5.5 Águas pluviais
6.1.3 Quantificação das vazões e cargas poluidoras
6.1.3.1 Águas de lavagem
Antes de ser submerso, o piso deverá ser completamente varrido e, em seguida, lavado. As águas de lavagem serão recolhidas com a utilização de bombas a partir de pocetos e encaminhadas para tratamento. Quando está previsto o serviço de lavagem, as seguintes considerações devem ser observadas.
• A previsão do volume de água de lavagem gerada; com a vazão média de cada
mangueira e a quantidade total de mangueiras usadas ou a medição total da vazão pela marcação de hidrômetro;
• O ponto em que a água de lavagem será bombeada para o tratamento;
• A amostra da água de lavagem será recolhida quando a água começar a escorrer no poço;
• O tempo entre o início e o final do fornecimento de água para a lavagem do piso;
• Os tipos de resíduos que estão sendo carreados;
• A possibilidade de chuvas;
• A capacidade do tanque de armazenamento.
6.1.3.2 Águas de jateamento
Durante as operações de jateamento, deverão ser instalados hidrômetros nas redes de alimentação das máquinas de jateamento para medição e controle da vazão, e, em paralelo, deverá haver um controle do tempo em que estas máquinas estarão operando, podendo ser através de horímetros, instalados nas próprias máquinas. Estas operações poderão ser simplificadas quando nos manuais dos equipamentos já houver a indicação de qual o volume de água jateada em um período de tempo. Para a quantificação das cargas poluidoras, dos efluentes líquidos e dos resíduos sólidos lançados, serão considerados:
• O histórico dos consumos de água nos trabalhos de jateamento, as medições de
vazões, o tempo de atuação e a quantidade de máquinas que atuam nos trabalhos realizados em uma embarcação e em várias simultaneamente.
• Levantamento da estimativa dos efluentes líquidos a serem coletados por dia em jateamentos individuais e simultâneos, das diversas classes de embarcações, elaborando um histórico.
Frenzel (2001) esclarece que, em estaleiros da Europa e dos Estados Unidos, nas operações iniciais de hidrojateamento, as águas geradas são recolhidas, filtradas ou colocadas em um tanque com câmaras separadoras, sedimentando e filtrando os sólidos, e descartadas sem a necessidade de depuração do tratamento.
6.1.3.3 Águas das embarcações
O texto da Lei nº 9966/00 determina que além do esgoto sanitário e dos resíduos sólidos e oleosos, conforme especificado pela MARPOL 73/78, as águas servidas das embarcações não podem ser descartadas nas águas interiores. Sendo assim, deve haver o controle do descarte desses efluentes, não somente quando atracados, mas também quando docados. Nessas situações, devem ser observados os seguintes cuidados:
a) Águas de lastro
O navio pode ter vários tanques em lastro, portanto devem-se realizar as análises e quantificar o volume de cada tanque que for efetuar o descarte no dique. Os dados referentes aos volumes e quais tanques estão em carga serão disponibilizados nos formulários preenchidos para a DPC, conforme descrito noitem 6.1 subitem c.1.
b) Esgoto sanitário
Os navios, em geral, quando estão docados, mantêm suas operações e cabe ao estaleiro o apoio de terra para o descarte de efluentes e resíduos. Portanto, é necessário prover os diques de sistema de coleta de esgotos sanitários que atenderão às embarcações, conforme ilustrado na Figura 31. No projeto serão estimados os volumes diários de descarregamentos, com base em: históricos de docagens; classes das embarcações; quantidades máximas de navios simultaneamente docados; lotações; consumos mínimos e máximos de água de cada navio e autonomia de seus tanques. Também deverá ser considerada, em condições de pico de fluxo, a utilização do número máximo de encaixes de coleta previstos(UFC 213, 2003).Com
os dados anteriores como referência, calculam-se as vazões finais para cada hipótese de descarregamento.
Para que seja descartado apenas esgoto sanitário, as embarcações deverão ter como rotina a prática da separação dos resíduos domésticos do navio dos resíduos industriais gerados, incluindo as fugas de águas de porão, águas de caldeiras, águas com resíduos de jateamento e pintura, e demais águas residuárias internas.
Figura 31 - Sistema de esgotamento de águas negras de um navio docado. Fonte: Unified Facilities Criteria ,UFC 213 ( 2003), adaptado.
Como uma orientação inicial para as estimativas dos despejos, existem valores de referência baseados nas lotações de embarcações, fornecidos pelo Tratado de Helsinki e MARPOL 73/78. Assim, para o sistema de tratamento e coleta de águas servidas de um navio, pode ser adotado um volume de efluentes de 180L/(homem/dia), considerando 230L/(homem/dia), para navio de passageiro, e maior do que 400 para GT (fragatas). Para águas negras, o volume estimado é de 70L/(homem/dia) (DOCM, 2009).
