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PROCEDIMENTOS ESPECIAIS

No documento NOÇÕES DE DIREITO CIVIL E PROCESSO CIVIL (páginas 190-195)

UNIDADE 5 – DIREITO PROCESSUAL CIVIL

2.6. PROCEDIMENTOS ESPECIAIS

Neste tópico faremos a análise dos principais procedimentos especiais previstos no CPC.

Como vimos, o procedimento comum é a regra e pode ser usado para a demonstração de um direito. Existem situações em

que o legislador, dependendo do que a parte quer, disciplina de forma específica o procedimento para que ela atinja seu objetivo, de maneira mais simplificada, sem ter que passar por todas as fases do procedimento comum.

A seguir, veremos as ações de procedimentos especiais mais comuns.

Ação de exibição de contas

Quando uma pessoa administra os bens de outra, deverá prestar contas. Isso poderá ser feito por meio da ação de exibição de contas. Trata-se de procedimento dividido em duas fases. Na primeira o juiz analisará se a obrigação de exibir contas é cabível e na segunda a análise recairá sobre as contas exibidas. Está nos artigos 550 a 553 do CPC.

Ação de consignação em pagamento

É a ação que pode ser proposta pelo devedor quando o credor se recusa a receber o pagamento. O devedor deposita o valor ou a coisa devida que entende devido e pede ao juiz que o libere do pagamento. Assim como em toda e qualquer ação, o devedor será citado para se manifestar a respeito dos fatos narrados pelo devedor, o autor da ação.

No CPC esta ação está prevista nos artigos 539 a 549.

Ações possessórias

As ações possessórias têm como objetivo proteger a posse.

Temos as seguintes ações possessórias:

• Reintegração de posse: quando no caso de esbulho, ou seja, quando ocorrer a perda da posse.

• Manutenção de posse: cabível quando houver turbação da posse, ou seja, quando aparecer algum impedimento ao exercício pleno da posse.

• Interdito proibitório: pode ser proposto sempre quando houver uma ameaça a posse, de esbulho ou de turbação.

As ações possessórias são cabíveis desde que o esbulho, o impedimento ou a ameaça tenha ocorrido a menos de um ano.

Se a ação for proposta após um ano e um dia, não será cabível ação possessória, devendo o procedimento seguir o rito comum.

As possessórias estão disciplinadas nos artigos 554 a 568 do CPC.

Ação de Inventário

A ação de inventário deve ser proposta pelos sucessores do falecido para formalizar a transferência dos bens por ele deixados.

O objeto do inventário é a partilha de bens entre os sucessores, devendo ser efetivada por meio do formal de partilha.

Quando todos os sucessores forem maiores e capazes, o inventário pode ser feito na forma de arrolamento sumário.

O arrolamento sumário é uma forma mais simplificada do inventário.

Agora, se houver sucessores incapazes e o falecido tiver deixado testamento, não se pode usar a forma do arrolamento sumário. Nesse caso, a forma a ser seguida é a prevista para o inventário, sem a simplificação do arrolamento sumário.

O procedimento para o inventário está no CPC, nos artigos 610 a 658. Já o arrolamento está nos artigos 659 a 667 do CPC.

Na sequência o legislador traz dispositivos aplicáveis tanto ao inventário como a partilha (artigos 668 a 673).

Se os herdeiros forem maiores e capazes, o inventário, na forma de arrolamento sumário poderá ser feito extrajudicialmente.

Tem legitimidade para requerer a abertura do inventário o cônjuge ou companheiro do falecido, o herdeiro, o legatário, o testamenteiro, o cessionário o herdeiro do legatário, o credor de um dos herdeiros, do legatário ou do autor da herança, o administrador judicial do herdeiro, do legatário, do autor da herança ou do cônjuge ou companheiro do supérstite, o ministério público se houver interesse de incapazes envolvidos e a fazenda pública se houver interesse.

Embargos de terceiro

Se alguém sofrer constrição ou ameaça de constrição em um bem que lhe pertence, poderá propor judicialmente os Embargos de Terceiro.

Se alguém adquire um automóvel e não formaliza a transferência e por conta de dívidas do vendedor sofrer penhora no automóvel, poderá entrar com embargos de terceiro para mostrar que adquiriu o bem regularmente, demonstrando a boa-fé e a ausência de fraude contra terceiros.

Os embargos de terceiro vêm regulado nos artigos 674 a 681 do CPC.

O próprio legislador definiu os embargos de terceiro no artigo 674:

Quem, não sendo parte no processo, sofrer constrição ou ameaça de constrição sobre bens que possua ou sobre os quais tenha direito incompatível com o ato constritivo, poderá requerer seu desfazimento ou sua inibição por meio de embargos de terceiro (BRASIL, 2015).

Ação monitória

Segundo o artigo 700 do CPC,

[A] ação monitória pode ser proposta por aquele que afirmar, com base em prova escrita sem eficácia de título executivo, ter direito de exigir do devedor capaz:

I - o pagamento de quantia em dinheiro;

II - a entrega de coisa fungível ou infungível ou de bem móvel ou imóvel;

III - o adimplemento de obrigação de fazer ou de não fazer (BRASIL, 2015).

Quando o credor não tem um título executivo apto a entrar com ação de execução, mas tem prova escrita apta a comprovar o crédito, ele poderá propor ação monitória.

A questão aqui é entender a diferença entre a ação monitória e a ação executiva que veremos a seguir.

Ação Monitória e Ação Executiva: diferença

A ação executiva, em tese, tem um procedimento mais enxuto que proporciona maior rapidez no recebimento do crédito. Por isso que só pode lançar mão da ação executiva quem tem um título de crédito.

Títulos de crédito, conforme você estudará em disciplina relacionada a Direito Empresarial, é aquele que possui certeza e liquidez quanto ao valor nele constante. Por esse motivo, não há necessidade do credor discutir a origem do crédito, podendo executar a dívida consubstanciada no título desde logo.

Entretanto, quando não se possui um título de crédito, mas há uma prova escrita dele, pode-se postular o recebimento via ação monitória.

Agora, se há um crédito, mas não há uma prova escrita, deve-se demonstrar a sua existência e origem lícita para poder cobrá-lo.

O procedimento da ação monitória está no CPC, nos artigos 700 a 702.

Essas são as principais ações de procedimento especial prevista no CPC. É importante ressaltar que no novo Código de Processo Civil não há mais um livro destinado aos procedimentos especiais como no código anterior. Todavia, as ações de procedimentos especiais continuam existindo.

Além das que estudamos, existem outras ações previstas no CPC com rito especial, como por exemplo, a ação de demarcação de terras particulares, regulada nos artigos 569 a 573 e ação de dissolução parcial de sociedade, nos artigos 599 a 609. Recomendamos a leitura de tais procedimentos.

Agora, passaremos ao estudo do processo de execução.

No documento NOÇÕES DE DIREITO CIVIL E PROCESSO CIVIL (páginas 190-195)