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Programas Auxiliares de Gestão e Gerenciamento de

4.2 ETAPA DE DIAGNÓSTICO DA SITUAÇÃO ATUAL DE

4.2.1 Aparato Legal e Normativo do Gerenciamento de RCC em Belo

4.2.2.5 Programas Auxiliares de Gestão e Gerenciamento de

Para auxiliar no funcionamento das Unidades de Recebimento de Pequenos Volumes, em Belo Horizonte, conforme preconiza o Art. 12 da Lei Municipal nº 10.522/2012, a SLU criou programas ligados às redes físicas que fazem parte do Programa de Manejo Diferenciado e Reciclagem de Resíduos. São eles:

 Projeto Carroceiro;

 Programa de Comunicação e Mobilização Social;  Programa de Fiscalização; e

 Programa para Recuperação de Áreas Degradadas. a) Projeto Carroceiro

Segundo a SLU, o Projeto Carroceiro, mostrado na Figura 17, foi criado em 1998, é uma parceria da PBH com os carroceiros, criada com o objetivo de incentivar o transporte de RCC de pequenos geradores até as URPV e reduzir a deposição irregular de resíduos sólidos na malha urbana da capital, que muitas vezes era feita pelos próprios carroceiros. São promovidas palestras de conscientização aos carroceiros que jogar lixo em vias públicas, lotes vagos e cursos d’água causam prejuízo ao meio ambiente urbano.

Além disso, recebem orientações sobre o trato dos animais e as formas de associação. Ainda segundo SLU, para contratar um carroceiro é preciso ligar para a URPV mais próxima de sua casa e pedir o telefone de um carroceiro que trabalhe na região. O valor do trabalho é combinado diretamente com o carroceiro (Belo Horizonte, 2014).

Figura 17 - Projeto Carroceiro Emplacamento das carroças Projeto Carroceiro

Fonte: SLU, 2010

Segundo a SLU, todos os carroceiros participantes do projeto recebem os seguintes documentos:

 Condutor de Veículo de Tração Animal - válido por cinco anos;  Certificado de Registro e Licenciamento de Veículos de Tração

Animal - renovação ao ano, por intermédio da BHTrans;

 Alvará de Licenciamento da Atividade de Carroceiro - produzida pela Gerência de Licenciamento da Regional: válido por um ano.  Identificação do cavalo, que é cadastrado e marcado com

nitrogênio líquido.

Segundo a SLU, o Projeto é desenvolvido em três frentes (social, veterinária e técnica), de forma integrada:

 No aspecto social, os carroceiros são incentivados a se organizarem enquanto classe profissional, a partir do conhecimento da importância da sua atuação de forma responsável e profissional junto à comunidade;

 Na frente de ações veterinárias, a Escola de Veterinária da UFMG realiza intervenções de assistência, além de reuniões e palestras para orientação aos carroceiros quanto ao adequado manejo dos animais. A vacinação contra a raiva visa ao cumprimento do estabelecido no Código Sanitário Municipal de Belo Horizonte; a marcação, à identificação e controle dos animais (hoje são 3450 cavalos marcados);

 No aspecto técnico-ambiental, a SLU informa ao carroceiro sobre as implicações negativas da deposição indiscriminada de entulho na malha urbana, orientando-o a depositar entulho, poda e objetos volumosos (móveis e eletrodomésticos) nas atuais 29 Unidades de

Recebimento de Pequenos Volumes – URPV já implantadas. Assim, os carroceiros devidamente cadastrados, ao apresentarem-se ao munícipe para a retirada do entulho com sua "carteira de cadastramento", se colocam como ambientalmente corretos. Além disso, a criação do "Disque-carroça" facilitou a comunicação entre a sociedade e o carroceiro, quando da solicitação do serviço.

Segundo a SLU, o Projeto é detentor de vários prêmios, reconhecido pela Fundação Getúlio Vargas, Fundação Oswaldo Cruz, ONU, Revista Superinteressante e pelo programa Minas sem Lixões, promovido pela Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM) e Fundação Israel Pinheiro (FIP).

b) Programa de Comunicação e Mobilização Social

Segundo a SLU o Programa de Comunicação e Mobilização Social (PCMS) é instrumento norteador das ações que viabilizaram o processo de informação, consulta e manifestação pública durante e após a implantação das URPVs e EREs, visando evitar o descontentamento da população circunvizinha às áreas que recebem resíduos de construção civil e objetivando mudanças de atitudes, individual e coletiva, em relação ao meio ambiente.

