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Fases e discursos da Revista Florestal

TABELA 3: CLASSIFICAÇÃO TEMÁTICA DA REVISTA FLORESTAL (1929-1949)

4.2 Cortes e periodizações da revista

4.2.1 Primeira fase da Revista Florestal (1929-1932)

A primeira fase que é possível perceber na trajetória editorial da Revista corresponde ao período da criação de julho de 1929 até a edição de outubro de 1932. Neste momento, foram elaboradas 14 edições com números com uma periodicidade mensal. A única exceção desta periodicidade foi a edição bimensal de julho-agosto de 1930 que comemorava o primeiro aniversário da edição e, simultaneamente, interrompeu momentaneamente a produção, retornando apenas em fevereiro de 1932. Em todo este período o formato do periódico tinha as dimensões aproximadas a 29 x 22,5 cm.

Neste formato, a diagramação gráfica aparentava a outros periódicos de seu período, tais como a Chácaras e Quintais que tinham três colunas e predominância do texto verbal sobre o imagético. Os responsáveis por esse modelo de diagramação era a Oficina Gráfica Alba, a mesma que compôs o periódico representativo do modernismo carioca Festa.357 Isso

diversos meios, não somente o impresso, pois atingia apenas aos segmentos letrados. Sendo a maioria dos habitantes do Brasil analfabetos exigia-se um veículo de maior capacidade de irradiação. O rádio era apontado como aquele que poderia satisfazer tais necessidades. Emygdio ainda salienta que esta propaganda pelo rádio não devia ser em palestras esporádicas de 15 minutos, mas deveria intercalar com os programas populares. Confessa que os dois únicos locais em que se deparou com a propaganda florestal foi no arquivo do Sampaio e na Estrada de Ferro Mogiana de Navarro de Andrade. Era, portanto, uma crítica audaz a restrição destas sensibilidades de proteção à natureza pela revista. Ver CORRESPONDÊNCIA de Luiz Emygdio Mello Filho ao Conselho Florestal Federal datada de 18 de Julho de 1947. Fundo Luiz Emygdio

Mello Filho. Seção de Memória e Arquivo do Museu Nacional. Codificação: BR.MN.LE. Caixa 1.

357 Analisando este periódico sob as diretrizes do projeto de José Aderaldo Castello do Instituto de Estudos Brasileiros, Neusa Caccese pondera que a Oficina Alba imprimiu Festa e sua sede foi transferida da rua Manraguape ao número 17 para o Lavradio, número 60. Quando publicada a Florestal, a sede já era o

119 significava que a revista, apesar de contar com representantes do Ministério da Agricultura, não era financiada pelo Estado. À exceção das edições de fevereiro de 1932 e outubro de 1932, a publicação nesta fase foi publicada por uma gráfica particular.

A Oficina Alba pertencia aos sócios Armando Cardoso e Aníbal Moreira. Este último, de acordo com Tavares, foi o primeiro criou o Instituto Profissional de Artes Gráficas358. Nesta instituição buscavam instrumentalizar profissionais no campo da tipografia para aderir os estilos modernos de tipografia. A participação destes mediadores no processo de produção da revista evidencia que a publicação alinhava-se aos padrões mais conceituados da tipografia do país, desde o tipo de papel (couché), de letras escolhidas para a impressão até a formatação gráfica.

Isso, naturalmente, exigia custos de operação aos seus dirigentes. Em depoimento ao CPDoc/FGV no ano de 1990, Luiz Simões Lopes sublinhava com seu sotaque gaúcho:

Projetei vários trabalhos, escrevi as “Instruções para a cultura de eucaliptos”, plantei eucaliptos no Triângulo mineiro e tornei-me para o resto da vida, um enamorado das plantas, da natureza e da sua conservação. Fiquei tão interessado que resolvi criar uma revista especializada. Como o governo não criava, e nem tinha dinheiro para pagar, eu e um colega de repartição, Francisco Rodrigues de Alencar, resolvemos nos arriscar a fazer uma revista e a mantê-la com anúncios. Até certo ponto, nosso intento foi alcançado, porque durante tempos conseguimos manter sua publicação. A

Revista Florestal foi, que eu saiba, a primeira manifestação clara da preocupação de

pregar a conservação da natureza através de uma publicação especializada. Era assim que chamávamos o que hoje muitos chamam de meio ambiente.359

