Pragas e seu controle

No documento UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS CULTURA DO ARROZ (páginas 85-89)

O fato de o arroz ser cultivado em condições de sequeiro (terra altas) e em condições irrigadas por inundação ou não irrigadas (várzeas), faz com que haja variação na incidência de pragas sobre esta cultura, principalmente aquelas que ocorrem no solo. As pragas da parte aérea geralmente são as mesmas nos diferentes sistemas de cultivo.

Principais pragas do arroz de sequeiro e seu controle

Merecem destaque no cultivo do arroz de sequeiro os cupins subterrâneos e a lagarta-elasmo que, no mínimo, podem causar juntos cercas de 13% de redução na produção. Em ataques muito severos, os danos da elasmo podem chegar a 100% de perdas, sendo necessário o replantio. Dentre as pragas da parte aérea, vêm se destacando as cigarrinhas que, no estádio adulto, migram das pastagens para as plantas do arroz, causando danos consideráveis, principalmente se atacarem as plantas até os 45 dias de idade.

Cupins (termitas, aleluias, siriris, etc)

São insetos de hábito subterrâneos que constroem pequenas câmaras localizadas em profundidades variáveis, partindo da superfície do solo. As infestações de cupins são mais intensas em solos arenosos, de baixa umidade, anteriormente ocupados com gramíneas e em áreas sob plantio direto. Alimentam-se das sementes e do sistema radicular das plântulas, destruindo-os total ou parcialmente. As plantas atacadas são reconhecidas pelo aspecto seco e pela facilidade com que se desprendem do solo quando puxadas ou ainda pelo rápido enrolamento das folhas, nas horas de sol.

Lagarta-elasmo (broca-do-colo)

É uma praga séria do arroz de sequeiro, principalmente em solos de cerrado cultivados no primeiro ano e em anos secos (estiagens). Solos arenosos anteriormente ocupados com gramíneas (braquiária, cana-de-açúcar, etc.) também favorecem o seu desenvolvimento.

A lagarta perfura os colmos na região do colo, produzindo galerias que atingem as folhas centrais que, em conseqüência, secam, o que dá origem ao nome de "coração-morto" (sintoma característico do ataque da lagarta-elasmo).

Uma planta atacada pela elasmo apresenta o sistema radicular normal, no que difere de uma planta atacada por cupins, que é facilmente arrancada com as mãos por ter as raízes danificadas.

Cigarrinha-das-pastagens

As cigarrinhas desenvolvem-se nas pastagens e depois migram para o arroz, onde raramente se observa a presença de ninfas. Os danos em plantas de arroz são causados apenas pelas cigarrinhas adultas, que sugam a seiva nas folhas e colmos. Os sintomas de ataque caracterizam-se pelo amarelecimento e secamento das folhas, por ação toxicogênica, seguidos de morte das plantas, principalmente das mais novas.

Medidas de controle:

a) Tratamento químico de sementes

O tratamento de sementes utilizando Carbofuran, tiodicarbe, entre outros (Tabela 26), na dosagem de 1,5 L /100 kg de sementes resolve 60% dos problemas de pragas do arroz (incluindo as três descritas anteriormente).

Para o cupim, pesquisas têm demonstrado que o tiodicarbe apresentou uma eficiência de controle da ordem de 88% por duas semanas e 83% por três semanas após o plantio. Para a lagarta-elasmo, a eficiência de controle está em torno de 80% aos 14 dias e de 70% aos 30 dias após o plantio.

TABELA 26 - Inseticidas indicados para o controle de insetos em arroz.

Inseticida¹ Dose i.a. Classe Período de Insetos

(g/ha ou g/100 kg sem.)

toxicológica carência (dias)

Controlados3

Carbofuran 50 G 750 a 1.000 I 30 5

Triclorfon 500 SC 500 a 1.000 II 7 1, 3, 6

Carbaryl 850 PM 1.000 a 1.300 II 14 1, 3, 5, 6

Carbaryl 480 SC 900 a 1.100 II 14 1, 5, 6

Carbaryl 75 P 1.000 a 1.200 III 14 1, 3, 5, 6

Cypermethrin 200 CE 10 a 14 II 11 1

Cyfluthrin 50 CE 7 a 10 I 20 1,3

Deltamethrin 25 CE 5 a 12 II 37 1,5

Fenvalerate 200 CE 60 a 90 I 21 1

Lambdacydothrin 50 CE 7,5 II 14 1

Permethrin 384 CE 25 II 20 1

Malathion 500 CE 1.000 a 1.250 III 7 1,3

Bacillus thuringiensis 13 a 20 IV 1 1

Fenitrothion 500 CE 650 a 1.250 II 14 1, 2, 3, 6

Parathion metil 600 CE 210 a 400 I 15 1, 3

Carbofuran 350 SC2 525 a 550 I - 4, 6, 8

Thiodicarb 350 SC2 525 a 600 II - 4,6,7,8

Carbosulfan 350 TS2 525 a 700 II - 4, 6, 8

Furathiocarb 400 C2 320 III - 6

Thiamethoxam 700ws 70 a 100 - - 4,5,6,8

Esfenvalerate 25 CE 25 I 21 1

1 Ao usar herbicida à base de propanil, não se deve aplicar carbaril; ao aplicar inseticida carbamato nos sulcos de plantio ou nas sementes, devem-se esperar 20 a 30 dias para aplicar propanil. Inseticidas fosforados devem ser aplicados dez dias antes ou depois da aplicação de propanil.

