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ANÁLISE DAS ENTREVISTAS COM AS PROFISSIONAIS DA GERÊNCIA DE

REGIONIAS BOA VISTA E CAJURU

Representantes das Regionais

As entrevistas realizadas com as profissionais que são Representantes das Regionais do Ensino Fundamental do Boa Vista e Cajuru, que fazem parte da Coordenadoria de Atendimento às Necessidades Especiais –CANE, tiveram por objetivo apreender a concepção de formação continuada na perspectiva de educação

inclusiva, para os professores da classe comum de ensino regular e para as professoras da sala de recursos multifuncional.

Uma das profissionais entrevistada preferiu gravar a entrevista, leu as perguntas e organizou sua fala de acordo com a sequência. A outra profissional preferiu ler e respondeu escrevendo, seguindo a ordem das perguntas.

As entrevistadas apresentaram relato de como tem sido realizado as formações com as professoras da classe comum de ensino regular e da sala de recursos multifuncionais, do qual apresentaremos recortes pertinentes ao objetivo do trabalho, que é a formação continuada dos professores que trabalham com alunos com deficiência.

As questões das entrevistas foram formuladas de modo a abordarem as ofertas de cursos e formações e quais concepções as fundamentaram.

Nos relatos, analisaremos primeiramente como tem sido a oferta de formação para os professores da classe comum de ensino regular.

5.6.1 Estudos, capacitações e discussões realizadas com os professores da classe Comum de ensino regular e com as professoras da sala de recursos multifuncionais

As Representantes das Regionais apresentaram em sua fala uma compreensão muito mais de assessoramento pessoal que propriamente de formação continuada. De acordo com as entrevistadas, elas fazem visitas às escolas onde tem alunos em atendimento nas salas de recursos multifuncionais, para estarem orientando individualmente o professor regente. A profissional P62 assim o expressa:

“Nós enquanto representantes vamos até as escolas, atendemos, conversamos primeiramente com a pedagoga, sabemos da condição de cada aluno de inclusão e na sequencia conversamos com o professor regente ou profissional de apoio quando a criança tem esse profissional e fazemos a orientação pra cada aluno individualmente, de como trabalhar. Ofertamos a possibilidade de trabalho de atividades pra que esse aluno possa ter esse desenvolvimento. Então essa é uma formação individual”.

Disseram que: 1.Os cursos também são ofertados para os professores da classe comum de ensino regular que tem alunos em atendimento na sala de recursos multifuncionais em seu dia de permanência. 2. Que no decorrer do ano de 2015 foi ofertado um curso nos espaços das regionais, como diz a profissional P63: “A gerencia de apoio à inclusão, a nível regional, realiza com as professoras o curso “Inclusão e o Fazer Pedagógico” que pretende refletir as questões metodológicas nas intervenções com as crianças em inclusão escolar. 3. Que também são efetivadas visitas de assessoramento às unidades para sugestões de intervenções pedagógicas pontuais.

Nestes momentos na escola, observa-se o estudante em sala de aula, analisa-se os materiais pedagógicos do mesmo, sugere-se propostas de ação. 4. Que também realizamos o acompanhamento clínico que a família efetiva e também realizamos encaminhamentos que a pedagoga faz para a Unidade de Saúde”.

As Representantes das Regionais, entendem que os assessoramentos individuais com os professores e a oferta do curso são ações que contribuem para que o professor conheça melhor seu aluno com deficiência e consiga desenvolver um trabalho efetivo com ele. No entanto, é preciso lembrar que nas entrevistas muitos professores disseram não serem incluídos nos assessoramento como o relatou a professora P51: “A professora disse que na Rede não lhe foi oferecido cursos. O próprio professor tem que procurar. A professora coloca que nunca teve contato com a professora da Sala de Recursos Multifuncional. O contato é com a pedagoga e a profissional de apoio. A professora colocou que ela nunca foi chamada para fazer cursos pela SME. Colocaram a tutora então significa que a professora não precisa de cursos”.

Existem divergências no entendimento e concepção de formação entre o que a Coordenadoria de Atendimento às Necessidades Especiais –CANE oferta e o que os professores da classe comum de ensino regular entendem que seria o que corresponde aos seus anseios. Os professores devem ser ouvidos e participarem da elaboração dos cursos e das formações, para se ter aproximações de uma capacitação em serviço que atendesse às expectativas dos professores.

5.6.2 Políticas da secretaria para a formação continuada de professores

Foi pedido às Representantes das Regionais sobre as ações e programas de capacitação desenvolvidas pela CANE para a formação continuada dos professores.

A profissional P62 assim expressou: “Na realidade estou falando em formação, capacitação de professores. A secretaria trabalha no sentido, assim, de formar professores através de formação continuada em grupos e individualmente”. E a profissional P63 coloca que: “Na medida que é ofertado os cursos, bem como o acompanhamento pedagógico pontual na escola, a política inclusiva, busca ser implementada, com base nos documentos oficiais do MEC”.

