1. DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL EM ENFERMAGEM DE
1.3. PROGRESSÃO DO EXERCÍCIO PROFISSIONAL DA ENFERMAGEM DE
O desenvolvimento científico, técnico e teórico inerente e transversal à formação e profissão de enfermagem viabilizou, por parte dos representantes do país, a criação de uma carreira que fosse ao encontro de uma melhoria da prestação de cuidados, aproveitamento dos recursos humanos e perspetivas de progressão profissional, permitindo uma consonância de realidades entre funcionários da Administração Pública (Decreto-Lei n.º 305/81).
Numa carreira única, o Decreto-Lei n.º 305/81, foi aplicado em três áreas de atuação, nomeadamente na prestação de cuidados, na administração e na docência. A mesma era composta por cinco graus de complexidade, dizentes ao nível funcional, com características específicas e individuais, sendo representadas por categorias, em termos constitucionais, pelo Enfermeiro (Grau 1), Enfermeiro Graduado e Enfermeiro Monitor (Grau 2), Enfermeiro Especialista, Enfermeiro Chefe e Enfermeiro Assistente (Grau 3), Enfermeiro Supervisor e Enfermeiro Professor (Grau 4) e Técnico de Enfermagem (Grau 5).
Com a revisão do diploma de lei, por desatualização das realidades até então aplicadas, e com o objetivo de incentivar e facilitar as mudanças ao nível do exercício da enfermagem (introdução do ensino da enfermagem no sistema educativo nacional e previsão de cursos superiores especializados, a valorização de outras formações indiretamente ligadas à enfermagem, nomeadamente a área da gestão, aplicabilidade dos anos de experiência, avaliação de mérito, privilégio pela formação em serviço e incitamento à realização de trabalhos de investigação), a carreira passou a aplicar-se a três áreas de atuação, particularmente à prestação
de cuidados, à gestão e à assessoria técnica. Estas áreas encontravam-se divididas em categorias e níveis, sendo eles a Categoria de Enfermeiro e Enfermeiro Graduado (Nível 1), Categoria de Enfermeiro Especialista e de Enfermeiro-Chefe (Nível 2), Categoria de Enfermeiro-Supervisor e de Assessor Técnico regional de Enfermagem (Nível 3) e Categoria de Assessor Técnico de Enfermagem (Nível 4) (Decreto-Lei n.º 437/91).
A urgência na introdução de alterações que realçassem as características do exercício profissional de enfermagem, e de forma a valorizar monetariamente os intervenientes, embora tivesse mantido as áreas de atuação do anterior diploma quanto ao nível e categoria, a carreira sofreu modificações apresentando-se constitucionalmente, em 1998, da seguinte forma: Enfermeiro e Enfermeiro Graduado (Nível 1), Enfermeiro Especialista e Enfermeiro-Chefe (Nível 2) e Enfermeiro Supervisor (Nível 3) (Decreto-Lei n.º 412/98).
A última revisão da carreira de enfermagem ocorreu em 2009, de acordo com o Decreto- Lei n.º 247/2009 e o Decreto-Lei n.º 248/2009 e, consequentemente, a atribuição da Carreira Especial de Enfermagem na Administração Pública, que integrou duas categorias com diferentes conteúdos funcionais: Enfermeiro e Enfermeiro Principal. Os atuais decretos aplicam-se aos enfermeiros em regime de Contrato Individual de Trabalho (nos termos do Código do Trabalho), nas entidades públicas empresariais e nas parcerias em saúde, em regime de gestão e financiamento privados (pertencentes ao SNS) e aos enfermeiros integrados na Carreira Especial de Enfermagem, cuja relação jurídica de emprego público se constitua por Contrato de Trabalho em Funções Públicas, respetivamente.
A atuação do enfermeiro, enquanto especialista em ER, deve basear-se numa atitude de responsabilização ética, legal e profissional, assumindo uma postura autodidata suportada por conhecimentos verosímeis, atualizados e suportados por evidência cientifica (Sousa, 2011).
A procura da excelência de cuidados técnicos, científicos e relacionais ou humanos, assume-se pelo dever dos profissionais de enfermagem em manterem atualizados os seus conhecimentos, sem esquecer a formação permanente das ciências humanas, de forma a garantir a qualidade e a continuidade dos cuidados e o amadurecimento no que concerne à capacidade de reflexão (OE, 2005).
A integração da formação de enfermagem no ensino superior e, posteriormente, inclusão do curso a nível universitário e, consequentemente, investimento na investigação e aquisição de graus de estudo mais elevados, a conquista da autonomia, a melhoria da qualidade do empenho e desempenho dos enfermeiros, bem como a conceção da OE em 1998, a profissão de
enfermagem foi considerada pelo Estado como merecedora e autónoma na regulação de estatutos deontológicos e disciplinares (Ribeiro, 2011).
Fundamentada no Decreto-Lei n.º 104/98, a criação da OE foi reconhecida pelo Governo pela importância de papéis que os enfermeiros desempenham no sistema de saúde e pela asseveração de que estes profissionais constituem um corpo idóneo para assumir a devolução dos poderes que ao estado competem, no que diz respeito à regulamentação e controlo deontológico e disciplinar do exercício profissional. Trata-se de uma associação pública cujos poderes, para além de indispensáveis para a saúde da população, são imprescindíveis para a profissão e para os seus profissionais, defendendo os interesses gerais daqueles que usufruem dos cuidados de enfermagem e os interesses da profissão.
Segundo Leite (2006), foi do resultado deste momento e da mudança do paradigma do sistema educativo (imprescindíveis para adequar as carreiras profissionais em vários domínios), que emergiram o reconhecimento e a valorização da aprendizagem e das competências das especialidades capazes de oferecer respostas específicas.
Para o desenvolvimento profissional do enfermeiro, a evolução na carreira e a aquisição de uma identidade é fundamental para a prática de cuidados. Ribeiro (2011) refere que os enfermeiros têm dificuldade em serem reconhecidos, sendo necessário que estes deem visibilidade social ao sucesso obtido através dos cuidados prestados. Acrescenta ainda que a conquista do reconhecimento dos cuidados de enfermagem e a valorização profissional por parte da sociedade terão que ser estabelecidas através de uma prática diária de reflexão, fundamentando assim a autonomia e identidade profissional, embora se encontrem condicionadas pelo contexto profissional e social em que exercem funções.
Desta forma, passou a ser da responsabilidade dos enfermeiros a promoção da qualidade dos cuidados, a regulamentação do exercício profissional e a definição do que estes fazem, o que devem e como devem fazer e em que condições (Leite, 2006). Na perspetiva desta autora, a produção de novas evidências, resultante do desenvolvimento técnico e científico dos últimos anos, implica uma atualização e uma delimitação do saber por áreas específicas. A mesma acrescenta que o conhecimento aprofundado e a aquisição de competências num determinado domínio específico permitem compreender a pessoa e planear-lhe o apoio assistencial ao longo da vida nos processos de saúde/doença, através de uma análise mais cuidada, proporcionando a implementação de planos de cuidados que facilitem, promovam e estimulem projetos de saúde e qualidade de vida. A formação contínua e a aplicação dos saberes em contexto que permita a reflexão sobre a ação, são fundamentais para o desenvolvimento de competências e para o empoderamento pessoal e profissional (OE, 2005).
2. COMPETÊNCIAS DO ENFERMEIRO ESPECIALISTA EM ENFERMAGEM DE