DA AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM NO ENSINO ESCOLAR DOS ANOS INICIAIS À PESQUISA CIENTÍFICA
DEFICIÊNCIA INTELECTUAL
2. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS E TRATAMENTO DOS DADOS
O objetivo desta seção foi traçar o perfil da fundamentação utilizada na escolha da técnica e instrumento na análise e coleta de dados que validaram os resultados encontrados.
Para tanto, optamos na condução dessa pesquisa pelo estudo qualitativo, defendido por Prodanov (2013) como pesquisa de caráter explicativo e interpretativo, permitindo entender a natureza do fenômeno social em constante transformação.
Conforme Ludke e André (1987)
A pesquisa qualitativa em ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal instrumento [...] a pesquisa qualitativa supõe o contato direto e prolongado do pesquisador com o ambiente e a situação que está sendo investigada, via de regra através do trabalho intensivo de campo.
[...] Como os problemas são estudados no ambiente em que eles ocorrem naturalmente, sem qualquer manipulação intencional do pesquisador (LÜDKE E ANDRÉ, 1987, p.11)
O ambiente natural, o qual é mencionado pelos autores, ocorreu em uma escola pública da rede estadual de ensino situada no município de Aracaju, tendo como referência professores do ensino fundamental I que, em suas práticas cotidianas em sala de aula, possuem alunos com deficiência intelectual.
Este ambiente natural para a coleta de dados teve como suporte os princípios investigativos da fenomenologia que de forma geral, é uma corrente filosófica que assegura o sentido dado ao fenômeno.
Qualquer estudo sobre essa base filosófica deve ser conduzido a partir de uma pergunta essencialmente sobre uma experiência do espaço vivido, ou seja, no ambiente onde o sujeito constrói e dinamiza o seu saber.
Para buscarmos esses significados optamos como estratégia de pesquisa o estudo de caso, fornecendo-nos os resultados para o que se pretendeu compreender: o saber fazer do professor dentro do processo avaliativo para os alunos com deficiência intelectual.
De acordo com Yin (2005, p.32), “o Estudo de Caso é um estudo empírico que investiga um fenômeno atual dentro do seu contexto de realidade, quando as fronteiras entre o fenômeno e o contexto não são claramente definidas e no qual são utilizadas várias fontes de evidência”. Segundo o autor, este método é adequado para responder às questões “como” e “por que”, que são questões explicativas e que tratam de relações operacionais que ocorrem ao longo do tempo mais do que frequências ou incidências.
A escolha dos indivíduos envolvidos se justificou pelo critério de inclusão sobre os professores que em suas práticas de ensino na sala de aula comum, possuíam alunos com deficiência intelectual.
Para o rigor científico na coleta e registro dos dados, a entrevista semiestruturada, foi o instrumento que melhor articulou a análise de dados aos objetivos da pesquisa, uma vez que as perguntas foram conduzidas sobre a flexibilidade de o entrevistado reconduzir sua fala sempre que necessário e do pesquisador promover um ambiente seguro.
Manzini (1990/1991) contribui com essa concepção ao destacar que:
[...] a entrevista semiestruturada está focalizada em um assunto sobre o qual confeccionamos um roteiro com perguntas principais, complementadas por outras questões inerentes às circunstâncias momentâneas à entrevista. Segundo esse autor, na execução da entrevista semiestruturada podem surgir informações de forma mais livre, sendo que as respostas não se limitam a um padrão de alternativas. [...] (p.154)
Desse modo, o roteiro representou uma alternativa pela qual o pesquisador se organizou para o processo de interação com os entrevistados.
Sobre essas ideias, o perfil da entrevista semiestruturada aplicada com os professores se caracterizou com questões delineadas a partir da categoria geral, avaliação da aprendizagem para alunos com DI.
Para Minayo (2008), a palavra categoria
[...] se refere a um conceito que abrange elementos ou aspectos com características comuns ou que se relacionam entre si. Essa palavra está ligada à ideia de classe ou série. As categorias são empregadas para se estabelecer classificações. Nesse sentido, trabalhar com elas significa agrupar elementos, ideias ou expressões em tomo de um conceito capaz de abranger tudo isso. (MINAYO, 2008, p. 70)
As categorias gerais garantiram o delineamento na classificação de expressões apresentadas pelos professores sobre conceitos mais específicos validados através da fundamentação teórica desta pesquisa.
