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4.3 Itinerários da pesquisa

4.3.1 Programa da Oficina de Educação Hipertextual

Tendo em vista as problemáticas aqui levantadas em torno das concepções bakhtinianas, benjaminianas e de hipertexto, intentamos elaborar o programa de uma Oficina que fosse coerente e refletisse esses pressupostos. Ao desenvolver as atividades a serem realizadas, lançamo-nos na busca de uma nova perspectiva teórico-metodológica que promovesse a comunicação e a interação entre os participantes, que valorizasse suas experiências e memórias, que pudesse responder em grande parte aos questionamentos e anseios dos participantes e que pudesse contribuir de modo significativo para a reflexão sobre educação e tecnologias. A seguir, apresentamos o programa da Oficina de Educação Hipertextual, com a descrição das temáticas específicas e dos objetivos de cada encontro, das atividades realizadas e dos materiais e bibliografias utilizadas.

Navegando nos mares da hipermídia:

refletindo sobre a prática educativa na era da comunicação em rede

Encontro I – “Lançando-se ao mar...” Conhecendo os sujeitos

• Temática

1.1 Experiências e História de Vida docentes; 1.2 Conceitos e rotas propostos para a Oficina;

1.3 Diagnóstico contextualizado das dificuldades de uso das tecnologias.

• Objetivo

- Apresentação de todos os participantes e do programa da Oficina; - Conhecer aspectos das histórias de vida dos participantes vinculados à utilização das tecnologias no contexto educativo e verificar suas concepções acerca dos conceitos de tecnologia, escola e educação, refletindo sobre a interface entre tecnologia e educação.

• Descobrindo os sujeitos (dinâmica das figuras)

Começar com uma dinâmica de apresentação na qual, além de “quebrar o gelo”, iniciaremos o processo de conhecimento dos sujeitos participantes.

Dispor sobre uma mesa no centro da sala diversas figuras (organizar a disposiçao das cadeiras em forma de círculo), para que cada participante possa escolher três ou mais figuras com o objetivo de responder a três perguntas:

1) Quem eu sou como profissional da educação?

2) Como foram utilizadas as tecnologias pelos professores na minha formação?

3) Como eu utilizo as tecnologias na minha prática?

• Apresentação das Rotas (Karina e Edemir)

Apresentar nossos percursos acadêmicos e nossa proposta de Oficina, bem como mostrar que a rota a ser percorrida será construída

coletivamente ao longo dos encontros, sendo que todos são responsáveis pelos caminhos a serem seguidos, ou seja, não existe capitão e marinheiro.

• Atividades extras

– Atividade 1 – Hitória de Vida: refletindo sobre os caminhos percorridos

Tomando como base a dinâmica de apresentação dos participantes da Oficina, relatar sua história de vida. Podem ser considerados os seguintes tópicos:

. Escolha da docência (sonhos, perpectivas, vivências);

. Formação inicial (experiências inovadoras, dificuldades, ansiedades); . Experiências com tecnologia (vontades, o que chama a atenção, frustações, necessidades)

– Atividade 2: Questionário diagnóstico (Anexo VIII)

– Atividade 3: Projeto Buscando Alternativas

A partir das apresentações dos professores e da discussão sobre as questões abaixo, os participantes definiram problemáticas para o desenvolvimento de um projeto, no qual buscaram alternativas embasadas nas propostas da Oficina a serem apresentadas no último encontro. Este trabalho foi desenvolvido principalmente à distância.

O grupo pode traçar algumas estratégias: primeiras impressões, formas de resolver o problema, alternativas para resolução, refletindo sobre as seguintes questões:

. “Quais as maiores dificuldades para a utilização das tecnologias na educação hoje?”

– Atividade 4: Leitura

Ler o texto Hipertextualidades (Ramal) e trazer para o próximo encontro um comentário (análise, crítica, opinião, experiência) e uma questão (pergunta, indagação, indignação, constatação, contestação).

RAMAL, Andrea Cecília. Educação na cibercultura: hipertextualidade, leitura, escrita e aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2002. (pags. 81 a 90)

– Atividade 5: Leitura

Ler a reportagem “A lição digital” e trazer para o próximo encontro o relato de um ponto de concordância e um ponto de discordância.

