (nº 12) para respeito a identidade de gênero das pessoas, ela faz parte do Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoções dos Direitos LGBT (de 16 de janeiro de 2015) que estabeleceu o uso de banheiros, vestiários, alojamentos e demais espaços segregados por gênero, quando houver, de acordo com a identidade de gênero de cada usuária/o.

O que é básico para algumas pessoas para outras por muito tempo foram inalcançadas. Essas legislações auxiliam para dar legitimidade a luta e as reivindicações dos sujeitos trans. Se sentindo respaldados enfrentam o medo e, assim sendo, procuram os serviços básicos governamentais seja na educação ou na saúde.

Conforme Art. 196 da Constituição Federal de 1988: “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.”

A lei orgânica nº 8.080, de 1990 que dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços, cria a estrutura legal para a construção de um dos maiores sistemas públicos de saúde, o SUS, que passou a oferecer a todo

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cidadão brasileiro acesso integral, universal e gratuito a serviços de saúde. Os princípios de igualdade, universalidade, equidade, integralidade, da participação da sociedade no controle da política e da saúde como direito social (cidadania) norteiam as ações de planejamento e execução do sistema único de saúde.

A Portaria nº 2.836, de 1° de dezembro de 2011, Institui, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (Política Nacional de Saúde Integral LGBT), considerando importantes atribuições para garantir a essa população o direito à saúde previsto na Constituição Federal, como a necessidade de ampliação das ações e serviços de saúde especialmente destinados às peculiaridades da população LGBT que é o que preconiza o princípio da Equidade.

A portaria considera, entre outras questões, a necessidade de fomento às ações que visem à superação do preconceito e da discriminação, por meio da mudança de valores, baseada no respeito às diferenças, buscando um enfrentamento à violência LGBTfóbica nos espaços de saúde.

A Resolução Nº 2, de 6 de dezembro de 2011, estabelece estratégias e ações que orientam o Plano Operativo da Política Nacional de Saúde Integral (POPNSI) de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, no âmbito do SUS: “Art. 1º Esta Resolução institui o POPNSI de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais no âmbito do SUS, com o objetivo de apresentar estratégias para as gestões federal, estadual, distrital e municipal do SUS no processo de enfrentamento das iniquidades e desigualdades em saúde, com foco na população de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT), para a consolidação do SUS como sistema universal, integral e equitativo.

No Art. 2º, deste mesmo Plano, é estruturado em 04 (quatro) eixos estratégicos:

I - acesso da população LGBT à atenção integral à saúde;

II - ações de promoção e vigilância em saúde para a população LGBT;

III - educação permanente e educação popular em saúde com foco na população LGBT; e;

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Seguindo as diretrizes desse Plano Operativo, encontramos o art. 7º, que compete à gestão municipal do SUS:

I - definir estratégias e plano de ação para implementação do Plano Operativo da Política Nacional de Saúde Integral LGBT no âmbito municipal; e;

II - promover a inclusão do Plano Operativo da Política Nacional de Saúde Integral LGBT no Plano Municipal de Saúde e no PPA setorial, em consonância com as realidades, demandas e necessidades locais.”

No que se refere a programas de combate à homofobia e promoção do respeito à diversidade, o Ministério da Saúde apresenta a Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT), instituída pela Portaria nº 2.836, de 1° de dezembro de 2011, e pactuada pela Comissão Intergestores Tripartite (CIT), conforme Resolução n° 2 do dia 6 de dezembro de 2011, que orienta o Plano Operativo de Saúde Integral LGBT.

