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Tatiana Mendes Moreira; 1Ingrid Neiva Moura; 2Mayara Ladeira Coelho; 2Jeorgio Leão Araújo
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Acadêmica da Faculdade Integral Diferencial- FACID/DEVRY 2Docente da Faculdade Integral Diferencial- FACID/DEVRY
RESUMO
(a) Objetivos; Este estudo visou caracterizar o perfil dos pacientes quanto ao gênero, faixa etária, grau de escolaridade, o perfil farmacoterapêutico destes e identificar a frequência das doenças crônicas com diagnóstico já estabelecido. (b) Material e Métodos; Trata-se de um estudo transversal exploratório e observacional com abordagem quantitativa, cuja ferramenta para coleta dos dados foi um formulário estruturado o qual foi aplicado a 48 idosos, realizado no período de 02 de março a 20 de abril de 2015 (c) Resultados; O estudo apresentou em relação ao gênero, um maior percentual (85%) de pacientes do sexo feminino, com relação a faixa etária houve predomínio da idade entre 66 a 71 anos, foi observado que penicilina (11%) e paracetamol (11%) foram os medicamentos que mais proporcionaram reações adversas entre os pacientes idosos entrevistados, quanto aos medicamentos foram mais prescritos cálcio (18%) e paracetamol (15%), em relação as doenças crônicas não transmissíveis obtivemos um maior percentual em hipertensão arterial (41.6%) e diabetes mellitus ( 10,4%). (d) Conclusões; É imprescindível que, diante dos argumentos expostos, todos se conscientizem de que o exercício da atenção farmacêutica é uma ferramenta eficiente para o processo de formação de nossos futuros farmacêuticos.
Palavras-chave: Atenção farmacêutica; Farmacoterapia; Idosos. ABSTRACT
(a) Objectives; This study aimed to characterize the profile of patients according to gender, age, level of education, the profile of these pharmacotherapeutic and identify the frequency of chronic diseases diagnosed already established. (b) Material and Methods; This is an exploratory and observational cross-sectional study with a quantitative approach, whose tool for data collection was a structured questionnaire which was applied to 48 elderly, conducted from March 2 to April 20, 2015 (c) results; The study presented in relation to gender, a higher percentage (85%) of female patients with respect to age group was predominant age between 66 to 71 years, it was observed that penicillin (11%) and paracetamol (11%) were the most common drugs provided adverse reactions among respondents older patients, as the drugs were most prescribed calcium (18%) and paracetamol (15%), in relation to chronic diseases we got a higher percentage of hypertension (41.6%) and diabetes mellitus (10.4%). (d) conclusions; It is essential that, given the arguments, all are aware that the practice of pharmaceutical care is an effective tool for the process of formation of our future pharmacists.
Keywords: Pharmaceutical care ; Pharmacotherapy ; Elderly.
INTRODUÇÃO
O modelo de prática profissional entendida por Atenção Farmacêutica, concebido nos Estados Unidos, surgiu com a finalidade de garantir ao paciente uma farmacoterapia racional, necessária, segura e com custo acessível, orientando o paciente por meio de ações educacionais, aconselhamento e, o mais importante, disponibilizando informações referentes ao uso dos medicamentos, como: formas de ingerir ou aplicar, interações com outros medicamentos que possam estar sendo utilizados pelo paciente, os horários corretos e ocorrência de possíveis reações adversas. O acompanhamento ao paciente faz com que o farmacêutico realize um trabalho que beneficiará seu paciente. A prática de atenção farmacêutica hoje está sendo vista com uma atividade importante não apenas para dispensar o medicamento e sim interagir com o indivíduo,
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listando e classificando os problemas descritos pelo mesmo e contribuindo para uma eficiente terapêutica e uma melhor qualida de de vida do paciente (FINDÊNCIO & YAMACITA, 2011).
A atenção farmacêutica ao paciente idoso cresce cada vez mais, estima-se que a proporção de idosos na população brasileira em 2025 aumente em cinco vezes, comparado com a população de 1950, e teremos 15 vezes mais o número de pessoas acima de 60 anos. Com o crescimento da população idosa, o consumo de medicamentos também aumentou, isso devido à elevada prevalência de doenças crôni co degenerativas que se associam ao envelhecimento (FINDÊNCIO & YAMACITA, 2011).
É notável que o paciente idoso possui uma maior predisposição ao desenvolvimento de patologias e, consequentemente, a consumir mais medicamentos e aumentando as chances de ocorrência de interações medicamentosas. Diante disso, o serviço de atenção farmacêut ica ao paciente idoso, objetiva a promoção da melhoria da qualidade de vida do paciente através do compromisso com este em identificar problemas relacionados a medicamentos se existentes e intervir profissionalmente para resolvê-los (CARDOSO & PILOTO, 2014).