Com isso, verificamos que para mantê-la era preciso anunciantes. Estes eram as bases que possibilitavam a produção da revista. Sem eles, o periódico pereceria, uma vez que o preço da publicação era módico à época (apenas 2$000 e 5$000 para o número especial de julho-agosto de 1930) e similar a outras revistas do período. Os anúncios obtidos pelos diretores foram das demais revistas agronômicas do período. Ou seja, eram empresas que tinham um vínculo voltado ao incremento técnico no campo. Os produtos publicados consistiam em maquinários agrícolas, medicamentos ao trabalhador rural (o que faz verificar uma percepção deste sujeito na figura literária do Jeca Tatu), inseticidas para combate das

Lavradio. Tal rua comportava outras oficinas de impressão durante o final dos anos de 1920. Esta cartografia era favorável era a proximidade com a Escola Politécnica do Rio de Janeiro, no centro das atividades econômicas da cidade do Rio de Janeiro. Atualmente, funciona uma loja de antiquários. Sobre a transferência, cf. CACCESE, Neusa. Festa: contribuição para o estudo do modernismo. São Paulo: Instituto de Estudos Brasileiros, 1971, p.17. O periódico também foi estudado por GOMES, Op.cit., 1999.

358 TAVARES, Luís Guilherme Pontes. O primeiro dicionário de artes gráficas do Brasil. Disponível em: <http://www.portcom.intercom.org.br/pdfs/590cf30e365a32b5bb242b8dafa6e599.pdf> Acesso em: 10.07.2015.

359 SILVA, Suely Braga da (Org.). Luiz Simões Lopes: fragmentos de memória. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2006, p.58.

120 pragas agrícolas, além de serrarias e outras empresas que tinham nas suas vendas produtos derivados da madeira, tais como as papelarias. (Ver Apêndice H)

Conforme nos indicava a historiadora Márcia Padilha Lolito ao estudar este paratexto nas revistas de variedades “A Cigarra” e “Ariel”, dois sucessos de vendas da cidade de São Paulo, os anúncios estão em um constante conflito entre o vivido, a aspiração e o modelo.360 No caso desta primeira fase da Revista Florestal, porém, os anúncios remetem não à modernização industrial do urbano, mas do campo. A experiência vivida do leitor consistia nas faces do problema florestal: a escassez e encarecimento das madeiras, a proliferação de pragas agrícolas provocadas pelo uso intensivo e monocultor dos solos, além de trabalhadores entendidos pelos fazendeiros como ausentes de pró-atividade.

Os paratextos expressavam que o problema seria solucionado a partir do consumo daqueles produtos. Para tanto, lançam mão de um modelo de ideal de trabalhadores que não seriam “preguiçosos”, as madeiras seriam abundantes em determinadas serrarias, além de ter as pragas erradicadas com uso de inseticidas e formicidas. Pela apresentação de artefato organizado pela ciência, o periódico dotava a esses elementos tóxicos de serem capazes de solucionar efetivamente aquela face do problema florestal.

Os anunciantes foram tão importantes para a configuração da revista que eles ocupavam espaço nas quatro primeiras capas do mensário. Na parte superior do magazine indica-se a data de publicação com o respectivo mês e ano em que circulou este periódico. O título em letras garrafais vinha logo posteriormente. Nele, além de “Revista Florestal” indica- se entre parênteses a expressão Brasil. Isso legitimava a pretensão nacionalista do periódico em disseminar as florestas como patrimônio da nação brasileira e repercutia a intenção de alcançar uma grande distribuição pelo país. (Ver Apêndice I)

Abaixo da inscrição do título e subtítulo, vemos o lema da revista: “Órgão de defesa das florestas e assistência às indústrias de madeiras e subprodutos florestais”. Como se vê, o lema pressupõe em primeiro lugar a organicidade na revista, isto é, algo que tem funcionalidade similar a um organismo, é construído sob a forma de um sistema, uma rede que articula os seus integrantes através da interdependência. A ideia de órgão reforça a noção de sociabilidade florestal, pois se reporta a uma integração de intelectuais a partir da revista em prol da defesa das matas. Porém, tão somente defende as matas como auxilia as indústrias que delas se utilizam. Na conciliação destes elos, a revista constrói um discurso que se pauta no desenvolvimento das “indústrias florestais” sem, no entanto, degradar as matas.