No item que diz respeito a responsabilidade e atribuições relacionadas à Política, da Política de saúde LGBT (2013), no que se refere às Secretarias Municipais de Saúde o Art. 6º, compete:

I - implementar a Política Nacional de Saúde Integral LGBT no Município, incluindo metas de acordo com seus objetivos;

II - identificar as necessidades de saúde da população LGBT no Município; III - promover a inclusão desta Política Nacional de Saúde Integral LGBT no Plano Municipal de Saúde e no PPA setorial, em consonância com as realidades, demandas e necessidades locais;

IV - estabelecer mecanismos de monitoramento e avaliação de gestão e do impacto da implementação desta Política Nacional de Saúde Integral LGBT; V - articular com outros setores de políticas sociais, incluindo instituições governamentais e não governamentais, com vistas a contribuir no processo de melhoria das condições de vida da população LGBT, em conformidade com esta Política Nacional de Saúde Integral LGBT;

VI - incluir conteúdos relacionados à saúde da população LGBT, com recortes étnico-racial e territorial, no material didático usado nos processos de educação permanente para trabalhadores de saúde;

VII - implantar práticas educativas na rede de serviço do SUS para melhorar a visibilidade e o respeito a lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais;

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VIII - apoiar a participação social de movimentos sociais organizados da população LGBT nos Conselhos Municipais de Saúde, nas Conferências de Saúde e em todos os processos participativos.

Manutenção e rupturas: tensionamentos e desafios

Mesmo após a exclusão da homossexualidade do Código Internacional de Doenças CID em 1990, estudos tem apontado uma tendência da condição ainda relacionada a patologias considerando como grupo de risco para doenças sexualmente transmissíveis, configurando barreiras ao acesso da atenção à saúde integral desse grupo social. Estes são alguns dos marcos que potencializam a necessidade de compreender como a patologização e estigma poderão agir nas subjetividades de profissionais da saúde produzindo obstáculos à atenção à saúde integral desta população e assim contribuir para a elaboração de novas estratégias para a educação permanente que mobilizem de forma efetiva tais estruturas subjetivas.

Quando se fala da saúde da população trans é comum que venham à mente questões relacionadas às práticas sexuais, tais como as doenças sexualmente transmissíveis e HIV/AIDS/Hepatites Virais. É importante lembrar que estas pessoas são também acometidas por outras enfermidades.

O Disque Direitos Humanos, ou “Disque 100”19, “recebeu no ano de 2015 1.983

denúncias de violações de direitos da população LGBT. Esse número representa um aumento de 94% no registro de manifestações de denúncias de violações contra a população LGBT entre os anos de 2014 e 2015”20. Em 2019

o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) divulgou os dados referentes ao balanço anual do Disque 100 (Disque

19 O Disque 100 é um serviço de discagem direta e gratuita disponível para todo o Brasil. Tem como função acatar e encaminhar denúncias de violações de Direitos Humanos envolvendo crianças e adolescentes, pessoas idosas, pessoa com deficiência, população em situação de rua, população LGBT, igualdade racial, pessoas em privação de liberdade, conflitos agrários e urbanos, demandas indígenas, entre outros. A ferramenta também pode ser acionada por meio do aplicativo Proteja Brasil.

20 BRASIL. Ministério do desenvolvimento social e agrário. Garantia da utilização do nome social para as pessoas

travestis e transexuais. Disponível em:

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Direitos Humanos) sobre a violência contra as pessoas LGBT. Em 2018, as denúncias somaram 1.685 casos, que resultaram em 2.879 violações. Destas, 70,56% são referentes à discriminação, seguida por violência psicológica – que consiste em xingamentos, injúria, hostilização, humilhação, entre outros (com 47,95%) - violência física (27,48%) e violência institucional (11,51%)21.

Mesmo existindo a legislação pertinente sabemos que a cultura violenta e discriminatória da nossa sociedade está presente. Os dados acima são indícios que os direitos da população lgbt, sejam os mais básicos, são violados. E atentamos ao fato que nem todos denunciam tais violações. Bem como, somos um dos países, que se tem registro, mais violento com as pessoas trans, segundo dados do Grupo Gay da Bahia (entidade que há 39 anos registra dados de violência contra lgbt no Brasil).

