Desirée Nobre Salasar, Terapeuta Ocupacional Universidade Federal de Pelotas – UFPel [email protected]
Resumo
A acessibilidade programática é a dimensão que busca a eliminação de barreiras através legislações e normativas, correspondendo assim, aos documentos que norteiam as questões ligadas à pauta dentro e fora dos mais diversos contextos.
Desta forma, este trabalho busca apresentar a experiência de planejamento e desenvolvimento de um Plano de Acessibilidade para uma pró-reitoria de extensão e cultura de uma universidade pública. A demanda, proveniente de uma solicitação da Comissão de Apoio ao Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (CONAI) da Universidade Federal de Pelotas, busca responder ao Plano Institucional de Acessibilidade da referida instituição, de modo que suas pró-reitorias busquem dialogar com a pauta da acessibilidade. A primeira versão, planejada e desenvolvida em 2018, apresenta alguns resultados, como a realização de oficinas e minicursos, publicações sobre a temática e o lançamento de um ebook voltado para acessibilidade programática em museus. Palavras-chave: Acessibilidade programática; Plano de Acessibilidade; Universidade Federal de Pelotas.
Abstract
Programmatic accessibility is the dimension that seeks to eliminate barriers through legislation and regulations, thus corresponding to the documents that guide the issues related to the agenda inside and outside the most diverse contexts. Thus, this paper seeks to present the experience of planning and developing an Accessibility Plan for a Dean of Extension and Culture of a public university. The demand, coming from a request of the Support Commission for the Center of Accessibility and Inclusion (CONAI) of the Federal University of Pelotas, seeks to respond to the Institutional Accessibility Plan of the said institution, so that its provinces seek to dialogue with the
agenda of the accessibility. The first version, planned and developed in 2018, presents some results, such as workshops and short courses, publications on the theme and the launch of an ebook focused on programmatic accessibility in museums.
Keywords: Programmatic accessibility; Accessibility plan; Federal University of Pelotas.
Introdução
A acessibilidade caracteriza-se pela garantia de condição de acesso através da eliminação de barreiras visíveis e invisíveis. Está, portanto, dividida em dimensões de acordo com os contextos e situações enfrentadas pelas pessoas com deficiência.
Sassaki (2009) apontou seis dimensões de acessibilidade: atitudinal, arquitetônica, comunicacional, metodológica, instrumental e programática. Ao trabalhar-se com as seis dimensões concomitantemente os ambientes estariam aptos a receber o maio número de pessoas possível, tendo elas deficiência ou não. Caracterizando assim, um ambiente inclusivo sob a perspectiva do desenho universal.
Segundo a Lei Brasileira de Inclusão, nº 13.146 de 2015, Desenho universal é
concepção de produtos, ambientes, programas e serviços a serem usados por todas as pessoas, sem necessidade de adaptação ou de projeto específico, incluindo os recursos de tecnologia assistiva (BRASIL, 2015).
O conceito de Desenho Universal surgiu nos Estados Unidos, no final da década de 90, na Universidade da Carolina do Norte. Apresentaram-se os sete princípios que embasavam um novo fundamento de projeto. Visando o uso equitativo, a flexibilidade no uso, o uso simples e intuitivo, a informação perceptível, a tolerância ao erro, o baixo esforço físico e tamanho e espaço para aproximação e uso, qualquer produto oriundo de um projeto fundado nestes princípios seria dirigido a todos, porque partiria da premissa da não exclusividade do produto para determinada categoria de pessoa. Ou seja, ele não nasce sob o ponto de vista da inclusão da pessoa com deficiência, mas sim da inclusão aos mais diversos públicos, através da pluralidade da sociedade. Assim, os princípios do desenho universal asseveram o novo entendimento da acessibilidade que se coloca como um meio para a inclusão da pessoa com deficiência. A aplicação do desenho universal é consequência de uma tomada de decisão que privilegia o coletivo sobre o individual. A decisão postula, por princípio, a condição “para todos”. No que tange ao ambiente universitário, a adoção do conceito pode ser o diferencial em ter a inclusão como práxis e o entendimento de que a Universidade caracteriza-se como lugar para todos.
