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PARTE I – ABORDAGEM TEÓRICA

Capítulo 1 A Auditoria Financeira

1.6 Procedimentos de Auditoria

Os procedimentos de auditoria decorrem da necessidade do auditor manipular o risco de deteção para manter o risco global consideravelmente baixo, em face dos objetivos delineados para o trabalho de auditoria. Para aquelas contas ou classes de transações onde o produto entre o risco inerente e o risco de controlo é elevado, o risco de deteção deve ser reduzido, implicando tal que o auditor deverá executar testes mais abrangentes e oportunos.

De acordo com a ISA 500 - Prova de Auditoria (IFAC, 2009c), a natureza dos procedimentos refere-se ao seu objetivo, testes aos controlos ou procedimentos substantivos e ao seu tipo de

inspeção, observação, indagação, confirmação, recálculo, reexecução e procedimentos analíticos de auditoria. Quanto mais alta for a avaliação do risco de distorção material efetuada pelo auditor, mais fiável e relevante terá de ser a prova de auditoria obtida a partir de procedimentos substantivos.

A definição dos procedimentos analíticos e a sua adequação ao ambiente de risco onde se desenvolve a auditoria está regulada na ISA 520 – Procedimentos Analíticos (IFAC, 2009d). Esta Norma concretiza que procedimentos analíticos correspondem a avaliações sobre a informação financeira através de estudos de relações plausíveis entre dados financeiros e não financeiros e, bem assim, a investigação de flutuações e relações identificadas que não sejam consistentes com outra informação relevante, ou ainda, que apresentem desvios significativos face ao previsto. Segundo Boynton et al. (2002), a caraterização resumida dos procedimentos de auditoria atrás mencionados é feita da seguinte forma:

 Os procedimentos de inspeção identificam-se no controlo e exame detalhado de documentos e registos e no exame físico de ativos tangíveis. A verificação documental tem a ver com a análise de documentos de suporte de transações ou de contratos, ou seja, trata-se de um procedimento de natureza ascendente do registo dos factos patrimoniais. Por sua vez, a conferência de ativos tangíveis consiste na confirmação da existência dos bens e representa uma forma de avaliação da evidência física. Podem ainda ser incluídos os procedimentos de confirmação nos quais o auditor seleciona registos contabilísticos e compara com os documentos que lhe deu origem, ou os procedimentos de rastreio, nos quais o auditor seleciona documentos físicos e atesta que os mesmos foram adequadamente registados no sistema contabilístico.

 Os procedimentos de observação são aqueles em que o auditor acompanha e testemunha uma atividade ou processo. Este tipo de procedimento é particularmente utilizado no levantamento e testes aos controlos internos implementados pela empresa auditada. Os procedimentos de observação são regularmente confundidos com os procedimentos de inspeção. Mas enquanto estes se destinam a atestar a existência física de itens como por exemplo inventariação de produtos ou mercadorias em armazém, a observação compreende o levantamento do procedimento adotado pela empresa para essa inventariação, ou seja, com o processo.

 Os procedimentos de indagação como o próprio nome indica, envolvem a colocação de questões por parte do auditor, seja de forma verbal ou escrita. Este tipo de procedimentos destina-se a confirmar problemas identificados ou procedimentos adotados pela empresa e conduz à obtenção de respostas para o auditor. Os procedimentos de confirmação externa de

saldos são também considerados como indagações, embora as entidades externas como sejam, clientes, fornecedores, instituições financeiras, Estado ou advogados. Neste caso de confirmações externas de saldos, trata-se de indagações normalmente na forma escrita.  Os procedimentos de confirmação são aqueles em que o auditor valida com a empresa

auditada se, por exemplo, as confirmações externas de saldos foram expedidas e para quem. Na prática, são um complemento essencial aos procedimentos de indagação externa, na medida em que são solicitados diretamente pelo auditor sem intervenção da empresa auditada no processo.

 Os procedimentos de recálculo ou de repetição são adotados pelo auditor para confirmar cálculos efetuados pela empresa auditada. Estes procedimentos são geralmente aplicados a reconciliações bancárias ou de contas com terceiros, amortizações, saldos de registos contabilísticos, entre outros.

 Os procedimentos de reexecução ou redesempenho consistem na execução por parte do auditor, manualmente, ou através de técnicas informáticas, de procedimentos ou controlos originalmente efetuados como componente do controlo interno da entidade auditada.

 Os procedimentos analíticos consistem em avaliações sobre a informação financeira através de estudos de relações credíveis entre dados financeiros e não financeiros, bem como a investigação de divergências e relações identificadas que não sejam consistentes com outra informação relevante, ou ainda que apresentem desvios significativos.

Os testes, quer aos controlos, quer os procedimentos substantivos, podem ser efetuados no final do período de referência das demonstrações financeiras ou numa data intercalar. Contudo, quanto maior for o risco de distorção material, maior é a probabilidade que o auditor considere mais adequado realizar procedimentos substantivos em data mais próxima do final do período, ou efetuar procedimentos de auditoria não anunciados à entidade. A execução de procedimentos de auditoria antes do final do período pode permitir detetar situações significativas que podem ser corrigidas com a colaboração do órgão de gestão, ou então ajustando a abordagem da auditoria. Caso o auditor execute testes aos controlos ou procedimentos substantivos antes do final do período, será necessária a obtenção de prova adicional para o período remanescente.

A extensão de um procedimento é determinada com base no julgamento profissional do auditor, tendo em conta a materialidade, o risco avaliado e o grau de segurança que pretende obter. Em regra, conforme o risco de distorção material aumenta, a extensão dos procedimentos de auditoria aumenta também. Neste âmbito, a avaliação efetuada pelo auditor relativamente ao risco de distorção material ao nível da asserção é baseada na prova disponível e pode ser alterada à medida que o trabalho de auditoria prossegue. Desta forma, sempre que seja obtida prova de auditoria que

não comprove a avaliação de risco previamente efetuada por parte do auditor, dever-se-á proceder à sua revisão, assim como à revisão dos limites de materialidade se tal se justificar e proceder ao ajustamento dos procedimentos adicionais de auditoria a efetuar.