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PROPOSTA DO PLANFOR PARA QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL

CAPÍTULO II: O PLANO NACIONAL DE QUALIFICAÇÃO DO TRABALHADOR – PLANFOR

QUADRO V PLANFOR GRUPOS PRIORITÁRIOS PARA ATUAÇÃO.

2.2. PROPOSTA DO PLANFOR PARA QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL

A definição do PLANFOR, como um plano de massa, expressou a meta de atendimento anual de 20% da PEA, que soma perto de 72 milhões de pessoas a serem atendidas pelo plano durante sua execução, maiores de 16 anos, ocupadas e desocupadas, provenientes tanto do setor formal como informal. Segundo o Guia do PLANFOR (2001), a meta do plano era de promover a qualificação profissional para cerca de 15 milhões de trabalhadores ao ano e, para atingir esta meta, foram estruturados três eixos, citados no documento como fundamentais para o desenvolvimento do plano: a articulação institucional, o avanço conceitual e o apoio à sociedade civil.

O avanço conceitual pautava-se na construção e consolidação de um novo enfoque metodológico e operacional para a EP que deveria contemplar algumas dimensões:

a) foco na demanda do mercado de trabalho assim como o perfil da população alvo, reunindo interesses e necessidades dos trabalhadores empresários e comunidades;

b) direito do cidadão produtivo, em bases contínuas, permanentes, em caráter complementar à Educação Básica;

c) desenvolvimento integrado a habilidades básicas, específicas ou de gestão do trabalhador mediante a oferta de cursos, treinamentos, assessorias, extensão, entre outros;

d) atenção à diversidade social, econômica e regional da PEA.

O avanço institucional pautava-se na mobilização e articulação de novos atores envolvidos no desenvolvimento da EP, consolidando uma nova institucionalidade desta modalidade de ensino no país, atuando na qualificação de forma descentralizada. Já sobre o apoio à sociedade civil, buscava, por meio da qualificação em massa, levar a formação profissional aos trabalhadores.

O PLANFOR baseou-se em dois conceitos de qualificação para promover suas ações: o primeiro pautava-se exclusivamente na possibilidade de encaminhamento e colocação no mercado de trabalho, visto como etapa final e necessária das ações de qualificação profissional, no caso, de pessoas desocupadas, a fim de explorar todas as possibilidades de trabalho digno e geração de renda existente na comunidade: estágios, associações, cooperativas, formação de micro empreendimentos, empregos assalariados.

O segundo buscava a qualificação no sentido de elevação da escolaridade, destacando a prioridade aos grupos vulneráveis, inclusive de baixa escolaridade, alertando que eles as ações deveriam ser intensificadas por meio de cursos de alfabetização e cursos

supletivos de Ensino Fundamental e Médio, para que esses grupos pudessem competir no mercado – além de conquistar direitos básicos de cidadania. Pessoas de baixa escolaridade, sem requisitos para os programas de qualificação, deveriam ser encaminhadas ao PLANFOR e, a elas, destinadas os apoios para a realização de cursos supletivos e reforço de habilidades básicas, integradas a ações de qualificação, com metodologias flexíveis, ágeis e motivadoras.

Em nossas leituras, percebemos que o termo educação profissional é genericamente utilizado, no Guia do PLANFOR (2000), para designar ações permanentes, continuadas, que envolvem cursos, treinamentos, oficinas, seminários assessorias, que são entendidas como possibilidades efetivas de desenvolver “habilidades básicas, específicas e/ou de gestão necessárias para o trabalho em geral ou em determinada área ou setor econômico”. (BRASIL, 2000: 87).

O PLANFOR buscava ofertar a formação em sintonia com a demanda de um perfil amplo de trabalhador, com atributos definidos por novas competências e, para isso, tinha um papel fundamental no desenvolvimento das habilidades básicas e de gestão. No entanto, embora anunciasse a pretensão de institucionalizar a Educação Profissional como uma nova forma de ensino, na avaliação das ações e programas efetivados, considera-se que há uma grande perda qualitativa, em relação às atividades formativas já ofertadas tradicionalmente pelas entidades que operavam nesse campo.

Bulhões (2004) destaca três idéias centrais previstas pelo programa referente à concepção da Educação Profissional:

1) a negação da dicotomia entre a Educação Básica e a Educação Profissional e da sobreposição da segunda pela primeira;

2) a formação profissional deve enfatizar o desenvolvimento de habilidades e conhecimentos básicos, específicos e de gestão voltados para o desenvolvimento de indivíduos que são, ao mesmo tempo, trabalhadores e cidadãos, competentes e conscientes;

3) o reconhecimento e a valorização dos saberes adquiridos mediante as experiências do trabalho e seu credenciamento, possibilitando o reingresso no sistema educacional formal (MTE/SEFOR, 1995: 9).

Os estudos de Bulhões (2004) levam em conta as novas exigências de qualificação e considera, ainda, a Educação Profissional como um instrumento para o desenvolvimento da cidadania de uma força de trabalho que, no país, majoritariamente não possuía mais do que quatro anos de escolaridade básica e tinha poucas chances de voltar à escola. Desse modo, o PLANFOR propôs-se a desenvolver, pelas ações de qualificação, habilidades básicas, específicas e de gestão.

Sendo que a melhoria de competências básicas e a elevação de escolaridade foram propostas por meio de treinamento de habilidades básicas em cursos de qualificação e, ainda, por meio de cursos de alfabetização e supletivos do Ensino Fundamental e Médio, no âmbito do PLANFOR.

A maioria dos cursos oferecidos pelo PLANFOR, nos anos 1999/2000, tiveram carga horária média de 94 horas por pessoa, e conforme o relatório de avaliação gerencial do MTE de 2000, essa média “equivale a uma formação de curta duração, segundo os padrões internacionais” (BRASIL, 2000: 8). Nossa compreensão esse respeito é que o tempo destinado à capacitação não pode ser considerado um valor baixo para uma atividade de treinamento, porém, quando se considera o baixo nível de escolarização da PEA, esta carga horária, aliada ao fato de que foram desenvolvidos cursos estanques sem qualquer articulação com a oferta do ano anterior ou em relação ao ano seguinte, nos leva a afirmar que esta política careceu de condições objetivas para desenvolver e formar um perfil amplo de trabalhador como foi proposto.

2.3. MECANISMO PARA OPERACIONALIZAÇÃO E IMPLEMENTAÇÃO DO