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3 DOS PROBLEMAS DE PESQUISA À METODOLOGIA

3.3 Metodologia, caracterização e universo da pesquisa

3.3.1 Procedimentos de coleta e análise de dados

O procedimento de análise e coleta de dados é um importante momento da pesquisa no qual é possível destacar a forma como serão evidenciadas as informações que implicarão no resultado da própria pesquisa. Basicamente, como a proposta da pesquisa é usufruir dos dados de monitoramento das publicações e das ações da fanpage da BC-UFPA, os dados serão obtidos através do próprio Facebook, porém, tabulados e tratados pela ferramenta MLabs30, que será exposta e trabalhada nos próximos tópicos da pesquisa.

A pesquisa analisará as facetas do Facebook da Biblioteca Central da UFPA a partir da perspectiva do que chamaremos de front e back (Figura 2) da mediação da informação nesse dispositivo web de comunicação social. Em se tratando de front, serão analisados os textos, mensagens e interações dos usuários pelos seus comentários, avaliações, check-ins na página, conversas pela Plataforma Messenger, bem como algumas marcações de usuários da fanpage. Por outro lado, o back da análise será dado através das informações fornecidas pelo Facebook no que diz respeito às métricas e monitoramento das publicações. Sendo assim, é dessa forma que vai ser possível efetivar a análise e coleta dos dados para a pesquisa. Em outras palavras, basicamente o front é a interface que todo o usuário vê e interage e, por sua vez, o back é a interface na qual somente o administrador da fanpage possui acesso e diz respeito as ações de monitoramento.

30 MLabs é uma plataforma de gestão de redes sociais, que – além das ferramentas de postagem, agendamento, profissionalização e otimização das redes sociais – possui um módulo para análise e monitoramento das publicações. Essa ferramenta é acessada através de assinatura do serviço e, por isso, tabula as informações com base nos dados fornecidos oficialmente pelo Facebook. Além disso, o MLabs entrega as análises em gráficos e organizadamente com base nas principais necessidades dos administradores de redes sociais. Optou-se pelo uso dela por conta da credibilidade e praticidade do serviço, além da alta relevância para a pesquisa. Cumpre ressaltar que a ferramenta trabalha, além do Facebook, com todas as principais redes sociais dispostas atualmente, podendo então um administrador conhecer a segmentação de cada uma das redes socais, bem como planejar ações estratégicas para cada uma dessas redes.

Figura 2 – Front e back das atividades no Facebook da Biblioteca Central UFPA

Fonte: Arte elabora pelo autor

Além disso, será necessário a realizar a categorização das postagens e publicações para que seja possível ter uma organização da tipologia das ações que são desenvolvidas, contribuindo então para obtenção dos objetivos do estudo. Sendo assim, essa pesquisa se encaminha através de um enfoque investigativo com perspectivas comprobatórias de que é possível potencializar o uso das redes sociais31 nas bibliotecas, a partir de uma experiência empírica. Portanto, apesar de ser um estudo baseado em medição numérica e estatística, o mesmo não se acometerá apenas nos aspectos quantitativos, mas também no qualitativo, a fim de revelar as experiências por trás das ações realizadas no período da pesquisa e propor uma discussão frutífera. Além disso, essa categorização permitirá a sistematização das discussões, além de evidenciar a efetividade das publicações categoricamente.

Destarte, para realizar a categorização das postagens das publicações no Facebook da BC-UFPA, adotou-se como base (com algumas adaptações e acréscimos), as categorias propostas por Santos Neto e Almeida Júnior (2017). Tais autores realizaram uma pesquisa em bibliotecas universitárias das Instituições de Ensino Superior do Paraná, a partir da mediação da informação no Facebook dessas organizações. Fruto dessa pesquisa, os autores verificaram 959 postagens com a finalidade de adquirir uma categorização das mesmas. Apesar de serem estudos com intuitos próximos e objetos diferentes, essa categorização pode se aplicar

31 Cumpre ressaltar que a pesquisa trata de um estudo de caso único, com enfoque nas experiências vivenciadas no período determinado na pesquisa no Facebook da Biblioteca Central da UFPA. Isso não significa que tais experiências não podem ser aprimoradas e aplicadas em outras bibliotecas universitárias do país, afinal, no quesito de características de público e ênfase, as bibliotecas universitárias têm muitos pontos em comum.

