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Foto 5: Reunião na Sede da Escola Estadual do MTD

4.1 DESEMPREGO: UM PROBLEMA MUNDIAL

4.1.1 Preciso diagnóstico quantitativo do desemprego

O caráter supérfluo do trabalhador pode ser apreendido, em um primeiro momento,

pela magnitude da expansão do desemprego na crise global que atingiu o sistema em 2008.

Segundo estimativas da Organização Internacional do Trabalho, em 2009 ingressaram no

desemprego, em todo o mundo, um número total de trabalhadores que pode variar de 39 a 61

milhões (SOMAVIA, 2009). Estes números não são maiores devido às medidas

político-econômicas tomadas pelos membros do G20

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que protegeram ou criaram cerca de 7 a 11

milhões de ocupações – o desemprego, nos países desse grupo, representou um aumento na

taxa global de 29% a 43%. Segundo Somavia (2009), caso não houvesse a intervenção

econômica do Estado ou se esta fosse retirada antes de uma recuperação estável da economia,

a situação do desemprego seria insustentável – em algo, o diretor geral da OIT parece

concordar com Mészáros (2007).

Considerando os números apresentados, questionamos qual seria a insustentabilidade

gerada pela inserção de 7 a 11 milhões de pessoas no desemprego em relação à amplitude da

variação, estimada em 22 milhões, com a qual a instituição trabalha? Ou, em face de outro

cenário construído pela estimativa também divulgada por ele que prevê um crescimento

demográfico da força de trabalho mundial, entre 2009-2010, em 90 milhões de pessoas,

demandando, portanto, a criação de postos de trabalhos em similar magnitude quantitativa

para absorver tamanha oferta desta mercadoria. Em virtude da possibilidade de respostas tão

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Os países membros do G20 são: Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul Coréia do Sul, Turquia, Reino Unido, representados por seus ministros da economia e diretores dos bancos centrais. Participam ainda a União Européia, representada pela presidência rotativa da Comissão e do Banco Central Europeu.

amplas quanto à variação entre a estimativa máxima e mínima do número de desempregados

no mundo apresentadas pela OIT, preferimos concordar com Mészáros (2007, p. 145) quanto

ao desemprego ser “um traço dominante do sistema capitalista como um todo” e manifestar-se

como um dos limites absolutos do capital. Limite que engendra situações insustentáveis para a

produção e reprodução da vida de bilhões de pessoas que já se encontravam em situações de

desemprego ou de trabalho precário e sub-remunerado antes mesmo da última crise financeira

do capital ou que está a ingressar no mundo do trabalho tendo como perspectiva a incerteza da

venda ou não de sua mercadoria e a possibilidade de cair na denominada categoria dos

inativos, grupo populacional que não é considerado nas estatísticas do desemprego. Mas,

antes de passarmos a essas problematizações, optamos por precisar um pouco mais a

manifestação quantitativa do desemprego em alguns países considerados de economia

avançada pelo Fundo Monetário Internacional e divulgado em abril de 2009 no relatório

Perspectiva da Economia Mundial

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.

Neste relatório, o FMI discrimina dentre as principais economias avançadas o

desempenho das economias asiáticas recentemente industrializadas, conforme gráficos

abaixo.

Gráfico 1:Estimativas da taxa média de desemprego nos países de economia avançada - 1998-2010 - FMI

Fonte: Perspectivas de la Economía Mundial – Abril de 2009 – Crisis y Recuperácion – FMI

Observando o gráfico, percebemos certa estabilidade nos índices de desemprego nos

principais países de economia avançada na última década, até esta ser abalada, no ano de

2008, pela crise financeira global do capital. Estudos do FMI que compararam o

comportamento dos diferentes índices (PIB, Produção Industrial, taxa de desemprego,

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Em 2006, os seguintes países faziam parte das Principais Economias Avançadas: Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. Fazem parte das Economias Asiáticas Avançadas Recentemente Industrializadas os seguintes países: Coréia, Cingapura, Hong Kong e Taiwan (República da China).

6,2 5,9 5,5 5,8 6,4 6,6 6,3 6 5,7 5,4 5,9 8 9,3 5,4 5,4 4 4,2 4,2 4,4 4,2 4 3,7 3,4 3,5 4,9 4,9 0 2 4 6 8 10 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Principais Economias Avançadas

comércio total, fluxo de capitais e consumo de petróleo) nas crises de 1975, 1982, 1991 e a

atual constataram que a taxa de desemprego – considerando apenas esses países –, teve uma

alteração mais intensa que os demais índices, seu crescimento tem sido de 2,5% (FMI, 2009,

p. 14). O relatório mencionou ainda que essa crise pode elevar os níveis de desemprego nos

países avançados, de modo que eles sejam superiores a 10% no final de 2009 e seguirá em

alta até 2011 (FMI, 2009, p. 87). A conclusão do Fundo sobre o colapso no sistema financeiro

afirma que estamos vivendo a recessão mais grave da história do pós-guerra e que ela tem

como característica particular sua sincronicidade mundial.

Ao todo, é estimado que, de setembro de 2008 até agosto de 2009, foram suprimidos

cerca de 6,9 milhões de empregos somente nos Estados Unidos da América. O método

utilizado para tal mensuração é a contabilização dos pedidos de auxílio desemprego.