A reinvindicação de políticas públicas na atualidade, é uma das maiores demandas da população LGBT e me especial da população trans, a qual requer uma ação que vise atender às especificidades dessa população historicamente estigmatizada e excluída do direito à saúde. Neuza Guarechi at. Al., destaca que as políticas públicas deveriam ser ações coletivas, no sentido de serem formuladas e executadas com a participação da sociedade, visando à garantia de direitos. A Política Nacional de Saúde Integral LGBT (2013), foi um divisor de águas para as políticas públicas de saúde no Brasil e um marco histórico de reconhecimento das demandas desta população em condição de vulnerabilidade. É também um documento norteador e legitimador das suas necessidades e especificidades, em conformidade aos postulados de equidade previstos na Constituição Federal e na Carta dos Usuários do Sistema Único de Saúde. A Política de saúde LGBT é composta por um conjunto de diretrizes cuja operacionalização requer planos contendo estratégias e metas sanitárias e sua execução requer desafios e compromissos das instâncias de governo, especialmente das secretarias estaduais e municipais de saúde, dos conselhos de saúde e de todas as áreas do Ministério da Saúde.

21 https://www.mdh.gov.br/todas-as-noticias/2019/junho/disque-100-registra-quase-tres-mil-violacoes-contra-a- populacao-lgbt

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Muito se fala da saúde das pessoas trans em relação ao processo tansexualizador (da cirurgia de transgenitalização) instituída pela Portaria Nº 2.803 de 19 de novembro de 2013, contudo, o corpo trans adoece como qualquer outro corpo e necessita de um atendimento que satisfaça o princípio da integralidade e da equidade na oferta dos serviços em saúde, o fortalecimento dessas políticas e o enfrentamento da violência institucional sofrida por elas nos espaços públicos.

Após muito trabalho e envolvimento do movimento LGBT com a sociedade, políticas públicas que tratam das diversas causas e demandas dessa população foram criadas, contudo, ainda se exige esforços contínuos para que as mesmas sejam conhecidas, reconhecidas e implantadas, como é o caso na área da saúde.

A 13ª Conferência Nacional de Saúde (2007) garantiu o acesso aos serviços de saúde, nos três níveis de atenção do SUS, a atenção primária, a secundária e a terciária para população LGBT, assegurando políticas públicas de saúde eficientes e inclusivas considerando as vulnerabilidades causadas por estigma e preconceito em relação a essa população especifica:

Garantir respeito e atenção à diversidade e às necessidades especiais de grupos populacionais específicos na atenção integral à saúde, propiciando espaços para debates sobre as diferenças, com o objetivo de identificar e superar atitudes discriminatórias e favorecer a inclusão social, considerando o preconceito como atitude que contribui para o agravamento do processo saúde-doença. Assegurar a gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis (lgbt) o acesso equânime, respeitoso e de qualidade aos cuidados e serviços de saúde nas três esferas de governo, inclusive na abordagem da soropositividade ao HIV e às doenças sexualmente transmissíveis (DST). Reconhecer as temáticas que envolvam a orientação sexual e as suas consequências sobre as concepções e práticas da saúde, da inclusão de item sobre livre expressão sexual nos formulários, da inclusão dos recortes raciais, geracionais, de gênero e livre expressão sexual na política de educação permanente, da sensibilização dos profissionais a respeito dos direitos deste público e da implantação de grupos de promoção à saúde da população GLBTT nas unidades de saúde e saúde da família, contemplando as especificidades regionais e a efetivação da Portaria MS/GM nº 675/2006.22

22 BRASIL. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. 13ª Conferência Nacional de Saúde: saúde e qualidade de vida: políticas de Estado e desenvolvimento: relatório final. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2009, p. 22, 23.

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A Política Nacional de Saúde Integral de lgbt (2013) tem como marca o reconhecimento de que a discriminação por orientação sexual e por identidade de gênero incide no processo de sofrimento e adoecimento decorrente do preconceito e do estigma social, e apresenta em uma de suas diretrizes a eliminação destes com foco ao combate das homofobias, inclusive a institucional.

Em 2006 foi aprovada a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) tendo como pilares