Em alguns estaleiros dos USA, quando não existe rede pública no local, o descarregamento final do esgoto do navio é realizado através de sistema a vácuo, com tanque coletor central, localizado em área específica no retroporto do estaleiro, recolhendo e destinando o esgoto para a rede pública, Figura 32. O sistema é interligado às embarcações
através de mangueiras flexíveis, que são conectadas ao tanque interno dos navios, Colletion Holding Tank, CHT, e aos pontos de coleta.
Figura 32 - Esquema de sistema fixo de bombeamento de águas servidas e esgotos de embarcações.
Fonte: Própria com base na USEPA, 2004.
Quando o dique é provido de rede coletora pública, efetua-se o lançamento diretamente, porém são necessários determinados cuidados, uma vez que os sistemas de esgoto das embarcações, por reduzirem o consumo de águas, apresentam-se mais concentrados, necessitando, em geral, de inclinações maiores do que as usuais em esgotos da rede pública. Além disso, alguns navios utilizam a água do mar como veículo, apresentando taxas elevadas de cloreto, o que prejudica a operação de uma estação de tratamento de esgoto, ETE, biológica, específica para receber este esgoto.
c) Águas de porão
A quantificação das águas de porão é variável, dependendo do volume de resíduos e efluentes que vazaram e foram armazenados nos respectivos tanques, podendo ser estimado o seu volume pelas dimensões do tanque, considerando o espaço ocupado pelos efluentes e a altura do nível dos líquidos.
d) Águas de resfriamento
O volume do caudal aspirado para as redes de resfriamento dos equipamentos que permanecem em funcionamento é calculado em função da capacidade das bombas, do tempo de atuação e das perdas de carga ocorridas. Ao longo de sucessivas docagens, com os dados registrados pelo tipo de embarcação e a quantidade de equipamentos ligados, pode-se prever de quanto será o volume de água de resfriamento gerado durante o dia.
Quando são bombeadas águas de um ambiente poluído por esgoto, as substâncias poluentes poderão provocar a deterioração dos materiais dos dutos e dos equipamentos. Um exemplo seria o elevado nível de corrosão das redes de resfriamento de cobre, quando estas substâncias reagem com o nitrogênio amoniacal, existente nas águas da Baía de Guanabara.
6.1.3.4 Águas de chuva
A gestão das águas de chuva na bacia do dique pode seguir diferentes diretrizes, sintetizadas pelo fluxograma da Figura 33.
Figura 33 - Fluxograma esquemático com as opções de apresentação das águas pluviais no fundo do dique e as hipóteses de seus descartes.
Para a quantificação da água de chuva, consideram-se as hipóteses com e sem a mistura das atividades industriais, dimensionando-se o tanque receptor, obedecendo às seguintes diretrizes:
Cálculo do índice pluviométrico da região
Com base em informações oficiais ou utilizando pluviômetros, realizam-se levantamentos em área próxima do dique, obtendo os índices pluviométricos mensais dos últimos anos, em geral dez anos. Com estes valores pode-se calcular a chuva média mensal, ou pode-se considerar a probabilidade de 95%, 85% e 75% de ocorrência do índice. Para uma solução mais confiável, a opção de 95% seria a escolha ideal, já a probabilidade de 75% será tolerável e a chuva média mensal com muitos riscos de ser suplantada.
Cálculo da área de captação, correspondente à área do fundo do dique. Estimar o período de tempo de atuação da chuva.
De posse desses dados, calcula-se o volume de entrada: Volume= A x i, considerando-se: A= área de incidência da chuva; i= índice pluviométrico.
Ressalta-se que, no caso de um dique, é preciso que toda a água seja retirada do seu fundo e direcionada para o tanque de equalização, evitando-se o seu desvio e, portanto, considerando-se que o piso deva ser impermeável, não deve ser considerado o coeficiente de Run-off.
Também deverá ser considerada a hipótese do acontecimento de chuvas torrenciais, adotando o maior índice pluviométrico apurado em um período pré-determinado, em geral de dez anos, atuando por um tempo estimado(t) máximo (t= tempo de precipitação máximo,considerado com a probabilidade de ocorrência).Nesta hipótese, o volume será de entrada: Volume= A x i x t. A saída dependerá do tempo necessário para o tratamento do efluente.
No Apêndice 3, há o exemplo de Frenzel (2003) da estimativa do volume de um tanque para armazenamento de águas de jateamento e pluviais. Há também um exemplo aplicado a um dique do Arsenal.