são mais quietas e calminhas. Alguns deles incorporam pulando e gritando, outros descem chorando, outros estão sempre com fome. Estas características, que às vezes nos passam despercebidas, são sempre formas que eles têm de exercer uma função específica, como a de descarregar o médium, o terreiro ou alguém da assistência.  Estas entidades são a verdadeira expressão da alegria e da honestidade, dessa forma, apesar da aparência frágil, são

verdadeiros magos e conseguem atingir o seu objetivo com uma força imensa, atuam em qualquer tipo de trabalho, mas são mais procurados para os casos de família e gravidez. Os pedidos feitos a uma criança incorporada normalmente são atendidos de maneira bastante rápida. Entretanto a cobrança que elas fazem dos presentes prometidos é grande. Nunca prometa um presente a uma criança e deixe de entregar assim que seu pedido for atendido, pois a

brincadeira

(cobrança) que ela fará para lhe lembrar do prometido pode não ser tão engraçada

assim.

EXU E POMBA-GIRA

São espíritos que já encarnaram na terra. Na sua maioria, tiveram vida difícil como mulheres da vida; boêmios; dançarinas de cabaré. Estes espíritos optaram por prosseguir sua evolução espiritual através da prática da caridade, incorporando nos terreiros de Umbanda. São muito amigos quando tratados com respeito e carinho; são desconfiados, mas gostam de ser

presenteados e sempre lembrados. Estes espíritos, assim como os Pretos-velhos, e crianças, são servidores dos Orixás.  Não se deve confundir os Exus da Umbanda com Exu da Nação (candomblé), pois são diferentes.  Apesar das imagens de Exus fazerem referência ao Diabo medieval (herança do sincretismo religioso), eles não devem ser associados à prática do Mal, pois como são servidores dos Orixás, todos têm funções específicas e seguem as ordens deles. Dentre várias, duas das principais funções dos Exus: A abertura dos caminhos e a proteção de terreiros e médiuns contra espíritos perturbadores durante a gira ou obrigações.

Desta forma estes espíritos não trabalham somente durante a gira de Exus

dando consultas, onde resolvem problemas de emprego, pessoal, ou de demanda de seus consulentes. Mas também, durante as outras giras (Caboclos, Preto-velhos, Crianças e Orixás), protegem o terreiro e os médiuns para que a caridade possa ser praticada. Os exus recebem na Umbanda certas denominações como

Povo de Rua, Compadres e Comadres ou Guardiões

, para classificar entidades que trabalham num plano astral evolutivo. Estas entidades são firmadas em um lugar chamado de

tronqueira .

Exú é um tipo de entidade que trabalha na esquerda, são os espíritos que melhor entendem o ser humano, pois conhecem nossos problemas. São entidades em evolução, seu trabalho é dirigido principalmente à defesa dos seus médiuns e à defesa do terreiro, porém, são muito procurados para resolver os problemas da vida sentimental e material. Costumam trabalhar com velas, charutos, cigarros, bebidas fortes, punhais em seus pontos riscados, pembas brancas, pretas e vermelhas. Devido ao seu temperamento forte e alegre costumam atrair bastante os consulentes, principalmente porque quando falam que vão ajudar certamente o farão.  Exú é a Polícia de Choque da Umbanda, é quem cobra na hora e também é quem tem maior ligação com os seres encarnados. Na falange de Exú existem muitos, e entre eles estão:

Exu Tranca-Rua-das-Almas, Exu Tiriri, Exu Marabô, Exu Veludo, Exu Morcego, Exu

Gira-mundo, Maria Padilha, Maria Mulambo, Exu Caveira , Exu Ventania etc. Existem três tipos de Exu:

 

EXU PAGÃO: é aquele que não sabe distinguir o Bem do Mal, trabalha para quem pagar mais.

Não é confiável, pois se pego, é castigado pelas falanges do Bem, então volta-se contra quem o mandou.

EXU BATIZADO: é todo aquele que já conhece o Bem e o Mal, praticando os dois 

conscientemente; são os capangueiros ou empregados das entidades, a cujo serviço evoluem na prática do bem, porém conservando suas forças de cobrança.

EXU COROADO: é aquele que, após grande evolução como empregado das Entidades do Bem, recebem, por mérito, a permissão de se apresentarem como elementos das linhas positivas como Caboclos, Pretos Velhos, Crianças, Oguns, Xangôs e até como Senhoras.

Os Exus estão divididos em 3 grandes linhas: Cemitério, Encruzilhada e Estrada.