A implantação do serviço de Atenção Farmacêutica junto ao programa de extensão com idosos desenvolvido na Farmácia Escola da Faculdade Facid-DeVry possibilita o desenvolvimento de uma relação acadêmico de Farmácia-paciente favorável com a supervisão do docente, aplicando os conhecimentos adquiridos ao longo da graduação, visando também o desenvolvimento de habilidades cruciais para a nova realidade do mercado profissional, em prol da melhoria da qualidade de vida dos pacientes assistidos. Este estudo visou caracterizar o perfil dos pacientes quanto ao gênero, faixa etária, grau de escolaridade, o perfil farmacoterapêutico destes e ainda identificar a frequência das doe nças crônicas com diagnóstico já estabelecido.
MATERIAL E MÉTODOS
Trata-se de um estudo transversal exploratório e observacional com abordagem quantitativa, cuja ferramenta para coleta dos dados foi um formulário estruturado o qual foi aplicado a 48 idosos integrantes de um programa de extensão desenvolvido em uma farmácia e scola de uma instituição de ensino superior em Teresina-Piauí, realizado no período de 02 de março a 20 de abril de 2015, onde foram levantados dados socioeconômicos e o perfil farmacoterapêutico dos pacientes e ainda a frequência das doenças crônicas com diagnóstico estabe lecido. Os resultados obtidos foram apresentados em gráficos através da utilização do programa Microsoft Excel 2010.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
GRÁFICO 1 – Perfil de pacientes idosos quanto ao gênero, atendidos em um em um programa de extensão em uma instituição de ensino superior privada em Teresina-PI.
Fonte: Autor, abril de 2015
Com relação ao gênero, alguns estudos indicam que as mulheres são mais propensas a participar de programas supervisionados de atividade física, dando maior importância ao trabalho em grupo do que os homens (GOGGIO & MORROW JUNIOR, 2001; WILCOX, KING & BRASSINGTON, 1999). Adiciona-se a isso, o fato de que as mulheres são as que mais participam de atividades extra doméstica como organização de movimentos populares, cursos especiais e viagens (CAMARANO, 2003)
Outros estudos constatam que os homens, em geral, padecem mais de condições severas e crônicas de saúde do que as mulheres e também morrem mais do que elas pelas principais causas de morte (COURTENAY, 2000; LAURENTI, MELLO & GOTLIEB, 2005; LUCK, BAMFORD & WILLIAMSON. 2000). Entretanto, apesar de as taxas masculinas assumirem um peso significativo nos perfis de morbimortalidade, observa-se que a presença de homens nos serviços de atenção primária à saúde é menor do que a das mul heres (FIGUEIREDO, 2005; PINHEIRO et al 2002)
Há autores que associam esse fato à própria socialização dos homens, em que o cuidado não é visto como uma prática masculina (COURTENAY, 2000; FONSECA et al.2003; TELLERÍA,2003). Na literatura específica sobre o assunto, também há vários estudos que apontam a necessidade de se refletir sobre a masculinidade para uma compreensão dos comprometimentos da saúde do homem (COURTENAY, 20 00; GOMES, 2003; KEIJZER, 2003; ;SCHRAIBER , GOMES & COUTO, 2005; WORLD, 2003).
O resultado (GRÁFICO 01) encontrado quanto ao gênero dos pacientes idosos atendidos em um em um programa de extensão em uma instituição de ensino superior privada em Teresina- PI, condiz com os estudos descritos acima. Entre os pacientes idosos entrevistados no presente estudo, 15% (08) eram homens e 85% (40) mulheres.
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GRÁFICO 2- Perfil de pacientes idosos por faixa etária, atendidos em um em um programa de extensão em uma instituição de ensino superior privada em Teresina-PI.
Fonte: Autor, abril de 2015
O resultado sobre o perfil de pacientes idosos por faixa etária, atendidos em um em um programa de extensão em uma instituiçã o de ensino superior privada em Teresina-PI, mostrou que 27% (12) apresentam idade entre 60 a 65
anos, 35% (17) 66 a 71 anos e 38% (19) igual ou acima de 71 anos.
Os idosos, de acordo com a Farmacocinética Clínica, possuem uma série de alterações fisiológicas que interferem diretamente nos processos de absorção, distribuição, metabolização e eliminação dos medicamentos, portanto os efeitos tóxicos nesses pacientes ocorrem de maneira mais frequente (BJORNSSON, 1997; LABÚNE, 1994).
Entre os parâmetros farmacológicos, as fases da distribuição e metabolização são as mais afetadas pelo envelhecimento do organismo. A biodisponibilidade de drogas hidrossolúveis administradas por via oral, por exemplo, pode estar aumentada, haja vista que o idoso possui menor teor de água no organismo, o que acarreta redução em seu volume de distribuição (BEYTH & SHORR, 2002). Além disso, o fluxo sanguíneo hepático costuma estar diminuída, por vezes reduzida quase à metade, com conseqüente redução do metabolismo de primeira passa gem dos fármacos (FONSECA & CARMO, 2000).
Esse grupo específico de pacientes depende ainda mais dos serviços de saúde, pois a prevalência de doenças agudas ou crônicas entre eles é maior do que em outras faixas etárias. Quase a totalidade deles tem pelo menos uma doença crônica e necessitam d e cuidados médicos e terapêuticos mais freqüentes, utilizando os serviços de saúde em maior escala do que as faixas etárias mais jovens (BISSON, 2007).
