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4 Análise dos Dados

4.2 Projeto Interdisciplinar e a Questão do Aprender Fazendo

Para demonstrar a importância, motivação dos professores e alunos em trabalhar projetos interdisciplinares é comum os professores recorrerem à parte prática, no sentido de colocar o "conteúdo na prática". No entanto, esse procedimento didático-metodológico não deveria estar atrelado apenas ao desenvolvimento de projetos, mas permear toda a prática docente, já que é por meio do palpável do concreto que se dá o desenvolvimento do aluno, principalmente, na fase da educação básica. Segundo Smole (2009, p. 9):

Para que as crianças possam exercer sua capacidade de criar é imprescindível que haja riqueza e diversidade nas experiências que lhe são oferecidas nas instituições, sejam elas mais voltadas ás brincadeiras ou às aprendizagens que ocorrem por meio de uma intervenção direta.

Constata-se a ênfase na prática atribuída aos projetos nas seguintes falas: Professora (RQ): a partir do momento que eles vão pra parte prática eles fazem com maior facilidade e com maior envolvimento.

Professora (JN): a necessidade de aplicar na prática também

Professora (EL): por que as ciências né, vamos falar das ciências, ela é prática.

A partir dessas exemplificações têm-se a importância desses projetos que foram desenvolvidos pelos sujeitos dessa pesquisa, pois ainda que haja a prática apenas no desenvolvimento dos projetos, de alguma forma, em algum momento, esses alunos puderam sair do espaço "sala de aula" para uma aprendizagem concreta, por meio da experimentação.

A pedagogia de projetos demonstra a importância da prática de acordo com Hernández (1998) é fundamental a aplicação de projetos interdisciplinares como forma de aliar a teoria a prática, pois sua finalidade é alcançar as metas da aprendizagem de forma interdisciplinar. Essa finalidade torna-se imprescindível já que:

No atual momento globalizado, [...] a realidade tornou-se muito complexa para ser compreendida fragmentadamente e, ao buscar- se uma visão integradora de fenômenos e processos, a interdisciplinaridade, mostra-se uma das principais estratégias para

transpor as fronteiras das ciências em busca da articulação entre os saberes (ELALI; PELUSO, 2011, p. 227).

A necessidade dessa articulação, também é colocada como ação transformadora por Freire (1996, p. 43) quando enfatiza que “professores e alunos não serão mais os mesmos depois da praticidade interdisciplinar. Os efeitos implicam na qualidade de vida, formação cidadã mais participativa nas tomadas de decisões no contexto social e refletir sobre uma nova dialética de vida”.

Assim, fica evidente essa "transformação" quando a professora afirma que uma das motivações em desenvolver projetos interdisciplinares é:

Professora (RQ): Eu acho que a gente atinge as crianças de uma maneira mais fácil, a partir do momento que eles vão pra parte prática eles fazem com maior facilidade e com maior envolvimento.

Ou seja, quando se aproxima o aluno de seu cotidiano os ganhos na aprendizagem são visíveis, explícito na fala da:

Professora (GA): Então eu acho ele mais fácil de trabalhar, eu gosto porque as crianças ficam entusiasmados também né. E ali eles vão criando surgem muito mais coisas agregam muito mais conhecimento ao conteúdo, as crianças começam a pesquisar trazer coisas de casa, se envolvem mais, tem atividades dinâmicas e eles adoram participam bem mais do que aqueles conteúdos longe deles eu acho que trazendo mais próximo deles é melhor.

De acordo com o relato das professoras o "aprender fazendo" relacionando a cotidianidade dos alunos é um ponto motivador para o desenvolvimento dos projetos e está fundamentado em Dewey que traz a aprendizagem como “uma reconstrução ou reorganização da experiência, que esclarece e aumenta o sentido desta e também a nossa aptidão para dirigirmos o curso das experiências subsequentes” (ibid, 1959, p. 83). Por isso, o entusiasmo dos alunos e a "facilidade" na aprendizagem, dessa forma a educação deveria ser “considerada parte da própria vida e não uma mera preparação para a vida”. “Se é fazendo que se aprende a fazer, haverá (…) melhor preparação para a vida futura do que praticar vivendo agora?” Kilpatrick (2006, p.15), concluindo que “A educação é para a vida social aquilo que a nutrição e a reprodução são para a vida fisiológica” (Dewey 1959, p. 10).

Baseando-se no "aprender fazendo" Kilpatrick (2006) descreve o método de projetos com o intuito de uma educação baseada na experiência e não dissociada da vida, assim, a facilidade relatada pelas professoras se fundamenta no processo

do trabalho com projetos interdisciplinares que reiteram os autores:

Portanto, trabalhar com projetos interdisciplinares consente a participação de todos, pois só se aprende a “fazer fazendo”, o aluno se envolve no projeto e são motivados a procurarem soluções para os problemas, eles são os construtores do conhecimento, adquirem responsabilidades, e o professor orienta o desenvolvimento interdisciplinar no processo de ensino e de aprendizagem. No entanto, em um projeto interdisciplinar é de fundamental importância nas relações entre as pessoas, os objetos e a natureza (EVANGELISTA; COLARES; FERREIRA, 2009, p. 3-4).

Nessa perspectiva o papel do professor é de mediador a fim de orientar as ações, direcionar as pesquisas, relacionar o ensino com a cotidianidade do aluno, proporcionar as experiências e as oportunidades para que o aluno "aprenda fazendo" de modo a contemplar a complexidade da realidade em que vive e aplicar seus conhecimentos como sujeito de sua aprendizagem.

Evidencia-se nas colocações das professoras que a prática ou o "aprender fazendo" é um facilitador no processo de aprendizagem, bem como motivador, pois aumenta o índice de participação dos alunos, além de contextualizar os conteúdos à cotidianidade dos discentes, mas embora haja essa constatação também fica claro que o uso dessa "prática" ocorre apenas no desenvolvimento de projetos, que acontece apenas uma vez ao ano. No entanto, para que os professores possam cumprir seu papel nesse processo faz-se necessário uma formação inicial e continuada de qualidade, além de estímulo e apoio necessário para o desenvolvimento desses projetos.