Exus do Cemitério: É formada por Exus sérios, em sua maioria servidores de Omulu (Rei do Cemitério). Não costumam dar consulta, se apresentam principalmente em grandes

obrigações, trabalhos e descarregos.   Ex: Exu João Caveira; D. Maria Quitéria; Exu Caveira, D. Rosa Caveira; Exu  7 Catacumbas; Exu 7 Facas, etc... 

Exus da Encruzilhada: Esta linha é formada por Exus que servem a Orixás diversos. Não são brincalhões como os Exus da estrada, mas também não são tão fechados como os do

cemitério. Gostam de dar consultas e também de participar em obrigações e descarregos.

Alguns deles se aproximam muito, em suas características, da linha do cemitério e são os que chamamos de Encruza pesada, enquanto outros se aproximam mais

da linha da estrada, a Encruza leve.

Ex: Exú Tranca Rua; Exú. Veludo; Exú das 7 Encruzilhadas; D. Maria Mulambo; etc...

Exus da Estrada: São os mais brincalhões. São os guias que mais dão consultas em uma gira de Exu, se movimentam muito e também falam bastante. Alguns chegam a dar consulta a várias pessoas ao mesmo tempo.  Nesta linha trabalham vários espíritos, desde os Exus da estrada propriamente dita, como também os Ciganos e a malandragem. Também se encaixam nesta linha alguns espíritos que, apesar de já terem atingido um certo grau de evolução,

optaram por continuar sua jornada espiritual trabalhando como Exus mesmo. Ex: Exu

Mangueira, Exu do Tempo, D.Maria Padilha, Sr. Zé Pelintra, D. Rosa Vermelha, Sr. Tiriri, D.

Cigana/Ciganinha. Não é incomum encontrar terreiros que giram ciganos junto com os Exús.

Sua cor é Vermelha e preta.  Sua guia também é vermelha e preta, ou amarela e preta ou preta e branca, assim como sua roupa. As Pombas-gira usam as saias compridas e blusa, e os Exús, calça, camisa e capa.

Erva: folha da fortuna 

Simbolo: é o tridente

Número:  7  

Dia: segunda-feira 

Elemento e força da natureza: fogo

Chakra atuante: básico ou sacro

Saudação: Laroiê-Exu Negativo: Quiumbas

Local de entregas: Encruzilhadas, cemitérios, praias, lodo, pedreiras, etc.

Encruzilhadas para os Exus:

Encruzilhadas abertas: para todos Exus (indistintamente)

Encruzilhadas fechadas: para todos os Exus (indistintamente)

Porteira de Curral: Exu das Sete Porteiras

Encruzilhadas Mistas: Exus mirins, etc...

Encruzilhadas em "S" ou curvas: Exu Tira-teima

Encruzilhadas em pé de galinha: Dona Pomba-gira

Encruzilhadas em forma de T: Dona Pomba Gira

Encruzilhadas de estrada de ferro: Dona Maria Padilha

Encruzilhadas de caminho do mato: Dona Maria Molambo

Nas curvas em S nunca se caminha pelo lado do ângulo da curva.

Nunca se devem atravessar as encruzilhadas em diagonal, principalmente às de dentro do cemitério. Ao utilizar-se uma porteira de curral, entra-se pelo lado direito e sai-se pelo esquerdo.

Os Exus nas sete linhas de Umbanda

Linha de Oxalá: Exu Tiriri, Exu Veludinho, Exu Gira Mundo, Exu Sete Encruzilhadas etc.

Linha de Yemanjá: Todas as Pombas-gira.

Linha de Ogum: Exu Tranca Ruas das Almas, Exu tranca Ruas de Embaré, Exu Tranca Ruas das 7 Encruzilhadas, Exu Veludo, Exu 7 Encruzilhadas, Exu 7 Facas, Exu da Mangueira

Linha de Oxóssi: Exu Marabô, Exu Tronqueira, Exu Mangueira e outros.

Linha de Xangô: Exu Marabô, Exu Toquinho, Exu Labareda, Exu do Lodo, Exu Pedra Negra.

Linha de Yorimá: Exu Caveira, Exu Tatá Caveira, Exu 7 covas, Exu Bananeira, Exu Mulambo, Exu 7 porteira e outros. 

Linha de Yori: Todos os Exus mirins.

A Umbanda é uma religião que, como diz Pierre Sanchis[18], tem seus fios intimamente trançados com a experiência do catolicismo no universo popular da religião. Este autor diz que

é impossível pensar o mundo afro no Brasil como puramente africano. “Ele vive, recria-se constantemente, dinâmica e conflitualmente segundo uma linha de representação identitária que, algumas vezes o joga no caminho da assimilação de outras influências, latentes ou ativamente presentes no espaço religioso do Brasil”.

