4. CAPÍTULO - CASO DE ESTUDO
5.5. PROTÓTIPO FINAL
No seguimento deste projeto foi selecionado para desenvolvimento e aperfeiçoamento do protótipo final
o conceito 1 - Sem desperdício: Versão 3, como referido anteriormente.
Para dar início a esta etapa foi necessário fazer uma retrospetiva do que tinha vindo a ser constatado e
observado nos resultados obtidos durante todo o projeto. Assim sendo, foi feita una reflecção de diferentes
fatores que, foram considerados cruciais para a diferenciação do produto tais como:
- A versatilidade do produto foi novamente colocada em ponderação. Surgiu a hipótese de transformar
a peça de camada intermédia que cobria o tronco, numa peça que se prolongasse até à zona na anca, podendo
ainda ser utilizado como túnica ou vestido;
- A adaptabilidade da mesma peça a diferentes fisionomias prende-se devido à zona da cintura ser
plissada, isso possibilita a que se obtenha mais ou menos concentrado de formas geométricas no material
que se ajusta assim à cintura do utilizador. Para que o utilizador possa ter um maior controlo do ajuste que
deseja da peça, foi considerada a possibilidade de incluir um cinto independente que, também ele fosse
possível de adaptar a cada estatura.
- Considerando que a cintura se ajusta a diferentes formas, coloca uma nova possibilidade: o ajuste do
peito. Assim foram colocados colchetes de metal pelo interior do trespasse com três posições/níveis
reguláveis (três fêmeas de colchete para diferentes posições de encaixe).
- Uma característica considerada distinta na peça foi a sua gola que confere ao modelo um aspeto
minimalista. Mas como nos protótipos não se verificou muita resistência da sua firmeza, optou-se por
colocar um reforço de entretela com esponja em torno de todo o decote. Foi decidido ainda aumentar à
altura da gola para conferir uma configuração mais dissemelhante.
- Nas peças desenvolvidas no decorrer do projeto, a aparência das cavas não estava totalmente
satisfatória. Para além de necessitar de processos de confeção mais complexos (como a colocação de
colarete que tinha de ser depois virado e pespontado ou a cava ser chuleada e também virar o chuleio para
dentro com um pesponto) eram notados os volumes nas cavas à volta que não se consideravam visualmente
atrativos. Assim, como era também necessário o reforço do interior da peça desde a parte do peito e por
toda a gola com a entretela, optou-se pela colocação de uma camada interior que era unida à peça no ponto
preso, que virada não mostrava quaisquer costuras. Desta forma, resolviam-se duas questões: As entretelas
ficavam escondidas entre as duas camadas e era possível dar o acabamento nas cavas com a união das
camadas na máquina de ponto preso (um único processo) que confere um acabamento limpo pelo exterior.
A posição das cavas foi também ajustava pois era necessário que existisse uma maior distância entre
elas. Este facto condicionava a liberdade de movimentos do utilizador e colocava demasiada concentração
de material na parte da frente da peça.
- No protótipo do conceito selecionado, com a quantidade de material na frente fazia com que o trespasse
das duas camadas fosse excessivo. Ao reposicionar as cavas, era já evidente uma melhoria neste ponto, mas
para que o resultado fosse ainda mais satisfatório, o valor do trespasse foi diminuído 20 centímetros.
Depois de todas estas deliberações foi iniciado o processo de desenvolvimento do protótipo final. A
figura 60 apresenta o molde com todos os detalhes e alterações referidas anteriormente.
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Figura 60. Molde do conceito e protótipo final - Sem desperdício
Fonte: Desenvolvido por método próprio
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O material a foi cortado após ter sido riscado pelos moldes desenvolvidos com recurso a ferramentas
CAD durante o processo anterior.
Este componente da peça já cortado foi colocado entre as duas camadas de cartão kraft com o padrão
espiga como é possível observar na figura 61, para ser feito o plissado.
Figura 61. Material entre as camadas de cartão kraft
Fonte: Desenvolvido por método próprio
Para que as formas ficassem bem definidas, o cartão kraft com o material no interior foi apertado o mais
possível, para tentar obter vincos perfeitos. Na figura 62 vê-se o padrão apertado com cordões que forçavam
e faziam pressão em diferentes pontos. Seguindo assim para o forno para plissar.
