• Nenhum resultado encontrado

Prevention simple to improve quality in the workplace

Andrzejewski, Neide a; Maia, Rosmeire Paez b; Prado, Luiz Mauricio Wendel c

a Associação Franciscana de Ensino Senhor Bom Jesus, Rua Rafael Arcanjo Machado, 81 – Curitiba - Brasil, email:

[email protected]; b Associação Franciscana de Ensino Senhor Bom Jesus, Rua Odilon Santana Gomes, 279 / 02 – Curitiba - Brasil, email: [email protected]; c FAE Centro Universitário, Rua Capistrano de Abreu, 1052 / 02 – Curitiba – Brasil; email: [email protected]

1. INTRODUÇÃO

Quando foi a última vez que os bebedouros de água utilizados em sua empresa, ou até mesmo em sua casa foram limpos? Quando foi realizada a última análise bacteriológica desta água? Estas são algumas perguntas que poucas pessoas realizam quando estão trabalhando, quando passeiam ou estão em casa.

A grande maioria dos estudos referentes à Saúde e Segurança do Trabalho está relacionada com a identificação dos riscos e ações a serem tomadas. Estes são princípios corretos na elaboração de qualquer política de segurança, mas determinados riscos são menosprezados, principalmente aqueles envolvendo aspectos simples de higiene e de limpeza com a água consumida que podem ser eliminados ou minimizados com ações preventivas.

2. METODOLOGIA

A fim de comprovar que alguns aspectos referentes aos cuidados de higiene com a água são menosprezados, este trabalho realizou levantamentos em estabelecimentos comerciais obedecendo à seguinte metodologia, segundo Baptista (2007, Pág. 20): - Onde o dado foi coletado? – Quem forneceu o dado? – Quem coletou o dado? – Quando o dado foi coletado? – Ocorreu algum evento inusitado durante a coleta?

Portanto, os dados foram coletados em três estabelecimentos comerciais, sendo dois de área administrativa e um de academia esportiva. Estas empresas foram denominadas de “A” com 253 funcionários; “B” com 115 e “C” com 30 empregados, localizadas na grande Curitiba (Paraná – Brasil). Os dados foram fornecidos pelos próprios estabelecimentos através dos laudos originais, desde que os respectivos nomes não fossem divulgados. As coletas de água, para as análises bacteriológicas, foram realizadas por técnicos de um laboratório de análises ambientais, de renome nacional e com certificação ISO 9.000. Todas as amostras foram coletadas no período compreendido entre janeiro de 2010 e junho de 2011 seguindo uma planilha pré-determinada (pelos estabelecimentos) indicando pontos aleatórios ou que apresentaram problemas na leitura imediatamente anterior.

3. AÇÕES DE BEM ESTAR E PROMOÇÃO À SAÚDE

A declaração de Alma-Ata realizada no Cazaquistão em 1978 foi formulada por ocasião da Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde, dirigindo-se a todos os governos, na busca da promoção de saúde a todos os povos do mundo. Ela reafirma que a saúde é um direito humano fundamental, e que a consecução do mais alto nível possível de saúde é a mais importante meta social mundial, cuja realização requer a ação de muitos outros setores sociais e econômicos, além de setor saúde (MENDES, 2004).

O Ministério da Saúde do Brasil (2005) apresentou dados sobre as Doenças Transmitidas por Alimentos – DTA entre 1999 e 2004, onde dos 3.727 surtos registrados, 1379 foram em residências, 893 em local ignorado, 524 ocorreram em restaurantes, 330 em escolas, 283 em refeitórios, 178 em outros locais, 95 em festas e 45 em unidades de saúde. Há alguns locais, como restaurantes, escolas e refeitórios, em que o intoxicado poderia estar a serviço da empresa, tanto em seu horário de refeição como na elaboração do alimento, o que poderia ser caracterizado como acidente de trabalho.

3.1 Qualidade da água consumida

Um aspecto muito importante para a manutenção da qualidade de vida dos funcionários é uma política de manutenção de qualidade da água. Ela envolve tudo referente ao consumo de água, como por exemplo, as manutenções das caixas de água, cisterna e bebedouros de pressão e de galão.