[19]

Influência do cristianimo? Sim, mas nem tão sozinho, nem, talvez, de modo tão direto. Porque é preciso introduzir outro filão religioso, outro universo simbólico que, infiltrado mais tarde no Brasil, veio reativar latências antigas, articular-se a elas e marcar tão profundamente o campo que alguns analistas se perguntam se a “cultura religiosa brasileira fundamental”, mais ainda do que católica, não deveria ser considerada como cunhada por ele: o espiritismo.(...) Quarta filão, e quarta família, de introdução mais recente, mas já “brasileiramente” assimilada em certas correntes umbandistas, a dos

cultos de origem oriental.

Budismo nas suas várias obediências, hinduísmo de Krishna, grupos japoneses do Seicho no Iê, da Perfect Liberty, ou da Igreja Messiânica, etc.

[20]

        Desta forma, Sanchis resume a umbanda, “nem África pura, nem catolicismo europeu”.

Uma religião que dialoga com Orixás, mortos, santos ou entidades, “Nossas Senhoras que aparecem e vêm conviver com os homens, anjos, espíritos, forças cósmicas, demônios – ou tudo isso ao mesmo tempo”

. Umbanda, religião brasileira.[21]

[1] ROHDE, Bruno Faria. Umbanda, uma religião que não nasceu. Texto apresentado no V ENECULT em 27 a 29 de maio de 2009. Salvador.

[2] GIUBELLI, Emerson. Zélio de Moraes e as origens da umbanda no Rio de Janeiro. In:

SILVA, Vagner Gonçalves da (Org.).

Caminhos da alma: memória afro-brasileira.

São Paulo: Summus, 2002.

[3] GIUMBELLI, Emerson. Zélio de Moraes e as origens da umbanda no Rio de Janeiro. In:

SILVA, Vagner Gonçalves da (Org.).

Caminhos da alma: memória afro-brasileira.

São Paulo: Summus, 2002, p. 185.

[4] Idem.

[5] OLIVEIRA, J. Alves. Umbanda cristã e brasileira. Rio de Janeiro: Ediouro, s/d, 1985.

[6] PRANDI, Reginaldo. De africano a afro-brasileiro: etnia, identidade, religião. São Paulo: Revista USP, n. 46, p. junho/agosto 2000.

[7] BROWN, Diana. O papel histórico da classe média na umbanda. Texto referente a trabalho apresentado no 10º Encontro da Associação Brasileira de Antropologia, Salvador, Bahia, fevereiro de 1976.

[8] CAVALCANTI, Maria L.V. O que é o espiritismo. São Paulo: Editora Brasiliente S/A, 1985.

[9] BROWN, Diana. O papel histórico da classe média na umbanda. Texto referente a trabalho apresentado no 10º Encontro da Associação Brasileira de Antropologia, Salvador, Bahia, fevereiro de 1976.

[10] OLIVEIRA, J. Alves. Umbanda cristã e brasileira. Rio de Janeiro: Ediouro, s/d, 1985.

[11] ROHDE, Bruno Faria. Umbanda, uma religião que não nasceu. Texto apresentado no V

ENECULT em 27 a 29 de maio de 2009. Salvador.

[12] BROWN, Diana. Uma história da Umbanda no Rio. P. 9-41.

[13] CONCONE, Maria Helena & NEGRÃO, Lísias. Umbanda: da repressão à cooptação - o

envolvimento político-partidário   da

umbanda paulista nas eleições de 1982.

In: BROWN, Diana et al.

Umbanda e política.

Rio de Janeiro: Marco Zero, 1985. (Cadernos do ISER, 18)

[14] ROHDE, Bruno Faria. Umbanda, uma religião que não nasceu. Texto apresentado no V ENECULT em 27 a 29 de maio de 2009. Salvador.

[15] Idem.

[16] Id.

[17] GIUMBELLI, Emerson. Zélio de Moraes e as origens da umbanda no Rio de Janeiro. I n: SILVA, Vagner Gonçalves da (Org.).

Caminhos da alma: memória afro-brasileira.

São Paulo: Summus, 2002, p. 211.

[18] SANCHIS, Pierre. As Religiões dos Brasileiros. Belo Horizonte: Revista Horizonte, v.1, n.2, p. 28-43, 2º sem. 1997.

[19] SANCHIS, Pierre. As Religiões dos Brasileiros. Belo Horizonte: Revista Horizonte, v.1, n.2, p. 28-43, 2º sem. 1997, p. 31.

[20] Idem, p. 32.

[21] Idem.

No documento Escrito por Volney Berkenbrok Qua, 16 de Maio de :07 - Última atualização Qua, 16 de Maio de :09 (páginas 28-37)

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