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“Eu me identifiquei com a Educação Infantil.”

Diário de Campo (05/06/14)

19 Conforme Errata do Edital de Concurso Público Nº 001/2012 para provimento de vagas de nível superior do magistério do município da Serra/ES. Para provimento do cargo de professor MaPB – Função Arte. Escolaridade/Pré-requisito: Licenciatura Plena em Educação Artística. Ou, Artes Visuais. Ou, Artes Cênicas. Ou, Artes Plásticas. Ou Música. Ou Teatro. Ou Dança. Ou, curso de Nível Superior acompanhado de curso de Formação Pedagógica na área específica do cargo pleiteado, conforme Resolução nº 02/97 CNE. Disponível em < file:///C:/Users/Windows%207/Downloads/edital-001-2012-errata-1-sedu%20(3).pdf. >

20 Esta seção foi construída a partir de parte de entrevista semiestruturada com a atual gerente da Educação Infantil do município da Serra. Entrevista concedida à pesquisadora no dia 15 de abril de 14.

Ao adentramos no campo da pesquisa e encontrarmos uma recém-formada professora de Arte21 que demonstra contentamento com o trabalho com crianças na Educação Infantil e parece não atentar para as contradições que circundam o universo da Educação, nos motivamos à investigação e à reflexão deste contexto, bem como os processos que dialogam com a formação deste docente em início de carreira. Assim, colocamo-nos em uma posição de escuta sensível e em uma postura dialógica à procura da compreensão dos caminhos escolhidos como trajetória na formação sócio-profissional deste sujeito.

Desse modo, embora nossa entrada no campo de pesquisa tenha se dado no mês de maio, nos é possível ainda que inicialmente considerar alguns pontos que se abrem no contexto da pesquisa provocando-nos mais a indagação que respostas.

Nestes primeiros meses de investigação nos permitimos à observação e as primeiras aproximações com as quais percebemos que o processo de marcação e construção de autonomia do professor de Arte no contexto da Educação Infantil ainda se encontra em franca desvantagem ao percebermos que o horário dos professores do CMEI22, ao invés de contemplar o nome dos grupos ou mesmo número das salas traz o nome das professoras regentes23, denotando clara invisibilidade do professor de Arte, fato posto em sua própria fala ao mencionar “Hoje sou de [nome da professora]”.

Desse modo, notamos a naturalização deste profissional como um substituto para consolidação dos momentos de planejamentos dos outros professores.

Não se trata, porém de um claro desrespeito ao profissional, mas de uma

21 A professora colaboradora desta pesquisa é uma jovem entre 25 e 30 anos, encontra-se em seu segundo ano de profissão docente, formada em Desenho Industrial em 2010, fez um ano complementação pedagógica com duração de um ano e iniciou como professora estatutária na Educação Infantil em 2013.

22 CMEI (Centro de Educação Infantil) atualmente este espaço está em reforma há mais de 5 meses obrigando mais de 100 crianças e 10 professores se aglomerarem em um espaço improvisado cedido pela comunidade até que a prefeitura conclua as obras de reforma que já estão há 2 meses atrasadas.

23 Utilizaremos professores regentes para se referir aos professores que estão a maior parte dos momentos com as crianças, porém reconhecemos que os professores de Arte também são professores regentes. Essa nomenclatura já aponta para as dificuldades de consenso entre as especificações desses profissionais (professor licenciado em pedagogia e licenciado em Arte) no contexto da Educação Infantil.

diminuição ainda que não percebida ou mesmo velada da instituição ao não considerá-lo como também professor daquele grupo de crianças, no entanto não notamos nenhum tipo de descontentamento da professora de Arte com essa possível invisibilidade, embora não se trate de não importância da arte para as crianças, mas sim da não afirmação do lugar que agora ocupa esse profissional.

Ao olharmos para o dia a dia no CMEI percebemos a produção prática, na fala das crianças e na fala e no fazer dos professores, marcada pela mistura do Ensino Fundamental com a Educação Infantil, em que pese mais o tratamento como alunos do que efetivamente vistas como crianças, mesmo que esteja expresso o claro desejo de se produzir uma Educação Infantil não preparatória para o Ensino Fundamental, no entanto as contradições ainda marcam o fazer voltado a práticas do ensino fundamental.

Mesmo que as contradições estejam ainda instaladas nas nomenclaturas e no fazer diário, é evidente o desejo das crianças e da professora de Arte de continuar o encontro de toda semana, “No ano passado [referindo ao ano de 2013] as crianças não lanchavam, pois não queriam perder a aula de Arte”.

A esses pequenos educandos e sujeitos de direito foi-lhes concedido ainda que em meio a tantas contradições o direito de usufruírem e produzirem vivências criadoras e experiências estéticas em uma relação dialógica com um professor de Arte no contexto da Educação Infantil. Na perspectiva de que essas crianças possam continuar em seu processo dialético de humanização e de transformação do mundo, em que serão todos os dias convidados neste espaço-tempo da Educação Infantil a serem colocados em posição de autoria e de criação.

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