No ano de 2015, a Universidade Federal de Pelotas, através da portaria 1.731, constituiu uma Comissão Especial para elaborar e implementar o Plano Institucional de Acessibilidade, com o objetivo de estabelecer uma política institucional de acessibilidade e inclusão aos discentes e servidores da universidade.
A promoção da acessibilidade dentro da instituição está sob responsabilidade do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (NAI UFPel), que desde 2017 conta com o apoio da Comissão de apoio ao NAI (CONAI).
A CONAI é formada por servidores e discentes ligados à temática da inclusão, que se reúnem periodicamente para discutir e assessorar a construção de políticas públicas e práticas pretendidas pelo NAI.
Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PREC)
A Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PREC) é a estrutura político-institucional da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) responsável pela proposição, desenvolvimento e avaliação da política de extensão e cultura da Universidade, devendo fomentar, acompanhar e avaliar as ações de extensão universitária e cultural registradas e aprovadas nos âmbitos competentes da Universidade. A PREC tem como finalidade articular a extensão com o ensino e a pesquisa desenvolvidos na UFPel, propondo e implantando mecanismos de incentivo à produção extensionista, estimulando as ações de intercâmbio e formação de recursos humanos e promovendo o diálogo e a integração com a sociedade.
Desde 2018, respondendo a uma solicitação da própria CONAI a PREC conta com uma representação na comissão.
1. Metodologia
A criação do Plano de Acessibilidade da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura é uma resposta à solicitação da CONAI, que em 2018 pediu que todas as pró-reitorias desenvolvessem um Plano para integrá-los ao Plano Institucional.
Prontamente respondendo a solicitação e com o objetivo de ter uma normativa para esta pró-reitoria que respondesse às demandas da pauta, desenvolveu-se um documento norteador com metas de curto, médio e longo prazo a serem desenvolvidas. O documento foi desenvolvido pela docente representante da PREC na CONAI, levando em consideração os temas debatidos na CONAI e as demandas trazidas na reunião sobre a pauta da acessibilidade no Fórum Social, promovido pela PREC em parceria com a comunidade pelotense.
O primeiro documento trazia as metas separadas por dimensão de acessibilidade e não mencionava os prazos de cada ação. Desta forma, no ano corrente, foi feita uma atualização apenas organizando as metas com prazos para serem cumpridos. O resultado é o plano que será mostrado a seguir.
Para o desenvolvimento deste documento foi feita uma busca no site da PREC sobre o seu organograma e as ações que são desenvolvidas por esta estrutura da universidade. Em seguida, somando-se às legislações vigentes sobre acessibilidade, elencaram-se as metas a serem seguidas pelos próximos dois anos.
2. Resultados
No ano de 2018 foram executadas cinco atividades que constavam na primeira versão do Plano de Acessibilidade da PREC.
A Revista Expressa Extensão, publicação quadrimestral da PREC, está disponibilizada em dois formatos (PDF e EPUB), sendo este último acessível aos leitores de tela utilizados por pessoas com deficiência visual. A equipe ainda está trabalhando para inserir a descrição das imagens dos artigos na revista.
Com a intenção de explorar o tema, em setembro de 2018 a Expressa Extensão lançou uma edição com a temática “Culturas Acessíveis”, que contou com seis artigos originais, oito relatórios, três ensaios e uma entrevista sobre Acessibilidade Cultural.
Como meio de acessibilizar o conteúdo visual das suas mídias de informação, o uso da hastag #PraCegoVer nas redes sociais da PREC e descrição de imagens no site foi implementado.