Considerando que as regras para a distribuição do benefício não são iguais entre os Estados,

ponderamos que há trabalhadores que não têm o direito a tal seguridade. Ademais, vencido o

período de recebimento do benefício, se o desempregado não encontrou um novo posto de

trabalho, deixa de ser contabilizado para fins do cálculo do índice. Estes dois fatores tendem a

minimizar os índices de desemprego, que é estimado ser, em 2009, uma taxa próxima aos

10%, maior valor desde a crise de 1929 e superior aos 8,9% projetados pelo FMI.

Observamos ainda que as taxas não são superiores devido às negociações entre

empregados/empregadores, que permitiram a redução da carga horária e de salários,

amenizando destruições dos postos de trabalhos. Caso essas alterações não fossem realizadas,

economistas norte-americanos projetavam taxas de desemprego beirando os 17%. Não é

difícil concluir, quando se considera o processo de “flexibilização” das relações de trabalho,

que as negociações efetuadas ocasionam a pauperização da classe trabalhadora e mascaram os

efeitos do desemprego norte-americano, além de impossibilitar que estes trabalhadores

figurem nos índices que norteiam as decisões políticas.

O cenário não é diferente para o Japão e o Reino Unido. O primeiro não experimenta

taxas de desemprego tão altas desde a Segunda Guerra Mundial, e o último desde a crise de

1971. No Japão, é calculado que, em julho de 2009, havia 3 milhões e 590 mil pessoas

desempregadas o que representa a destruição, em um ano, de cerca de um milhão de

ocupações. Foi dificultada, para os japoneses, a venda da mercadoria força de trabalho,

segundo dados divulgados pelo Ministério da Administração Interna, para cada 42 vagas

existentes há 100 concorrentes, isto é, para cada 42 pessoas que conseguem efetuar a venda da

sua força de trabalho há 58 que permanecerão no desemprego. Por sua vez, o Reino Unido,

entre os meses de março e maio de 2009, apresentou a taxa de desemprego situada na casa dos

7,6% – superior aos 7,4% estimados –, o que representa um número absoluto de

aproximadamente 2 milhões 380 mil trabalhadores que, segundo o chefe do governo

britânico, Gordon Brown, em pronunciamento oficial, não são apenas estatísticas, mas

pessoas que necessitam ser ajudadas. Contudo, destacamos que o número de pessoas que

necessitam auxílio em virtude da condição de não vendedor da força de trabalho deve ser

superior as estatísticas oficiais, pois nos três países aqui referenciados as taxas são calculadas

a partir da demanda pelo auxílio-desemprego, colocando à margem dos cálculos uma

população que não atende aos critérios necessários para receber ajuda do Estado – um

exemplo disso é a condição do trabalhador imigrante ilegal.

Ao que se refere às taxas de desemprego ao longo das últimas duas décadas anteriores,

a crise financeira global para os países de economia avançada recentemente industrializados

da região asiática (Coréia, Cingapura, Hong Kong e República da China), observamos que

entre 1988 e 1997 a taxa é em média de 2,2% da população ativa enquanto que, no final da

década seguinte, o desemprego alcança índices de 4,3%. Em uma década, a taxa média de

desemprego nesses países dobrou. Outrossim, somamos ao cenário do desemprego na Ásia,

em 2008, aproximadamente 235 milhões de trabalhadores chineses, conforme

pronunciamento do ministro de Recursos Humanos e Estabilidade Social da República

Popular da China, Yin Weimin (dados divulgados pela imprensa chinesa, e reproduzidos pela

BBCBrasil). Aquele número corresponde à expectativa do governo chinês que foi noticiada

em 1994 e que previa que em 10 anos cerca de 268 milhões de trabalhadores do país

perderiam seus empregos caso não fossem adotadas medidas apropriadas, mas não citadas no

referido relatório (MÉSZÁROS, 2007, p. 145). Pelo que indicam os números atuais, parece

que nenhuma ação foi efetivada para a redução da tendência do aumento do desemprego na

China, a despeito desta nação ser considerada um milagre econômico pelo Fundo Monetário

Internacional (MÉSZÁROS, 2006). Mas, como lembra Mészáros (2006, p. 331), os órgãos

internacionais e os jornais liberais ocidentais possuem a velha “tradição de elogiar os outros

„milagres‟ – desde o alemão e o italiano até o japonês e o brasileiro – que no devido tempo se

esvaziam todos”.

Os números até aqui expostos demonstram que o desemprego ganhou dimensões

expressivas nas diferentes partes do mundo, atingindo tanto países desenvolvidos como EUA,

Reino Unido e países da zona do euro (Itália, França, Espanha), como países do oriente, sejam

eles avançados ou emergentes em desenvolvimento. Somente a atual recessão econômica

lançou no desemprego, até julho de 2009, cerca de 10 milhões e 280 mil pessoas –

considerando apenas os dados referentes aos Estados Unidos da América, Reino Unido e

Japão. Estes somaram-se à aproximadamente 260 milhões de pessoas que se encontravam

desempregadas em solo italiano, francês, alemão, japonês e chinês. Esses números já são

consideravelmente elevados, mas representam uma quantidade relativamente pequena, pois

ainda não consideramos as pessoas que se encontram em tal situação em países como a Índia

– que segundo comenta Mészáros (2007, p. 144), no ano de 1993, contava com um grupo

populacional de desempregados composto por 336 milhões de pessoas –, Argentina, Uruguai,

em suma os pertencentes à América Latina. Com o intuito de compreender como se manifesta

o desemprego nesta parte do globo, elaboramos o próximo item.