Figura 62. Material pronto a plissar
Fonte: Desenvolvido por método próprio
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Depois de ir ao forno de vapor, à temperatura de 93º durante cerca de 50 minutos e, depois de arrefecer,
o material foi retirado de entre as duas camadas de cartão obtendo um resultado bastante satisfatório: os
vincos ficaram bem definidos e a formam volumetrias como é possível observar na figura 63.
Figura 63. Material plissado
Fonte: Desenvolvido por método próprio
Seguidamente foram coladas na prensa as camadas de entretela no material na parte superior do modelo
que conferem um aspeto hirto à peça e passou-se para a composição da estrutura do produto final.
Evitando a confeção nas extremidades da peça e de forma também a que o resultado final seja um
acabamento limpo, sem linhas visíveis e de baixa complexidade de confeção, os contornos foram feitos
com entretela que cola de ambos os lados, virando o valor de quatro centímetros e com o vapor da prensa,
esta etapa ficava assim concluída.
Após os contornos estarem concluídos, foi feita a união das duas camadas na parte da gola até à zona
do peito. Como as entretelas já tinham sido aplicadas anteriormente, passou-se para a união das duas partes
e, para isso, foi utilizada uma máquina de ponto preso. Primeiro foram unidas as cavas à volta e só depois
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foram fechados os limites do modelo, ambas feitas pelo interior da peça para que depois de virar a peça,
todos os processos de confeção ficassem invisíveis.
Como peça independente, desenvolveu-se o cinto da mesma malha com uma camada de entretela. Este
aparece na figura 64 a ser confecionado na máquina de ponto preso a toda a volta que, depois de virado,
fica igualmente sem costuras visíveis.
Figura 64. Cinto a ser confecionado
Fonte: Desenvolvido por método próprio
Finalmente passou-se para a colocação dos colchetes, com linha à cor da malha e cosidos à mão. Foram
colocados quatro colchetes machos desde a gola até ao nível do peito do lado esquerdo da peça vestida. Do
lado direito, na mesma direção dos colchetes machos colocados anteriormente, foram postos três níveis de
colchetes fêmea, para permitir o ajuste a diferentes fisionomias, como se pode observar na figura 65.
Figura 65. Colocação dos colchetes
Fotografia de Filipe Araújo. Modelo Patrícia Vicente.
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Por fim, com a peça concluída, com todas estas alterações pensadas para o protótipo final, surgiu a ideia
de realizar uma sessão fotográfica de forma a melhor expor todos os detalhes no presente documento e a
dar ao produto um formato mais realista, fazendo com que a imagem da peça final fosse determinada por
um aspeto profissional e consistente.
A sessão foi realizada no laboratório de audiovisuais do IPCA com a colaboração do fotógrafo Filipe
Araújo e da modelo Patrícia Vicente.
Inicialmente foi necessário fazer o ajuste da luminosidade, sombras, reflexos entre outros detalhes para
que tudo estivesse preparado para iniciar a sessão fotográfica. Como a modelo tem o cabelo longo,
optou-se por fazer um penteado amarrado para que não obstruísoptou-se a visão do produto.
As primeiras fotografias realizadas prenderam-se à amostragem do produto, exibindo a sua simplicidade
tanto na sua geometria, como no facto de ser apenas composto por dois componentes. A figura 66 mostra a
peça segura pelas mãos da modelo em aberto e com a peça em meio fechado.
Figura 66. Protótipo final - “Sem desperdício”
Fotografia de Filipe Araújo. Modelo Patrícia Vicente
Seguidamente a modelo vestiu o protótipo e, nas figuras que se seguem, foram captados todos os
detalhes do protótipo, de várias perspetivas e com a modelo em diferentes posições, destacando as
configurações e detalhes da peça, os pormenores de confeção e os aspetos diferenciadores do produto.
As figuras 67 e 68 apresentam a modelo de uma perspetiva isométrica e de costas, que permite observar
a peça com o plissado na zona da cintura, o aspeto da gola visto da lateral e de costas e a função de ajuste
do cinto. Destes ângulos é impercetível o tipo de peça que a modelo está a vestir: se a peça se trata de um
casaco, de um vestido ou de uma túnica, o que deixa em aberto ao imaginário de cada um.
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Figura 67. Protótipo final - “Sem desperdício” – Perspetiva isométrica
Fotografia de Filipe Araújo. Modelo Patrícia Vicente.
