1 A PRISÃO PROCESSUAL

1.5 Tipos

A legislação apresenta as seguintes prisões processuais: prisão em flagrante, prisão preventiva, prisão temporária, prisão por sentença condenatória recorrível e prisão por pronúncia. Não há unanimidade entre os doutrinadores quanto ao reconhecimento dos institutos supra mencionados como sendo prisão processual (natureza cautelar). Silva Jardim (2002, p. 241) afirma que “a prisão decorrente de sentença condenatória recorrível, para nós também não apresenta natureza cautelar. A rigor esta prisão nada mais é do que uma verdadeira execução penal provisória”. Questiona ainda o doutrinador em destaque (2002, p. 242), que:

Desta forma, teremos tão-somente três espécies de prisão provisória. quais sejam: a) prisão em flagrante; b) prisão preventiva; c) prisão em decorrência de pronúncia.² [...] A natureza cautelar da recente “prisão temporária” é discutível, pois não se exige a conjugação dos dois requisitos:

periculum in mora e fomus boni iuris.

A doutrina majoritária entende como prisões processuais: A prisão em flagrante, a prisão temporária, a prisão preventiva, a prisão por sentença condenatória recorrível e a prisão por pronúncia.

O Norte do presente trabalho de conclusão de curso é a prisão em flagrante, que no Código de Processo Penal (Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941), precisamente nos Artigos 301 a 310, estão expostos seus fundamentos legais. A certeza virtual do crime ou a sua evidência denomina-se flagrante. Pela definição de Guilherme de souza Nucci (2007, p. 543).

Flagrante significa tanto o que é manifesto ou evidente, quanto o ato que se pode observar no exato momento em que ocorre. Neste sentido, pois, prisão em flagrante é a modalidade de prisão, de natureza administrativa, realizada no instante em que se desenvolve ou termina de se concluir a infração penal(crime ou contravenção penal).

As autoridades policiais tem o dever legal de prender em flagrante, edificado em sua natureza cautelar, contudo, nada impede que tal procedimento seja realizado por qualquer agente público ou até mesmo pessoa do povo, este último a lei processual penal facultou. Vale esclarecer que esta modalidade de prisão cautelar, prisão em flagrante, será melhor estudada e abordada com maior aprofundamento no capítulo 2 do presente trabalho monográfico, destacando-se os pormenores e as peculiaridades.

A prisão preventiva também de natureza cautelar tem por escopo a garantia da ordem pública e da ordem econômica por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal tipificado no Art. 312 do Código de Processo Penal Brasileiro. A prisão preventiva, antes da promulgação da Constituição Federal de 1988, guardiã da presunção de inocência, revertia-se de obrigatoriedade com

base na gravidade do crime e na escala da pena de reclusão igual ou superior a dez anos. A Carta Magna vigente não recepcionou a obrigatoriedade da prisão preventiva, o que é demonstrado com a recepção da presunção de inocência. O instituto da prisão preventiva esta regido pelos pressupostos tipificados no art.

312, do Código de processo Penal Brasileiro, que assume o caráter facultativo. A jurisprudência contemporânea sinaliza que a prisão preventiva poderá perdurar enquanto se mantiverem os. pressupostos que autorizaram sua decretação, até o final da fase de instrução do processo.

A prisão temporária, que se fundamenta na Lei nº 7.960/89, como uma das modalidades de custódia cautelar somente da fase inquisitorial, obrigando-se a instauração de inquérito policial. Segundo disposição legal constante nos incisos I, II e III da mencionada lei , somente poderá ser decretada pela Autoridade Judiciária, quando imprescindível à investigação do inquérito policial e quando o acusado não possuir residência fixa ou não fornecer elementos para sua identificação, bem como houver indícios de autoria ou participação do acusado em um dos delitos elencados no inciso III da mesma lei, sendo estes:

homicídio doloso, seqüestro ou cárcere privado, roubo, extorsão, extorsão mediante seqüestro, estupro, atentado violento ao pudor, rapto violento, epidemia com resultado de morte, envenenamento de água ou substância alimentícia ou medicinal qualificado pela morte, quadrilha ou bando, genocídio, tráfico de entorpecentes, e crimes contra o sistema financeiro.

