PARTE III ESTUDO DE CASOS, ENVOLVENDO PAÍSES DA AMÉRICA DO SUL, DO
CAPÍTULO 7 PROCESSO 121 ARGENTINA MEDIDAS DE SALVAGUARDA
Argentina - Medidas de salvaguarda impostas às importações de calçado Fatos Fundamentais
Título abreviado: Argentina - Calçado (CE) Reclamante: Comunidade Européia
Demandado: Argentina
Terceiros: Brasil, Indonésia, Paraguai, Uruguai, Estados Unidos
Data de recebimento da solicitação de celebração de consultas: 6 de abril de 1998 Data de distribuição do relatório do Grupo Especial: 25 de junho de 1999
Data de distribuição do relatório do Órgão de Apelação: 14 de dezembro de 1999
7.1 CONSULTAS
A celebração de consultas com a Argentina foi requerida pela CE, no dia 3 de abril de
1998, com o fim de chegar a uma solução mutuamente satisfatória em relação à Resolução
226/97, na qual foi imposta uma medida de salvaguarda provisional em forma de direitos
específicos mínimos sobre as importações de calçado, efetivada desde 25 de fevereiro de 1997.
Depois, a Resolução 987/97 que impôs salvaguardas definitivas em forma de direitos específicos
mínimos sobre as importações de calçado, efetivadas a partir de 13 de setembro de 1997. As
consultas não lograram êxito.
7.2 GRUPO ESPECIAL
Então, em 10 de junho de 1998 a Comunidade Européia solicitou estabelecimento de um
sobre Salvaguardas. O objeto eram as salvaguardas impostas pela Argentina aos calçados
provenientes da CE.
O OSC estabeleceu o GE, na reunião de 23 de julho de 1998, com o seguinte mandato
uniforme: examinar, à luz das disposições pertinentes dos acordos abarcados e invocados pela
Comunidade Européia em sua solicitação, o assunto que foi submetido ao OSC, devendo
formular conclusões que o ajudem a fazer as recomendações ou ditar as resoluções previstas nos
citados acordos. Esse grupo foi constituído em 15 de setembro de 1998, tendo como Presidente, o
Sr.. John McNab (Canadá) e a Sra.. Claudia Orozco (Colômbia) e o Sr.. Laurence Wiedmer
(Suíça), como membros. Brasil, Indonésia, Paraguai, Uruguai e Estados Unidos se reservaram o
direito de participar como terceiros na contenda.
O relatório do GE foi distribuído em 25 de junho de 1999, concluindo que a medida de
salvaguarda definitiva aplicada ao calçado pela Argentina é incompatível com os arts. 2º102 e 4º103 do Acordo sobre Salvaguardas, portanto, há anulação ou redução das vantagens resultantes do
Acordo de Salvaguardas para a Comunidade Européia. Portanto, recomendou que OSC requeira à
Argentina que altere sua legislação de salvaguarda para cumprir o que determina o Acordo sobre
Salvaguardas da OMC.
102
Artículo 2: Condiciones
1. Un Miembro sólo podrá aplicar una medida de salvaguardia a un producto si dicho Miembro ha determinado, con arreglo a las disposiciones enunciadas infra, que las importaciones de ese producto en su territorio han aumentado en tal cantidad, en términos absolutos o en relación con la producción nacional, y se realizan en condiciones tales que causan o amenazan causar un daño grave a la rama de producción nacional que produce productos similares o directamente competidores.
2. Las medidas de salvaguardia se aplicarán al producto importado independientemente de la fuente de donde proceda.
103
7.3 PROCESSO DE APELAÇÃO
Como a decisão do GE determinava a mudança da legislação da Argentina, esta em 15 de
setembro de 1999, notificou a sua intenção de interpor apelação ao OA sobre aspectos
jurisdicionais, bem como a imposições de medidas em caso de União Aduaneira, dano grave e
causalidade.
O relatório do Órgão de Apelação foi publicado em 14 de dezembro de 1999 e
recomendou que o OSC solicitasse à Argentina que modifique suas normas sobre salvaguarda aos
calçados da CE, pois eram incompatíveis com as obrigações correspondentes ao Acordo sobre
Salvaguardas da OMC. Este relatório foi adotado em 12 de janeiro de 2000.
7.4 RESOLUÇÃO FINAL
A Argentina notificou o OSC, em 11 de fevereiro de 2000, para informar que a medida de
salvaguarda estaria em vigor até 25 de fevereiro de 2000 e que a partir desta data, estaria
cumprindo integralmente as suas recomendações.
7.5 AVALIAÇÃO DA CONTROVÉRSIA
Do ponto de vista processual a Argentina não recorreu a nenhuma das prerrogativas
No que concerne ao direito material houve uma discussão sobre a interpretação do art. 9º
do Acordo de Salvaguardas104, que trata dos países em desenvolvimento. Mas as alegações não foram suficientes para demonstrar que as normas da Argentina se enquadravam nestas
prerrogativas, muito pelo contrário foi constatado pelo OSC que as normas da Argentina eram
incompatíveis com as medidas de salvaguarda previstas.
Essa foi uma demanda rapidamente resolvida, pois demorou pouco mais de dois anos.
104
Artículo 9: Países en desarrollo Miembros
1. No se aplicarán medidas de salvaguardia contra un producto originario de un país en desarrollo Miembro cuando la parte que corresponda a éste en las importaciones realizadas por el Miembro importador del producto considerado no exceda del 3 por ciento, a condición de que los países en desarrollo Miembros con una participación en las importaciones menor del 3 por ciento no representen en conjunto más del 9 por ciento de las importaciones totales del producto en cuestión.
2. Todo país en desarrollo Miembro tendrá derecho a prorrogar el período de aplicación de una medida de salvaguardia por un plazo de hasta dos a ños más allá del período máximo establecido en el párrafo 3 del artículo 7. No obstante lo dispuesto en el párrafo 5 del artículo 7, un país en desarrollo Miembro tendrá derecho a volver a aplicar una medida de salvaguardia a la importación de un producto que haya estado sujeto a una medida de esa índole, adoptada después de la fecha de entrada en vigor del Acuerdo sobre la OMC, después de un período igual a la mitad de aquel durante el cual se haya aplicado anteriormente tal medida, a condición de que el período de no aplicación sea como mínimo de dos años.
CAPÍTULO 8