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1. A DIVERSÃO DO APRENDER

1.4 Projetos Padrões

No momento atual, muitas edificações escolares, principalmente públicas, adotam um determinado padrão. Existem muitas críticas quanto essa padronização, uma vez que esse fator nem sempre leva em consideração as variáveis específicas do local, resultando assim, em ambientes inóspitos com alta probabilidade a terem problemas de conforto ambiental. É necessário que o projeto padrão possua “flexibilidade, para permitir ajustes a condições peculiares de implantação” (KOWALTOWSKI, 2011, p.101)

Apesar da aplicação regular de projetos padrões para uso de interesse social como escolas, creches e hospitais, o partido arquitetônico busca atender as demandas econômicas, de racionalidade construtiva e funcionalidade, de acordo com as especificações da Companhia de Construções de São Paulo (Conesp). As justificativas para o uso massivo desse padrão são a economia e o tempo de elaboração, além da possibilidade de testar e avaliar o objeto quando construído e corrigi-lo quando necessário (KOWALTOWSKI, 2011).

O fator político também é influenciador desse processo, uma vez que é desejado que o projeto padrão seja identificado por determinado período político, mandato ou administração, servindo como um símbolo da gestão.

Esse caso pode ser exemplificado como a criação dos Centros Integrados de Apoio à Criança (CIACs) na gestão do presidente Fernando Collor, na década de 1990, inspirado em outro projeto padrão do governo de Leonel Brizola no Estado do Rio de Janeiro, trata-se dos Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs) com projetos do arquiteto Oscar Niemeyer, em 1985. Os Centros Educacionais Unificados (CEUs) também é um projeto padrão de marca da administração municipal da prefeita Marta Suplicy, na cidade de São Paulo. Pode-se perceber, então, que várias

propostas são ações separadas e, muitas vezes, desassociadas de um projeto político e pedagógico amplo, fomentando a uma descontinuidade e uma falha para alcançar os objetivos propostos (RIBEIRO, 2004 apud KOWALTOWSKI, 2011, p.104).

Embora elaborados como protótipos, há muitos problemas e críticas a esses projetos, e que se repetem quase na totalidade de suas unidades. Cada vez que são implantados, esses projetos padrão deveriam ser constantemente melhorados para que se tornassem projetos ótimos e mais afinados, principalmente em função do retorno de avaliações pós-ocupação (KOWALTOWSKI, 2011, p.106).

Em uma rápida análise a estes projetos padrões, pode-se dizer que os CIACs foram elogiados pelos avanços tecnológicos por utilizarem um sistema construtivo econômico e leve através de argamassa armada em componentes pré-fabricados (figura 2). Entretanto, se tornou um problema para manutenção, já que necessitava substituir peças inteiras quando estavam danificadas, devido sua técnica construtiva não convencional.

Figura 2 – Exemplo de CIAC no Piauí

Fonte:

<pt.wikipedia.org/wiki/Centros_de_Aten%C3%A7%C3%A3o_Integral_%C3%A0_Crian%C3%A7a_e_ ao_Adolescente >. Acesso em 01 nov. 2019

No caso dos CEUs, como representação da assinatura do governo atual da época, o projeto apresenta uma composição formal de volumes e modulação bem marcada (figura 3). A princípio houveram problemas funcionais devido ao partido da volumetria adotada, posteriormente corrigido na administração seguinte. Esse problema poderia, contudo, ser evitado adotando a prática de projetos mais participativos, principalmente por tratar de um projeto de grandes dimensões, abarcando cerca de 2400 alunos.

Figura 3 - Exemplo de CEU na cidade de Tiradentes

Fonte: <pt.wikipedia.org/wiki/Centro_Educacional_Unificado >. Acesso em 01 nov. 2019

Figura 4 - Exemplo de CIEP Nelson Rodrigues, em Nova Iguaçu

Fonte: <pt.wikipedia.org/wiki/Centros_Integrados_de_Educa%C3%A7%C3%A3o_P%C3%BAblica>. Acesso em 01 nov. 2019

Os CIEPs são instituições idealizadas para a experiência do tempo integral, direcionado a crianças carentes, com o objetivo de complementar a educação com atividades culturais, educativas, esportivas, com alimentação e assistência médica. Os problemas mais recorrentes são, após a gestão de Brizola em 1994, o abandono das instituições e as questões de conforto acústico (figura 4).

Apesar de constantemente criticado por não considerar as peculiaridades do local e o momento da construção, o projeto padrão pode desencadear a proliferação

de falhas, quando a intenção é justamente evitá-las. Nota-se, na realidade, que “faltam correções no processo da repetição e avaliações pós-ocupação comprometidas e responsáveis, o que garantiria implantações futuras com índices de satisfação e qualidade cada vez maiores” (KOWALTOWSKI, 2011, p.108-109).

Como cada região possui sua própria carta solar, com diferente orientação do sol e incidência de ventos, é necessária uma adaptação às aberturas, para preservar o conforto do ambiente. A topografia, conexão com infraestrutura local, sistema estrutural, forma e condições do terreno também são fatores que necessitam de atenção, privando assim, em alguns casos, a vantagem da redução do custo pela produção em série da arquitetura.

Acredita-se que devido à limitação e monotonia das repetições do projeto padrão, poderia se complementar ao incorporar, por parte da participação da comunidade, a definição do programa de necessidades, metodologia de ensino, tamanho e melhor lugar para sua implantação, visto que a produção em série não contribui para a paisagem urbana e se torna inadequado para suprir as necessidades da sociedade por deixar de lado as particularidades da cultura, espaço e tempo.

Apesar disso, os argumentos contrários à utilização desses projetos padrão são pouco difundidos nas discussões sobre arquitetura escolar no país.

Atualmente, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), criado pela Lei nº 5.537 de 1968, é o principal órgão responsável pela implementação e pela execução de políticas educacionais do MEC, onde sua missão é transferir os recursos financeiros e auxiliar os municípios brasileiros, a fim de garantir uma educação de qualidade.

Sob administração do FNDE existem diversos projetos e programas, como Alimentação Escolar, Livro Didático, Dinheiro Direto na Escola, Biblioteca da Escola, Transporte Escolar, Proinfância, Plano de Ações Articuladas, Caminho da Escola, Reestruturação e Aquisição de Equipamentos para a Rede Escolar Pública de Educação Infantil. É através dele que projetos padrão podem ser acessados com o objetivo de apresentar infraestrutura física aos projetos e programas aos quais oferece. Como é o caso do incentivo do Programa Nacional de Reestruturação e Aquisição de Equipamentos para a Rede Escolar Pública de Educação Infantil (Proinfância), que visa garantir o acesso de crianças a creches e escolas.

O programa opera sobre duas linhas complementares sendo a primeira a assistência técnica e financeira do FNDE à construção de creches e pré-escolas com

projetos padronizados fornecidos pelo mesmo (oferece-se dois tipos), ou com a possibilidade de inserir projetos elaborados por arquitetos locais; e a segunda trata da aquisição de mobiliário e equipamentos adequados ao funcionamento da rede física escolar da educação infantil. Quanto à tipologia padrão, ambas seguem as recomendações do MEC com base no documento denominado “Parâmetros Básicos de Infraestrutura para Instituições de Educação Infantil”.

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