perfeitamente a essa pesquisa pois se trata de algo sistemático e organizacional. Sendo assim, com base na adaptação das categorias temáticas de publicações proposta por Santos Neto e Almeida Junior (2017), temos:

a) Categoria A – Aquisição de novos materiais bibliográficos, promoção de acervo e indicações de leitura;

b) Categoria B – Reconhecimento a funcionários da instituição que participaram de eventos;

c) Categoria C – Cumprimento aos funcionários e amigos por alguma conquista ou aniversários;

d) Categoria D – Editais de programas de pós-graduação;

e) Categoria E – Eventos e cursos (não promovidos pela biblioteca);

f) Categoria F – Eventos, cursos, oficinas, exposições (promovidos pela biblioteca); g) Categoria G – Informações relacionadas à biblioteca (funcionamento durante ano

letivo, férias, greve, prazo de devolução, notas de esclarecimento, indicação de outras redes sociais, etc.);

h) Categoria H – Informação social e de interesse da comunidade em geral; i) Categoria I – Links para download gratuito de livros;

j) Categoria J – Links relacionados a biblioteconomia e Ciência da Informação, anais de eventos (diversas áreas);

k) Categoria K – Memes

l) Categoria L – Prêmios recebidos pela biblioteca ou pela universidade; m) Categoria M – Publicações periódicas e novos números publicados;

n) Categoria N – Informativo de site de pesquisa e análise de serviços (base de dados, portais de busca integrada, repositórios);

o) Categoria O – Vagas de estágio e editais de concurso; p) Categoria P – Divulgação de Produtos e Serviços;

q) Categoria Q – Dicas/publicação sobre Normalização Acadêmica;

r) Categoria R – Campanhas institucionais (doação de sangue, educação do usuário, etc.);

s) Categoria S – Promoções e ações de marketing (premiações, perguntas interativas, etc.)

Sendo assim, nos momentos em que os conteúdos produzidos em posts, comentários e mensagens no Facebook da Biblioteca Central da UFPA forem analisados, será levado em

consideração a análise de conteúdo, ora preconizada por Bardin (1977, p. 42-43). Segundo esse autor, o processo de análise de conteúdo consiste em

[...] efetuar deduções lógicas e justificadas, referentes à origem das mensagens tomadas em consideração (o emissor e seu contexto, ou, eventualmente, os efeitos dessas mensagens). O analista possui à sua disposição (ou cria) todo um jogo de operações analíticas, mais ou menos adaptadas à natureza do material e à questão que procura resolver. Pode utilizar uma ou várias operações, em complementariedade, de modo a enriquecer os resultados, ou aumentar a sua validade, aspirando assim a uma interpretação final fundamentada.

Dessa forma, será feita uma relação/triangulação das perspectivas quantitativas com as análises qualitativas de todo o processo de mediação da informação no processo de interação com os usuários no Facebook da biblioteca. Ou seja, serão analisadas todas as variáveis do processo, não se prendendo apenas nos aspectos simplistas e quantitativos da atuação da biblioteca em análise no Facebook. Aliás, a análise de conteúdo corroborará para trazer à tona o que está situado em segundo plano da mensagem que se estuda, buscando assim significados intrinsecamente ligados a essas mensagens.

Além dos aspectos já mencionados, essa pesquisa científica se caracteriza como

experimental, pois, segundo Gil (2008), consiste na determinação de um objeto de estudo,

selecionando as variáveis capazes de influenciar e na definição de normas de observação e controle dos efeitos que tais variáveis podem produzir no objeto. Assim, esse tipo de investigação pode ser utilizado justamente para revelar as relações de causa e feito, manipulando-se algumas variáveis de interesse (qualitativas e quantitativas) e observando seus efeitos sobre as demais variáveis de estudo. Nesse caso, foram estudadas formas de engajar os usuários através da mediação da informação no Facebook da Biblioteca Central da UFPA (através da fanpage) – o que significa dizer que as publicações e ações foram devidamente provocativas, a fim de se obter uma relação entre o que se publica e sua efetividade. Em outras palavras, os objetos de análise dessa pesquisa foram minuciosamente estudados e manipulados para fins de obtenção de resultados que, posteriormente, serão objetos de discussão na pesquisa.

Por fim, cumpre revelar que essas ações estratégicas de interação com os usuários por meio da mediação da informação no Facebook, foram realizadas pela Coordenadoria da Gestão de Produtos Informacionais32 – sob coordenação do próprio pesquisador desse estudo – com

32 Essa coordenação, dentro de uma hierarquia da Biblioteca Central (http://bc.ufpa.br/organograma/), é a responsável direta pelas ações realizadas no Facebook da biblioteca. A equipe de bibliotecários e bolsistas envolvidos gerenciam suas atividades por meio do Trello, onde ocorrem discussões, branding e aplicações hierárquicas de aprovação do conteúdo a ser disponibilizado. Além disso, reuniões periódicas com aplicação da metodologia do brainstorming permitem à equipe direcionar os tipos de ações que serão desenvolvidas. É importante ressaltar que a Coordenadoria de Planejamento e Marketing também fazem parte dessa elaboração estratégica de marketing nas redes sociais.

colaboração de uma equipe de bolsistas da área da comunicação e com outros bibliotecários da Biblioteca Central da UFPA. Trata-se também de um estudo que advém de um caráter colaborativo, que revelará tentativas de boas práticas de mediação da informação no Facebook – além de, certa forma, instigar o investimento das bibliotecas em redes sociais. Além disso, as ações de marketing digital são trabalhadas e planejadas em colaboração de duas coordenações da Biblioteca Central, a saber: Coordenadoria de Gestão de Produtos Informacionais e Coordenadoria de Planejamento e Marketing.