360 LOLITO, Márcia Padilha. A cidade como espetáculo: publicidade e vida urbana na São Paulo dos anos 20. São Paulo: Annablume, 2001, p.30.

121 Assim, o lema da revista nos possibilita analisá-la enquanto uma proposta para o desenvolvimentismo que perpassa o uso dos recursos naturais, embora de maneira racional. Segue-se ao lema, uma tarja com indicação do número, ano e os nomes diretores técnico e gerente da publicação. Abaixo desta constam, à direita, a lista de colaboradores que na primeira edição possuía apenas 29 colaboradores, na segunda eleva este número para 31 e na terceira edição 34 colaboradores. Trata-se de um número expressivo que se eleva com o tempo, uma vez que na edição de primeiro aniversário já contamos com 40 colaboradores.

Nas edições de novembro de 1929 a junho de 1930, a padronização da capa pouco diferiu, sendo apenas realizada uma substituição dos anúncios pelo sumário. O capital simbólico da lista de colaboradores e dos textos buscava persuadir os leitores à compra. As estratégias de venda eram inúmeras tais como: a distribuição gratuita para apreciação e posterior assinatura do periódico, os preços de baixo custo também influenciavam. Nesse sentido, as capas das edições trazem elementos que são importantes ressaltar.

Como diria Genette, “a simples escolha de cor para o papel da capa pode indicar por si só e com muito vigor o tipo de obra” ou, ao menos, o conteúdo a que se pretende discorrer.361

Até junho de 1930 as capas eram esverdeadas ou amarronzadas. Isto, provavelmente, faz menção direta à árvore tão cultuada na revista, cuja copa predomina o verde e a madeira, o marrom. A publicação comemorativa de julho e agosto de 1930, entretanto, com um fundo branco projeta uma ênfase maior na imagem do ipê-roxo do Horto Florestal da Gávea. A edição, além disso, colocava um término momentâneo da produção.

O ipê era uma das árvores mais admiradas da flora brasílica e, por coincidência – ou não – ilustra o perfil temporal da revista. Seu florescer é entre junho e julho, mesma época de criação da revista e as flores caem em agosto, similar ao desaparecimento da revista em 1930. Pela primeira vez era colocada uma imagem na capa da revista. O número era tão esperado que, em maio de 1930, os editores solicitavam aos leitores fotografias de “trechos de nossas florestas e qualquer paisagem interessante” que pudessem ilustrar a aniversariante. Outra característica desta edição está atrelada a retirada do subtítulo “(Brasil)” e a lista de colaboradores que aparecem, o primeiro apenas no editorial e, o segundo, na terceira página da revista. Permanece o lema e abaixo dele inscreve-se “Número especial de aniversário”.

Os periódicos da grande imprensa documentaram a expressiva edição. O jornal O Paiz afirmou em sua coluna “Publicações diversas” que “magnificamente impressa e encerrando copiosa matéria literária e técnica, sobre as árvores, „Revista Florestal‟, em seu número

122 especial bem revela o quanto já se cuida desses assuntos entre nós”. E ainda acrescenta: “as ilustrações do mensário dedicado às árvores são excelentes, apresentando ainda belíssima capa colorida de um trecho de floresta da terra carioca”.362 Ao ser concretizada esta primeira fase da revista, era um sonho impossível dos colaboradores o retorno da revista em curto prazo. Em menos de dois anos, na edição de fevereiro de 1932, lançava-se novamente ao mercado a Revista Florestal.

Após o retorno em 1932, a capa foi pouco alterada em comparação as edições anteriores. Na parte superior da capa, lê-se a cidade e o país de publicação, isto é, Rio de Janeiro e Brasil, seguido pelo título no mesmo logotipo da revista das primeiras edições. Abaixo constavam uma indicação da vinculação do mensário ao ministério da agricultura e, mais especificamente, ao Serviço Florestal. O espaço maior é dedicado ao sumário e um esboço de um dos símbolos da campanha de conservação: as aves e o próprio símbolo do Serviço Florestal, que equivale às mudas de árvores sendo capturadas pela mão humana. As alterações nos quadros administrativos e a desestruturação financeira desta instituição da qual partiam as decisões da revista, podem ser um indício do fim desta segunda fase com apenas estas duas edições.

