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Todos nós sabemos a diversidade de papéis que são atribuídos aos docentes desde o

primeiro dia de trabalho, as diferenças entre formação inicial e realidade escolar, as constantes

mudanças a que diariamente a sociedade está sujeita. Tudo isto são fatores que propiciam

alguns dilemas aos docentes.

Desde o meu ingresso na vida profissional que me confronto com uma questão,

relacionada com a supervisão pedagógica e o seu impacto nas práticas pedagógicas dos

educadores de infância e no seu consequente desenvolvimento profissional. Mais

concretamente,

Qual a ocorrência da supervisão pedagógica nas práticas educativas dos Educadores

de Infância? Como esta é realizada e que tipo de formação de supervisão é constituída?

Quais os impactos no subsequente desenvolvimento profissional?

Todas estas questões advêm da minha experiência profissional no ensino privado, onde

a coordenadora pedagógica assumia e ponderava essas funções, tal como descrito de seguida.

Para Torres (1994 In Azevedo et al., 2012), o coordenador pedagógico é o agente

responsável pela formação continuada dos docentes, ou seja, é o profissional responsável por

formar e manter a equipa coesa, empenhada e firme no propósito assumido na proposta de

trabalho da instituição. Por conseguinte, a função formadora do coordenador consiste em

programar as ações que viabilizam a formação do grupo para qualificação continuada desses

sujeitos, conduzindo a mudanças dentro e fora da sala (Clementi, 2003 In Azevedo et al.,

2012).

Deste modo, docentes e coordenador pedagógico atuam em parceria, observando,

discutindo e planeando, vencendo as dificuldades, expetativas e necessidades, requerendo

momentos individuais e coletivos entre os membros do grupo, atingindo os objetivos

desejados (Azevedo et al., 2012).

Quanto ao ensino público, tal como descrito no Decreto-Lei n.º 75/2008, compete ao

conselho pedagógico, órgão de coordenação e supervisão pedagógica e orientação educativa,

“apresentar propostas e emitir parecer sobre a elaboração do plano de formação (…)”

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de formação (…) (artigo 33º, alínea i) e “promover e apoiar iniciativas de natureza formativa

(…) (artigo 33º, alínea j), entre outras.

Contudo, será que a supervisão pedagógica é um conceito familiar que os docentes

apropriaram?

Este é um conceito que ainda não é bem visto pelos docentes, pois encaram a

supervisão pedagógica como uma avaliação e uma inspeção.

O conceito de supervisão pedagógica é mais notório na formação inicial visto que na

formação contínua é um conceito recente. Geralmente, este termo não é empregue e os

profissionais quando se reúnem não encaram o momento como um momento de formação

nem de supervisão.

Porém, tirando a formação inicial, eu própria perceciono este conceito como uma

interajuda entre a equipa educativa e não como um “chefe” que manda e avalia somente. Para

mim, a existência de supervisão nas práticas pedagógicas na Educação de Infância é algo

fundamental e que modifica e beneficia a nossa prática educativa, refletindo-se no nosso

desenvolvimento profissional.

Tal como referido anteriormente, a supervisão em contexto escolar tem estado

geralmente associada à formação inicial de docentes. Contudo, a este respeito, a minha

opinião vai de encontro ao que Alarcão e Tavares (2010: 113) referem reforçando a ideia da

importância da supervisão no campo da formação contínua, apelando para a urgência da

articulação entre a primeira e a segunda. Conforme mencionam, “a formação de um professor

não termina (…) no momento da sua profissionalização, pelo contrário, ela deve prosseguir,

em continuidade, na chamada formação contínua”. Se é certo que a figura do supervisor pode

desaparecer e geralmente desaparece, a supervisão não deve desaparecer, embora assuma

novas formas.

Subsiste, assim, o desejo de refletir sobre a sua prática e a possibilidade de usufruírem

do conhecimento de processos metodológicos que lhes possibilita a análise e a reflexão sobre

o que fazem, por que o fazem e com que objetivos e resultados (Alarcão & Tavares, 2010).

A dinâmica da supervisão deve permanecer transversal a uma auto-supervisão ou a

uma supervisão concretizada no seio do grupo dos colegas, o que exige a sua emergência

como um acontecimento constante de enriquecimento mútuo e de ajuda entre colegas,

baseado numa relação interpessoal saudável, autêntica, cordial, empática que consinta o

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estabelecimento de um clima afetivo-relacional positivo em vista a simplificar o

desenvolvimento normal do processo de desenvolvimento dos professores (Alarcão &

Tavares, 2010).

Por conseguinte, deparei-me com um dilema:

- estudar uma instituição em que corro o risco de não haver um plano de formação

supervisiva?

Ou

- estudar uma instituição ou um grupo de trabalho em que tenha a certeza de existir um plano

de formação de supervisão?

Como tal, (re)lembrei-me do modelo pedagógico do Movimento da Escola Moderna,

interessando-me particularmente por investigar as suas propostas teóricas e práticas e,

especialmente, os grupos de formação, do ponto de vista colaborativo e supervisivo visto que

no seio do MEM, as práticas são constantemente ponderadas e contestadas através de um

processo contínuo de partilha e de aprendizagem conjunta (Folque, 2012), assente num

projeto democrático de autoformação cooperada de docentes, que transfere, por analogia, essa

estrutura de procedimentos para um modelo de cooperação educativa nas escolas (Niza,

1996).

Para tal, ocorreu-me os Sábados Pedagógicos Mensais onde é organizado um tempo de

reflexão e divulgação das práticas do MEM. Estes incluem apresentações de práticas por parte

dos professores de diferentes níveis educativos e debates gerais acerca de questões de

interesse (avaliação, currículo, formação de professores, legislação, entre outros), com a

participação de professores de todos os níveis educativos (Folque, 2012).

Neste âmbito e mobilizado como agente e sujeito da sua própria formação numa

dinâmica cooperante e interativa, o docente reconhece a valorização do seu conhecimento

experiencial e descobre a riqueza e o valor da cooperação interagindo com os outros rumo à

produção e construção de novos saberes e competências, melhorando e continuando a

progredir na sua profissão (Alarcão, 2001).

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Questões orientadoras da investigação

- De que maneira podemos falar de supervisão pedagógica no modelo de (auto)formação

cooperada do MEM?

- De que maneira podemos falar do papel deste processo de formação/supervisão no

desenvolvimento profissional e na melhoria das práticas pedagógicas?

Objetivos da investigação

De acordo com o discurso de educadores de infância de um grupo cooperativo do

MEM estudar o modelo de (auto)formação cooperada analisando:

- as características dos processos supervisivos deste modelo;

- as implicações deste processo de formação/supervisão no desenvolvimento profissional;

- as implicações deste processo de formação/supervisão nas práticas pedagógicas.

2. Opções metodológicas para recolha e análise dos dados

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