Figura 68. Protótipo final - “Sem desperdício” – Perspetiva de costas
Fotografia de Filipe Araújo. Modelo Patrícia Vicente.
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De uma perspetiva frontal a peça destaca-se de imediato pela sua tipologia versátil.
Na sessão fotográfica realizada optou-se pelo uso de calças na modelo, ou seja, a peça estava usada
como túnica. Caso o utilizador preferisse o uso como casaco, podia manter a peça com opção de apertar ou
sem apertar. Para usar a peça como vestido, seria necessário apertar a peça até à zona da sua base para que
a zona da anca ficasse assim coberta. Nas figuras 69 e 70 mostra-se o protótipo na posição frontal descrita
anteriormente, com a modelo em diferentes posições.
Figura 69. Protótipo final - “Sem desperdício” - Frontal
Fotografia de Filipe Araújo. Modelo Patrícia Vicente
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Figura 70. Protótipo final - “Sem desperdício” - Frontal
Fotografia de Filipe Araújo. Modelo Patrícia Vicente
Focando nos pormenores do protótipo, a figura 71apresenta detalhes como a gola subida de uma visão
mais aproximada e a colocação dos colchetes com os diferentes níveis de aperto. Estas figuras mostram
ainda o aspeto do cinto apertado na frente (feito também com um colchete). É ainda possível observar com
maior exatidão os vincos delineados do plissado e as volumetrias criadas na zona da cintura, que é um dos
principais aspetos diferenciadores e de destaque da peça, bem como o acabamento limpo das cavas e do
decote/gola a toda a volta.
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Figura 71. Protótipo final - “Sem desperdício” - Pormenores
Fotografia de Filipe Araújo. Modelo Patrícia Vicente
Numa conceção mais artística, a modelo foi fotografada com alguns adereços como óculos de sol, em
posições aleatórias e descontraídas, com o foco de promoção da peça. Nas figuras 72 a 74 apresenta-se o
produto final como resultado de todos os aspetos abordados anteriormente.
Figura 72. Protótipo final - “Sem desperdício”
Fotografia de Filipe Araújo. Modelo Patrícia Vicente.
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Figura 73. Protótipo final - “Sem desperdício”
Fotografia de Filipe Araújo. Modelo Patrícia Vicente.
Figura 74. Protótipo final - “Sem desperdício”
Fotografia de Filipe Araújo. Modelo Patrícia Vicente.
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Para última demostração da peça, foi criado um envolvente para captar o movimento do produto.
Assim, a modelo despiu-o e fez movimentos aleatórios com a peça nas mãos, balançando-a. Na figura
75 são observáveis principalmente as volumetrias do plissado.
Figura 75. Protótipo final - “Sem desperdício”
Fotografia de Filipe Araújo. Modelo Patrícia Vicente.
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CONCLUSÕES E TRABALHO FUTURO
A presente investigação foi despontada no sentido de análise e exploração de conhecimentos
integrantes na profissão de modelista. Assim, o projeto surge como tentativa de incrementar conteúdos de
resolução simples e diferenciados para os desafios que surgem diariamente nestas funções.
Em virtude do estudo em Design e Desenvolvimento do Produto, onde é instigada a inovação,
criatividade e a resolução de problemas, é questionada a metodologia de projeto modular têxtil
convencional e, como uma intervenção distinta e não convencional no processo de modelação poderia
influenciar positivamente o produto final têxtil bem como algumas das etapas do ciclo da indústria da moda.
Na indústria do vestuário existe um forte vínculo à modelação convencional, derivado sobretudo ao
assentamento nas formas do corpo. Também é válido que cada vez mais os criadores procuram a
diferenciação das suas peças, com formas arrojadas, onde a modelação pode ter um forte contributo e uma
vantagem para essa distinção.
É necessário conhecer a realidade e complexidade das funções deste setor para que assim se possam
desenvolver modelos de intervenção adaptáveis, eficazes, versáteis e de baixa complexidade.
Do ponto de vista do despertar o interesse do consumidor, foi importante raciocinar como, de entre
várias alternativas e atributos de cada produto, é tomada a decisão de compra, como este aborda e pensa
acerca do produto, o que espera do mercado e o que sente para que o conduza à seleção desse mesmo
produto.
Após a análise das informações obtidas o auxílio do design como ferramenta para o desenvolvimento,
idealização, experimentação e orientação do processo de conceção de ideias (com esboços e
experimentação dos conceitos), foi considerado como ponto fundamental na evolução do projeto.
