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3 MÉTODO

3.1 DESENVOLVIMENTO DA ESCALA DE ENCANTAMENTO

3.1.2 Etapa Descritiva

3.1.2.2 Primeiro e Segundo Testes da Escala

Apresentam-se nas próximas seções os procedimentos para definição da população e amostra, coleta e análise exploratória dos dados dos dois primeiros estudos.

3.1.2.2.1 Definição da população e amostra

A população para estes estudos foi definida como sendo composta de estudantes universitários do curso de Administração de Empresas pertencentes a uma universidade e uma instituição de ensino superior sediadas em uma cidade de grande porte do interior do estado do Rio Grande do Sul. Houve um cuidado especial para que não houvesse repetição de turmas na aplicação do primeiro e segundo instrumentos.

Sabe-se que o uso de estudantes universitários como amostra dos estudos acerca do comportamento do consumidor tem gerado uma série de comentários nos meios acadêmicos. Wells (1993) e Evrard (2002b) chamam a atenção acerca da necessidade da escolha dos estudantes ser justificada à luz do tema de pesquisa para que os resultados sejam fidedignos. Calder et al. (1981) entendem que, quando o objetivo da pesquisa é aplicação ou generalização teórica, os estudantes são uma amostra útil.

A amostra de estudantes utilizada aqui, entretanto, não vem a prejudicar os resultados do estudo, pois o que se buscava era validar uma escala de encantamento, sendo que este tipo de sentimento pode ocorrer com diferentes tipos de produtos ou serviços e independe de questões como nível de instrução, classe social ou idade, que podem ser os fatores limitantes de muitos estudos utilizando estudantes.

A amostra final para o primeiro estudo foi composta de 146 questionários válidos e para o segundo estudo de 129 questionários válidos. Esses números de amostra são considerados suficientes para coletas de dados que utilizem somente a análise fatorial exploratória (NUNNALLY, 1967).

3.1.2.2.2 Coletas de dados de purificação de medidas

A coleta de dados para o primeiro estudo foi realizada durante o período de 15 a 20 de maço de 2003 e a do segundo estudo entre 10 e 15 de abril de 2003. A coleta foi feita, em ambos os casos, através da aplicação dos questionários estruturados (anexos B e C), contendo a escala desenvolvida, a escala para mensuração do envolvimento e demais questões de

caracterização do respondente. Os questionários autopreenchidos foram aplicados em sala de aula pelo próprio pesquisador.

O método de questionários autopreenchidos em grupos, como no caso de estudantes em salas de aula, tem como vantagens a diminuição do custo e tempo. Além disso, a presença do pesquisador no ato do preenchimento do questionário permite ao mesmo tempo que o respondente fique a vontade para responder às questões e tenha a oportunidade de receber instruções através da interação com o pesquisador. Apesar dessas vantagens, sabe-se que nesse método de coleta sempre haverá a possibilidade de erros de compreensão de conteúdo e/ou escala ou ainda preenchimento errôneo ou incompleto do instrumento (BURNS e BUSH, 2003).

3.1.2.2.3 Análise exploratória dos dados

O processo de análise dos dados coletados nos dois primeiros estudos deu-se através do Software estatístico SPSS 10.0 (Statistical Package for Social Sciences) que permitiu que fossem realizadas as análises estatísticas pertinentes às duas primeiras purificações da escala com vistas a sua aplicação final para validação. A análise fatorial exploratória (EFA), a medida de confiabilidade através do Alfa de Cronbach e as conseqüentes correlações item- item e item-total foram os procedimentos utilizados, além de medidas descritivas básicas.

A definição da ordem de realização desses procedimentos é bastante discutida na literatura, uma vez que pode impactar na manutenção ou retirada de variáveis. Churchill (1979), em seu artigo guia sobre desenvolvimento de escalas, defende que o coeficiente Alfa de Cronbach deve ser o primeiro a ser computado, e os itens que não tiverem boa performance devem ser retirados antes da EFA. Para o autor, ficar com itens que não contribuem para o Alfa de Cronbach, pode confundir a EFA. Por outro lado, confiando apenas no Alfa de Cronbach como instrumento de refino inicial, pode-se retirar um item que parece ser fraco, pois na verdade pertence a outro fator (MILLER, 1995).

A análise fatorial exploratória é uma técnica estatística que busca identificar que variáveis ou itens estão agregando-se uns com uns outros (DUNN et al., 1994), ou seja, em quantas variáveis latentes (dimensões) agrupam-se os itens de uma escala. Dessa forma, pode-

se verificar que itens não fazem parte da estrutura teórica definida e, através da sua eliminação, reduzir o número de itens da escala (HAIR et al., 1998). Assim, Evrard (2002a), contrariamente a Churchill, defende que a EFA deve ser o primeiro instrumento a ser utilizado quando se trata da purificação de medidas, caso contrário, corre-se o risco de definir um fator para cálculo do Alfa de Cronbach que somente exista conceitualmente, mas não tenha sido comprovado empiricamente.

Flynn e Pearcy (2001) defendem uma posição alternativa ao afirmarem que os resultados podem ser melhores caso se conduza a EFA no início do processo, e se comparem seus resultados com aqueles da análise de confiabilidade e consistência interna, realizando todos os procedimentos novamente cada vez que uma variável é retirada. Este procedimento de análise simultânea permite decisões ótimas acerca da retirada de itens e foi o procedimento adotado neste estudo.

Assim, seguiram-se as recomendações de DeVellis (1991) acerca da retirada inicial de itens com altas correlações item-item, baixas correlações item-total e baixa comunalidade, analisados aqui simultaneamente. Segundo Flynn e Pearcy (2001), a análise conjunta provê um conhecimento mais completo contra o qual é difícil argumentar. Deve-se destacar, entretanto, que, em se tratando de uma etapa exploratória, permitiu-se em ambas as coletas a readequação de itens de acordo com uma nova grafia e a retirada ou manutenção, de acordo com critérios não apenas estatísticos, mas também baseados na análise qualitativa e relevância para o estudo.

A utilização de duas coletas exploratórias concedeu benefícios à análise dos dados, pois, segundo Churchill (1979), a importância em se coletar novos dados está em se deixar de lado a possibilidade de que os resultados da primeira coleta tenham sido influenciados pelo acaso. Segundo o autor, se os constructos realmente existirem, eles devem ser reproduzidos quando a escala purificada for submetida a uma nova amostra. Dunn et al. (1994) também enfatizam a importância de se purificar os itens de medida em um pré-teste, utilizando as correlações item-total, item-item e o coeficiente Alfa de Cronbach como balizadores da escolha dos itens. Assim, posteriormente à realização desses procedimentos, partiu-se para o terceiro teste da escala com objetivos de validação.