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Programa Brasileiro de Bioprospecção e Desenvolvimento

Capítulo II Mapeamento das Redes de Pesquisa em

2.7 Programa Brasileiro de Bioprospecção e Desenvolvimento

O PROBEM é um programa realizado pela Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Ministério do Meio Ambiente voltado para a inserção de projetos e ações de desenvolvimento sustentável dos recursos naturais brasileiro, a fim de contribuir para o desenvolvimento da bioindústria no país. Desta forma, foi estruturado com base nas cadeias produtivas, buscando integrar de modo transversal as etapas econômicas, sociais e ambientais que movimentam e direcionam o uso dos recursos da biodiversidade. As atividades prioritárias do Probem são voltadas para a articulação de projetos-piloto nos biomas brasileiros.

As etapas das cadeias produtivas visam à exploração econômica da biodiversidade de modo sustentável, observando as diretrizes da Convenção da Diversidade Biológica (CDB).

O Programa desenvolve ações e projetos em pólos de Bioprospecção e desenvolvimento Sustentável de Produtos da Biodiversidade, onde são implementadas as cadeias produtivas da biodiversidade, com a participação das comunidades e instituições parceiras. Os pólos Probem se baseiam em três redes interligadas, a fim de desenvolver integralmente as cadeias produtivas, são elas:

- Rede de coleta, inventário e cultivo; - Rede de pesquisa e desenvolvimento; - Rede de marketing e comercialização.

Este capítulo buscou apresentar as formações das redes e grupos de pesquisa em bioprospecção no Brasil e suas evoluções no decorrer dos anos.

É neste tempo que se insere o crescimento dos debates e tomadas de decisões sobre a conservação e uso sustentável da biodiversidade. Entre as medidas consideradas importantes está o incentivo à pesquisa científica. No entanto, conhecer os resultados e os impactos das redes de pesquisa em biodiversidade e bioprospecção auxiliam, não somente em conhecer suas contribuições para a conservação e uso sustentável, como também em promover um planejamento para o desenvolvimento econômico das regiões que apresentam esses projetos.

Desta forma, pôde-se verificar que o Brasil tem capacidade de gerar cadeias produtivas completas baseadas na biodiversidade. Esta perspectiva traz enormes desafios e gera expectativas frente às demandas existentes nos biomas brasileiros. Diante do exposto, as Redes de pesquisa são uma alternativa para o desenvolvimento tecnológico e fortalecimento dos elos da cadeia de produção do conhecimento. Ao mesmo tempo é necessário o fortalecimento e a consolidação institucional como processo chave que promove a ligação entre componentes que constituem as Redes de Pesquisa.

Diante dos resultados apresentados neste mapeamento dos grupos de pesquisa e das redes de pesquisa em bioprospecção no Brasil, ressalta-se que não foi tarefa simples a identificação dos pesquisadores, e das instituições participantes,

da infra-estrutura institucional e dos projetos envolvidos, pois nem sempre as Redes de Pesquisa atualizam suas fontes de informação. Alguns sites criados pelas redes estão desatualizados. No site do MCTI as informações sobre as redes de pesquisa em biodiversidade estão dispersas ou os relatórios técnicos ausentes.

Mesmo assim, pôde-se analisar, a partir de alguns relatórios disponíveis, que a grande maioria das redes de pesquisa em bioprospecção apresentam dificuldades em desenvolver a comercialização dos bioprodutos e/ou seguir as normas do marco regulatório brasileiro por meio de solicitação de autorização do CGEN. Para tais autorizações, a instituição executora do projeto deve informar o material biológico a ser coletado, o local e data da coleta, o destino deste e ainda, se houver a inclusão de conhecimento tradicional, faz-se necessária à comprovação de consentimento prévio do detentor deste, entre outras exigências. Apesar da Resolução nº 35 de 27 de abril de 2011 definir diretrizes e critérios para análise dos processos que regulamenta as questões de acesso, o marco regulatório, ainda é considerado restritivo ao desenvolvimento da bioprospecção. De acordo com o Art. 2º desta resolução para fins de regularização das atividades de exploração econômica de componentes do patrimônio genético e/ou do conhecimento tradicional associado, deverá o interessado formalizar o pedido acompanhado dos documentos:

I. apresentação de CURB51, referente à exploração econômica ocorrida a partir de 30 de junho de 2000; e

II. informações comprobatórias das atividades antecedentes de acesso a patrimônio genético e ao conhecimento tradicional associado, inclusive obtidas de terceiros, em decorrência de licenciamento de produto ou processo ou do uso da tecnologia protegidos ou não por propriedade intelectual.

Ainda, são necessários projetos detalhados, formulários, currículos dos envolvidos no projeto, datas exatas da viagem acompanhadas de seus itinerários, fontes de financiamento, credenciamento de instituições e outros documentos para credenciamento de instituições e pesquisadores para desenvolver um projeto de bioprospecção.

Outro ponto é a falta de maior interação com o segmento empresarial. Quando existe alguma colaboração, as empresas ainda se relacionam timidamente

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com a exploração científica das redes de pesquisa em bioprospecção. No âmbito acadêmico, os resultados dos trabalhos executados pelas redes podem ser avaliados tanto pela formação de recursos humanos, quanto pela produção intelectual.

Sabe-se que a intenção do governo ao utilizar o recurso das redes, é permitir que a construção das relações entre setor produtivo e as universidades alavanque a pesquisa científica e tecnológica das regiões e resultem em aplicações concretas e a novos produtos ou processos. Porém, quando se trata da bioprospecção é necessária uma legislação sem ambiguidades ou dúvidas sobre o que podem ser considerados “benefícios” (royalties, transferência de conhecimento, tecnologia, projetos de desenvolvimento local) ou “derivados” (biomoléculas modificada a partir da molécula natural, extratos). Esses termos causam uma confusão de interpretação durante a elaboração de contratos entre os interessados na prática bioprospectiva, dentre outros problemas. Considerando as discussões entre o marco regulatório brasileiro e desenvolvimento da bioprospecção fundamentais, o capítulo III aborda a necessidade de ajustes na Medida Provisória nº 2.186-16/200 para depois numa elaboração de uma política nacional em bioprospecção.