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Programa de Desenvolvimento de Competências Intrapessoais,

PARTE I: ENQUADRAMENTO TEÓRICO

Capítulo 2: A construção da profissionalidade docente

4.3. Programas de promoção de competências transversais

4.3.4. Programa de Desenvolvimento de Competências Intrapessoais,

Para a fase do jovem adulto, os programas em Portugal são quase inexistentes. Saliente-se um dos pioneiros, o Programa de Peer Counseling a nível do desenvolvimento dos alunos com problemas (Pereira, 1997, 2005; Pereira et al. (2005ab) e o Programa de Desenvolvimento de Competências Intrapessoais, Interpessoais e Profissionais – PDCIIP (Jardim & Pereira, 2004).

O PDCIIP é um programa que se enquadra no âmbito da promoção do sucesso académico, tendo sido construído e implementado por Jacinto Jardim e Anabela Pereira em 2004, com o apoio do GAP-SASUC (Gabinete de Apoio Psicopedagógico dos Serviços de Acção Social da Universidade de Coimbra). Tem como destinatários estudantes do Ensino Superior, de todos os anos de escolaridade.

O quadro teórico deste programa considera o desenvolvimento integral do sujeito, envolvendo dimensões como a biológica, a cognitiva, a afectiva, a social, a profissional e a valorativa (Jardim & Pereira, 2005abc). Privilegia a pessoa do estudante e a satisfação das suas necessidades fundamentais, enquanto jovem adulto. Valoriza as potencialidades dos estudantes e a sua vontade de realização e de sucesso.

O PDCIIP é um programa que tem como objectivo implementar o desenvolvimento de competências intrapessoais, interpessoais e profissionais, com vista ao sucesso na vida académica.

Os participantes no final do programa serão capazes de: (1) identificar os pontos fortes da sua personalidade; (2) fazer uma avaliação positiva de si mesmos; (3) activar potencialidades individuais no sentido da auto-realização; (4) escutar empaticamente; (5) expressar-se assertivamente; (6) reconhecer modos eficazes de apoiar e de ser apoiado; (7) valorizar as ideias e as concretizações originais; (8) colaborar eficazmente em grupos de trabalho; (9) orientar pessoas e grupos na concretização de objectivos; (10) superar positivamente as situações adversas (Jardim & Pereira, 2004ab, 2005abc).

Capítulo 4: Programas de promoção de competências

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Relativamente aos conteúdos, o programa focaliza a sua atenção em competências transversais, como competências intrapessoais (auto-conhecimento, auto-estima, auto- realização e resiliência), competências interpessoais (empatia, assertividade e suporte social) e em competências específicas como criatividade, cooperação e liderança (Jardim & Pereira, 2006).

Em termos metodológicos, o programa é constituído por doze sessões, sete sessões presenciais colectivas e cinco estudos individuais a serem realizados por cada um dos participantes como trabalho de casa. Cada sessão (com uma duração média de duas horas) visa o aperfeiçoamento de uma competência, sendo designada por módulo.

Os onze módulos estão estruturados do seguinte modo: (1) “Apontamentos” - anotar a forma como cada competência é percepcionada; (2) “Mapa” - explicitar o significado teórico e as ideias fundamentais de cada competência; (3) “Ferramentas” - exercitar, experimentar e operacionalizar cada competência; (4) “Narração” de uma história que evoca e estimula, de uma forma interpelativa, a adesão a cada competência; (5) “Programação” do modo como cada um pretende implementar a curto, médio e longo prazo cada competência e (6) “Memorando” dos sucessos e da evolução em cada competência.

O PDCIIP segue uma metodologia activa, baseada na participação dos intervenientes. Recorre a dinâmicas de grupo, a técnicas de role playing, focus group, entre outras, e privilegia a criatividade e aptidões sociais. Evoca experiências e conhecimentos pessoais, fomenta a realização de jogos interactivos, debates e trabalhos de grupo, a narração de histórias metafóricas alusivas ao módulo em estudo e à exposição sobre a competência em causa.