Foi ainda importante perceber como um produto tão arrojado se adaptaria às formas do corpo, como
os utilizadores teriam de se comportar face à sua utilização e quais as principais preocupações e dificuldades
que cada conceito poderia influenciar na escolha do consumidor.
O produto final resultante deste projeto derivou dos objetivos e problemas colocados à investigação.
As suas características atentam a importância das questões sociais e ambientais, da simplicidade da
construção, sem descurar de uma solução final caracterizada pela sua distinção e diferenciação.
O protótipo final foi desenvolvido com base nos conceitos trabalhados durante o processo de conceção
de ideias, de acordo com os materiais e os processos de fabrico apropriados. A viabilidade do projeto foi
determinada pelo levantamento dimensional da peça que consegue agrupar diferentes tamanhos, pela
escolha dos acessórios como a colocação de colchetes para proporcionar a versatilidade e adaptabilidade
da peça a diferentes fisionomias, respondendo assim a um design universal.
Considerando estas abordagens, é de salientar que o conceito “Sem desperdício” é uma solução
arrojada, diferente das ofertas existentes no mercado.
Relativamente a implicações teóricas, o presente trabalho potenciou um aprofundamento do
conhecimento acerca do setor têxtil, como se processam as respostas em cada uma das etapas do ciclo da
indústria da moda, ditadas diariamente pelos desafios colocados pelas tendências. Em especial atenção e
importância refere-se a etapa da modelação têxtil onde foram assimilados novos conhecimentos,
perspetivas e métodos de conceção.
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Em suma, conclui-se que o ciclo da indústria da moda pode ser intervencionado nas suas etapas através
da transformação da metodologia de trabalho durante o processo de modelação do produto.
Em seguida é apresentado na figura 76 o ciclo da indústria da moda apresentado anteriormente na
investigação, comparado com a reestruturação implementada pelo produto final desenvolvido.
Os resultados obtidos pelo estudo apresentaram alterações principalmente na escolha do material
(produzido através dos fios de plástico reciclado recolhidos do oceano) e na simplificação do processo de
modelação com o reduzido número de componentes que consequentemente exigem menos processos de
confeção. Para a comparação dos diagramas, no ciclo reestruturado aparecessem destacadas a cor azul as
alterações aplicadas ao ciclo da indústria da moda e a verde as alterações que se pretendem fazer
futuramente.
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Figura 76. Ciclo da indústria da moda intervencionado
Fonte: Desenvolvida por método próprio
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Perspetivando o futuro do projeto, é necessário refletir acerca do que ainda poderá ser feito para
melhorar o resultado final.
De forma a perceber a opinião do consumidor final acerca do produto, seria necessário começar pela
realização de testes de usabilidade, aprofundando assim o tema, perspetivando um possível redesign da
peça caso os utilizadores considerassem necessário ajustes.
Seguidamente, era desejado fazer a aplicação do material de sobra de corte da peça (zona das cavas).
Uma possível solução prevista seria a emprego do material no fabrico das etiquetas da peça e assim, o
produto seria totalmente sem desperdício.
É ainda esperado que o projeto contribua para a evolução do setor da modelação têxtil e para perceção
da necessidade da exploração de novas técnicas que venham apoiar os novos padrões da moda mundial,
simplificando o processo convencional de modelação de uma peça de vestuário.
Como projeto de investigação, era pretendido a sua utilidade e auxílio para futuras investigações tanto
sobre questões de modelação têxtil como sobre design de moda aliada às questões da sustentabilidade dos
seus produtos e do setor da indústria têxtil.
Relativamente ao consumismo, era esperado fazer ação de sensibilização como forma de reflecção
acerca da filosofia de compra, expondo juntamente com o produto a informação do seu ciclo de produção,
para que o consumidor possa conhecer todo o percurso do produto até ao momento de compra,
sensibilizando também para a forma de descarte da peça, estimulando o utilizador a recorrer à reciclagem
do produto.
Dando continuidade ao processo criativo de design com foco na modelação não convencional, é
objetivo futuro desenvolver uma gama de peças de vestuário motivada pelos mesmos princípios de
valorização, podendo exibir peças originais, resultantes de processos com especial atenção ao bem-estar do
utilizador e do meio ambiente.
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