Foram realizadas, ainda, oficinas e ações de sensibilização para as deficiências durante o Dia do Patrimônio, Primavera dos Museus (2018) e Semana dos Museus (2019) através da Rede de Museus.
Estava previsto no Plano de Acessibilidade da PREC a criação de um documento Norteador para a Rede de Museus da UFPel. Porém durante as discussões de organização da Primavera dos Museus optou-se por abrir o material e disponibilizá-lo para o público em geral, uma vez que não havia nada publicado sobre o tema em específico (programas de acessibilidade para museus).
Assim nasceu o ebook “Um museu para todos: Manual para programas de acessibilidade” lançado durante a Semana dos Museus de 2019. Com menos de seis meses de publicação, ela já consta como referência estadual e nacional.
Em maio do ano corrente, a CONAI solicitou que os Planos de Acessibilidade já existentes fossem atualizados. Com base neste pedido, o plano da PREC foi revisto e novas ações foram acrescentadas para curto, médio e longo prazo, com duração até 2021/02.
Atualmente as ações de curto prazo são quatro: Oficinas de sensibilização para recepção de públicos com deficiência para os servidores e bolsistas da PREC, 1 publicação por ano em formatos acessíveis, Uso das Hastags #PraCegoVer #Pratodosverem nas publicações com imagens nas redes sociais e site da PREC, Documento norteador para eventos promovidos pela PREC.
Em médio prazo estão as ações de: 1 sessão de filme, ao ano, com ao menos um recurso de acessibilidade no Cine UFPel, Mapeamento dos projetos e programas de extensão que trabalhem com a temática de acessibilidade e inclusão – com recorte por áreas temáticas., Oficinas para aproximação dos projetos e programas que trabalham com inclusão, Desenvolvimento de Programas de Acessibilidade para os Museus da Rede de Museus da UFPel, I Seminário de Acessibilidade Cultural, Dossiê da Expressa Extensão sobre Acessibilidade, Roda de conversas sobre acessibilidade e inclusão na UNAPI, Vizinhança e Fórum Social., Fomentar a participação para apresentação de projetos de extensão em eventos da área de acessibilidade e inclusão.
Já para longo prazo constam as ações: Site da PREC acessível, Oficinas de sensibilização para coordenadores de projetos de extensão para inclusão de alunos com deficiência em suas equipes, Documento norteador sobre acessibilidade para os projetos/programas de extensão, Oficinas de sensibilização para recepção de públicos com deficiência para os servidores e bolsistas da PREC, Diagnóstico de Acessibilidade da PREC e a Revisão do Plano de Acessibilidade da PREC.
3. Considerações finais
A implementação da acessibilidade é um desafio constante, uma vez que demanda muito da interdisciplinaridade nos mais diversos contextos.
Garantir a acessibilidade programática é apontar o caminho para inclusão das outras dimensões. Sendo a Universidade pública um lugar para todos, faz-se necessário que as estruturas dela estejam preparadas para receber os mais diversos públicos. Com o aumento significativo de pessoas com deficiência ingressando no Ensino Superior, os espaços da universidade devem planejar e desenvolver ações que objetivem a efetivação da garantia de igualdade de oportunidades com os demais.
A Pró-Reitoria de Extensão e Cultura entendendo a sua importância e elo entre Universidade e Sociedade assume com o seu Plano de Acessibilidade o compromisso de capacitar seus servidores e bolsistas, bem como aproximar a pauta da acessibilidade e inclusão da pessoa com deficiência na sociedade.
Referências
BRASIL. Lei 13.146. Lei Brasileira de Inclusão – Estatuto da Pessoa com Deficiência. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm>. Acesso em: 27/03/2018
Desenho Universal – Habitação de interesse social. Governo do Estado de São Paulo.
SASSAKI, Romeu Kazumi. Inclusão: acessibilidade no lazer, trabalho e educação. Revista Nacional de Reabilitação (Reação). São Paulo, v. 12, p. 10 -16, mar./abr. 2009..