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10 Preços industriais regionais: propostas e estudos

No documento Ensaios sobre a Economia Gaúcha (páginas 197-200)

Ensaio de DdAB publicado nos Anais III Encontro Brasileiro de Econometria. No original, há agradecimentos aos colegas Celso L. Weydman (UFSC) e Ka- ren S. Conceição (hoje UFRGS) e às auxiliares de pesquisa Marisa da Cunha (hoje economista) e Águida de Freitas (ITEP/SC).

10.1 Introdução

Raros são os estudos sobre a economia gaúcha que deixam de claudicar ao examinar a questão da variação de preços. De fato, em sua maioria, se trata de avaliações feitas sob o ângulo da ofer- ta. O analista de outras economias regionais também se ressente da existência de dados mesmo do lado da oferta: até índices do produto real não estão disponíveis na periodicidade, grau de agre- gação e defasagem adequados.

Em nível de Brasil, a situação não é muito diferente. Não há muitos estudos sobre preços, embora haja exceções absolutamente honoráveis, tanto propondo refinamentos metodológicos sobre ín- dices, como ordenando a informação disponível para melhor equi- par os formuladores da política de estabilidade de preços.1

Esta comunicação se propõe a discutir alguns tópicos relacio- nados à evolução dos preços de sete gêneros industriais da indús- tria de transformação do Rio Grande do Sul. Partindo de uma pro- posição aceitável sob o ponto de vista teórico, apresenta uma me- todologia simples para a construção de um índice de preços, cal- cado em informação disponível com certa facilidade (seção 10.2). Aceitando tal índice de preços como proxy dos verdadeiros mo- vimentos de preços estaduais, a seção 10.3 trata de comparar a

1 Na área da metodologia desponta a proposta de Bonelli (1980) sobre a construção de índices de quantum. Na área de aplicações visando à implemen- tação de política econômica, está a obra de Mata (1980).

evolução dos preços nacionais e estaduais. Ainda usando tais índi- ces, a seção 10.4 estuda a evolução dos preços intergêneros e in- vestiga se há relação significativa entre estabilidade de preços e o grau de concentração industrial. A seção 10.5 sumariza as conclu- sões alcançadas.

10.2 Sobre um índice de preços

10.2.1 Considerações metodológicas

A ideia central a ser desenvolvida nesta seção é que, contan- do-se com um índice da produção industrial e o valor das vendas, pode-se usar a relação !" = !$ × !', na qual os três índices têm base unitária, e obter2 o índice de preços !$ = ()(*. Supondo, como é o caso do Rio Grande do Sul, que se dispõe de um índice de

quantum, ainda permanece a questão: de onde saem os dados para

a construção de um Índice de valor? Entre as possíveis fontes de informação, se encontram as declarações do imposto sobre a cir- culação de mercadorias – ICM. Outra, talvez de mais fácil acesso, se constitui nos balanços das empresas.

Estas respostas já merecem uma objeção quanto à possibili- dade do índice de valor baseado no faturamento ser compatível com um índice de quantum baseado na quantidade produzida. Quanto a este aspecto, diz Hague (1973, p. 162): “Embora, onde há estoques, a produção não necessite ser igual ao volume das vendas, na prática estes [dois conceitos] podem resultar na mesma coisa.” Acrescente-se que se os estoques, perdas, etc. são uma fra- ção constante das vendas a cada ano, a convergência entre tais conceitos é satisfatória, quando se trata de medir variações em dois períodos.

2 A natureza dos dados aqui trabalhados sugere que o índice de preços assim

Estas considerações dizem respeito à representatividade amostral do conjunto de empresas de que se conhecem as infor- mações. Sendo o índice de valor uma função das variações entre os preços a cada dois anos consecutivos e das quantidades tam- bém a cada dois anos consecutivos, !"+ = ,(../

0,

2/

20), mantemos a

hipótese de que ../

0 não é função do número de empresas nos anos i

e 0.3 Também se pode postular que 22/

0 independe do número de

empresas, à medida que as selecionadas para as amostras de dois anos consecutivos representem a mesma fração do faturamento de suas respectivas indústrias.

Para concluir, cabe registrar que, entre os problemas insolú- veis surgidos ao se usarem os dados de balanços tal como publi- cados, se destaca a questão dos estabelecimentos localizados no estado e cuja casa matriz se encontra em outra região.

10.2.2 Os dados para o Rio Grande do Sul

Os dados básicos do índice de quantum aqui adotado foram obtidos dos Indicadores da Produção Industrial, gerados pela Fun- dação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Tra- ta-se de índices estruturados pelo critério de Laspeyres. O IBGE iniciou a série com levantamentos de dez gêneros industriais, eli- minando, em 1977, os levantamentos da indústria da borracha. Es- te fato também nos levou a eliminá-la das presentes investigações. Ademais, também excluímos a indústria do fumo, por não ser constituída por empresas expressivas sediadas no estado, e a ex- tração de minerais, por apresentar somente uma empresa infor- mante. Restam, assim, para serem investigados os seguintes gêne- ros industriais: material elétrico e de comunicações, material de transporte, papel e papelão, química, vestuário, calçados e artefa-

3 Naturalmente, este suposto poderia ser relaxado com o acréscimo de corre-

tos de tecido, produtos alimentícios e bebidas. A Tabela 10.1 re- produz a informação original, mas os índices nela apresentados já aparecem com a base fixa.

Tabela 10.1 - Índice do quantum produzido por gêneros industriais selecio- nados no Rio Grande do Sul, 1975-79

Base: 1975 – 100,00

Fonte: cálculos próprios.

A Tabela 10.2 apresenta um resumo dos dados levantados no “Quem é Quem na Economia Brasileira” (QUEM ..., 1974-1980) para o período 1976-80. Convém enfatizar que os índices calcula- dos aqui e adiante foram de base móvel, o que permite a inclusão de novas empresas a cada ano. Assim, por exemplo, a indústria do material elétrico e de comunicações apresentou três informantes em 1976 que encerravam seus balanços em dezembro ou janeiro, o que é um dos requisitos deste capítulo quanto à natureza dos da- dos. Como, porém, havia somente duas empresas em 1975, o índi- ce de 1976 considerou exclusivamente a informação dessas duas. Já o índice de1977, por haver também neste último ano três em- presas informantes, pôde contar com as três.

Indústrias 1975 1976 1977 1978 1979

Material elétrico e de comunicações 100 106,30 110,49 121,21 120,60

Material de transporte 100 125,17 132,19 134,01 147,34

Papel e papelão 100 112,60 120,56 141,47 168,15

Química 100 113,48 116,31 123,64 121,49

Vestuário, calçados e artefatos de tecido 100 112,16 84,11 98,61 102,70

Produtos alimentícios 100 114,18 120,25 121,16 120,42

No documento Ensaios sobre a Economia Gaúcha (páginas 197-200)