Os procedimentos de limpeza das caixas de água e cisternas fazem parte desta política e que devem ser realizados a cada seis meses. É importante citar que as tampas e suas respectivas bóias também devem ser lavadas. Após esta limpeza, deve-se realizar a troca dos filtros dos bebedouros, principalmente os de pressão, pois pode ocorrer que alguma sujeira avance pela canalização.

Outro item que deve haver na política são as coletas periódicas (mensais) de amostras de água para a determinação da existência de microorganismos como bactérias heterotróficas, coliformes totais, coliformes fecais, pseudomonas

aeruginosa entre outras.

Na tabela 1, é possível constatar a necessidade de manutenção (principalmente limpeza), pois em quase a metade das amostras das análises laboratoriais, foram encontrados microorganismos que classificaram a água como imprópria para consumo. Medidas como interdição de bebedouros de pressão e utilização de água mineral engarrafada para a produção de alimentos devem ser tomadas imediatamente, assim como uma nova limpeza dos reservatórios.

Tabela 1 – Análises em caixas de água na empresa B de janeiro de 2010 a junho de 2011

Empresa Ok c/ problema

B 3 2

Fonte: Levantamento dos autores

No levantamento realizado nas empresas analisadas na tabela 2, mais da metade das amostras apresentaram problemas de contaminação. Foi constatado que quando o filtro do bebedouro de pressão está saturado, as impurezas, entre elas os microorganismos não são filtradas, podendo ser consumidas pelo usuário. Portanto, há a necessidade da manutenção destes filtros periodicamente e, dependendo da frequência de utilização, a troca do elemento filtrante.

Tabela 2 – Análises em bebedouros de pressão nas empresas B e C de janeiro de 2010 a junho de 2011

Empresa Ok c/ problema

B 2 5

C 4 2

Fonte: Levantamento dos autores

Situação semelhante de contaminação pode ocorrer nas torneiras, principalmente as que abastecem a cozinha. Na tabela 3, também se constata que mais da metade das análises apresentaram problemas de contaminação por microorganismos. Neste caso, é possível fazer uma correlação entre as tabelas 1 e 3 envolvendo a empresa B, pois se a água estiver contaminada na caixa, certamente estará na saída. Mas se na caixa estiver ok e na saída não, pode significar que a tubulação está contaminada, principalmente se forem de ferro. Tanto as medidas de prevenção ativa quanto passiva são semelhantes às dos bebedouros de pressão.

Tabela 3 – Análises em torneiras de cozinha nas empresas A e B de janeiro de 2010 a junho de 2011

Empresa Ok c/ problema

A 3 7

B 3 0

Fonte: Levantamento dos autores 3.1.1 Limpeza de bebedouro de galão

A água mineral natural, por suas características "In natura", não passa por processos que alterem suas características, principalmente as bacteriológicas, desde o momento da captação até o envase. É importante lembrar a existência de microorganismos nos reservatórios de água e bebedouros, quando não higienizados de acordo com as instruções recomendadas, aumentando a possibilidade de contaminação, como pode ser verificado na tabela 4. Impressiona que, das 14 análises, 13 apresentaram contaminação microbiológica. Para estas situações é emergencial a desinfecção do bebedouro.

Tabela 4 – Análises em bebedouro de galão nas empresas A e B de janeiro de 2010 a junho de 2011

Empresa Ok c/ problema

A 1 4

B 0 9

Fonte: Levantamento dos autores

Os bebedouros devem sofrer desinfecção mensal para garantir a qualidade da água oferecida. Não basta que a água contida nos galões seja de qualidade, os recipientes e os aparelhos que a refrigeram devem ser alvo de vigilância e higiene para que o resultado final seja satisfatório. Para que estas necessidades sejam atendidas, foi desenvolvido o seguinte roteiro de limpeza dos bebedouros e procedimento quando da troca dos galões, mantendo os padrões de higiene recomendados:

- Desligar o bebedouro e retirar o galão vazio; - Lavar bem as mãos antes da manipulação;

- Esvaziar e limpar o reservatório, passando pano ou esponja macia, específico para este uso, embebido em hipoclorito de sódio a 2,5%;