Reportagem “A lição digital” de Camila Guimarães, Revista Época (20/06/2011). Disponível no endereço eletrônico:

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI242484-15228,00- A+LICAO+DIGITAL+TRECHO.html

Encontro II – Memórias de percursos

A construção sócio-histórica e cultural do Hipertexto

• Temática

2. A construção histórica do Hipertexto: 2.1. Memória das tecnologias; 2.2. Culturas oral, escrita e digital;

2.3. As mídias educacionais e o discurso nas mídias.

• Objetivo

Trabalhar com os participantes a construção histórica do hipertexto, identificando seus elementos nas culturas oral, escrita e digital, e realizar uma reflexão em torno das memórias das tecnologias.

• Descobrimentos: o embate de culturas – Dinâmica 1:

Propor a divisão do grupo de professores em três equipes, para que cada um represente uma das culturas: oral, escrita e digital. Assim, pudemos promover um debate no qual cada equipe pode argumentar, baseada nas categorias abaixo, sobre os aspectos principais de sua cultura e sua relação com as demais.

. Escola;

. Processo de ensino e aprendizagem; . Pedagogia;

. Produção e socialização do conhecimento; . Tecnologias;

. Formas de registro; . Leitura;

. Comunicação.

Na conclusão da atividade buscamos verificar se os professores perceberam as diferenças e as complementaridades entre as culturas, bem como suas influências e contribuições para a educação contemporânea.

– Dinâmica 2

Debater os pontos de concordância e discordância relacionadas à reportagem “A lição digital” trazidos pelos participantes.

– Dinâmica 3

Para a reflexão final, trabalhar a música “Kid Vinil”, de Zeca Baleiro, a qual mostra o mito da tecnologia como “a mais evoluída das linguagens”.

Depois de conversarmos sobre as atividades extras, disponibilizamos aos participantes um momento para reunir o grupo formado no primeiro encontro e discutir sua temática, complementando o Diário de bordo.

• Atividades extras – Relato 1

Elaborar uma narrativa descrevendo os pontos que mais chamaram a atenção sobre a discussão das Culturas Oral, Escrita e Digital (linkando com a reportagem “A lição digital” e a música Kid Vinil, bem como com suas experiências vivnciadas).

– Atividade 1: Leitura

Ler o texto “Ler e escrever na cultura digital” (Ramal) e trazer para o próximo encontro um comentário (análise, crítica, opinião, experiência) e uma questão (pergunta, indagação, indignação, constatação, contestação).

RAMAL, A. C. “Ler e escrever na cultura digital.” In Revista Conecta. Destaque. Edição 4. Disponível no endereço eletrônico:

http://www.revistaconecta.com/destaque/edicao04.htm

Encontro III – Mapas e caminhos Itinerantes Categorias Hipertextuais e Gêneros Discursivos

• Temática

3. Conceito e lógica de construção da rede Hipertextual 3.1 Comunicação e Hipertexto;

3.2 Categorias hipertextuais (dialogismo, polifonia, interatividade, intertextualidade, interdisciplinaridade, multilinearidade, heterogeneidade);

3.3 Potencialidades da lógica hipertextual para a Educação.

• Objetivo

Trabalhar o conceito de hipertexto e a lógica de construção de uma rede de conhecimentos com base nas categorias hipertextuais de dialogismo, polifonia, interatividade, intertextualidade, multilinearidade e heterogeneidade.

• Construindo um mapa hipertextual – Dinâmica 1

Cada participante recebeu uma folha de papel, na qual estavam escritas três palavras de forma aleatória. A partir delas, todos deveriam iniciar a composição de links. Após um pequeno intervalo, de forma repentina, a folha de papel foi passada para o participante da direita, que foi incumbido de continuar a construção da rede, fazendo os seus próprios links. A folha de papel foi sendo repassada, sucessivamente, até que voltasse ao participante que iniciou a rede.

Promover uma reflexão sobre o processo de construção da rede hipertextual, com base nos conceitos bakhtinianos, solicitando aos participantes que relatem as significações desta experiência no verso da folha de papel. Através dos relatos da atividade e retomando os apontamentos da leitura do texto indicado no encontro anterior, estabelecer as relações com os processos educativos.

– Dinâmica 2

Complementar a reflexão com a análise da música ‘Pela internet”, de Gilberto Gil.

Depois de conversarmos sobre as atividades extras, disponibilizamos aos participantes um momento para reunir o grupo formado no primeiro encontro e discutir sua temática, complementando o Diário de bordo.

• Atividades extras – Relato 2

Refletir sobre o conceito de Hipertexto e suas características. Como as potencialidades do Hipertexto podem contribuir para a Educação? Com base em suas experiências, nas atividades e nas reflexões desenvolvidas ao longo dos encontros, qual sua opinião sobre as possibilidades/dificuldades de implementação destes conceitos na prática pedagógica?

