MODELO CONCEITUAL E TEÓRICO "SOL NASCENTE"
PROCESSO DE VIVER
necessitando de cuidados eficientes e eficazes que o permitam a viver ou morrer com dignidade, isto é, permitindo-lhe morrer da forma mais tranqüila possível, respeitando seus desejos e evitando situações que lhe causem desconforto.
c) Enfermagem: é uma profissão que presta cuidado ao ser humano utilizando
metodologia própria, entretanto, compartilhando um processo dinâmico de interação entre o cliente, sua família, a comunidade, junto com outros profissionais. Caracteriza como cuidado a troca de experiências, conhecimentos, sentimentos e, sobretudo, o respeito às crenças e valores de cada membro envolvido, de modo a permitir melhorar a maneira de viver ou proporcionar condições para morrer com dignidade.
d) Equipe de enfermagem: é um grupo de seres humanos que, no seu processo de
viver, em sua profissão interagem com o cliente em processo de doença, buscando prestar cuidado eficientemente e eficazmente permitindo a viver ou morrer com dignidade. Para tanto, é importante os membros desta equipe manterem-se, permanentemente, comprometidos com os processos educativos fora ou dentro da instituição onde desenvolvem suas atividades profissionais.
e) Ambiente hospitalar: é o ambiente físico, político, sócio-cultural e simbólico,
com finalidade precípua de assistir, cuidar do ser humano doente, incluindo sua família, para recuperar, sua saúde ou minimizar seu sofrimento. Interage, assim, com a equipe multiprofissional especializada e com um aparato tecnológico de diagnóstico e terapêutica. É um ambiente onde ocorre interação dinâmica não só por ações, mas também por palavras, pensamentos e acontecimentos entre a equipe multiprofissional, o cliente hospitalizado e sua família, a partir das crenças, valores, normas e práticas aprendidas e partilhadas a partir do processo de viver de cada um e da instituição hospitalar.
f) Cotidiano : é a maneira de viver dos seres humanos que se mostra no presente,
expressa no modo de vida de todo dia, estando relacionada à cultura em que estão inseridos. Assim, mostra-se por interações experimentadas diariamente que possibilitam ou não o ser humano crescer e se desenvolver ao longo de sua vida (Nitschke, 2000).
g) Limites: são as barreiras concretas ou imaginárias a qualquer ação do cotidiano
que impedem o ser humano de crescer e se desenvolver ao longo de sua vida.
h) Possibilidades: são todas as forças, potenciais, meios que o ser humano dispõe
na plenitude do presente para alcançar um objetivo ou nova situação tanto no presente como no futuro, permitindo-lhe crescer e se desenvolver ao longo de sua vida.
i) Mudança: é o ato de transceder de uma situação para outra.
j) Processo de viver: é a sucessão de estágios pelo qual o ser humano passa desde o
nascimento até o seu morrer, que permite sua evolução-transformação em nível crescente de complexidade, envolvendo sua multidimencionalidade, como aspectos bio-psico-sócio-espiritual e cultural, entre outras, através das interações que vai fazendo com o ambiente onde vive. Expressa seus desejos, necessidades, buscas, criações, satisfações, produção, medos, dores, prazeres, limites e possibilidades. Neste processo, os seres humanos buscam desenvolver ações de promoção da vida de acordo com as suas possibilidades; também desenvolvem ações de cuidado para interagir com o processo de doença de forma a recuperar sua saúde, não sendo possível buscam repadronizar seu modo de vida, objetivando viver com melhor qualidade, dentro dos limites que a doença lhe expôs, até chegado o momento em que possa morrer dignamente (baseado em Patrício 1995).
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A metodologia é entendida por Minayo (1994) como o caminho e o instrumental próprio para abordagem da realidade. Para Elsen e Patrício (1989), o marco se concretiza na prática, através da metodologia. Não muito diferente dos autores anteriormente mencionados, Barros (1991) diz ser na metodologia que se faz o traçado do caminho sistematizado a seguir. Compreendo metodologia como ferramenta que possibilita integrar teoria e prática para viabilizar um cuidado com boa qualidade ao ser humano no seu processo de viver, através de ações de enfermagem sistematizadas, considerando a peculiaridade de cada envolvido neste processo de interação. A metodologia permite avaliar a qualidade do cuidado numa ótica mais científica, incluindo tanto dados subjetivos quanto critérios objetivos e mensuráveis, por exemplo, instrumentos de análise da qualidade, instrumentos para auditoria e outros.
O tipo de estudo que aqui se apresenta é uma prática assistencial investigativa, assim denominado por Erdtmann (2002) fundamentada na pesquisa convergente assistencial de Trentini e Paim (1999), dentro de uma perspectiva de estudo qualitativo.
De acordo com Minayo (1998, p. 21) o estudo qualitativo, ou pesquisa qualitativa
se preocupa com o nível de realidade que não pode ser quantificado. Ou seja, neste estudo trabalha-se com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis.
em um estudo qualitativo, os resultados obtidos, não podem ser qualificados ou passar por uma análise quantitativa. Através do estudo qualitativo, serão extraídos resultados como opiniões, atitudes, sentimentos e expectativas; itens que não podem ser quantificados por serem diferentes de pessoa para pessoa. O que se descobre é uma linha de conduta, opinião dos participantes.
Penso que a pesquisa convergente assistencial é congruente com este porque segundo Trentini e Paim (1999, p. 27-29),
conduzida na área da enfermagem inclui atividades de cuidado/assistência dos clientes (...), não se propõe a generalizações; pelo contrário, é conduzida para descobrir realidades, resolver problemas específicos ou
introduzir inovações em situações específicas, em determinado contesto
da prática assistencial. Neste tipo de pesquisa o profissional enfatiza “o pensar” e o “fazer” ... aqui, o profissional objetiva, em primeira instância,
sistematizar o que faz. A renovação e inovação da prática assistencial
depende da competência das enfermeiras em desenvolver pesquisa como parte da sua prática cotidiana.
A prática assistencial investigativa permite o profissional prestar cuidado sistematizado, isto é planejado a um cliente e sua família ou a um grupo, ao mesmo tempo em que, interagindo com o cotidiano investiga novas possibilidades teórico e práticas de cuidado.
4.1-O caminho escolhido para a prática: o processo de cuidado
Tratando-se de uma prática assistencial investigativa, para alcançar os objetivos propostos, adotei como caminho para o processo de cuidado as fases:
Conhecendo o cotidiano do cuidado, definindo a situação do cotidiano, construindo as possibilidades do processo de mudança e repensando o