A lei em pauta, prevê que a prisão temporária poderá perdurar em no máximo cinco dias, prorrogáveis uma única vez por igual período, ou, se, no caso de crimes hediondos, o prazo da manutenção poderá chegar a trinta dias, da mesma forma, renovável por igual período. Continuando nos ensinamentos de Mirabete (1994, p.388): “Trata-se de medida acauteladora, de restrição da liberdade de locomoção, por tempo determinado, destinada a possibilitar as investigações a respeito de crimes graves, durante o inquérito policial”.

A modalidade de prisão em análise é aplicada estritamente para a realização das investigações, que após a conclusão, deve ser o preso posto em liberdade, pelo próprio presidente do inquérito policial, se ainda não foi decretada a prisão preventiva.

Em seguimento as modalidades de prisão processual, tem-se a prisão por sentença condenatória recorrível, regulada pelo Art. 393, I do Código de Processo Penal, que reza o seguinte: “ser o réu preso ou conservado na prisão, assim nas infrações inafiançáveis, como nas afiançáveis enquanto não prestar fiança”. Conquanto, na ótica de Liebman (1963, p.49) “condenação é o ato do juiz por meio do qual impõe uma sanção penal ao sujeito ativo de uma infração. Ela transforma o preceito sancionador da norma penal incriminadora de abstrato em concreto”.

É prisão processual porque ainda pode ser a sentença condenatória reformulada, tendo em vista o duplo grau de jurisdição. Vale ainda frisar Mirabete (1994, p.454) citando José Frederico Marques:

Mas a sentença condenatória tem um duplo conteúdo: em primeiro lugar, declara existente o direito de punir emanado da violação do preceito primário da norma penal; e, em segundo lugar, faz vigorar para o caso concreto as forças coativas latentes da ordem jurídica, mediante aplicação da sanção adequada.

Em conclusão, dentre as cautelares, ressalta-se a prisão por pronúncia. É indispensável a exposição de que ocorrerá somente nos crime de competência do Tribunal do Júri, obedecendo os ditames do inciso XXXVIII , Art. 5º da CF/88, ou seja, aplicando-se unicamente aos crimes dolosos contra a vida.

Tomando a assertiva de José Frederico Marques (1962, p. 198): “a pronúncia é sentença processual de conteúdo declaratório em que o juiz proclama admissível a acusação, para que seja decidida no plenário do Júri”.

Ao pronunciar o réu o Juiz está convencido da existência do crime, fato regulado pelo Art. 413 do Código de Processo Penal. No parágrafo segundo do referido artigo, percebe-se a natureza cautelar desta modalidade de prisão, quando dispõe que: “Se o crime for afiançável, o juiz arbitrará o valor da fiança para a concessão ou manutenção da liberdade provisória”. Portanto, não se inserindo nos preceitos do mencionado parágrafo, a medida ad cautelam há de ser ditada, para que o direito de acusar do Estado seja preservado.

Verifica-se que a prisão é um ato solene. Não poderia ser diferente, já que a retirada da liberdade de locomoção de alguém é um evento bastante danoso, causando conseqüências físicas, psíquicas e morais ao preso. Por esse fato, somente poderá ser aplicada quando legal e circunstancialmente justificável.

Esclarece-se que quando a autoridade judiciária analisa um pedido de prisão cautelar, também faz uma análise prévia das provas que constarão no vindouro processo penal, decorrendo daí a importância e o valor para a ação penal da decretação de uma prisão cautelar, já que para sua efetivação há de se demonstrar fundamentos fáticos e de direito, convincentes, para não gerar injustiça.

No presente capítulo, foi feito um sucinto estudo acerca das prisões processuais, sendo que, dentre estas, destaca-se para o presente trabalho científico, a prisão em flagrante, que será objeto de apreciação do próximo capítulo, onde buscar-se-á uma explanação fácil e prática, com base na legislação e doutrina pertinente.

No documento UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ FACULDADE DE DIREITO BACHARELADO EM DIREITO A PRISÃO EM FLAGRANTE NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO (páginas 15-18)