O autor ainda reforça que este tipo de procedimento pode ser utilizado em qualquer tipo de análise em pesquisa qualitativa, sendo que as categorias podem ser estabelecidas antes do trabalho de campo, na fase exploratória da pesquisa, ou a partir da coleta de dados. Aquelas estabelecidas antes são conceitos mais gerais e mais abstratos.
Deste modo, a condução da entrevista semiestruturada pela qual optamos nesta pesquisa foi direcionada sob a ótica do seguinte tema: Concepção sobre a avaliação da aprendizagem escolar para os alunos com D.I
As entrevistas foram agendas antecipadamente, realizadas pelo próprio pesquisador, tendo duração de 30 minutos.
O conteúdo das entrevistas foi transcrito de forma integral, sendo categorizado em eixos para uma análise rigorosa com suporte na fundamentação teórica que alicerça este estudo.
Na realização das entrevistas, utilizamos aparelho celular com aplicativo específico de gravação de som com autorização prévia dos professores, mantendo o anonimato em atendimento ao que dispõe o parágrafo único do artigo 143 da Lei 8.069/90.
2.1. Técnica para a coleta de dados
Adotamos como técnica a Análise Temática que segundo Minayo (2008), é a melhor forma para atender a investigação qualitativa, uma vez que o tema representa uma afirmação sobre um assunto, ou seja, expressa os significados ocultos trazidos pelos sujeitos da pesquisa.
Realizamos uma leitura e releitura do material obtido na entrevista, categorizando frases a partir de conceitos existentes na fundamentação teórica da pesquisa.
Os significados e sentidos dados às falas dos professores apresentaram-se com base nas fundamentações de análise temática de Minayo (2008): “As categorias são empregadas para se estabelecer classificações. Nesse sentido, trabalhar com elas significa agrupar elementos, ideias ou expressões em tomo de um conceito capaz de abranger tudo isso.” (p. 70).
Construir essas categorias de análise sobre o embasamento da entrevista semiestruturada garantiu a pesquisa um rigor metodológico que assegura respaldo e cientificidade exigidos em qualquer pesquisa acadêmica que trate os dados sobre uma perspectiva de natureza qualitativa e fenomenológica.
Sendo assim, a construção dos sentidos e significados dos discursos do professor a partir das suas concepções e ações na perspectiva da avaliação da aprendizagem escolar de alunos com deficiência intelectual, se constituiu com base na interpretação feita pelo pesquisador dentro das etapas da análise temática.
Realizamos uma leitura e releitura do material obtido na entrevista, categorizando frases a partir de conceitos existentes na fundamentação teórica da pesquisa.
Estruturamos a análise temática a partir das ideias de Minayo (2008).
Pré-análise: fizemos uma leitura fluente a fim de identificar nas falas a representação dos objetivos da pesquisa, alinhados com a fundamentação teórica.
Fizemos uma leitura profunda, garantindo o rigor metodológico na interpretação das falas tal como elas foram, sem interferências e manipulações dos pesquisadores.
Exploração do material: nesta etapa, os registros de palavras e expressões mais recorrentes foram recortados com objetivo de agrupá-las em temáticas relacionadas com as categorias gerais pré-estabelecidas.
Com os recortes de palavras e expressões, registrou-se as categorias de análise, obedecendo a uma tríade: objetos da pesquisa-fundamentação teórica- fenomenologia.
Tratamento dos resultados: foi o momento em que os dados agrupados em categorias passaram a ser interpretados e inter-relacionados com a a fundamentação teórica da pesquisa. Nesta fase, a intencionalidade e intensidade das falas dos professores representam suas experiências e modos de conceber a avaliação da aprendizagem para os alunos com deficiência intelectual.
A organização dos dados possibilitou compreender as concepções que os professores possuem dentro das suas vivências em sala de aula sobre seu saber fazer. Além disso, permitiu compreender como ocorre a elaboração e realização da avaliação da aprendizagem de alunos
com deficiência intelectual.
No processo de investigação, as interações dos professores envolvidos na pesquisa proporcionaram a construção e revelação do saber individual de cada um nas suas vivências diárias em sala de aula, na promoção da avaliação para o aluno com DI.
Através do eixo temático, obtivemos as categorias de análise, fundamentais para as revelações dos sentidos dados as falas dos professores.
Eixo temático: O professor suas concepções e ações frente a avaliação da aprendizagem para os alunos com deficiência intelectual
Categorias: 1. Complexa
2. Ausência de metodologias 3.Infantilização