- Encher o reservatório com água tratada (água da rede), colocar 5 ml de hipoclorito de sódio a 2,5% ou 8 gotas de hipoclorito de sódio 10 a 12%;

- Abrir um pouco as torneiras para escorrer a água clorada, fechá-la e deixar agir por 30 minutos;

- Limpar os orifícios das torneiras com hastes de algodão e abri-las esgotando toda a água do reservatório; - Encher novamente o reservatório com água tratada, abrir as torneiras do bebedouro até esgotar toda a água;

- Retirar totalmente o lacre. Não esqueça que o galão deve ser lavado em sua parte externa, friccionar álcool 70% na parte que ficará em contato com a água no reservatório;

- Colocar o galão sem utilizar o gargalo como apoio;

- Limpar a gaveta que serve de anteparo para a água e ligar a tomada;

3.1.2 Lavagem das Mãos: Um pequeno gesto, uma grande atitude.

Ainda é recente na memória das pessoas o surto da gripe A (H1N1) que amedrontou boa parte da população mundial em 2009 e causou mortes em todo o globo. Com o medo de contato com o vírus através de um simples aperto de mão, novos hábitos foram adquiridos, como o da utilização do álcool gel e outros reforçados, como o da limpeza das mãos. Passados dois anos, as preocupações se minimizaram, mas os riscos nem tanto. Portanto, a simples medida de higienização das mãos antes de qualquer atividade, não só a da limpeza dos bebedouros, deve ser reforçada no ambiente laboral, onde o contato com outras pessoas e a possibilidade de contaminação varia diariamente (BRASIL, 2002). Podemos citar que a lavagem das mãos tem por finalidade: “diminuir o número de microorganismos; eliminar sujidades, substâncias tóxicas; evitar disseminação de doenças e proteger a saúde do profissional” (www.philadelpho.com.br).

4. CONCLUSÃO

A promoção da saúde no local de trabalho se refere à combinação de educação em saúde e programas com intervenções destinadas a facilitar a mudança de comportamento e adaptação do ambiente. Isto é demonstrado neste trabalho, pela falta de limpeza e manutenção dos sistemas representados pelos resultados obtidos nas análises realizadas, devido principalmente ao descaso com a higienização dos equipamentos. Limpeza das caixas de água e desinfecção dos bebedouros são ações simples, mas negligenciadas por muitos, para os quais esses cuidados passam despercebidos. Portanto, há a necessidade da elaboração de uma política de água que orientará as medidas a serem adotadas, tanto na prevenção ativa quanto passiva. As capacitações, que aprimorarão o funcionário ao mesmo tempo em que o conscientizará a respeito de Segurança do Trabalho, também devem fazer parte desta política.

Trabalhadores saudáveis, motivados e bem qualificados, contribuem fundamentalmente para o desenvolvimento das empresas e também em seu lar. Deve a empresa zelar pela saúde de seus funcionários, independente do custo.

5. REFERÊNCIAS

BAPTISTA, MN; CAMPOS, DC. (2007). Metodologias de Pesquisa em Ciências – análises quantitativas e qualitativas. Rio de Janeiro: LTC.

BRASIL, (2002). As Cartas da Promoção da Saúde / Ministério da Saúde, Secretaria de Políticas de Saúde, Projeto Promoção da Saúde. Brasília: Ministério da Saúde.

BRASIL, Higienização das mãos. Governo de São Paulo. Retirado 2 de julho de 2011, de http://www.philadelpho.com.br/pdf/gripe1.pdf

BRASIL. (2005). Boletim Eletrônico Epidemiológico. Secretaria de Vigilância em Saúde – Ministério da Saúde. Brasília, v.5, n.6, dez. 2005.

MENDES, ACM. (2004). Desenvolvimento e Saúde: a declaração de Alma-Ata e movimentos posteriores. Ribeirão Preto: Revista

Latino-Americana de Enfermagem Vol.12 n.3 May/June de 2004. Retirado 12 de novembro de 2011 de

A prática de prevenção de acidentes em uma instituição de ensino brasileira:

Outline

Documentos relacionados