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Processo de decisões e prevenção de riscos

No documento FELINO C. Dissertação fina pdf (páginas 106-109)

4. Análise e discussão dos dados

4.4. Processo de decisões e prevenção de riscos

Questionados sobre a forma como o processo de decisão na concessão de crédito é conduzido no banco que trabalham, os entrevistados A e B, afirmaram que é burocrático visto que este se baseia em normas internas que usualmente regulam o papel dos intervenientes no faseamento do processo, e prudencial, pelo facto de estarem num processo de melhoria contínua dos procedimentos, no sentido de sistematizar o maior número de variáveis.

No banco do entrevistado E, os processos de decisão na concessão de crédito são relevantes por serem conduzidos essencialmente pela Administração e pelo Diretor financeiro, cuja formalização é baixa e a conflitualidade quase é inexistente. Como referiu estamos, de facto, perante um modelo de decisão neo-racional.

Por outro lado, os entrevistados C e D afirmaram que por norma é burocrático, por isso é que o processo de análise de risco e concessão de crédito deve ser conduzido com todos os stakeholders. Inicialmente deve-se recorrer ao uso das técnicas subjetivas, que dizem respeito à técnica baseada no julgamento humano, e posteriormente da técnica objetiva ou estatística, que é baseada em processos estáticos. Só assim será possível identificar se o cliente possui idoneidade e capacidade financeiras suficientes para amortizar a dívida que se pretende contrair.

97 Estas afirmações, dos entrevistados C e D, não refutam o fundamento de Koopman & Pool (1990) quando escreveram que ”a técnica de análise e avaliação do risco de crédito analisado no sector bancário é dada com a sua similaridade e determinadas características dos modelos de decisão universalmente aceites na gestão de risco para minimizar o nível de incumprimento do crédito”.

Assim sendo, o modelo é uma representação externa e explícita de parte de realidade que se pretende usar para compreender, para mudar, para gerir e controlar essa parte da realidade.

Face ao conjunto de risco a que os agentes económicos estão expostos, surgiu uma clara necessidade de se desenvolverem sistemas de análise e gestão do risco capazes de mensurar adequadamente a exposição de cada agente económico, o que levou muitos a criarem os seus próprios modelos, abordagens e metodologias.

No seguimento da entrevista, procurámos perceber os modelos teóricos e práticos de mensuração de risco que o banco possui e as principais vantagens. Portanto, o entrevistado A afirmou que tem implementado o modelo de Credit Scoring, neste sentido referiu que: i) permite, sobretudo, reduzir a subjetividade nas análises; ii) permite a uniformização do processo de análise e atribuição de notação de risco igual, mesmo quando analisado por técnicos diferentes.

Os entrevistados B e C por norma utilizam a Simulação histórica, análise dos efeitos, indicadores financeiros (balanço e demostração de resultados), analise da experiencia do negócio (particular ou empresa) e analise de mercado. Tal como se constata nas suas afirmações, segundo os quais por questões práticas e para efeitos de redução de tempo, são disponibilizados mapas que permitem aos gestores de risco a inclusão dos dados adiantados ou apresentados pelos clientes, de forma a obter uma resposta rápida e simples sobre os principais indicadores de risco. Caso contrário seria quase que impossível poder dar uma resposta célere as análises de risco.

Já o entrevistado D afirmou ter utilizado quase todos VaR, Simulação histórica, Análise de oscilação hipotéticas, análise dos efeitos, Método de Crédito Scoring, indicadores financeiros e com maior enfase método de credit scoring e de indicadores financeiros. Justificou afirmando tais métodos permitem um acompanhamento atempado e diário da carteira de crédito; alertas diários, semanais e mensais, entre outros. Por outro lado, o

98 entrevistado E utiliza o método de simulação histórica, análise de cenários e credit scoring, idoneidade da empresa e o capital por ser um meio para reduzir o risco.

“Existe diversos sistemas de avaliação do risco que resultam, na prática, em ou mais

funções capaz de quantificar o montante do requisito de capital ao qual corresponde uma distribuição de lucros ou perdas, para um determinado tipo de risco, isto é, são modelos que quantificam a exposição ao risco” (Silva et al., 2013, p.242).

Parece-nos relevante o uso de todos os modelos de análise de risco de crédito, porque revelam normalmente o desempenho das empresas/particulares no período de referência. Das principais vantagens que o modelo de análise e gestão de risco de crédito adequado traz para os bancos foram apontadas as seguintes: 1) permite a redução da delinquência de crédito; 2) dá uma autonomia na gestão do crédito, 3) facilita a gestão do próprio risco; 4) melhora os rácios relativos ao risco; 5) gestão proactiva da qualidade da carteira de crédito, e 6) dá maior flexibilidade e consistência das decisões sobre o crédito.

O modelo VaR é utilizado por empresas financeiras para definirem o risco das suas carteiras, mas não é de todo uma medida 100% eficaz, pois não produz informação sobre os riscos que excedem a probabilidade que está a ser utilizada. Por vezes, este VaR é complementado com testes stress (stress tests).

O entrevistado D referiu que o método de simulação histórica combina um modelo condicional para a variância com o método de simulação histórica para a rendibilidades

estandardizadas. Apesar de reter as características de condicionalismo através de σt+1,

dispensa-nos de termos de formular hipóteses acerca da distribuição nas caudas. Este método tem-se mostrado muito eficaz quando aplicado a estudos concretos, pelo que deve ser severamente considerado por qualquer equipa de gestão de risco.

Ainda o mesmo (entrevistado D) refirmou que o modelo Monte Carlo apresenta inúmeras vantagens no cálculo do risco de crédito. Uma das vantagens chave do modelo de Monte Carlo é a sua flexibilidade. Podemos usar o método para qualquer distribuição assumida para as rendibilidades, sendo que a normalidade não é requerida. Adicionalmente, este método pode ser usado em qualquer dinâmica de modelo para a variância assumida.

Para além da redução de custos operacionais decorrentes da automatização das avaliações de crédito, o sucesso dos modelos de Scoring deriva de estes permitirem o

99 processamento claro e objetivo, mais rápido, consistente e rigoroso dos pedidos de crédito. Ao mesmo tempo, estes métodos potenciam um aumento nas aprovações de crédito afirmaram os entrevistados D e C. Estes modelos vieram possibilitar adicionalmente uma eficaz flexibilização da política de risco, consoante a face do ciclo de crédito, garantindo maior rapidez de ajustamento e facilidade em definir e implementar diferentes prioridades de atuação (e.g. estratégias de cobrança diferenciadas segundo o risco).

Desta forma, concedem à gestão da empresa a monitorização e o controlo total do sistema de aprovisionar um resultado numérico. Permite utilizá-lo para a aplicação de pricing ajustado ao risco, para além de facilitar a previsão das potenciais perdas e a avaliação quantificada do impacto da política de crédito.

O indicador de Sharpe é um indicador financeiro porque ele avalia, além da rentabilidade, o risco de um investimento. É fundamental para medir o quanto de retorno excedente em relação a um ativo livre de risco. É compensado através de seu nível de risco é um dos utilizados, entre outros.

Assim sendo, os benefícios que os modelos trazem para a gestão de risco para o desempenho global do banco são os seguintes: aquisição de competências de gestão de risco; aquisição de competência de análise de crédito; implementação de novos comportamentos e atitudes face aos clientes; flexibilização de processos de trabalho e de coordenação; é uma combinação de todos os benefícios. O crédito é o core-product do banco, pelo que a performance da carteira de crédito produz um impacto material sobre o desempenho financeiro e económico do Banco.

No documento FELINO C. Dissertação fina pdf (páginas 106-109)