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QUALIDADES DO AR INTERIOR QAI, ESTUDOS NACIONAIS E

1 INTRODUÇÃO

2.2 QUALIDADES DO AR INTERIOR QAI, ESTUDOS NACIONAIS E

2.2.1 Estudos nacionais

No Brasil, ainda são escassos os estudos referentes à QAI em ambientes acadêmicos. Após pesquisa bibliográfica foram encontrados alguns estudos precursores do tema no país, conforme o quadro 3.

Quadro 3 - Estudos nacionais relacionados a parâmetros de QAI.

Fonte:Quadro elaborado pelo autor a partir de COMIN, T. T., (2012).

Pesquisadores Ano Local Temp. Umid. CO₂

MESQUITA E ARAÚJO 2006 Brasil X X X

COUTINHO FILHO et al. 2006 Brasil X X

NASCIMENTO 2008 Brasil X X

ALVES 2009 Brasil X X

É interessante ressaltar que os estudos eram concentrados em cidades da região sudeste, em especial, as de São Paulo e do Rio de Janeiro. Atualmente, observa-se uma difusão do tema e alguns estudos recentes encontram-se sintetizados a seguir.

Em 2006, Mesquita e Araújo (2006) analisaram os níveis de CO2, temperatura e umidade relativa do ar em ambientes acadêmicos do campus da Universidade de Fortaleza - UNIFOR (CE) e a pesquisa revelou que quase a integralidade dos ambientes com climatização artificial mostrava-se com os níveis de CO2 acima dos limites recomendados pelas normas técnicas nacionais.

Também em 2006, no período compreendido entre os meses de junho e dezembro, Coutinho Filho et al (2006) avaliaram, na cidade de João pessoa (PB), o conforto ambiental de uma escola municipal e concluíram que nenhuma das salas de aula monitoradas atendiam à normatização estabelecidas para conforto térmico e acústico, sendo, portanto, consideradas desconfortáveis.

No ano de 2008, Nascimento (2008) realizou um estudo no Campus 2 da USP de São Carlos (SP) monitorando níveis de temperatura, umidade relativa, ruído, Compostos Orgânicos Voláteis (COV’s) e Material Particulado (MP). Ele constatou valores inadequados de ruídos e temperatura durante a ocasião da amostragem e que a concentração de material particulado se alterava conforme o ritmo de aulas.

Alves (2009) monitorou as concentrações de material particulado (MP) dentro e fora de salas de aula de 3 colégios de ensino básico da cidade de Colombo (PR) e explorou a presença de sintomatologia do trato respiratório nos alunos. Esta cidade tem sua economia focada em indústrias produtoras de cal, e a caracterização química do MP amostrado possibilitou avaliar a interferência das emissões industriais na QAI das escolas, sendo que elementos como Ca, S, Cl, Pb e As, que podem ser originados nestas indústrias, mostravam-se em percentuais elevados.

Morais et al. (2010), em uma IES da cidade de Itumbiara (GO), avaliaram as características microbiológicas apresentadas no ar interior e concluíram que o ar de mais da metade das salas avaliadas estava contaminado com contagens bacterianas acima do limite proposto pela ANVISA, mostrando haver um desconforto ao bem-estar dos discentes e docentes que se expõem por tempo prolongado nestes espaços, podendo trazer sérios infortúnios à saúde.

2.2.2 Estudos internacionais

O quadro 4 traz seis relevantes estudos internacionais, indicando seus autores, local onde a pesquisa foi realizada e a relação dos principais parâmetros de QAI cujos níveis foram monitorados.

Quadro 4 - Estudos internacionais relacionados a parâmetros de QAI.

Fonte: Adaptado de COMIN, T. T. (2012).

A seguir, mostrar-se-á os comentários feitos por COMIN, T. T. (2012) sobre os objetos dos estudos dos pesquisadores citados no quadro 4, relacionados a parâmetros de QAI.

Lee e Chang (2000) avaliaram a qualidade do ar interno e externo em cinco escolas de Hong Kong (China), que eram ventiladas artificialmente com ar-condicionado ou ventilador de teto, e concluíram que os principais problemas nas salas de aula monitoradas eram os altos níveis de MP10 e CO2.

Já, Blondeau et al. (2005), monitoraram diversos parâmetros como MP, CO2 e COV’s (ozônio, monóxido e dióxido de nitrogênio) em escolas de La Rochelle (França) e verificaram que facilitar a renovação do ar no interior das salas de aula, pode apresentar melhora nas concentrações de CO2, mas piorar os índices de ozônio.

Fromme et al. (2007) avaliaram a qualidade do ar no interior de escolas da cidade de Munique (Alemanha) e compararam os níveis de poluentes no inverno e no verão, verificando que no inverno as concentrações são muito maiores e que as mesmas diminuem proporcionalmente ao aumento da umidade relativa do ar.

Pesquisadores Ano Local Temp. Umid. CO2

LEE e CHANG 2000 China X X X

BLONDEAU et al. 2005 França X X X

FROMME et al. 2007 Alemanha X X X

ALI et al. 2009 Jordânia X X X

SHAUGHNESSY et al. 2011 Estados Unidos X X X

Ali et al. (2009) promoveram um estudo abrangente relativo à qualidade de ambientes internos em colégios da Jordânia. Também quantificaram e analisaram os poluentes existentes e sugeriram diversas estratégias com o objetivo de melhorar o estado encontrado. Desaprovaram a não existência de estudos relacionados à QAI com foco na saúde, conforto e desempenho dos alunos.

Shaughnessy et al. (2011) relacionaram as taxas de ventilação em salas de aula com o desempenho acadêmico de 100 estudantes de ensino fundamental de dois distritos do sudoeste dos Estados Unidos. Uma das conclusões deste trabalho foi que há uma correlação linear crescente entre as taxas de ventilação e o desempenho acadêmico de alunos, para a faixa entre 0,9 e 7,1 L/s de ar por pessoa, ou seja, quanto maior a taxa de ventilação, melhor era o rendimento dos estudantes.

E por último, Satish et al. (2012), promoveram o estudo chamado: O CO2 é um poluente de interior? Efeitos diretos de concentrações baixas a moderadas de CO₂ no desempenho humano da tomada de decisão”, descobriu que quando os níveis aumentaram de 600 partes por milhão (ppm) a 1.000 ppm e 2.500 ppm, houve estatisticamente reduções significativas no desempenho nas salas de aula; em alguns casos o desempenho de tarefas chegou a ser classificado como “disfuncional” quando em níveis de 2.500 ppm.

É importante destacar que cada país tem suas características climáticas predominantes que conferem aos diferentes biótipos respostas fisiológicas distintas, p o r e s s e m o t i v o , muitas conclusões de trabalhos sobre Qualidade do Ar Interno - QAI não podem ser universalizadas para qualquer ambiente e população.

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