– Atividade 1: Leitura

Ler o texto “Gêneros Discursivos” e trazer para o próximo encontro um comentário (análise, crítica, opinião, experiência) e uma questão (pergunta, indagação, indignação, constatação, contestação).

MACHADO, Irene. Gêneros discursivos. In: BRAIT, Beth (org.). Bakhtin: Conceitos-Chave. 4ª edição. São Paulo: Contexto, 2010. (p.151-166)

IV encontro – Artefatos de Navegação Categorias Hipertextuais e Gêneros Discursivos

• Temática

4. Gêneros Discursivos

4.1 Tecnologias, Linguagens e Hipertexto; 4.2 Diversidade de gêneros e de linguagens;

• Objetivo

Mostrar a diversidade de tecnologias presentes no cotidiano e as variadas possibilidades de sua utilização no contexto pedagógico, a fim de promover uma educação hipertextual.

Utilizando diversas linguagens (charge, poesia, música, texto, jornal, vídeo...) que versam sobre a temática “educação”, refletir com os participantes o conceito de gêneros discursivos e a riqueza de tecnologias possíveis de serem utilizadas na educação.

• Construindo Itinerários – Dinâmica 1

Levar diversos tipos de mídias que veiculam mensagens e temáticas diferentes. A turma dividida em grupos pode escolher um material e, a partir dele e da leitura indicada no encontro anterior, refletir como poderia ser construída uma aula de forma hipertextual, fazendo links com outras linguagens. Cada grupo apresentou os itinerários construídos para debate com o grupo.

• Diário de bordo: construindo alternativas

Depois de conversarmos sobre as atividades extras, disponibilizamos aos participantes um momento para reunir o grupo formado no primeiro encontro e discutir sua temática, complementando o Diário de bordo.

• Atividades extras – Relato 3

Reflitir sobre quais gêneros estão surgindo e quais estão presentes nos dias de hoje. Quais usos podemos fazer desses gêneros no contexto educativo? Com base em suas experiências, nas atividades e nas reflexões

desenvolvidas em sala, analise as possibilidades/dificuldades de utilização desses gêneros nas escolas.

– Atividade 1: Leitura

Ler o texto “Cultura na/da rede: refletindo sobre os processos educativos sob a ótica bakhtiniana” (Correia Dias e Moura) e trazer para o próximo encontro um comentário (análise, crítica, opinião, experiência) e uma questão (pergunta, indagação, indignação, constatação, contestação).

CORREIA DIAS, Â. Á.; MOURA, K. da S. (2006). “Cultura na/da rede: refletindo sobre os processos educativos sob a ótica bakhtiniana.” Ciências & Cognição. Ano 03, Vol 09. Disponível em: www.cienciasecognicao.org.

V – Na imensidão do infomar Pressupostos da Educação Hipertextual

• Temática

5. Características de uma Educação Hipertextual

5.1 Novos perfis de professor e de estudante (co-autoria, mudanças de expressão/postura dos professores em relação a sua prática pedagógica);

5.2 Abordagem educativa para o ensino com as tecnologias; 5.3 Alternativas para o uso das tecnologias na Educação.

• Objetivo

Refletir com os participantes as possibilidades e características de uma abordagem educativa inovadora para o ensino com as tecnologias.

Perceber as mudanças de expressão dos participantes em relação a sua prática pedagógica.

• Navegando no hipertexto

– Dinâmica 1: Apresentação do Projeto “Construindo Alternativas”

Cada grupo apresentou sua produção final e relatou seu percurso: ideias, fundamentação, estratégias, formas de transpor as dificuldades identificadas no uso das tecnologias, alternativas para o campo tecnologia- educação, conclusões, dimensões trazidas, dificuldades/possibilidades de um olhar hipertextual sobre as temáticas, pontos fortes e pontos fracos da abordagem hipertextual para o uso das tecnologias no contexto educacional.

– Dinâmica 2

Partindo da apresentação dos links estabelecidos pelos participantes entre hipertexto e processos educacionais, realizar uma reflexão sobre os pressupostos da educação hipertextual.

– Dinâmica 3

Apresentar o vídeo “Tecnologia ou Metodologia” para concluir a reflexão desse encontro.

• Avaliando o percurso

Cada participante avaliou a Oficina por meio de uma narrativa escrita, destancando quais as contribuições do curso para sua prática educativa. Por meio de um debate aberto com os participantes, tivemos um feedback da Oficina.