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Problematizações e questionamentos parciais

Há considerável produção acadêmico-científica sobre as possi-bilidades de uso das tecnologias emergentes nos mais diversos níveis educacionais e para o ensino em variadas áreas do conhecimento. Todavia, o cotidiano da escola pública brasileira revela demora na incorporação das tecnologias emergentes como ferramentas didáticas efetivas de mediações de aprendizagens.

Para além da falta de estrutura e das próprias ferramentas nas escolas, é necessário refletir sobre a formação inicial de professores. Pois professores formados para o uso didático de smartphones em sala de aula, por exemplo, podem promover atividades educativas de qualquer conteúdo, sem grandes investimentos em infraestrutura, sem um laboratório de informática. Uma atividade com os dispositivos móveis dos jovens, utilizando a internet, pode contemplar os conceitos de educação híbrida, aprendizado ubíquo e, obvia-mente, o uso das tecnologias móveis, simultaneamente. Mas e se a escola não dispõe de internet? Em outro local, o professor e seus aprendentes podem fazer o download dos aplicativos (app) e realizar todas as atividades off-line (sem a necessidade do acesso à internet em tempo real) na escola. A realidade está posta: professores e estudantes usam as tecnolo-gias móveis intensamente no cotidiano social; escolas e universidades ainda não sabem como lidar com essa cultura intramuros. A morosidade é tão evidente na incorporação do uso pedagógico das tecnologias emergentes nas escolas públicas que muitas escolas nem chegarão a ter laboratórios de informática. Vão pular essa parte. Vão passar da televisão diretamente para as tecnologias móveis.

Diante desse cenário antagônico, é imperioso indagar: qual deve ser a carga horária de disciplinas voltadas ao uso educacional das tecnologias emergentes nos cursos de Pedagogia? Com que intensidade o uso dessas tecnologias deve ser trabalhado pelos acadêmicos de Pedagogia ao longo do curso? A “cultura tecnológica”, cada vez mais híbrida, móvel e ubíqua, está incorporada no percurso da formação inicial de professores?

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6. A FORMAÇÃO DE PROFESSORES DA EDUCAÇÃO

PROFISSIONAL: DESAFIOS E POSSIBILIDADES

Jacqueline Oliveira Lima Zago

Introdução

Este artigo tem como objetivo registrar uma experiência de For-mação Pedagógica em serviço com professores inseridos no Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), criado pelo Governo Federal em 2011 e implementado pelo Centro de Educa-ção Profissional (Cefores), instituiEduca-ção vinculada à Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM).

No ápice de execução do programa em 2014, com 122 professores--bolsistas vinculados para oferta de 21 cursos de nível técnico (Concomitante e subsequente ao Ensino Médio) e 80 cursos de Formação Inicial e Conti-nuada (FIC), a experiência de oferecer um curso de Formação Pedagógica veio como resposta à necessidade de preparar profissionais das diferentes áreas de atuação técnica para a sala de aula.

Após um ano de execução do Programa pelo Cefores-UFTM, a direção executiva juntamente com a equipe pedagógica multidisciplinar1

criada no âmbito local, perceberam que muitos profissionais contratados como bolsistas para atuarem como docentes nos cursos não tinham forma-ção como professores. Embora tivessem passado por um processo seletivo público, esses profissionais foram selecionados pela experiência exitosa nas suas respectivas áreas de atuação. A demanda identificada e confirmada

1 A Equipe de Coordenação e Pedagógica do Pronatec-Cefores-UFTM, neste período, foi composta pelos seguintes profissionais: José Eduardo dos Reis Félix (Coordenador Geral), Jacqueline Oliveira Lima Zago (Pedagoga), Teresinha das Graças Lima (Coordenadora Pe-dagógica), Paulina Abdalla Palis (Fonoaudióloga), Sheila Silva Parreira (Psicóloga), Luciene Maria de Souza (Técnica em Assuntos Educacionais), Lívia Cristina Lima Diniz (Terapeuta Educacional), Sonia Felix (Pedagoga).

pelos próprios professores passou a ser uma intervenção da equipe pedagó-gica e multidisciplinar para refletir sobre a ação educativa de maneira mais ampla na criação de uma proposta de Formação Pedagógica no âmbito do Pronatec – Cefores – UFTM, pois, além de esses profissionais requererem essa formação, os espaços de atuação deles eram os mais diversos, incluindo casas de apoio, unidades prisionais, instituição para jovens privados de liberdade em cumprimento de medidas socioeducativas, entre outros.