Este programa é divulgado através de cartilhas impressas, peças teatrais, contato direto com comerciantes, setores organizados, comunidades religiosas, postos de saúde, contatos de porta a porta com a população residente, bem como recebendo visitação das escolas objetivando-se a informação e o envolvimento da comunidade.

A SLU circulou panfletos informativos, orientando a população e os agentes envolvidos na geração e no transporte do entulho na cidade, de caráter educativo, focando a divulgação das unidades instaladas para recebimento e reciclagem de entulho, como apresentado na Figura 18.

Figura 18 - Impresso Informativo SLU

Fonte: SLU, 2010

c) Programa de Fiscalização

O programa de Fiscalização, criado pela SLU, para auxiliar na Redução de Deposição Clandestina, é executado por agentes da SLU que desenvolvem as seguintes funções:

 Fiscalizar pontos de deposição clandestina de entulhos visando a identificação dos depositantes e no primeiro momento esclarecê-los sobre a infração que cometem e suas consequências ao meio ambiente e à saúde dos cidadãos.

 Em um segundo momento, continuando as deposições clandestinas, punir-se-ão os infratores persistentes.

 Tem-se através da fiscalização um caráter não só corretivo, mas sobretudo educador.

A SLU conta hoje com um sistema de monitoramento contínuo, com uma sala equipada com equipamentos eletrônicos, onde são mostrados os pontos de deposição clandestina de todos os tipos de resíduos, inclusive os RCC. As fotos com evidencia dos fragrantes são feitas por 9 supervisores de campo, através de tabletes e enviadas para o sistema, quase que em tempo real.

d) Pontos de deposição Clandestina

O Município de BH sofre impactos por deposições clandestinas em todas as regiões da cidade. Os entulhos são colocados em locais não apropriados em horários mais adversos pela população residente em BH, bem como por alguns municípios integrantes da RMBH, destacando-se as regiões limítrofes, uma vez que os geradores dos RCC desses municípios também contribuem com a deposição clandestina, visto que não há uma separação física dos municípios.

Todas as formas de deposição clandestina mostradas causam impacto ao meio ambiente. As deposições “irresponsáveis” causam danos muitas vezes irrecuperáveis. Essa quantidade considerável de resíduos de construção e demolição dispostos inadequadamente, depositados em vias e logradouros públicos, terrenos baldios, margens de cursos de água, etc., comprometem a paisagem urbana, invadem pistas, dificultam o tráfego de pedestres e de veículos, obstruem a drenagem urbana, causam ou contribuem com o assoreamento de córregos.

Não obstante, as deposições clandestinas propiciam a atração para lançamento de resíduos não inertes, constituindo-se em foco de proliferação de vetores e doenças, contribuindo para a degradação de áreas urbanas, o que afeta a qualidade de vida da sociedade como um todo. Além de afetar a qualidade dos resíduos, muitas vezes os tornando impróprios para reutilização ou mesmo elevando o custo ou tornando inviável para tratamento e reciclagem.

A Figura 19 mostra o mapa deposição clandestina em 2014 e a Figura 20 apresenta algumas fotos realizadas ao longo do trabalho e algumas disponibilizadas pela Superintendência de Limpeza Urbana para fins acadêmicos e evidenciam alguns pontos de Deposição Clandestina, encontrados na cidade de Belo Horizonte, para demonstrar as diversas maneiras, locais e tipos de entulhos depositados, porém, por razão de sigilo os endereços não serão expostos:

Figura 19 - Mapa das deposições clandestinas em abril de 2014

Fonte: SLU, 2016

Figura 20 – Fotos de deposição clandestina

Deposição Clandestina em beira de córrego Deposição clandestina em frente a URPV

Deposição clandestina obstruindo até a via Remoção do entulho pela equipe da SLU

e) Programa para recuperação de Áreas degradadas

Junto ao programa de fiscalização tem-se o programa para recuperação de áreas degradadas cujo objetivo é revigorar seu aspecto físico e paisagístico nas áreas onde ocorreram depósitos clandestinos de entulhos, apresentado na Figura 21. Dentre as intervenções destacam-se a intimação do proprietário para murar ou fazer passeios em terrenos vagos e a execução de plantio de vegetação de pequeno e/ou médio porte, contribuindo com a redução de Gás de GEE.

Figura 21 - Ação do subprograma de Recuperação de Áreas degradadas no município de Belo Horizonte

Fonte: SLU, 2010