Os dados coletados nos cartórios foram transcritos para planilha pré-elaborada, conferindo-se detalhadamente a grafia do nome da mãe, a fim de facilitar a digitação,
evitando distorções na interpretação dos nomes, uma vez que esta variável é de fundamental importância no emparelhamento dos dados.
No primeiro momento desta etapa, vimos que o preenchimento das DNs , em sua maioria, não constava o nome do pai. Por este motivo, foi inviabilizada a coleta desta variável no seguimento da pesquisa. Reconhece-se, entretanto, ser este um aspecto que deve ser incluído nas capacitações das equipes técnicas de saúde uma vez que se trata de responsabilidade legal.
Sobre a condição marital dos pais, somente dois cartórios faziam o registro desta variável nos Livros de Nascimentos, uma vez que houve alteração nas determinações da Corregedoria Estadual, garantindo o sigilo desta informação no intuito de preservar os pais, conforme Artigo 85, parágrafo 2 do Código de Normas, (SANTA CATARINA, 1999). Os demais cartórios estavam seguindo adequadamente a nova determinação.
Os dados dos registros cartoriais foram codificados previamente, facilitando o trabalho de digitação. Após a coleta destes dados, foi criado um programa para a ordenação e sistematização dos mesmos. Estes foram convertidos para planilha do programa Microsoft Excel versão 97, adotando ordenação alfabética do nome da mãe, facilitando a comparação com os dados do SINASC.
Totalizaram nos cartórios, 5.246 registros de nascimentos vivos referentes às mães residentes em Florianópolis – SC, que tiveram seus filhos nas maternidades de Florianópolis e no Hospital Regional Homero de Miranda Gomes - São José. Apesar de delimitarmos somente os nascidos vivos hospitalares, coletamos também, nesta “primeira fase do estudo” , todos os registros referentes aos nascidos vivos filhos de mulheres residentes em Florianópolis que ocorreram em domicílios e em maternidades de outros municípios, assim como os registros sob mandado judicial, para avaliação depossíveis concordâncias.
Os dados do SINASC também foram convertidos para planilhas no Microsoft Excel versão 97, ordenados de modo alfabético pelo nome da mãe para posterior emparelhamento, facilitando a comparação dos mesmos.
Para a realização das entrevistas, foi considerado o endereço constante nas Declarações de Nascidos Vivos, os quais muitos incompletos, pois nos hospitais e maternidades pouca atenção é dada para estas informações. Em busca de maiores referências para a localização das famílias sorteadas para as entrevistas, a pesquisadora valeu-se da ajuda
dos Agentes Comunitários de Saúde, uma vez que estes acompanham as crianças menores de 06 anos em cada bairro.
Durante as visitas domiciliares seguimos os seguintes critérios: após duas visitas, se as famílias não se encontravam, ou se os Agentes de Saúde referiam à mudança de endereço delas, escolhíamos outras famílias, seguindo os nomes das mães do intervalo superior ou inferior aos nomes sorteados, de forma que pudéssemos alcançar o número total de famílias da amostra. Encontramos 04 endereços não existentes entre as famílias sorteadas, 20 haviam mudado de endereço entre as sorteadas e aquelas que foram substituídas.
Do total de 27 famílias selecionadas, 24 foram entrevistadas, contando uma perda de 11%. Durante as entrevistas eram solicitadas as certidões de nascimento, para comprovação dos casos já registrados nos cartórios. Os dados levantados no inquérito domiciliar foram digitados em um questionário elaborado adotando o programa EPINFO versão 6.0, para posteriores avaliações e tabulações.
7.10.2 – Do emparelhamento das informações contidas nos banco de dados do SINASC e dos cartórios, ajustes no delineamento de estudo:
A comparação entre os dois bancos de dados teve por finalidade investigar as crianças registradas nos cartórios, identificando com que freqüência o fenômeno, sub-registro de nascimentos, ocorreu no município de Florianópolis – SC. Assim como, identificar se houveram diferenças entre os dois bancos de dados que tratam do registro de nascimento. Também contribuiu para o ajuste da população de estudo.
Os critérios para a concordância entre os dois bancos de dados foram: nome completo da mãe, idade da mãe, data de nascimento (dia/mês/ano), sexo do nascido vivo, maternidade que ocorreu o parto.
Os nomes das mães foram ordenados de forma alfabética pelo primeiro nome, com destaque para cada linha, onde “D” referia-se ao nome constante no SINASC e “C” ao nome constante no cartório, numa planilha do programa Microsoft Excel 97. Assim, primeiramente, o reconhecimento de uma criança registrada no cartório foi determinado quando todos os
caracteres das variáveis definidas foram coincidentes nos dois bancos de dados, totalizando 2.787 registros, o que correspondeu a 51% dos registros do SINASC.
Seguindo exemplo de Souza (1992), esquematizamos o emparelhamento através de representação gráfica, conforme figura No 1, onde a área de intersecção representa o conjunto de elementos (nascidos vivos) que foram encontrados simultaneamente nos dois bancos de dados, ou seja, representa as crianças que nasceram em Florianópolis ou no Hospital Regional de São José, filhas de mães residentes em Florianópolis, que foram registradas nos cartórios de Florianópolis – SC.
SINASC Cartórios
Nascidos vivos registrados
Figura 1 - Representação dos registros de nascimentos com o emparelhamento SINASC e Cartórios.
Como somente 51% dos dados foram coincidentes, voltamos às maternidades a fim de checarmos as informações divergentes entre os registros cartoriais e do SINASC, para refinamento dos dados obtidos. Tomamos como critérios de decisão, quanto às fontes mais adequadas, para as seguintes variáveis:
1 - Nome da mãe: consideramos o nome constante no cartório, visto que o registro deste se encontrava mais detalhado e com clareza, devido as implicações legais de filiação
erroneamente declarada. No hospital, geralmente os profissionais não realizam registro mais completo e correto, cabendo aos gestores a responsabilidade por tal fato.
2 - Idade da mãe: a apresentada nas maternidades, pois o registro nos livros de registro de nascimentos das maternidades constavam a idade da mãe na ocasião do parto.
3 - Data de nascimento: a informação registrada nas maternidades, pois é considerada a fonte primária deste dado, no livro de registro de nascimentos há uma seqüência por ordem cronológica da ocorrência dos partos.
4 - Sexo: de acordo com o registro civil, uma vez que consta o nome da criança. 5 - Local de nascimento: constante no livro de registro das maternidades.