Além dos trabalhos realizados nas sessões, os participantes aprofundam os conteúdos programáticos individualmente através do preenchimento de fichas de trabalho relativas a cada uma das competências e da realização de tarefas individuais.

Defende que a aprendizagem siga um ritmo rápido, que se criem momentos divertidos e que os participantes atinjam eficazmente os objectivos delineados. É um programa que segue as características de uma formação prática, acentuando-se mais a

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vertente experiencial do que a teórica. Constitui-se como uma formação Rápida, Divertida e Eficaz (ibidem).

O PDCIIP está organizado nas sessões seguintes:

Sessão inicial - Apresentação dos participantes. Recolha de dados pessoais. Resposta a questionários (avaliação prévia).

2.ª Sessão (a trabalhar em grupo) – Auto-conhecimento: Apontamentos sobre os meus pontos fortes. Mapa sobre o significado do auto-conhecimento. Dinâmica “As minhas fotos na janela de Johari”. Narração “A Águia-real”. Programação (comentários inspirados na narração “A Águia-real”). Memorando dos meus sucessos no auto-conhecimento.

3.ª Sessão (a trabalhar individualmente) – Auto-estima: Apontamentos sobre a minha auto-estima. Mapa sobre o significado da auto-estima. Ferramentas para exercitar a minha auto-estima. Narração “A descoberta do jovem poeta”. Programação. Memorando dos meus sucessos na auto-estima.

4.º Sessão (a trabalhar em grupo) – Auto-realização: Apontamentos sobre os meus objectivos. Mapa sobre o significado da auto-realização. Ferramentas para exercitar a minha auto-realização. Narração “Desenho livre”. Programação. Memorando dos meus sucessos na auto-realização.

5.ª Sessão (a trabalhar individualmente) – Empatia: Apontamentos sobre o modo como gosto que me escutem. Mapa sobre o significado da empatia. Ferramentas para exercitar a escuta empática. Narração “Escutar o inaudível”. Programação. Memorando dos meus sucessos na empatia.

6.ª Sessão (a trabalhar em grupo) – Assertividade: Apontamentos sobre situações em que deveria ter defendido os meus direitos e não o fiz. Mapa sobre o significado da assertividade. Ferramentas para exercitar a assertividade – ficha de observação. Narração “Pedaços de carvão”. Programação. Memorando dos meus progressos na assertividade.

7.ª Sessão (a trabalhar individualmente) – Suporte Social: Apontamentos sobre situações em que me senti apoiado por alguém. Mapa sobre o significado do suporte social. Ferramentas para exercitar o suporte social. Narração “O cepo de Oliveira”. Programação – círculo de suporte social. Memorando dos meus progressos na assertividade.

8.ª Sessão (a trabalhar em grupo) – Criatividade: Apontamentos sobre três realizações em que fui criativo. Mapa sobre o significado da criatividade. Ferramentas para

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exercitar a criatividade. Narração “A macieira encantada”. Programação – hábitos que favorecem a criatividade. Memorando dos meus progressos na criatividade.

9.ª Sessão (a trabalhar individualmente) – Cooperação: Apontamentos sobre situações em que fui um bom colaborador. Mapa sobre o significado da cooperação. Ferramentas para exercitar a cooperação. Narração “A minha velha máquina de escrever”. Programação – características da pessoa cooperante. Memorando dos meus progressos na assertividade.

10.ª Sessão (a trabalhar em grupo) – Liderança: Apontamentos sobre os três líderes que mais admiro. Mapa sobre o significado de liderança. Ferramentas para exercitar a liderança. Narração “A galinha dos ovos de ouro”. Programação – áreas de desenvolvimento da liderança. Memorando do meu perfil de líder.

11.ª Sessão (a trabalhar individualmente) – Resiliência: Apontamentos sobre situações adversas que fui capaz de superar positivamente. Mapa sobre o significado da resiliência. Ferramentas para exercitar a resiliência. Narração “As rãs no leite”. Programação – pensar para ser resiliente. Memorando dos meus progressos na resiliência.

