Esta subseção apresenta a proposta do Governo do Estado de Minas Gerais de reativação de sua malha ferroviária para o transporte de passageiros como uma das alternativas para solucionar as demandas relativas à mobilidade urbana. Toda esta subseção foi retirada do sítio eletrônico da Secretaria de Estado Extraordinária de Gestão Metropolitana (SEGEM) (MINAS GERAIS, 2013).

Em 2012, o Governo do Estado de Minas Gerais lançou o projeto “Transporte sobre Trilhos Regional e Metropolitano” (TREM). Este projeto visa reativar a malha ferroviária para o transporte de passageiros da Região Metropolitana de Belo Horizonte como alternativa para solucionar as demandas relativas à mobilidade urbana. Os estudos técnicos para a obtenção do modelo de implantação de um Sistema de Transporte sobre Trilhos de passageiros com abrangência metropolitana na RMBH, estão sendo realizados pelo Governo de Minas Gerais, pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e por empresas do setor metroferroviário. Esse sistema deverá ser operado por uma ou mais Parcerias Público-Privadas (PPP) e aproveitará as linhas férreas existentes

74 com o objetivo de aproveitar a infraestrutura, reduzir a necessidade de desapropriação e o custo de implantação, além de oferecer melhorias para o transporte de cargas. As ferrovias já existentes são divididas nos seguintes lotes (cf., FIG.4.5 e 4.6):

i. Lote 1 - Divinópolis – Betim – Belo Horizonte – Sete Lagoas ii. Lote 2- Belo Horizonte – Brumadinho – Águas Claras – Eldorado

iii. Lote 3: Belo Horizonte – Nova Lima – Conselheiro Lafaiete – Ouro Preto

Desta forma, haverá o compartilhamento da faixa de domínio entre os serviços de transportes de passageiros e o de cargas. Para isso, a “infraestrutura proposta deverá ser compatível com o serviço e maquinários atualmente utilizados para o transporte de cargas, considerando-se seu aproveitamento para tal finalidade nos horários em que o serviço de transporte de passageiros não estiver em operação”. Para que ocorra o maior atendimento a diversas regiões e às aglomerações urbanas, propõe-se a integração entre o trem proposto com os transportes existentes, como o trem urbano de Belo Horizonte e o transporte coletivo por ônibus (sistemas metropolitano e municipal). Portanto, “o serviço de transporte de passageiros será urbano e/ou metropolitano, nos trechos onde este for necessário, conforme os estudos de demanda”. Esta proposta abrangerá, inclusive, o atendimento ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, sendo possível que a iniciativa privada ofereça serviços diferenciados em relação ao serviço tradicional de transporte urbano e/ou metropolitano, como os serviços executivos, disponibilizando vagões com mais conforto.

Figura 4.5 - Mapa Geral da Região Metropolitana de Belo Horizonte e a rede ferroviária existente.

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Figura 4.6 - Mapa da Lote 1 da Região Metropolitana de Belo Horizonte e a rede ferroviária existente.

Fonte: adaptado MINAS GERAIS, 2012

A vantagem da implantação dos serviços de transporte sobre trilhos de passageiros, o TREM, é que a infraestrutura atual existente passa por 21 dos 34 municípios da RMBH, ou seja, atenderá a aproximadamente 62% dos munícipios, desde centros populacionais da capital e da Região Metropolitana (Barreiro, Contagem, Betim, Vetor Norte) e centros de desenvolvimento regional como Sete Lagoas, Divinópolis, Conselheiro Lafaiete e Ouro Preto. Além disso, proporcionará o desenvolvimento urbanístico e econômico e a redução do congestionamento no sistema rodoviário e dos impactos ambientais dos deslocamentos na região metropolitana. Esse projeto tem quatro fases, com previsão de início de janeiro/2012 até fevereiro/2014 (data da assinatura da concessão):

(i) Diagnóstico e modelagem preliminar (janeiro/2012 a fevereiro/2013): a partir da pesquisa de campo e de outros estudos, obtém-se um diagnóstico com o qual identifica-se a estrutura hoje e como os serviços poderão ser executados e concedidos à iniciativa privada. “Além disso, os estudos incluem estimativas de custos e dos impactos ambientais e sociais, positivos e negativos, da implantação do projeto” (MINAS GERAIS, 2013);

(ii) Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) (segundo semestre/2012 a fevereiro/2013): esta fase está relacionada à captação do interesse da iniciativa privada em participar do projeto e à sua colaboração com informações relevantes

76 para o desenvolvimento de um melhor modelo a ser implantado, para potenciais soluções para o aproveitamento da malha ferroviária e infraestrutura existentes e para apresentação de “tecnologias disponíveis para os diversos sistemas associados à implantação do serviço: trens, sistemas de controle e automação, bilhetagem/cobrança e outros” (MINAS GERAIS, 2013);

(iii) Modelagem econômico-financeira e elaboração do Edital (fevereiro/2013 a julho/2013): com todas as informações anteriores (fases i e ii), “o Estado define os parâmetros básicos e estrutura o modelo operacional e institucional para implantação do serviço” (serviços a serem ofertados, modelos de concessão, documentos legais, entre outros. Ressalta-se que “todos os documentos do projeto são submetidos à Consulta Pública, para que a sociedade debata e proponha melhorias e adequações ao projeto”; e

(iv) Concessão e operação (julho/2013, assinatura da concessão, fevereiro/2013 e, a partir desta data, implantação e operação do sistema): publica-se o edital, posteriormente, promove-se a licitação pública para as concessões, e “os grupos vencedores terão um prazo para implantação dos serviços e início das atividades. Os contratos de Parceria Público-Privada (PPP) têm prazo de 30 anos”.

Neste contexto da área de estudo, verifica-se que a importância da oferta de outros modos de transportes para a Região Metropolitana de Belo Horizonte e a preocupação com a mobilidade urbana, já estão no planejamento do governo estadual, ampliando as possibilidades de sua implantação. A reativação do transporte sobre trilhos, em especial, para o acesso ao aeroporto pode vir a ser um facilitador nos deslocamentos de passageiros, assim como de pessoas de diversas localidades e de seu entorno, além de ser um propulsor do desenvolvimento da região. Portanto, esta pesquisa poderá contribuir para que a proposta do governo possa ser realizada de acordo com os critérios de escolha do modo de transporte e das necessidades de seus futuros usuários.

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5 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS

Esta seção apresenta os resultados alcançados e a análise dos dados obtidos. Ela foi dividida em subseções, seguindo a ordem dos objetivos específicos, nas quais constam o perfil da amostra, os critérios e influências na escolha do modo de transporte, o transporte utilizado e as características do deslocamento no dia da coleta, a percepção dos passageiros quanto aos modos de transportes e ao acesso disponíveis. Apresenta, ainda, a preferência dos passageiros com a inclusão do transporte sobre trilhos e a possível migração do transporte individual para o transporte coletivo, seja por ônibus ou pelo transporte sobre trilhos.

No documento Acesso ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, MG: uma análise da preferência dos passageiros quanto ao modo de transporte (páginas 97-101)