GRÁFICO 3- Grau de escolaridade dos pacientes idosos atendidos em um em um programa de extensão em uma instituição de ensino superior privada em Teresina-PI.
Fonte: Autor, abril de 2015.
Com relação ao grau de escolaridade dos pacientes idosos atendidos em um em um programa de extensão em uma instituição de ensino superior privada em Teresina-PI (GRAFICO 3), o estudo apresentou os seguintes números: 16,6% (08) possuem curso superior, 33,3% (16) o ensino médio completo, 18,75% (09) o ensino médio incompleto, 25% (12) o ensino fundamental completo, 2,9% (01) o ensino fundamental incompleto e 4,1% (02) não apresentaram nenhum grau de escolaridade.
No ano de 2012 segundo uma pesquisa realizada pelo IBGE mostrou que a escolaridade dos idosos brasileiros é ainda considerada baixa: 30,7% tinham menos de um ano de instrução.
Este estudo revela que 50% dos pacientes idosos entrevistados possuem um nível de escolaridade com no mínimo o ensino médio completo, por outro lado, os dados mostram também 50% de pacientes idosos com baixa escolaridade, o que compromete o acesso à educação em saúde, estratégia que possibilita a adoção de comportamentos saudáveis e a mobilização social para a melhoria das condições de vida.
60 a 65 anos 66 a 71 anos
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GRÁFICO 4- Frequência das doenças crônicas não transmissíveis com diagnóstico já estabelecido
Quanto às doenças crônicas não Quanto às doenças crônicas não transmissíveis prevalentes entre os idosos nesta pesquisa, as mais frequentes foram: Hipertensão Arterial Sistêmica 37,5% (18), Diabetes Mellitus 10,41% (05) e Osteoporose 10,41% (05). A amostra dos pacientes idosos entrevistados demonstra uma concordância com os dados de outros estudos epidemiológicos.
Estimativas mostram que, em 2050, os idosos representarão 18% da população brasileira, chegando a mais de 30 milhões de pessoas (IBGE, 2010). Com o aumento da expectativa de vida, observa-se a maior incidência e prevalência de condições crônicas de saúde, como o Diabetes Mellitus (DM) e a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), que estão entre os principais fatores de risco para doenças cardiovasculares no país (BRASIL, 2010; RIBEIRO et al., 2008; FIEDLER & PERES, 2008).
Na atualidade, existe a tendência de um número crescente de indivíduos idosos com doenças crônicas, as quais estão diretamente relacionadas com maior incapacidade para o desempenho de suas funções domésticas. Ao passo que a incapacidade ocasiona maior vulnerabilidade e dependência na velhice, aumenta a preocupação com o bem estar e qualidade de vida dos idosos, além das implicações que repercutem na vida de suas famílias e nas demandas por serviços de saúde (ALVES et al., 2007; FERREIRA et al., 2006).
GRÁFICO 5- Frequência dos medicamentos mais prescritos.
Fonte: Autor, abril de 2015
Quanto à frequência de medicamentos mais prescritos entre os idosos nesta pesquisa 13% (6) não relataram nenhum medicamento, 18 % (9) Cálcio, 12 % (6) Atenolol, 8% (4) Maleato de Enalapril, 15% (7) Sinvastatina, 15 % (7) Omeprazol, 11% (5) Losartana e 8%(4) Hidroclorotiazida. As doenças crônicas e as manifestações clínicas decorrentes do envelhecimento apresentam-se como os principais elementos responsáveis pelo consumo de múltiplos medicamentos, o que torna a população idosa mais suscetível à prática da polifarmácia (SECOLI, 2010) O fácil acesso a medicamentos e a baixa frequência de uso de recursos não farmacológicos para o manejo de problemas médicos con tribui para o consumo elevado de medicamentos pela população de idosos (ROZENFELD, 2003).
Um estudo realizado em 2010 com 238 indivíduos de ambos os sexos, com 60 anos ou mais, residentes na área de abrangência da Unidade Básica de Saúde (UBS) Dom Bosco, do Município de Rondonópolis/MT, sobre o consumo de medicamentos por idosos apresentou os seguintes resultados: os subgrupos terapêuticos com ação no aparelho cardiovascular mais frequentemente utilizados foram os a gentes que atuam sobre o sistema renina-angiotensina (38,46%), os diuréticos (26,92%) e os betabloqueadores(12,5%). Os anti-inflamatórios e antirreumáticos foram os fármacos que atuam no sistema músculo esquelético mais citados (82,69%). No subgrupo terapêutico dos fármacos que atuam no sistema digestivo e metabolismo, os medicamentos usados no tratamento do diabetes foram os mais consumidos (53,33%) (GOULART et al, 2014).
A partir dos resultados ficou perceptível que os medicamentos mais prescritos aos pacientes idosos neste estudo condizem com a prevalência das doenças crônicas mais frequentes ou estão relacionadas a estas considerando que nesta fase da vida, uma doença crônica instalada pode condicionar o surgimento de outra doença crônica e também estão de acordo com outros resultados descritos em estudos anterior es.