12.ª Sessão – Avaliação: Avaliação das sessões e da dinâmica do programa.

Com as actividades propostas em cada uma destas sessões pretende-se que sejam desenvolvidos todos os domínios da aprendizagem: saber-saber (aquisição de conhecimentos – domínio cognitivo); saber-ser (forma de estar de cada um – domínio afectivo); saber-fazer (comportamentos – domínio da vontade).

O papel do facilitador das aprendizagens será o de gerar a máxima participação possível, respeitando as experiências dos participantes, mantendo um elevado grau de motivação e de empenho nas tarefas propostas, organizando os grupos de trabalho, fornecendo suporte social e afectivo, envolvendo-se no programa com os participantes (Jardim & Pereira, 2006).

O PDCIIP foi implementado junto de estudantes universitários de Coimbra (do 1.º ao 5.º ano) hospedados em residências universitárias dos SASUC, no ano lectivo 2004/2005.

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Para avaliar a sua eficácia, além da análise dos diários individuais de desenvolvimento pessoal, os alunos foram também avaliados antes (baseline) e depois do programa através do Questionário de Competências Intrapessoais, Interpessoais e Profissionais – Para Promover o Sucesso Académico (QCIIP), construído para o efeito pelos autores.

Os resultados mostraram que os sujeitos que participaram no programa beneficiaram com esta experiência. Verificaram-se acréscimos em termos de média da competência-global no que concerne à comparação entre o antes e o depois da aplicação do PDCIIP, sendo os efeitos mais notórios no que diz respeito ao auto-conhecimento, à auto- realização, à criatividade, à auto-estima e à liderança (Jardim & Pereira, 2005c, Jardim, 2007).

Apresentámos programas de intervenção com objectivos pré-definidos e focalizados no sujeito que procuram promover a auto-estima, o auto-conhecimento, o bem- estar e a qualidade de vida.

Visam capacitar, responsabilizar os sujeitos para estilos de vida saudáveis, sentimentos de competência e de felicidade (Matos & Albuquerque, 2006). Através da planificação de experiências de aprendizagem, reforçam comportamentos promotores de saúde, numa abordagem preventiva do bem-estar psicológico. Procuram modificar percepções individuais e fornecer aptidões comportamentais necessárias à alteração do comportamento (Bennet & Murphy, 1999).

São programas que sublinham a importância de determinados factos-chave, usando uma linguagem adequada ao indivíduo/grupo de indivíduos, que fornecem informação, reproduzindo-a, que procuram envolver os participantes e (co)responsabilizá-los pelos seus comportamentos. Desejam ajudar os sujeitos a ganhar controlo sobre as suas próprias vidas (empowerment), a aumentar o seu potencial de realização, a lutar pelos seus objectivos, a mudar comportamentos e cognições através da colaboração, da partilha e da mutualidade. Procuram dar poder aos sujeitos, dotá-los de competências que lhes permitam implementar, participar, colaborar e realizar-se. Estruturam experiências, envolvem os sujeitos no processo de aprendizagem, constroem novas aprendizagens, dão significado às experiências, permitem a actuação com confiança, a descoberta de novas potencialidades e

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de formas de resolver problemas. Centram-se nos actores como co-constructores da sua jornada de aprendizagem, procuram o questionamento, a planificação, a experimentação, a participação, a escuta, a negociação, a interactividade entre saberes, práticas e crenças.

O facilitador destas aprendizagens procura a arte da relação, semear o desejo de aprender, incentiva os sujeitos a mudar comportamentos, a valorizar raízes culturais e experiências individuais, promovendo a consciencialização e o bem-estar. Recorre à criatividade para promover o desenvolvimento de (novas) competências e aprende a promover o seu próprio desenvolvimento pessoal (Rodrigues et al., 2005a). Utiliza a dinâmica de grupo e estratégias sócio-construtivistas que ajudam a encontrar consensos entre actores e a procurar possibilidades de influência e potencialidades. Estrutura o ambiente, escuta e observa, avalia, planifica, formula questões, estende os interesses e conhecimentos do grupo em direcção à cultura (Oliveira-Formosinho, Kishimoto & Pinazza, 2007).

