CAPÍTULO II – MÉTODO
4. Procedimentos
Para a realização do presente estudo de investigação contou-se com a participação de elementos (Directores, Técnicos Superiores de Reeducação e Guardas Prisionais), dos quatro estabelecimentos prisionais que participaram no projecto-piloto levado a cabo pela Direcção Geral dos Serviços Prisionais com a parceria de uma empresa privada. Assim, durante os meses de Outubro de 2009 a Fevereiro de 2010 foram recolhidas entrevistas nos Estabelecimentos Prisionais de Leiria, Beja, Castelo Branco e Sintra.
Todos os Estabelecimentos Prisionais foram formalmente contactados e fim de informar acerca do propósito e a natureza do estudo. De forma a obedecer aos princípios éticos subjacentes à elaboração de qualquer investigação procedeu-se a um consentimento informado, antes da entrevista, para que todos os participantes fossem esclarecidos acerca dos objectivos do estudo e da confidencialidade dos dados.
As entrevistas foram realizadas nos próprios estabelecimentos prisionais, em gabinetes disponibilizados pelo Director (a) de cada Estabelecimento Prisional.
No início das entrevistas foi feita uma apresentação pessoal do entrevistador (neste caso a investigadora) bem como do estudo a levar a cabo por si. Os participantes foram informados que a conversa iria ser gravada com o objectivo de ser tratada toda a informação por eles disponibilizada. Realçou-se a importância da veracidade e honestidade das respostas explicando que toda a informação teria fins estritamente académicos sem outras implicações. Foram disponibilizados todo e qualquer tipo de esclarecimentos adicionais face às questões colocadas.
É de referir que houve dois momentos de visitação a cada Estabelecimento prisional, o primeiro para estabelecer o primeiro contacto pessoal e o segundo para proceder à entrevista. Assim, após a investigação ser autorizada pelos Serviços de Centrais da Direcção dos Serviços Prisionais, estabeleceu-se um primeiro contacto, via telefone, com os cinco Estabelecimentos Prisionais (E.P’s) a fim de marcar um encontro com os respectivos directores e técnicos. Neste primeiro encontro deu-se a conhecer o objectivo da investigação e foi feito, por parte de alguns técnicos e directores, o enquadramento do projecto-piloto em cada estabelecimento prisional em particular. O momento foi também oportuno para os directores e técnicos fazerem uma pequena caracterização da população de reclusos, referindo a faixa etária, o género, e o tipo de pena. Deram a conhecer também a oferta formativa e o tipo de dinâmica recorrida a fim de estimular à participação. O segundo encontro foi marcado igualmente por telefone onde foi comunicado o objectivo da entrevista a realizar a todos os técnicos, directores e guardas prisionais que acompanharam e participaram directamente no Programa de Empreendedorismo para Reinserção social de Reclusos.
A entrevista foi realizada numa sala que os técnicos e directores estabeleceram para o efeito, tendo tido esta duração média de 1,5 horas. A entrevista foi gravada após o consentimento informado ter sido feito oralmente.
4.1. Procedimentos de tratamento de dados
Após a realização das entrevistas procedeu-se à sua transcrição para que a toda a informação disponibilizada fosse submetida a análise do seu conteúdo.
Segundo Bardin (2007) a análise de conteúdo pressupõe um conjunto de técnicas de análise das comunicações que, através de procedimentos sistemáticos e objectivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não), permitem a inferência de conhecimentos relativos a condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens.(Bardin, 2007)
Bardin (2007) identifica as fases que devem constituir a análise de conteúdo. Numa primeira fase ocorre a pré-análise, a fase que a autora designa de “fase de organização propriamente, na qual se considera o problema em estudo e os seus objectivos bem como o quadro teórico que o suporta. Após constituído o corpus , composto pelo material a analisar,
segue-se a fase de exploração do material que inclui a codificação e categorização. A codificação refere-se à “ escolha do tipo de recorte ou unidade de registo do dado simbólico, que inclui a definição de categorias e a quantificação dos mesmos, se for o caso (Souza Filho, 1996, p.329). No caso específico da análise de conteúdo aplicada às entrevistas privilegia-se a unidade de registo, em possível detrimento de outros tipos de unidade (Ghiglione & Matalon, 2001). A unidade de registo refere-se ao “segmento determinado de conteúdo que se caracteriza colocando-o numa determinada categoria” (Vala, 1986, p.114) podendo derivar de diferentes campos: “executam-se certos recortes a nível semântico, “o tema”, por exemplo, se bem que, por vezes, exista uma correspondência com unidades formais (exemplos: palavra e palavra-tema; frase e unidade significante)” (Bardin, 2007, p.98).
A fase seguinte diz respeito à categorização, construindo-se as categorias em análise “compostas por termos chave que identifica a significação central do conceito que se quer apreender e de outros indicadores que descrevem o campo semântico do conceito” (Vala, 1986, p.111). Segundo Vala (1997) a categorização refere-se a uma condensação da realidade em estudo de modo a estabiliza-la identifica-la ordena-la e atribuir-lhe sentido. “A formação de categorias facilita a apreensão do significado central da uma dada parcela da realidade que é observada, tomando-a como a mais preponderante, de acordo com os indicadores definidos ou que podem ser estipulados ao longo da sua própria codificação” (Vala, 1997, cit in, Simões e Alarcão, 2010, p.53). (Vala, 1997)
Em síntese e considerando a definição de Vala (1997) o processo de codificação resume-se a associação de uma determinada unidade de análise a uma certa categoria que se encontra num sistema de categoria, podendo este ser constituído a priori a posteriori e simultaneamente.
No presente estudo optou-se por um procedimento misto em numa primeira fase optou por um sistema aberto dos quais emergiram algumas categorias sendo estas depois afinadas mediante um quadro teórico, segundo um procedimento mais fechado (Pais, 2004).