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1. Macro análise:

1.2. A população do CNOGC

Como já foi referido, o número de inscritos no CNOGC condicionou o seu crescimento e o seu percurso.

Desta forma, no que se refere ao período de tempo sobre o qual se debruça este trabalho, de Setembro de 2006 a Dezembro de 2008, salienta-se que se inscreveram um total de 1624 pessoas, sendo o ano de 2007 aquele que apresentou um maior volume de inscrições (Quadro 2).

Revela-se pertinente para o trabalho distinguir por sexo o número de inscritos. Assim, de acordo com o Gráfico 4, verifica-se um maior número de homens inscritos no total dos três anos. Em valores numéricos, em 2006, inscreveram-se 110 homens e 57 mulheres, o que representa uma diferença de cerca de 50 %. Em 2007, inscreveram-se 466 homens e 356 mulheres, tendo a diferença diminuido consideravelmente em termos percentuais para cerca de 25% e, em 2008, inscreveram-se 399 homens e 236 mulheres, o que representa uma diferença de cerca de 40% entre homens e mulheres com inscrição no CNOGC. Estes dados revelam que homens e mulheres aderiram de forma desigual ao Programa NO, bem como que a diferença entre os dois sexos se acentuou no último ano em análise (Gráfico 4).

Mais se acrescenta que, em Alverca do Ribatejo, ainda que com diferenças entre os dos sexos, é possível afirmar que homens e mulheres aderiram em massa ao Programa Novas Oportunidades, principalmente em 2007. Esta adesão coincide com os valores nacionais, o que pode estar relacionado com o facto de 2007 ter sido o ano em que este programa foi publicitado em vários meios de comunicação e em que se alargou

Gráfico 4

Inscrições no CNOGC, por ano e sexo

INSCRIÇÕES NO CNO TOTAL TOTAL 2006 2007 2008 167 822 635 1624 Set a Dez 2006 2007 2008 0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 Homens Mulheres

Gráfico 5

Habilitações de partida da população inscrita (2006-2008)

1 93

415

1115

para o nível secundário, ao mesmo tempo que proliferaram notícias sobre o aumento dos níveis de desemprego, da instabilidade e da insegurança, fruto do contexto económico de crise. Este quadro nacional incitou a população para a procura de mais qualificações como forma de assegurar a sua empregabilidade.

No que diz respeito ao CNOGC, beneficiando da coincidência entre a campanha nacional e o resultado de um conjunto de iniciativas de divulgação levadas a cabo pela equipa técnico-pedagógica, verificou-se uma crescente procura dos seus serviços. Como aspecto positivo, salienta-se a capacidade de iniciativa e de mobilização da população na procura de mais valorização pessoal e melhor qualificação, concretizando no acto da inscrição uma manifestação de vontade própria na mudança do seu

percurso de vida e agindo contra a vulnerabilidade que a baixa qualificação representa para o país, para a comunidade e para cada pessoa.

No que se refere às habilitações de partida de todos os inscritos, homens e mulheres, salienta-se a baixa qualificação escolar que apresentavam (Gráfico 5).

A partir da análise dos dados, o número maior de adultos tem o ensino básico obrigatório. Contudo, existem ainda, na população activa de Alverca do Ribatejo, à semelhança do que se verifica no país em geral, pessoas que não concluíram o 3º ciclo

< 1º Ciclo 1º Ciclo 2 º Ciclo 3º Ciclo < 1º Ciclo 1º Ciclo 2º Ciclo 3º Ciclo 0 200 400 600 800 1000 1200

Gráfico 7

Habilitações de partida dos homens inscritos (%)

2H 0,2% 40H 4,1% 255H 26,2% 678H 69,5% Gráfico 6

Habilitações de partida das mulheres inscritas (%)

4M 1% 175M 27% 470M 72% Gráfico 8

Número de inscritos no CNOGC, por sexo (DEZ 2008)

ou que nunca o frequentaram, bem como, ainda que em número menor, cidadãos que não concluíram o segundo ciclo ou que apenas terminaram o 1º ciclo do ensino básico. Apesar de não ser relevante em termos numéricos, pois não se revela significativo pela leitura do gráfico, ainda existem adultos que não concluíram o 1º ciclo. Comparando as habilitações desta população em função do sexo, de acordo com os Gráficos 6 e 7, importa salientar que existem mais mulheres com o terceiro ciclo do ensino básico concluído e que, no geral, todas concluíram um ciclo completo de ensino.