Como dito anteriormente, o programa das salas de recursos multifuncionais funciona como indicado nos documentos em relação a formação dos professores que realizam o Atendimento Educacional Especializado - AEE, em relação ao professor da classe comum de ensino regular são ofertadas mais assessoramentos e capacitações. A realização de cursos nesta perspectiva fica a critério do professor realizar ou não. E como apresentado nas entrevistas alguns professores por não concordarem com a educação inclusiva não buscam essa formação.

Nesse sentido, o que a Coordenadoria proporciona são intervenções pedagógicas junto ao professor da classe comum de ensino regular que tem aluno em atendimento na sala de recursos multifuncionais. O atendimento individual ao professor é frequente e se caracteriza em atendimento voltado para um fazer pedagógico esvaziado teoricamente, que o supre apenas com um direcionamento para atividades práticas.

A não utilização de referenciais teóricos que sustentem as práticas docentes não possibilita alcançar com o aluno a compreensão e a finalidade pedagógica de tais atividades. O aluno com deficiência não está limitado ao biológico, é um ser cognitivo de múltiplas possibilidades. As atividades proporcionadas não lhe possibilitam a compreensão do todo, para uma formação geral e humana. Se restringe a uma realização de atividades sem a compreensão do que se está realizando, tanto por parte do professor que aplica a atividade, como por parte do aluno que a executa.

5.6.3 Formações oportunizadas aos professores das classes comum de ensino regular e às professoras das salas de recursos multifuncionais

As Representantes das Regionais entendem que são ofertados cursos que abrangem todas as deficiências e que contemplam todos os profissionais. A profissional P63 em sua fala diz que: “São ofertados cursos falando de diversas, de todas as deficiências na realidade, e contemplando todos os profissionais que tenham interesse não somente aquele que hoje tem essa criança, esse estudante de inclusão.

A gente oferta em todos os dias de permanência, todos os dias da semana para que todos os profissionais de área possam participar. Ofertando a questão teórica e ofertando possibilidades práticas também. Porque a gente sabe que cada criança é diferente. Sempre que a gente oferta a possibilidade de formação, de atividade por exemplo pra alguma criança é possível pra uma criança X e pra outra a mesma atividade não vai dar certo. Então a formação é ofertada dessa forma, então a gente oferta a possibilidade teórica e prática também em parceria com as professoras da multifuncional que atendem algumas crianças”.

Percebe-se as divergências de concepção de oferta de formação continuada para os professores da classe comum de ensino regular, e a formação ofertada para as professoras do Atendimento Educacional Especializado, mesmo existindo um programa de formação e ofertas de cursos de acordo com as demandas. O maior direcionamento de formação continuada é para as professoras que fazem o Atendimento Educacional Especializado – AEE.

5.6.4 Subsídios teóricos e práticos os professores receberam

As profissionais entrevistadas relataram que os cursos que estão sendo ofertados tem por objetivo, de acordo com a profissional P63 “refletir as questões metodológicas nas intervenções com as crianças em inclusão escolar”. E a P64 que:

“Busca-se nas formações trabalhar o processo de aprendizagem de cada estudante, considerando o avanço dele por ele mesmo, ou seja, respeitando a individualidade, o ser humano ali, não o CID (laudo) por si só. Busca-se transpor nas formações as barreiras atitudinais, que só serão mudadas com o conhecimento/estudo, oportunizado (nos materiais oficiais) nestas formações. Também é fundamental para a inclusão o envolvimento de toda a escola. O aluno é de todos, não apenas de um professor”.

As profissionais apresentam a mesma concepção de oferta de formação, tanto no que está posto nas Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica, modalidade Educação Especial, quanto no que diz respeito às suas concepções enquanto profissionais que proporcionam e conduzem essas formações. O que é relatado se encontra disposto no Art. 2º, das Diretrizes, sobre o que seja o Atendimento Educacional Especializado – AEE. “AEE tem como função complementar ou suplementar a formação do aluno por meio da disponibilização de serviços, recursos de acessibilidade e estratégias que eliminem as barreiras para sua plena participação na sociedade e desenvolvimento de sua aprendizagem” (BRASIL, 2009).

A formação continuada a que se referendam parece mais ser a ofertada para as professoras que fazem o Atendimento Educacional Especializado, que para as da classe comum de ensino regular. Nas entrevistas as professoras da classe comum de ensino regular ficam expressas a falta de oferta de cursos. No ano de 2015, conforme dados do relatório, foi ofertado o curso “Inclusão e o fazer pedagógico” que aconteceu nas Regionais e no dia da permanência dos professores da classe comum de ensino regular que tinham alunos em atendimento na sala de recursos multifuncionais.

Existe oferta de cursos, no entanto, parece não existir a compreensão de que se caracterizem em formação continuada que envolva principalmente, as professoras da classe comum de ensino regular da Rede Municipal de Educação. A percepção dos professores é de que esta oferta não supre a contento as necessidades de uma formação continuada na perspectiva da educação inclusiva para a efetivação da educação inclusiva.

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