Como se pode ver, por meio das capas, as fotografias eram exíguas durante esta primeira fase do periódico. A primeira fotografia, em preto e branco, apareceu ainda na edição de julho de 1929, presente em um anúncio de assentos confeccionados com madeiras, como se vê:

Ilustração 5: Anúncio da Marcenaria Florestal com fotografia. Fonte: REVISTA Florestal, Rio de Janeiro, ano I, n.1, p.13.

123 Mas as edições que maior número possuiu de fotografias foram as de setembro e novembro de 1929. Ambas detiveram cinco fotografias cada. Na edição de setembro foram registradas as cenas da festa das árvores que teve a presença de Gustavo Barroso. Em novembro, por seu turno, contemplava imagens das plantas em meio ao semiárido nordestino. Dessa forma, não procede o argumento de Vanessa Mello de que as fotografias somente tinham aparecido na edição de abril de 1930.363

A fotografia dentro de um periódico, mesmo que rara, é um paratexto fundamental que auxilia na composição da linha editorial. Uma das principais dificuldades desta fase foi exatamente produzir um material com qualidade gráfica e presença destes paratextos. Os diretores corriam em busca de articulistas que entregassem textos verbais, mas também imagens que pudessem compor seu texto naquela forma literária. Um exemplo desses é quando o agradecimento de Simões Lopes ao envio de artigo do cientista Alberto José de Sampaio. Nele, o gaúcho esclarecia em correspondência manuscrita ao botânico:

Com particular prazer recebi o seu interessante artigo “A teca da Índia e a do Brasil” para a Revista Florestal, cuja direção efetiva reassumi a alguns dias, após um interregno motivado pelos lamentáveis fatos a que foi arrastado aqui são do conhecimento público. [Simões Lopes cometeu um assassinato de um candidato de

oposição à Aliança Liberal e foi julgado por isso]

Surpreende (…) em convergência algumas ilustrações para o seu trabalho não quis incluí-lo no mensário de fevereiro, guardando-o para o de Março. Se o ilustre amigo possuir alguma fotografia adequada, que possa me emprestar, muito grato ficaria. Aqui no Horto possuímos um pequeno grupo de tecas novas que pretendo fotografar. Sem mais, queira aceitar meu abraço e os agradecimentos da Revista Florestal. Do amigo de sempre. Luiz Simões Lopes364.

Cientes de que as fotografias eram um desafio, podemos afirmar que nesta fase da revista havia uma preferência ao texto verbal. A origem desta textualidade provinha de transcrições de jornais de grande circulação, fragmentos de obras, tendo-se poucos artigos produzidos especialmente para o periódico. Escassas também eram as seções fixas do periódico. Atribuíram-se apenas duas colunas que relativamente se mantinham no periódico. Referia-se a “Informações econômicas e comerciais” e “Mercados diversos”. Tais encontravam-se nas páginas finais do periódico, demonstrando que a finalidade do projeto editorial era voltada ao comércio com os produtos florestais.

Se o final do periódico era quase previsível, não se pode dizer a mesma coisa do início

363 MELLO, Vanessa Pereira da Silva e. Op.cit., p.117.

364 CORRESPONDÊNCIA de Luiz Simões Lopes a Alberto José de Sampaio datada de fevereiro de 1930.

Fundo arquivístico de Alberto José de Sampaio, Departamento de Botânica do Museu Nacional. Seção de

124 dele. Os editoriais365 são pouco frequentes em todas as edições da publicação, porém esta é a fase que mais editoriais possui. Entretanto, totalizam apenas quatro nas 14 edições. O primeiro é o que abre a revista em julho de 1929. Neste editorial de abertura apresenta-se o programa da revista buscava destacá-la no mercado como a única no gênero correspondente a proteção à natureza. Define um lugar próprio no campo do periodismo nacional, os diretores em seguida demarcaram os principais leitores da publicação - os silvicultores e os comerciantes em madeiras -, bem como os assuntos que conquistariam páginas na revista. Em poucas palavras advertem:

