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QUALIDADE DE VIDA E CUIDADOS COM A SAÚDE

Roberta Marostega Feck

QUALIDADE DE VIDA E CUIDADOS COM A SAÚDE

Com a aquisição da deficiência, os participantes apontaram mudanças que passaram a ser importantes em seu dia a dia. Entre as quais se observa cuidados com a saúde, regularidade nos acompanhamentos médicos, sendo estes especialistas de acordo com as necessidades, e a importância da prática esportiva.

M18: “Ter uma boa saúde e praticar exercícios físicos regularmente.” M48: “Ter saúde e poder trabalhar, prática de esporte e ir ao médico”. M30 “Praticar esportes, tomar medicação corretamente”.

M40: “Se sentir bem, praticar atividade física”.

M27: “Realizar atividade física e regularidade no acompanhamento médico e especialistas”.

Esses dados propõem uma reflexão em torno do acesso à prática de atividade física/esportiva e sua relevância na saúde e qualidade de vida das pessoas com deficiência, pois este item foi abordado de forma unânime pelos participantes. Diante disso, infere-se que esta prática é compreendida como essencial quando relacionada à promoção da saúde destes indivíduos.

Com isso, se torna imprescindível disponibilizar espaços de prática de atividade física/esportiva para pessoas com deficiência física. Neste contexto, a acessibilidade se torna item fundamental, ampliando a autonomia das pessoas com deficiência

ultrapassando o campo estrutural e arquitetônico, mas também provendo condições de acesso ao trabalho, ao lazer, à educação, à saúde, esporte e/ou atividade física, dentre outros.

De maneira conceitual, a partir da Lei Brasileira nº 13.146 de Inclusão da Pessoa com Deficiência, acessibilidade é definida em seu art. 3º como possibilidade e condição de alcance para utilização com segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação e comunicação, inclusive seus sistemas e tecnologias, bem como de outros serviços e instalações abertos ao público, de uso público ou privados de uso coletivo, tanto na zona urbana como na rural, por pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida (BRASIL, 2015).

Conforme Sassaki (2003), a acessibilidade se aplica a diferentes áreas da sociedade não se limitando apenas a acessibilidade arquitetônica, mas abrangendo mais cinco campos, sendo elas, atitudinal, programática, comunicacional, metodológica e a instrumental.

CONCEITO DE SAÚDE

Esta categoria balizadora do objetivo do presente estudo relevou que o conceito de saúde dos participantes, está associado à presença e/ou ausência de doenças, da possibilidade de praticar esporte, bem como a ausência de dor e enfermidades.

M25: “Estado físico mental, social que não há enfermidades.” M30: “viver bem, praticar esportes, ausência de dor”.

M40: “Se sentir bem, praticar atividade física.”

M18:” Estar bem, praticar esporte, isto é saúde coisas que pessoa sem deficiência não fazem muitas vezes, mostrar que não precisamos de piedade”.

De forma geral, nota-se novamente a interferência da deficiência sobre as respostas, bem como a vinculação da saúde à prática do esporte, contribuindo na inserção e atuação social destes indivíduos. Para Mendes e De Paula (2008), uma sociedade realmente inclusiva implica na compreensão da diversidade humana em sua totalidade, garantindo às pessoas com deficiência uma vida autônoma e independente, em que elas possam ser sujeitos protagonistas de suas histórias e em suas decisões, rompendo os estigmas culturais da sociedade.

potencial dos dados pelas suas características, ou seja, a contribuição dos sujeitos com suas respostas, desperta para uma reflexão de que deficiência física não se associa a inutilidade, exclusão e uma vida sem atividades ou improdutividade. Os resultados apontaram que a pessoa com deficiência física pode ser ativa e ter uma atuação social com práticas saudáveis.

CONCLUSÃO

Ao tentar apresentar o conceito de saúde a partir da concepção de pessoas com deficiência física é uma oportunidade de ressignificar concepções sobre a pessoa com deficiência.

O conceito saúde, é ainda associado à presença e/ou ausência de doenças ou a concepção a ausência de enfermidades, bem como a possibilidade da prática de atividade física/esportiva, passando a ser mais um processo coletivo. Em conclusão, a prática esportiva produz efeito positivo ao relacionar-se com o tema saúde.

Os registros apontam que ainda existem fragilidades acerca do conceito de saúde sob a perspectiva de pessoas com deficiência física e que cada vez mais se faz necessárias discussões que possam fortalecer a temática sobre saúde, deficiência física e suas relações. A partir destas reflexões, cria-se a possibilidade de fomentar o surgimento de espaços que oportunizem diálogos; mais socialização e um novo olhar para a pessoa com deficiência.

Estratégias para estudos e grupos seriam interessantes para que pudessem emergir possibilidades de ser (re) pensadas pela sociedade de forma geral sobre a deficiência e sua relação com a saúde.

É importante salientar que as pessoas com deficiência não precisam de pena e compaixão, só precisam de mudanças e oportunidades para que haja cada vez mais a promoção da autonomia, da qualidade de vida, potencializando ações na sociedade.

REFERÊNCIAS

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MENDES, Bruna C.; DE PAULA, Nilma Morcerf. A hospitalidade, o turismo e a inclusão social para cadeirantes. Revista Turismo em Análise, v. 19, n. 2, p. 329-343, 2008.

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SASSAKI, Romeu Kazumi. Inclusão no lazer e no turismo: em busca da qualidade de vida. São Paulo. Áurea, 2003.

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