Relativamente aos homens, é significativo o facto de, em maior número do que as mulheres, apresentarem o 1º ciclo como qualificação de partida e, ainda que pouco expressivo, alguns não terem concluído o 1º ciclo do ensino básico.

Comparando o total de inscritos no CNOGC até Dezembro de 2008, tendo em conta a diferença entre os níveis básico e secundário, verifica-se que a maioria das inscrições são de homens, ainda que a diferença seja maior ao nível do básico, como o ilustra o Gráfico 8.

Quanto à idade, ao nível do básico, pela análise do Gráfico 9, pessoas entre

127 1º Ciclo 2 º Ciclo 3º Ciclo 0 20 40 60 80 100 120 M F

30 34 20 24 25 29 35 39 40 44 45 49 50 54 55 59 Gráfico 9

Distribuição da população inscrita no B3 em função da idade e do sexo

os 25 e os 54 anos inscreveram-se no CNOGC a fim de se valorizarem e de melhorarem as suas qualificações. No entanto, existem diferenças entre homens e mulheres. No geral, os homens constituem a maioria dos inscritos, conforme foi já referido

anteriormente. Contudo, importam realçar três aspectos: entre os inscritos com 35 e 39 anos, o número de homens e mulheres é igual, entre os 45 e os 49 anos existem mais mulheres inscritas e, entre os 30 e os 34 anos, apenas existem mulheres inscritas. No que se refere aos homens, aqueles que mais procuram qualificar-se e ver

certificadas as suas competências situam-se entre os 40 e 44 anos, seguindo-se o grupo entre os 50 e os 54 anos. Relativamente às mulheres, o grupo etário predominante situa-se entre os 45 e os 49 anos, seguindo os grupos entre os 40 e os 44 anos e entre os 50 e os 54 anos. 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 F M

Ao nível do secundário, a situação é distinta (Gráfico 10). O nível etário dos inscritos no CNOGC têm entre os 20 e os 69 anos. Considerando o maior número de inscrições, há a referir que pessoas entre os 40 e os 54 anos constituem o público que mais procura qualificar-se e ver certificadas as suas competências. Contudo, comparando os níveis etários e o sexo dos incritos, salienta-se que, entre os 20 e os 25 anos, homens e mulheres aderem ao programa, que existem mais homens inscritos com idades

compreendidas entre os 35 e os 39 anos, entre os 45 e os 54 anos e entre os 60 e os 64 anos. As idades em que predominam inscrições de mulheres são dos 25 aos 34 anos, dos 40 aos 44 anos e dos 55 aos 59 anos. Salienta-se ainda que a diferença maior entre

Gráfico 10

Distribuição da população inscrita no nível secundário em função da idade e do sexo

M H 65/69 35/39 50/54 55/59 60/64 45/49 20/24 40/44 25/29 30/34

homens e mulheres inscritos no nível secundário se situa entre os 35 e os 39 anos, os 50 e os 54 anos e os 65 e os 69 anos. Portanto, as mulheres procuram qualificar-se mais cedo do que os homens, o que pode estar relacionado com condicionantes da vida privada e familiar, nomeadamente a maternidade, enquanto os homens a partir dos 35, e principalmente entre os 45 e os 54 anos, procuram firmar-se no mercado de trabalho, o que pode estar relacionado com o alargamento da idade activa.

20/24 25/29 30/35 35/39 40/44 45/49 50/54 55/59 60/64 65/69 0 5 10 15 20 25 M F

No que diz respeito à situação face ao emprego, o público inscrito no CNOGC apresenta uma percentagem de empregados elevada, uma vez que, de acordo com os dados disponíveis no SIGO, 88% das pessoas estão empregadas, contra 12 % de desempregados, como se pode observar pelo Quadro 3.

Quadro 3

Situação dos inscritos face ao emprego

SITUAÇÃO FACE AO EMPREGO

Empregadas/os 1430

Desempregadas/os 194

TOTAL

11 23

91 69

Relativamente ao universo dos desempregados, importa analisar comparativamente a situação de homens e mulheres.

1º emprego Novo emprego

Mulheres Homens

Assim, de acordo com o Gráfico 11, existem mais mulheres em situação de desemprego do que homens, o que está em conformidade com os dados nacionais. Porém, para as pessoas inscritas no CNOGC que procuram o primeiro emprego, os mais jovens, verifica-se que as mulheres integram o mercado de trabalho com mais

facilidade do que os homens, o que contrasta com a situação dos homens e das mulheres que procuram um novo emprego e a reintegração no mercado de trabalho.