Propugnaremos, pois, pela conservação das florestas, florestação sistemática e reflorestamento, organização da indústria madeireira e nos interessaremos pelas pela madeira em bruto móveis, carvão, aplicações artísticas das madeiras nacionais, plantas medicinais, fibras, óleos vegetais, indústria de papel e tudo o que se retirar das florestas, inclusive caça e pesca, independente da parte científica que será abordada na intenção de fazer uma revista útil e interessante para todos. (grifos nossos)366

Depois do primeiro em julho de 1929, o periódico somente retornou a ter um editorial na edição de julho-agosto de 1930 que anuncia seu término de publicação na esperança de retorno assim que possível. Este, porém, chama-nos atenção pela formatação gráfica que reforça o interesse de culto à árvore. O texto é apresentado na forma de uma árvore e coloca- se como uma publicação que vivenciou diversos empecilhos e dificuldades para sua manutenção367. Justificam a suspensão devido a “impulsos externos”, sugerindo a falta de anunciantes advindos das “classes industriais” para assegurar a publicação deste projeto. A este fator, não podemos dissociar, embora não-dito no interior do editorial o papel que exerceu o envolvimento de seu diretor no movimento de 1930 ao lado de Vargas. Ao mesmo tempo, mostram que tinham uma “fé inabalável” em prol da solução do problema florestal brasileiro, comportando, assim, uma concepção sacralizada desse dever patriótico que era a proteção da natureza.

O terceiro editorial que registramos durante sua trajetória nesta primeira fase é publicado na edição de retorno à circulação, isto é, em fevereiro de 1932. O texto escrito por Francisco Rodrigues de Alencar em nome do periódico aponta algumas considerações

365 Bediaga, ao investigar a Revista Agrícola, argumenta que os editoriais de periódicos “geralmente defendem os pontos de vista do periódico e a escolha de determinados assuntos, de modo a conquistar o interesse do leitor”. Cf. BEDIAGA, Begonha. Marcado pela própria natureza: o Imperial Instituto Fluminense de Agricultura. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2014, p.170.

366 Ibidem, p.1.

367 As dificuldades financeiras para manter uma publicação é um dos fatores apontados por Ana Luiza Martins para a curta duração de diversas publicações, sobretudo nas duas primeiras décadas do século XX. MARTINS, Ana Luiza, Op.cit, 2008.

125 pertinentes. Em primeiro lugar, está correlacionado ao editorial anterior de julho-agosto de 1930. Segundo ele, quando tinham informado que iriam suspender a edição da revista acreditavam que dificilmente regressariam com esta “empresa”.368

Alencar afirmava que o próprio editorial anterior deixava claro a “hostilidade material do meio” para realizar uma imprensa com este perfil no país. Explicando aos seus leitores, atestava:

Sentíamos que o ambiente não estava perfeitamente aparelhado para receber uma publicação especializada como a nossa, apesar de não ter feição exclusivamente técnica. Mas sabíamos que sem ele [o periódico], sem a sua assistência mensal aos interessados das cidades e dos campos, muito mais penoso se tornaria, de futuro, o problema florestal do Brasil. E isso contribuía para que as nossas esperanças bruxuleassem ainda, em justa reação contra a imobilidade que nos ameaçava: era como a esperança de um milagre. E esse milagre veio.

(grifos nossos)369.

Este fragmento esclarece que, na ótica dos sujeitos históricos que editavam o periódico, ele não consistia em um suporte puramente técnico, mas abria margens para outras narrativas. O trecho ainda transparece a lógica sacralizada que adquire aquela “modesta iniciativa” de editar uma revista. Retornar a circulação era como um milagre em meio as circunstâncias consideradas hostis. Para o diretor, o fim da publicação gerou uma “onda de simpatia” entre “amigos” nacionais e do estrangeiro. Isso reitera a inserção internacional que possuía o magazine naquele momento. Essa onda era associada ao “encorajamento” para enfrentar as dificuldades e retornar à “linha de frente”. Não é citado, porém, quaisquer nomes de intelectuais que se mobilizaram para que a revista voltasse a ser editada.

O editorial revelava que criar a revista era comparável a um plantio de uma árvore. Construí-la em seus editoriais, seções, notícias e artigos era como semear a proteção à