São programas que colocam a ênfase nas iniciativas de promoção de saúde, no crescimento pessoal, no desenvolvimento, na evolução do poder, da partilha (Bennet & Murphy, 1999; Pereira et al., 2005c). São programas que habilitam as pessoas a aumentar o controlo sobre a sua saúde e a melhorá-la. De acordo com a OMS (1986,1), “para alcançar um estado de completo bem-estar físico, mental e social, um indivíduo ou grupo deve ser capaz de identificar e realizar aspirações, satisfazer necessidades e alterar o ambiente ou adaptar-se a ele (…)”.

Com a OMS (1986), entendemos saúde como um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou incapacidade; como a percepção que cada pessoa ou comunidade tem num determinado contexto espácio- temporal que depende de crenças relacionadas com a vida, o sofrimento e a morte (Rodrigues, Pereira & Barroso, 2005).

A saúde pode ser entendida, também, como a variável explicativa da qualidade de vida ou percepção subjectiva de satisfação ou felicidade com a vida; ou o sentimento de bem-estar que provém da satisfação ou insatisfação com domínios da vida que são importantes para a pessoa ou a diferença entre as expectativas pessoais e o que está realmente a acontecer na vida pessoal (Ribeiro, 2006).

Matos & Albuquerque (2006), definem saúde como um estado, uma qualidade de vida que é influenciado por factores físicos, mentais, sociais, ambientais; como a

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capacidade do ser humano para criar e lutar pelo seu projecto de vida, pessoal e original, em direcção ao bem-estar.

Neste sentido, a saúde mental inclui características de bem-estar psicológico como alegria, prazer de viver, felicidade (Ribeiro, 2001). A reacção avaliativa do sujeito face à sua própria vida, quer em termos de satisfação com a mesma, quer em termos de afectividade é, desta forma, parte integrante da definição de saúde.

Os estudos realizados com os referidos programas de intervenção têm demonstrado que se constituem como instrumentos facilitadores e promotores do desenvolvimento dos sujeitos. Centram-se nas necessidades de um grupo, estruturam-se com base em objectivos ao longo de um continuum temporal, possibilitam uma avaliação do que foi realizado, solicitam a participação activa dos intervenientes, optimizam os recursos humanos e materiais disponíveis, operacionalizam actividades significativas para os participantes, promovem a saúde e o bem-estar.

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Em síntese, seleccionámos programas que promovem competências transversais e específicas, objecto do nosso Estudo. O Programa Goal, o Programa de Promoção de Competências Sociais, o Programa Instrutivo para a Educação e Libertação Emocional e o Programa de Desenvolvimento de Competências Intrapessoais, Interpessoais e Profissionais apresentam um conjunto de ingredientes teóricos e práticos que constituem uma fonte para a promoção da saúde e para o desenvolvimento de competências pessoais e sociais.

De uma forma pertinente, cada programa visa a promoção da mudança positiva através de estratégias diversificadas que permitem ao sujeito lidar com o seu self e com situações de índole relacional. Propõe a promoção do bem-estar através de estratégias que

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à mudança, a desenvolver suportes sociais de apoio, a comunicar de forma eficiente, a avaliar situações, a ponderar respostas, a desenvolver a auto-estima, a auto-confiança, a criatividade, a cooperação, a liderança, a resiliência ou a gestão da agenda pessoal.

Os quatro programas que apresentámos, de forma sucinta, evidenciam dimensões do desenvolvimento que contribuem para o justo equilíbrio na vida das pessoas, seja na sua esfera pessoal, escolar ou profissional. Procuram que o sujeito se sinta bem consigo mesmo e com os outros, articulando o ser, o ter, o sentir, o partilhar, o estar em contexto com os outros.

Tendo já sido testados, os resultados aferidos mostram-se significativos para os sujeitos que deles usufruíram. Os programas desenvolveram as respectivas competências a que se propunham de uma forma positiva.