2 Tratamento de sementes.

3 1=lagarta-das-folhas; 2= broca-do-colmo; 3= percevejos; 4= cigarrinhas; 5= bicheira-da-raiz (gorgulhos aquáticos); 6= broca-do-colo; 7= cascudo preto; 8= cupim;

Fonte: Ferreira (1998); Embrapa (1992)

Sementes tratadas com Carbofuran ou Tiodicarbe protegeram as plantas contra cigarrinha das pastagens com uma eficiência 80% aos 14 dias e de 70% aos 21 dias após a germinação. Acresce-se ainda que esses produtos dão alguma proteção contra nematóides.

Produtos à base de fipronil têm excelente eficácia contra cupins, formigas e coleópteros de modo geral. A dosagem recomendada é de 200 a 250 ml/100 kg de sementes.

b) Controle cultural

- Cupins

. evitar semear arroz em áreas antes ocupadas por gramíneas;

. rotação de culturas com leguminosas.

- Lagarta-elasmo

. evitar semeadura escalonada;

. destruição de restos culturais;

. efetuar a semeadura em solo úmido.

- Cigarrinha-das-pastagens

. evitar semear próximo à pastagens de gramíneas suscetíveis;

. ajustar a época de semeadura;

. incorporação profunda dos restos culturais.

c) Controle químico

Para a lagarta-elasmo, recomenda-se, caso necessário, o tratamento da parte aérea das plantas com produtos à base de Carbaryl, Fenitrotion, Malathion, Parathion metílico, Deltametrina, etc.

Maiores detalhes consultar Tabela 26.

Para cigarrinha (adulto), pulverizar com produtos à base de Malathion, Sumithion, Dipterex, etc.

d) Controle físico

Para a lagarta-elasmo, recomenda-se o uso de armadilhas luminosas associadas com ferormônio sexual.

Outras pragas de importância relativa menor

Lagarta-das-folhas

- Mocis latipes - conhecida como lagarta dos capinzais, curuquerê dos capinzais ou lagarta mede-palmo.

- Spodoptera frugiperda - conhecida como lagarta militar, lagarta dos milharais ou lagarta do cartucho do milho.

Brocas-do-colmo - Diatraea saccharalis

Medidas de controle

a) Cultural

- Destruição de restos culturais; no caso da broca do colmo, evitar plantio próximo a canaviais.

b) Controle físico

- Uso de armadilhas luminosas c) Controle químico

- Pulverização da parte aérea com os seguintes produtos: Carbaryl, Fenitrotion, Parathion metílico, Deltametrina (Decis), etc. (Tabela 26)

Percevejo-do-grão (Oebalus poecilus, O. ypsilongriseous e O. grisescens)

Ataca as panículas (grãos) e possui nomes vulgares como chupão, chupador, frade, etc. O Oebalus poecilus é de ocorrência mais comum na região centro-sul do Brasil. Em Minas Gerais, tem-se observado surto epidêmico no arroz irrigado na região do Vale do Rio Doce.

Controle químico - consultar produtos e dosagens na Tabela 26.

Pragas do arroz armazenado

Gorgulho-dos-grãos-armazenados (Sitophilus zeamais e S. oryzae) Medidas de controle

a) varietal - utilizar cultivares de casca perfeita, sem abertura da lema e pálea.

b) mecânico - armazenamento do arroz em casca.

c) químico - expurgo com fosfeto de alumínio ou magnésio e, para evitar reinfestação, misturar aos grãos produtos à base de Malation, DDVP CE (Diclorvós) e K-obiol 2,5 CE.

Traça-dos-cereais (Sitotroga cerealella)

As medidas de controle são as mesmas dos gorgulhos-dos-grãos-armazenados.

Principais pragas do arroz irrigado e seu controle

As diversas pragas do arroz de sequeiro também atacam o arroz irrigado em graus diferenciados. Todavia, há uma que é específica do arroz irrigado, que é a bicheira da raiz, causada pelos gorgulhos aquáticos Oryzophagus oryzae e Lissohoptrus tilialis.

As plantas atacadas ficam menores, amarelecidas e com a extremidade das folhas murchas.

O ataque geralmente ocorre em reboleiras.

Medidas de controle

a) Cultural

- destruição de restos culturais;

- manter lâmina d'água uniforme em toda a área;

- retirada da água por um período de 7 a 15 dias.

b) Varietal - utilizar cultivares perfilhadoras por tenderem a apresentar maior volume radicular.

c) Químico

- tratamento de sementes com carbofuran (Furadan 350 TS);

- aplicar nas reboleiras a lanço inseticidas sistêmicos granulados (carbamato).

Em geral, usa-se Furadan 50 G. Não deixar a água sair da lavoura pelo menos durante uma semana.

Os principais inseticidas indicados para o controle de pragas em arroz, bem como dosagem do ingrediente ativo, classe toxicológica, período de carência e insetos controlados, são mostrados na Tabela 26.

No documento UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS CULTURA DO ARROZ (páginas 85-89)